A música é, sem sombra de dúvida, a forma de arte mais apaixonante que existe. Acessível a todos, é capaz de levar mente e corpo em experiências inesquecíveis e transformadoras. Chegar em casa, abrir um CD, colocá-lo no player e ouvir até onde a imaginação de nossos artistas preferidos foi capaz de ir é maravilhoso.
Nota: 10 









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Este desejo em unir o rock e o metal à música clássica, levando os dois gêneros até o limite da criatividade dos músicos e compositores, nunca alcançou frutos dignos de nota. As tentativas furadas do Metallica e do Scorpions, por exemplo, só serviram para dar novas roupagens a velhos hits, empurrando novas versões de seus clássicos garganta abaixo dos fãs. Enquanto grupos como o Deep Purple primaram muito mais pela originalidade e ineditismo da fusão do que pelo resultado alcançado, bandas como Blind Guardian e Rhapsody desde sempre pensaram e desenvolveram arranjos épicos influenciadíssimos pelas idéias de inúmeros compositores clássicos. Mas, em nenhum dos casos citados, esta união soou tão orgânica, tão grandiosa, tão competente, como a que ouvimos neste novo álbum do Rage.
Em um gênero tão populoso, e em certos aspectos, tão saturado como o heavy metal, a expressão elaborada por Charles Darwin no século XIX soa mais forte do que nunca. Só os fortes sobrevivem, só quem tem talento será lembrado, apenas os que não tem medo de experimentar terão o seu lugar assegurado na história. Peter “Peavy” Wagner, Victor Smolski e Mike Terrana acabaram de conquistar o seu com “Speak Of The Dead”.
O álbum é dividido em duas partes distintas. A primeira, a incrível “Suite Lingua Mortis”, é apresentada em oito partes, e mostra até onde vai a capacidade criativa do grupo. Nela, o principal destaque é a coesão absurda entre o grupo e Orquestra de Minsk. Quem encara a música não apenas como um elemento de lazer e entretenimento, mas como uma forma de expressão e arte, ficará de queixo caído. Arranjos fascinantes, andamentos surpreendentes e, por mais que eu tente encontrar novos adjetivos, ficaria horas tentando colocar em palavras tudo o que esta primeira parte de “Speak Of The Dead” me fez sentir.
A segunda apresenta um Rage mais tradicional, executando com perfeição o heavy metal que o conduziu à fama. Músicas com andamentos rápidos, riffs despejando peso e o vocal primoroso de “Peavy” trazem um grande sorriso ao rosto de qualquer headbanger. “No Fear”, “Soul Survivor”, “Kill Your Gods” e “Speak Of The Dead” são os títulos de algumas faixas que figurarão desde já entre as preferidas dos fãs.
O grupo transpôs este cuidado com as composições também para a parte gráfica do disco. A capa e todo o encarte apresentam uma direção de arte que salta aos olhos, e que torna ainda mais completa a experiência de ouvir o álbum.
Não sei o que o futuro preparou para o Rage. Não sei para onde o talento destes três músicos fantásticos pode levá-los daqui para frente. Mas uma coisa está bem clara: em “Speak Of The Dead” o grupo atingiu o seu topo criativo até o momento e gravou não apenas o seu melhor álbum, como também um dos melhores discos de heavy metal da última década.
Sem exagero algum, um trabalho que já nasce clássico e obrigatório, como poucos que ouvi em toda a minha vida.
1. Morituri te Salutant
2. Prelude Of Souls
3. Innocent
4. Depression
5. No Regrets
6. Confusion
7. Black
8. Beauty
9. No Fear
10. Soul Survivor
11. Full Moon
12. Kill Your Gods
13. Turn My World Around
14. Be With Me Or Be Gone
15. Speak Of The Dead
16. La Luna Reine
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Ricardo Seelig colabora com o Whiplash desde 2005. É o editor do blog Collector´s Room, um dos mais lidos do Brasil, e colaborador da revista poeira Zine.
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