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Bloodshed - Krisiun

Por Maurício Gomes Angelo | Em 25/12/04
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Nota: 9

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

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É praticamente impossível ler reviews de metal extremo que não usem palavras e construções do tipo: “irá estourar os seus tímpanos”, “fará sua cabeça girar brutalmente”, “putrefação grandiosa”, “o verdadeiro espírito da música negra e sanguinária”, “brutal”, “avassalador”, “destruição sem fim”, “furioso”, “petardo inesquecível”, “a melodia trucidada pela força suprema da carnificina”... e todas as coisas do tipo que estamos cansados de ouvir e já se tornaram vícios de linguagem.

Pois bem, todos esses clichês se aplicam ao novo trabalho do Krisiun, o monstruoso EP intitulado apropriadamente de “Bloodshed”.

Apesar da presença da demo “Unmerciful Order” – item raro de se achar anteriormente – ser um excelente presente para o público, sua produção nitidamente inferior ao restante do material (mesmo com a remasterização) representa um grande anti-clímax no álbum, diminuindo o impacto e a empolgação que sentimos com as 7 primeiras músicas novas.

A opção por andamentos mais “cadenciados” revela-se especialmente suculenta na audição dos riffs afiadíssimos de Moyses Kolesne – onde sobressai-se “Ominous”, a melhor de todas – e no massacre sem fim imposto ao kit de bateria de Max Kolesne, que mais uma vez apresenta linhas velocíssimas e inimitáveis, o que é bem apropriado para a clássica “They Call Me Death” e na nova “Slain Fate”.

O interlúdio extremamente macabro e sombrio de “Eons” mostra o bem vindo nível de experimentação e pluralidade que uma banda deve ter para não se tornar uma cópia de si mesma e prepara-te para a faixa mais insana do material: “Hateful Nature” – grooves simplesmente fantásticos, ótimo exemplo da sincronia perfeita do trio gaúcho. Ousadia e criatividade que se elevam nas duas outras instrumentais: “Voodoo”- fusão de bateria tribal, guitarra psicodélica e baixo consistente - e a agonizante e soturna “Outro/MMIV”, uma experiência progressivamente aterrorizante.

Salvo alguns contratempos, não há nada que se questionar na melhor banda de death metal do mundo, porque a cada trabalho eles tratam de impor mais respeito e terem mais respaldo da mídia e dos fãs.

O Krisiun prova novamente toda a beleza que a brutalidade pode ter e faz a arte da música extrema mais interessante a cada dia.

O sangue está na mesa. Sirva-se quem quiser.

Formação:
Alex Camargo (Baixo/Voz)
Moyses Kolesne (Guitarra)
Max Kolesne (Bateria)

Site Oficial: www.krisiun.com.br

Material Cedido Por:
Century Media Records
Caixa Postal 1240 – São Paulo (SP)
CEP: 01059-970 – Brasil
Fone: (0xx11) 3097-8117
Fax: (0xx11) 3816-1195
Site: www.centurymedia.com.br

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Sobre Maurício Gomes Angelo

Maurício G. Angelo odeia definições. Acha que não entende nada de música, mas o suficiente. Pseudo-jornalista, pseudo-crítico e pseudo-escritor. Não gosta de explicar ironia. Escreve no Whiplash! desde 2003. Colaborou para uma série de veículos, como a revista Roadie Crew e os sites Rock Press, Duplipensar e Simplicíssimo. Ouve tudo aquilo que lhe interesse: do blues ao metal extremo, passando pelo pop, progressivo, clássico, jazz, eletrônico e MPB. Peca pelo tesão, nunca pela inércia. Alfabetizado, chato, detalhista e exigente: está continuamente tentando aprender a ler, e tem orgulho disso. Passou bons momentos ao lado de Rubem Braga, George Orwell, Pink Floyd e tantos outros. É apaixonado por palavras, pelo som e pelo silêncio. Erra muito. Muda mais ainda. E se permite ser hiperbólico, às vezes.

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