Confesso que não sou muito fã destes álbuns que, mesmo antes de serem lançados oficialmente, já são aclamados como obras-primas definitivas. Com o nível de expectativa (e de exigência também) lá em cima, a chance de desapontarem os fãs é enorme, tornando-se verdadeiros banhos de água fria. Mas este “The Battle” é especial.
Nota: 9 








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Os méritos maiores, apesar da badalação em cima de Allen e Lande, acaba sendo do pouco conhecido guitarrista Magnus Karlsson (Starbreaker, Last Tribe), autor de todas as músicas e co-produtor do álbum, ao lado de Anders Theander. Suas composições transpiram inspiração, emulando e reunindo as melhores passagens do metal melódico e do rock de arena dos anos oitenta. Além disso, Magnus se mostra um ótimo guitarrista, entregando excelentes solos em praticamente todas as músicas.
Mas o que tem levado milhares de fãs a comprar o álbum é o encontro dos dois vocalistas, a tal batalha sugerida no título, e neste aspecto podemos considerar o resultado final como um empate com gosto de vitória. Russel Allen e Jorn Lande dividem os vocais em seis das doze faixas, e cada um solta a voz também em três faixas “solo”.
Os melhores momentos, como não poderia deixar de ser, acontecem quando os dois contrapõe os seus excelentes vocais na mesma música. Já na abertura, com “Another Battle”, dona de um refrão pegajoso que nos leva de volta à década de oitenta, dá para sentir que estamos ouvindo um trabalho bem acima da média. A empolgante “Wish For A Miracle” também se sobressai, e nela o contraponto entre a voz limpa de Allen e o vocal um pouco mais agressivo de Lande é de um bom gosto único. As guitarras desta faixa também merecem destaque, tanto nos riffs quanto no longo e belíssimo solo de Magnus Karlsson.
O confronto entre os dois vocalistas acontece também em “Come Alive”, a faixa mais pesada do álbum e que agrada à primeira audição. “Truth About Our Time” é metal melódico puro, com passagens vocais excelentes tanto de Russel quanto de Jorn. “Silent Rage” tem um riff que lembra os melhores momentos do Dio, enquanto a balada “The Forgotten Ones” fecha o álbum com belíssimas linhas vocais, com as duas vozes se completando e levando a música para outro nível.
Em seus momentos “solo’’ “The Battle” também nos entrega excelentes canções. Russel Allen dá uma aula em “Hunter´s Night”, e é impossível não ficar com o queixo caído ao ouvir a sua voz nesta música. “Universe Of Light” tem uma estrutura que une o peso a momentos feitos sob medida para a voz de Allen ganhar destaque, além de possuir um dos melhores refrãos do álbum. Já a mediana “Ask You Anyway” só se salva mesmo pela performance irretocável do vocalista do Symphony X.
Já Jorn Lande brilha sozinho na melosa e chatinha “Reach A Little Longer” e dá um show na melódica “My Own Way Home” e na cadenciada “Where Have The Angels Gone”, mostrando, com folga, porque é uma das vozes mais respeitadas do metal.
O álbum ganha versão nacional pela Hellion Records, em uma edição com um encarte de dezesseis páginas com todas as letras, além de diversos “sketches” mostrando a evolução da arte da capa.
Para fechar, na minha opinião o projeto deveria se chamar Allen/Lande/Karlsson, já que a participação de cada um é determinante para o ótimo resultado final alcançado. Um grande álbum para quem curte não só o trabalho do Symphony X e do Masterplan, mas, principalmente, boa música. Compre sem medo.
Faixas:
01. Another Battle (Jorn Lande e Russel Allen)
02. Hunter´s Night (Russel Allen)
03. Wish For A Miracle (Jorn Lande e Russel Allen)
04. Reach A Little Longer (Jorn Lande)
05. Come Alive (Jorn Lande e Russel Allen)
06. Truth About Our Time (Jorn Lande e Russel Allen)
07. My Own Way Home (Jorn Lande)
08. Ask You Anyway (Russel Allen)
09. Silent Rage (Jorn Lande e Russel Allen)
10. Where Have The Angels Gone (Jorn Lande)
11. Universe Of Light (Russel Allen)
12. The Forgotten Ones (Jorn Lande e Russel Allen)
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Ricardo Seelig é editor do blog Collectors Room - www.collectorsroom.blogspot.com - e colaborador das revistas poeira Zine e Rolling Stone. Escreve para o Whiplash desde 2005.
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