Resenha - Cubanajarra - Velhas Virgens

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Resenha - Cubanajarra - Velhas Virgens


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Em 2006, ao completar duas décadas de atividade, o sexteto paulistano Velhas Virgens não optou pelo caminho fácil das coletâneas comemorativas e demais picaretagens que a indústria fonográfica adora. Ao invés disso, a maior banda independente do Brasil arriscou novamente e preferiu um disco de inéditas, tão básico e sacana como seus primeiros dois álbuns de estúdio, “Foi Bom Para Você?” (1995) e “Vocês Não Sabem Como É Bom Aqui Dentro” (97). E acredite, a escolha não poderia ter sido mais acertada: com “Cubanajarra”, calcado no tema da pirataria, as Velhas emplacam um disco que desde já pode ser considerado um dos melhores do ano no Brasil, ensinando o que é rock ‘n roll de verdade para bandinhas da moda como os Detonautas e o Charlie Brown Jr. Aliás, alguém mande este CD de presente para o Chorão, por favor.

Nota: 9

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Uma coisa é fato: mesmo que seu último disco de inéditas, “Carnavelhas” (2004), seja uma deliciosa mistura de rock, sexo e marchinhas de Carnaval, a discografia dos caras tinha ficado marcada negativamente pelo sabor amargo da bolacha anterior, “Com A Cabeça No Lugar” (2003) – CD que é sem dúvidas o mais fraco da carreira do grupo e que carrega uma pecha de “politicamente correto” e “quadrado” demais, o que é surpreendente em se tratando de toda a trajetória das Velhas. Houve quem brincasse ao dizer que as Velhas, afinal, tinham envelhecido. Com “Cubanajarra”, produzido brilhantemente pelo mesmo Paulo Anhaia (alter-ego de Paul X, do MonsteR) dos primeiros lançamentos do grupo, a coisa muda completamente de figura. E o que vemos - e principalmente ouvimos - é uma banda que ganhou um bem-vindo sopro de vitalidade, se reciclando e ao mesmo tempo voltando às raízes com sonoridade e letras diretas, retas e sem frescuras, calcadas nos três pilares básicos: rock, sacanagem e bebida. Não necessariamente nesta ordem. Mas de preferência, sempre rasgando o verbo.

O disco abre com a empolgante faixa-título, uma homenagem ao estilo de vida dos corsários e suas garrafas de rum (que com Coca-Cola se transforma em cuba, bom para se beber na jarra. Entendeu? :-P) com aquele tipo de refrão que já dá vontade de sair cantando junto. O resto, meu caro, é só alegria. O rockão das antigas com a dose certa de blues que caracteriza as Velhas há anos está explícito em canções como “Gim no Pingado”, “Mea Culpa”, “Bafo de Jibóia”, na autobiográfica “Paulão Foi Pro Bar” (cantada pelo baixista Tuca) e em “Dinheiro Para Torrar” e sua guitarrinha a la Keith Richards. “As Mulheres e Nelson Rodrigues” e “Tudo que a gente faz é pra ver se come alguém”, por sua vez, são candidatas imediatas a se tornarem hinos absolutos da banda e devem funcionar muito bem ao vivo, que é onde as Velhas mostram a sua real força.

Destaque ainda para o country rock de “Arca de Noé”, para a modernosa “Quero te ver gozar pelo cu” (uma das letras mais pornográficas das Velhas até então e que chega a usar até inéditos elementos eletrônicos) e para a fantástica “Esse seu buraquinho” – com cara de baladinha semi-acústica tocada no boteco com os amigos e cheia de coraizinhos do tipo Jovem Guarda. O tema, meu caro, é exatamente este que você está pensando.

”Cubanajarra” só não leva nota 10 por um único motivo: a faixa de número 6, “Seu Garçon”. Justamente a única música cantada unicamente pela mais nova integrante das Velhas, a jovem vocalista Lili. Ela pode ser uma bela exemplar da Terra do Sol Nascente, na medida certa para deixar os marmanjos de queixo caído. Mas não dá para esconder: a música em questão é um punk rock bobinho de levada pop e vocal macio, que acabou ficando muito mais parecido com o som dos cariocas do Leela (?) do que com as boas Velhas de guerra. No meio das outras 12 faixas, “Seu Garçon” soa deslocada e causa estranhamento já na primeira audição. Não funciona e pronto. Ainda bem que existe o botão de “skip”.

No mais, o resultado final é brilhante. Um brinde a este grupo sem papas na língua e que, sem o apoio de qualquer multinacional e seus maravilhosos jabás (hã? isso existe mesmo?) segue em frente firme e forte, de bar em bar pela noite, atrás de cerveja e mulher – mas que não seja nem velha e nem virgem, por favor.

Line-up:
Paulão de Carvalho: vocais
Lili: vocais
Alexandre “Cavalo” Dias: guitarras
Caio Andrade: guitarras
Tuca: baixo
Lips Like Sugar: bateria

Tracklist:
1. Cubanajarra
2. Gim no Pingado
3. As Mulheres e Nelson Rodrigues
4. Dinheiro Para Torrar
5. Esse Seu Buraquinho
6. Seu Garçon
7. Mea Culpa
8. Tudo que a gente faz é pra ver se come alguém
9. Arca de Noé
10. Bafo de Jibóia
11. Cretina
12. Paulão Foi Pro Bar
13. Quero te ver gozar pelo cu

Gravadora:
Gabaju Records (www.gabaju.com.br)

Site Oficial:
http://www.velhasvirgens.com.br

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Sobre Thiago El Cid Cardim

Thiago Cardim é publicitário e jornalista. Nerd convicto, louco por cinema, séries de TV e histórias em quadrinhos. Vegetariano por opção, banger de coração, marvete de carteirinha. É apaixonado por Queen e Blind Guardian. Mas também adora Iron Maiden, Judas Priest, Aerosmith, Kiss, Anthrax, Stratovarius, Edguy, Kamelot, Manowar, Rhapsody, Mötley Crüe, Europe, Scorpions, Sebastian Bach, Michael Kiske, Jeff Scott Soto, System of a Down, The Darkness e mais uma porrada de coisas. Dentre os nacionais, curte Velhas Virgens, Ultraje a Rigor, Camisa de Vênus, Matanza, Sepultura, Tuatha de Danaan, Tubaína, Ira! e Premê. Escreve seus desatinos sobre música, cinema e quadrinhos no www.observatorionerd.com.br e no www.twitter.com/thiagocardim.

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