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Resenha - Stormbringer - Deep Purple

Por Ricardo C. Seelig |

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

Imagem
Ano: 1974

Este disco foi lançado em novembro de 1974. Eu havia acabado de completar dois anos, e, uma década mais tarde, estaria dando os meus primeiros passos pelo mundo do rock and roll.

Deus possui várias faces. Mas não apenas isso: ele se comunica conosco também com vozes diferentes. No início dos anos setenta, a voz divina tinha duas formas. A primeira, loura, atendia pelo nome de Robert Plant. E a segunda, mais cabeluda ainda, chamava-se Ian Gillan. Era o início dos anos setenta, e o hard rock conquistava de vez os corações e mentes da juventude, com a tríade Led Zeppelin, Black Sabbath e Deep Purple mostrando os caminhos do proto-metal.

Nessa época, o Purple atravessava uma fase conturbada. Após lançar álbuns clássicos como Machine Head e Made In Japan e perder Gillan e Roger Glover, a banda teve que começar de novo. Com Ritchie Blackmore à frente, acompanhado de Jon Lord e Ian Paice, o grupo descobriu em um desconhecido chamado David Coverdale a sua nova voz. E, para fazer o coração do Purple voltar a pulsar, chamaram o baixista e também vocalista Glenn Hughes. Com essa formação ressurgiram das cinzas com Burn, discaço que conta com clássicos como a faixa título, Might Just Take Your Life, You Fool No One e Mistreated. Mas o assunto aqui é o álbum seguinte, Stormbringer.

Com a nova formação mais entrosada, os músicos começaram a se sentir mais confiantes e se soltar mais. E essa é, simultaneamente, a principal qualidade e a principal crítica em Stormbringer. Blackmore, livre de vez da presença de Gillan e Glover, começou a moldar o som que iria fazê-lo brilhar, um pouco mais tarde, com o Rainbow. Mestre no hard rock repleto de melodia, sua mão é muito forte em músicas como Stormbringer, Lady Double Dealer e High Ball Shooter.

Mas os principais destaques do álbum são David Coverdale e Glenn Hughes. Anos antes de brilhar a frente do Whitesnake, Coverdale vai descobrindo sua voz aos poucos e, mesmo que não consiga superar a sombra de Gillan, trilha outro caminho não menos brilhante. E Hughes, que antes do Purple fazia parte de um power trio chamado Trapeze, escancara de vez todas as suas influências funk, que, misturadas ao hard rock clássico de Blackmore, Lord e Paice, fazem de Stormbringer um disco único.

A influência das raízes de Hughes estão claríssimas em faixas como Hold On, Holy Man, You Can´t Do It Right e The Gypsy, repletas de peso e balanço. Ao mesmo tempo em que mostrou ao Purple que um novo caminho era possível, essa mistura custou ao grupo o seu guitarrista, já que Blackmore abandonou a banda porque não gostou do novo direcionamento musical.

O disco fecha com chave de ouro com Soldier Of Fortune, uma das mais famosas canções de Coverdale. Basicamente acústica e com uma interpretação emocional pra caramba de Coverdale, a música une melancolia e beleza, nos fazendo levitar e sentir os pés longe do chão.

Stormbringer é um grande disco. Não é daqueles que vai mudar a sua vida, mas faz bonito em uma tarde de sol. Vale a pena. Conheça. Tenho certeza de que você vai gostar.

Ouvindo:
Deep Purple, Lady Double Dealer.

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