Ao ouvir “Consign To Oblivion” entendemos perfeitamente o porquê de Mark Jansen ter abandonado o After Forever. Se afastando de qualquer resquício “power” e criando temas que apostam claramente no goticismo de fortes tendências líricas e sinfônicas, Jansen firma sua personalidade e pavimenta o caminho deste instantâneo-respeitado sucesso que é o Epica.
Nota: 9 








O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

“Blank Infinity” alterna a rapidez com ocasiões exclusivas de Simmons, elevando a empatia da música. “Force Of The Shore” é a primeira faixa realmente pesada e não por acaso, a primeira onde os guturais e screams de Mark Jansen aparecem em evidência, explorando o recurso “beauty and the beast”, numa composição redonda e empolgante. “Mother of Light” só perde em qualidade para a faixa título, repleta de digressões, paradas, traços operísticos, ascensões, conjunção irretocável de elementos numa simbiose fantástica (veja o que acontece a partir dos quatro minutos) e a efetiva contribuição de Coen Jassen nos sintetizadores, é um momento deveras envolvente. “Trois Vierges” é um belíssimo dueto entre Simone e Roy Khan, que retribui o favor que Simmons prestou no último álbum do Kamelot, repetindo a dobradinha. A amizade entre as bandas é tão grande que as duas irão fazer turnê conjunta pelo Brasil, e, dada a qualidade de seus mais recentes lançamentos, facilmente entre os melhores do ano em seus respectivos nichos de mercado, este show tem tudo para ser ótimo e firmar a reputação de ambas em nossas terras.
Como no debut, que fechava com a faixa-título, sendo esta a composição mais longa do álbum, a fórmula se repete aqui. “Consign To Oblivion” reúne dramaticidade, velocidade, suavidade, peso, e toda classe e inteligência na variação de arranjos, melodias, vocais e climas que ficara evidente nos dez atos anteriores.
Tecnicamente nenhum dos integrantes consegue assombrar, mas, não sendo este o objetivo, torna-se claro a suma importância da contribuição de todos no resultado gerado, sendo originais não no sentido de inovar mas de fazer o melhor possível dentro de sua proposta (e é esta a concepção grega da coisa).
Precisaria falar algo sobre a produção se os responsáveis não fossem Sascha Paeth, Olaf Reitmeier, Philip Colodetti & Miro e a mesma não tivesse sido feita no Gate Studio, na Alemanha. Mas foi. E tudo é polido, claro e aperfeiçoado à exaustão, mesmo com tantos detalhes adicionais (corais, orquestra, sintetizadores e elementos extras), nada soa deslocado ou inapropriado para o objetivo, esmero de profissionais experientes que confere singularidade ao trabalho.
O gothic metal do Epica é muito mais reflexivo do que lamurioso, o que faz toda diferença. E, ao contrário de todas estas bandinhas de "dark-wave/psychotic-dance/sinister/melodic/extreme/symphonic/ gore-gothic", eles sabem o que querem, o que fazer, e de que forma fazer. Execução e criatividade aprovadas. Um grupo incipiente, sim, mas que já assume a vanguarda do gênero e demonstra uma maturidade que poucas outras agremiações mais antigas conseguiram atingir.
Formação:
Simone Simons (Mezzo-Soprano)
Mark Jansen (Guitarra/Vocais Scream)
Ad Sluijter (Guitarra)
Yves Huts (Baixo)
Jeroen Simons (Bateria)
Coen Janssen (Sintetizadores/Teclados)
Site Oficial: www.epica.nl
Material cedido por:
Hellion Records
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Maurício G. Angelo odeia definições. Acha que não entende nada de música, mas o suficiente. Pseudo-jornalista, pseudo-crítico e pseudo-escritor. Não gosta de explicar ironia. Escreve no Whiplash! desde 2003. Colaborou para uma série de veículos, como a revista Roadie Crew e os sites Rock Press, Duplipensar e Simplicíssimo. Ouve tudo aquilo que lhe interesse: do blues ao metal extremo, passando pelo pop, progressivo, clássico, jazz, eletrônico e MPB. Peca pelo tesão, nunca pela inércia. Alfabetizado, chato, detalhista e exigente: está continuamente tentando aprender a ler, e tem orgulho disso. Passou bons momentos ao lado de Rubem Braga, George Orwell, Pink Floyd e tantos outros. É apaixonado por palavras, pelo som e pelo silêncio. Erra muito. Muda mais ainda. E se permite ser hiperbólico, às vezes.
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