Eu vou ser bem sincero com vocês: o meu contato com o Manowar se resume até hoje ao álbum “Louder Than Hell”, que comprei por curiosidade, ouvi e, depois de um tempo, troquei por algum material que me despertava um interesse maior. Antes que os mais radicais encham a minha caixa postal de mensagens, este é o motivo que diferencia este review dos outros já publicados aqui no Whiplash!: ele não foi feito por um fã incondicional do grupo, mas sim por alguém com distanciamento suficiente para olhar o trabalho da banda com uma visão crítica, pura e simplesmente.
Nota: 9 








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Musicalmente é dificílimo não gostar de Manowar. O heavy metal tradicional executado pelo grupo é de uma competência ímpar. A energia e a paixão pela música, junto ao apoio dos fãs, são o principal combustível que mantém a banda na estrada há mais de vinte anos, e neste DVD não é diferente. Mesmo que você não seja fã do Manowar ou não curta heavy metal, é impossível não se contagiar ao assistir o grupo tocando com a alma enquanto enlouquece o público. Neste aspecto, “Hell On Earth Part IV” vai além de um simples DVD e se transforma em um manifesto sobre o quanto a música é importante em nossas vidas.
A opção do grupo em intercalar canções completas gravadas em diversas partes do planeta com depoimentos dos fãs, trechos de entrevistas e tudo o mais que cerca a atmosfera de um show do Manowar se mostra acertadíssima, com o DVD ganhando um ritmo que não cansa.
Eleger os destaques musicias seria desnecessário, mas algumas faixas merecem uma atenção especial. A principal delas é a versão para o clássico de Elvis Presley, “An American Trilogy”, gravada com participação de orquestra e coral em um prograva de TV alemão. “Brothers Of Metal”, “Call To Arms”, “Warriors Of The World United”, “Spirit House Of The Cherokee” e o set acústico com “Swords In The Wind”, “Master Of The Wind” e “Courage” são outros momentos altos do DVD.
Muito além da música, o que torna “Hell On Earth” divertido e obrigatório é toda a atmosfera que cerca um show do Manowar. Dezenas de mulheres seminuas, fãs apaixonadas, declarações de admiração mútuas entre a banda e os fãs, enfim, um tratado sobre o que muitos julgam ser o “metal way of life”.
Fechando este review, gostaria de fazer duas considerações pessoais. Em primeiro lugar, apesar de ter gostado muito de “Hell On Earth”, sou da opinião que você não precisa se comportar como um viking da Idade Média só porque gosta de heavy metal. A música é, e deve ser, importante na vida de cada um de nós, mas não deixe ela ditar a sua vida. Afinal, usar calça de couro em um país tropical como o nosso não é atestado de amor a um grupo, mas, no mínimo, de estupidez.
E, em segundo lugar, assistindo o DVD me veio uma constatação e uma certeza à cabeça: todo este visual “Massacration” do grupo, com roupas de couro e discursos inflamados para todos os lados, me parece muito mais uma coisa dos fãs do que da própria banda. Eric Adams, Joey De Mayo, Karl Logan e Scott Columbus, além de serem ótimos músicos, são também pessoas extremamente inteligentes, que sabem a força que o nome da banda possui, e alimentam isso de todas as formas possíveis. É por isso que, muito mais do que ficar falando sobre a música do Manowar, como publicitário eu não tenho outra saída a não ser dar os parabéns aos quatro por terem criado e alimentado durante todos estes anos um sólido nicho de mercado: o dos “brothers of metal”, fãs incondicionais não apenas da música, mas de tudo o que cerca o grupo.
E, concordando ou não, esta é uma das razões que nos faz gostar tanto de metal, e, simultaneamente, torna o estilo tão forte em todo o mundo. Vamos lá então: “death do false metal”, “hail to Manowar”, ...
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Ricardo Seelig colabora com o Whiplash desde 2005. É o editor do blog Collector´s Room, um dos mais lidos do Brasil, e colaborador da revista poeira Zine.
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