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I Made My Own Hell - Vhaldemar

Por Maurício Gomes Angelo | Em 18/10/04
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Nota: 7

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Você odeia o Vhäldemar? Você desconfiou da eleição deles como revelação em revistas especializadas tempos atrás? Você nem se deu ao trabalho de ouvi-los por achar que uma banda que veio da Espanha tocando power metal com guerreiro na capa do CD não merece credibilidade? Você não consegue traduzir em palavras o quão ridículo você acha o nome “Vhäldemar”?

Fiz essas perguntas porque tenho certeza que esses são fatores que fizeram (e fazem) com que muita gente torça o nariz para eles, pois saiba que isso tudo é pura besteira e caem por terra diante do som feito por Carlos Escudero (vocal e guitarra), Pedro J. Monge (guitarra), Oscar Cuadrado (baixo) e Edu Martinez (bateria).

Não me importo se eles vieram do Gabão ou se suas músicas trazem títulos dos mais manjados que possam existir.

Os caras não fazem questão nenhuma de soar originais, diferentes, de usar instrumentos da cultura celta, aborígene, inca ou sei lá o que, eles não têm introduçãozinha babaca no álbum (aquele velho artifício de colocar risinhos de duendes, sons de golfinhos acasalando e coisas do tipo que todas as bandas de metal melódico usam).

Eles não têm vergonha nenhuma de terem se juntado para fazer um som que reúna descaradamente influências de todas as maiores e melhores bandas de power e heavy metal que você sabe quem são.

Eu não sou descendente de espanhóis e não vou ganhar nada falando bem dos caras. Mas o fato é que a música deles é muito boa. Já começam ganhando pontos pelo fato do vocalista Carlos Escudero cantar bem grave e rasgado (algo como o Kai Hansen fez em Walls Of Jericho, lembram?). Segundo: é porradaria veloz e empolgante para ninguém botar defeito. Terceiro: temos dezenas de riffs (quantas bandas melódicas os usam?) e solos á torto e á direito, guiando as músicas com sabedoria sem soar maçante. Ouça a tríade de abertura (I Made My Own Hell, Breaking All The Rules e No Return) e depois venha me dizer que não gostou. Simplesmente não tem como isso acontecer. A não ser que você seja um desses eternos “péla-saco” metidos a intelectuais e que criticam á tudo e a todos sem nem saber o porque. Como já disse, não espere originalidade e perfeição (Old King’s Visions por exemplo, é uma tremenda bola fora), afinal de contas, num álbum que tem músicas com títulos como “House Of War”, “Death Comes Tonight” e “March Of Dooms” você sabe exatamente o que vai encontrar (sim, temos refrãos grudentos aos montes também, claro) e se gosta do riscado, pode comprar sem medo, é o tipo de som que você ouve só para curtir-cantar junto-bangear e ainda pode admirar os solos, legal não? É o tipo de álbum que você tem que ter ao lado de bandas como Dream Theater, Pain Of Salvation e Symphony X (quero deixar claro que amo o progressivo) para poder ter certeza que ainda se faz coisa “simples” – se é que a certa virtuose aqui contida pode ser chamada de simples - no mundo e admirável na primeira audição.

Em suma: O Vhäldemar faz o som que gosta para um público certo. Não vejo nada de mau nisto, e se você é um deles, não tem do que reclamar.

Ah sim! Iria dar 8, mas dei 7 (quem sabe na próxima hermanos?) porque sou honesto, honesto e impiedoso como Lester Bangs (o inventor do termo heavy metal – apedrejem-me) ensinou. Dei 7 porque é bom, e não ótimo, genial e inesquecível, compreendem? Espero que a matemática não seja um empecilho para você. Espero que você também já tenha assistido a “Quase Famosos”, se não, devia.

Lançado em território nacional pela Rock Brigade Records.

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Sobre Maurício Gomes Angelo

Maurício G. Angelo odeia definições. Acha que não entende nada de música, mas o suficiente. Pseudo-jornalista, pseudo-crítico e pseudo-escritor. Não gosta de explicar ironia. Escreve no Whiplash! desde 2003. Colaborou para uma série de veículos, como a revista Roadie Crew e os sites Rock Press, Duplipensar e Simplicíssimo. Ouve tudo aquilo que lhe interesse: do blues ao metal extremo, passando pelo pop, progressivo, clássico, jazz, eletrônico e MPB. Peca pelo tesão, nunca pela inércia. Alfabetizado, chato, detalhista e exigente: está continuamente tentando aprender a ler, e tem orgulho disso. Passou bons momentos ao lado de Rubem Braga, George Orwell, Pink Floyd e tantos outros. É apaixonado por palavras, pelo som e pelo silêncio. Erra muito. Muda mais ainda. E se permite ser hiperbólico, às vezes.

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