Nota: 9 








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O que eu afirmei acima se explica da seguinte maneira: muitos fãs ficarão felizes e outros frustrados. Achou estranho? Os fãs ficarão felizes porque a banda continuou a proposta iniciada em “Ritual”: um som mais básico, mais voltado para o metal oitentista e fugindo do metal melódico. E muitos ficarão frustrados porque se em “Ritual” o Shaaman já dava sinais de desligamento com o metal melódico, em “Reason” a coisa é bem mais profunda, quase uma ruptura. Se “Ritual” foi um tapa na cara dos fãs de metal melódico, “Reason” é um soco no estômago. A questão que fica é... o resultado compensa?
“Turn Away” (apresentada ao vivo já há algum tempo) mostra que sim: “riffs” mais diretos, afinação mais baixa, e um André Matos cantando de forma mais rasgada e contida. “Reason” já flerta com o hard-rock de maneira explícita, e soa agradabilíssima aos ouvidos.
Lembra que eles iriam gravar um “cover” dos anos 80? Pois é... só que não espere Deep Purple, Sabbath, Led ou Iron. A escolhida foi “More” do (!) Sisters of Mercy, cujo começo assusta pelos efeitos eletrônicos, porém a música cresce, e se torna um rock de respeito, embalado pelas guitarras de Hugo Mariutti (que neste cd mostra uma evolução impressionante). Já “Innocence” é uma bela balada, escolhida para ser o primeiro single.
O cd nos traz um Shaaman maduro e consciente, apostando na fusão do hard com o metal oitentista em “Scarred Forever” (cujo andamento é excepcional) e na boa “In the Night” (com teclados e orquestrações muito bem executados). “Iron Soul” já traz alguns elementos percussivos, enquanto que “Iron Soul” é o elo de ligação com o que sobrou de metal melódico no som da banda. “Trail of Tears” e “Born to Be” (outra linda semi-balada) trazem um Shaaman mais “Dark”, apostando inclusive na incorporação de momentos góticos para ajudar nos climas atmosféricos. A destacar a competência de Luís no baixo e de Ricardo Confessori na bateria.
Porém um fato é preocupante: o vocalista André Matos demonstra uma mudança crítica em seu modo de cantar, apostando nos tons mais baixos e na agressividade. Para um vocal que se caracterizou nos timbres agudos como ele, tal mudança é um forte desafio, por isso considero que ele ainda pode evoluir mais, embora tenha feito um grande trabalho. Porém, espero muito mais do grande músico que é André Matos no próximo cd da banda.
Um bom CD. Não tão acessível quanto “Ritual”, cheio de nuances e detalhes, e um tanto complicado para escutar. Vai desagradar a vários fãs que esperavam um Shaaman mais ligado ao passado de seus integrantes, mas uma obra que merece destaque, pela ousadia e pela competência. Antes de criticar, ouça o CD.
Material Cedido Por:
Deckdisc Prod. Art. Ltda
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São Paulo (SP)
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Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?
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