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Resenha - Eric Clapton - Eric Clapton

Por Ricardo C. Seelig |

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Como nasce um ídolo? Existe uma fórmula para criar um pop star? Vivemos em tempos estranhos, em que o termo pop vem carregado muito mais de aspectos negativos do que positivos. A música pop, em sua essência, é aquela que faz você feliz, coloca um sorriso no seu rosto e faz você cantar sem parar aquele refrão que não sai tão cedo da cabeça. Mas, para a maioria das pessoas que gostam de música hoje em dia, pop é aquilo que artistas discutíveis como as boy bands e britneys fazem. Ou seja, algo que não combina, em hipótese alguma, com o nosso bom e velho rock and roll.

Mas esse assunto fica para outro dia. A pergunta aqui é: como nasce um Deus? Eric Patrick Clapton foi o primeiro dos guitar heroes. Antes mesmo do advento de Hendrix, Clapton já hipnotizava os ingleses. Todo mundo conhece a história do muro pichado com a frase Clapton is God. Considerado o maior guitarrista do planeta através de sua passagem pelos Bluesbreakers de John Mayall, e elevado à santidade durante o período em que esteve à frente do Cream, Clapton passava, no início dos anos 70, por uma fase de transição em sua carreira.

Ainda vivendo a ressaca do Blind Faith, que, apesar de ter gravado um primeiro e único disco fantástico, não emplacou comercialmente, Clapton não sentia-se pronto para investir novamente em uma banda. Com disposição de sobra para mostrar ao mundo que ainda estava vivo (o que viria a fazer inúmeras vezes durante as décadas de setenta e oitenta), Clapton reuniu os amigos e gravou o seu primeiro disco como artista solo, uma das jóias perdidas do rock and roll.

Lançado em 1970, o clima de reunião entre amigos já estava estampado na contracapa, com todos os envolvidos na gravação e produção do disco lado a lado. Esse clima está presente também na primeira faixa, a instrumental Slunky, uma grande jam entre todos os músicos, que abre o álbum com o astral lá em cima.

O disco segue com o blues Bad Boy e com Lonesome and a Long Way from Home, que servem de introdução para uma seqüência absolutamente matadora. Começando com After Midnight, a primeira versão de Clapton para uma canção de J.J. Cale (o mesmo autor de Cocaine, talvez o maior sucesso de sua carreira solo), o disco segue com a bela acústica Easy Now e a clássica Blues Power, uma das mais famosas canções do guitarrista e que contém também um de seus solos mais memoráveis. Bottle Of Red Wine fecha o quarteto fantástico, com um boogie contagiante.

O álbum segue mantendo o ótimo nível com Lovin´ You Lovin´ Me, Told You for The Last Time e Don´t Know Why, e fecha com a maravilhosa Let It Rain, prima distante de Layla e Bad Love.

A banda que gravou esse disco com Eric Clapton daria origem ao grupo que ele montou na seqüência, o Derek And The Dominos, e acompanhou Clapton por boa parte dos anos setenta, quando o deus da guitarra afundou de vez em seus problemas com drogas e bebidas, mas que, curiosamente, pouco afetaram a qualidade de sua produção.

O primeiro disco solo de Eric Clapton é obrigatório para quem gosta de música, e mostra que o rock e o pop podem andar lado a lado. E, junto do disco ao lado dos Bluesbrakers de John Mayall, do Disraeli Gears do Cream, do disco do Blind Faith e do Layla do Derek And The Dominos, mostra como um simples jovem londrino transformou-se em um dos maiores músicos da história.



Ouvindo:
Deep Purple, You Keep On Moving.

Ricardo C. Seelig, 31 anos, é gaúcho e publicitário, além de um grande colecionador de rock, quadrinhos e cinema. Esse e outros textos podem ser encontrados também em seu site pessoal, www.ricardoseelig.blogger.com.br.

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