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Sepultura - Skymetal

Por Maurício Gomes Angelo | Em 09/02/04
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Nota: 8

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Fortemente influenciados pelo Antidemon (basta ver o vocal e as letras), o Skymetal mostra uma imensa evolução desde o seu último cd, Apocalipse. Fica até difícil taxar o som dos caras de GrindCore, que é um estilo tosco por excelência. O que temos aqui é um death/thrash bastante técnico, com vocais extremamente guturais, riffs afiados e perfeitos para a prática do headbanding, mosh ou qualquer demonstração de êxtase puxado por uma incontrolável vontade de bater cabeça e destruir tudo a nossa volta que de vez em quando nos acomete.

A melhora no entrosamento, nos timbres e na construção dos arranjos surpreende. Tudo está muito bem trabalhado, ajudado por uma produção cuidadosa, que soube trabalhar em cima do estilo deles. O único defeito é que esta produção tirou um pouco do peso, ficando limpa e agradável demais; defeito para uns, virtude para outros. Mas não pense que o álbum é leve! É devastação total!

As guitarras não amedrontam mais, são controladas com muita competência por Júnior. A habilidade do cara no instrumento aumentou muito. A habilidade da banda aumentou num todo; baixo, bateria (outro destaque, procurando se diferenciar dos clichês do estilo) e o atordoante gutural de Gustavo.

Death Metal técnico e intrincado, com ótima presença de solos e riffs eficientes e empolgantes, nunca desnecessários. Não temos velocidade incontrolável, mas sim músicas bem trabalhadas, ritmadas e marcantes. O cd passa muito rápido.

Já em "Salário do Pecado" somos agraciados com uma pérola do metal pesado. Tudo que evidenciei até agora está lá: os riffs destruidores, os solos marcantes, a bateria criativa e o ótimo vocal.

Outros destaques são a metralhadora giratória da faixa título, "Maldita Adoração" (que riff, meus amigos!), "Libertação das Trevas" (evocando a classe e pegada das grandes bandas de Death da história) e "Morte".

As letras primam pelo cristianismo declarado, um ataque frontal ao reino das trevas, o que pode gerar resistência dos metaleiros em geral, o que seria uma pena, visto que o som do conjunto é ótimo e agradabilíssimo (especialmente no volume máximo) e mesmo com letras em português eu não consegui entender uma palavra do que o cara canta!

Bato palmas para a atitude, coragem e determinação dos caras, que desde a sua primeira e tosquíssima demo já demonstravam muito potencial, e também pelo trabalho social, educativo e evangelístico desenvolvido em Uberlândia, cidade natal da banda, reunindo vários tribos num mesmo lugar, prova de que não devem existir barreiras de nenhum tipo entre as pessoas.

Para terminar, eu não sei que fenômeno é esse que de uns tempos pra cá vem sido adotado por algumas bandas, o de sempre colocar alguma “curiosidade” alguns minutos após a última faixa do cd, quase sempre alguma besteira desnecessária. Mas vale a pena conferir o engraçadissimo ronco do baterista Rafael colocado alguns minutos após a última faixa, "Majestade". Um final muito alto astral para um ótimo cd de Death Metal.

Formação:
Gustavo Daher (vocal)
Júnior (guitarra)
Lúcio (baixo)
Rafael (bateria)

Track – List:
01 – Intro
02 – Salário do Pecado
03 – Tormento
04 – Sepultura
05 – Maldita Adoração
06 – Condição Desumana
07 – Libertação das Trevas
08 – Escravos Mundanos
09 – Laços Malignos
10 – Morte
11 – Majestade

Tempo Total: 44:23 min.

Site Oficial: www.skymetal.com.br

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Sobre Maurício Gomes Angelo

Maurício G. Angelo odeia definições. Acha que não entende nada de música, mas o suficiente. Pseudo-jornalista, pseudo-crítico e pseudo-escritor. Não gosta de explicar ironia. Escreve no Whiplash! desde 2003. Colaborou para uma série de veículos, como a revista Roadie Crew e os sites Rock Press, Duplipensar e Simplicíssimo. Ouve tudo aquilo que lhe interesse: do blues ao metal extremo, passando pelo pop, progressivo, clássico, jazz, eletrônico e MPB. Peca pelo tesão, nunca pela inércia. Alfabetizado, chato, detalhista e exigente: está continuamente tentando aprender a ler, e tem orgulho disso. Passou bons momentos ao lado de Rubem Braga, George Orwell, Pink Floyd e tantos outros. É apaixonado por palavras, pelo som e pelo silêncio. Erra muito. Muda mais ainda. E se permite ser hiperbólico, às vezes.

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