WHIPLASH.NET - Rock e Heavy Metal!

Flames Of Fate - Meltdown

Por Maurício Gomes Angelo | Em 26/05/04
Enviar por emailEnviar correção

Nota: 8

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

Imagem
Minas Gerais sempre ocupou lugar de destaque no heavy metal brasileiro, seja com bandas calejadas e seminais como Sepultura, Sarcófago e Chakal, seja com revelações mais recentes como Thespian, Betrayer e Thuatha de Dannan, dentre tantas outras. O fortíssimo underground mineiro faz justiça à sua história e dá seqüência a esta maravilhosa geração na forma da banda Meltdown.

Com seu primeiro núcleo formado em meados de 1996, e com a criação da Meltdown propriamente dita ocorrida no inicio de 2003 por Thales e Júlio, é fácil reconhecer as influências de heavy tradicional e power metal na banda. Seu som pode ser considerado uma fusão desses dois estilos aliada a uma pegada mais hard, o que garante belos e convincentes riffs, guitarras velozes e bem trabalhadas que ganham força na atuação segura e competente da vocalista Simone. Apesar da garota ter uma óbvia trilha evolutiva pela frente, seu vocal agrada por não apostar tanto em tons agudos (que talvez seja o ponto onde ela mais precise melhorar, mas que quando aparecem não são ruins e irritantes). De resto ela encontrou um ponto interessante entre os tons graves e agudos. Aprimorar a técnica e potência com linhas vocais mais consistentes e dar uma melhorada no inglês, seria um bom caminho a ser seguido. O tempo – sem esquecer do empenho e dedicação - se encarregará de melhorar este vocal.

A dupla de guitarristas acerta em colocar um riff central em cada música, que se desdobram em bases seguras e solos com boa técnica encaixados na harmonia da canção, estrutura clássica que levou ao estrelato várias bandas e que sempre causa uma sensação agradável ao ouvinte, uma fórmula prazerosa e praticamente infalível.

O baterista Júlio, se quiser obter destaque realmente, precisa tomar cuidado e se empenhar em sair destes clichês consagrados que o estilo têm, trabalhar a criatividade, estudar outros estilos, estruturar melhor as músicas usando tudo que o kit oferece e injetar sua própria pegada e força. Potencial não falta, basta trabalhá-lo.

Outra característica da banda são os refrões, que sempre tem seu lugarzinho reservado e as músicas oferecem qualidade para isso.

Falando sobre as faixas em si, “Flames Of Fate” convence como cartão de visitas e gera boa expectativa para o que vem a seguir, “Breaking The Time” (com ecos de Judas Priest), confirma a desconfiança e trás boa dose de peso e velocidade, sendo a mais pegajosa do cd, a oitentista “In The Heart Of The Storm” vem em seguida, com uma interessante mudança de ritmo e um bom solo. Por fim a responsável por ser o hino da banda – que teve sua estrutura trabalhada para isso - “Meltdown” cumpre bem o seu papel, e deve agitar muito os shows, dando espaço para a participação do público.

A produção está muito boa para um cd demo (e até os backing vocals tiveram um efeito positivo, artifício em que as bandas iniciantes sempre se atrapalham). Dentro das óbvias limitações em que trabalharam, devem se orgulhar do resultado final. O encarte trás todas as letras, é simples, funcional e com papel de qualidade.

Boa banda, boa demo, compre, vá aos shows, divulgue e incentive, dê valor ao produto nacional, não por pena ou patriotismo barato, mas porque ele é de qualidade e faz por merecer.

Formação:
Simone (Vocal)
T. Wildness (Guitarra)
Bruno “Wolf” (Guitarra)
Felipe (Baixista Convidado)
Júlio (Bateria)

Site Oficial: www.meltdownband.cjb.net

Todas as matérias da seção Resenhas de CDs
Todas as matérias sobre Meltdown

Os comentários são postados usando scripts do FACEBOOK e logins do FACEBOOK, HOTMAIL, AOL ou YAHOO, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de exclusiva e integral autoria e responsabilidade dos usuários que fizeram uso deste sistema (citados na assinatura de cada comentário). Caso você considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato. Os responsáveis pelo site podem excluir comentários que julgarem inadequados e fornecer informações sobre os comentários a reclamantes se solicitados.

Sobre Maurício Gomes Angelo

Maurício G. Angelo odeia definições. Acha que não entende nada de música, mas o suficiente. Pseudo-jornalista, pseudo-crítico e pseudo-escritor. Não gosta de explicar ironia. Escreve no Whiplash! desde 2003. Colaborou para uma série de veículos, como a revista Roadie Crew e os sites Rock Press, Duplipensar e Simplicíssimo. Ouve tudo aquilo que lhe interesse: do blues ao metal extremo, passando pelo pop, progressivo, clássico, jazz, eletrônico e MPB. Peca pelo tesão, nunca pela inércia. Alfabetizado, chato, detalhista e exigente: está continuamente tentando aprender a ler, e tem orgulho disso. Passou bons momentos ao lado de Rubem Braga, George Orwell, Pink Floyd e tantos outros. É apaixonado por palavras, pelo som e pelo silêncio. Erra muito. Muda mais ainda. E se permite ser hiperbólico, às vezes.

Mais matérias de Maurício Gomes Angelo no Whiplash.Net.

Link que não funciona para email (ignore)

QUEM SOMOS | RSS | FACEBOOK | TWITTER | NEWSLETTER | APPS | ANUNCIAR | ENVIAR MATERIAL | FALE CONOSCO

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria. Os textos não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será retirado do site.

Em abril de 2012 Whiplash.Net teve 1.078.971 visitantes únicos, 2.974.068 visitas e 10.616.661 pageviews. Ver stats.