Nota: 8 







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Agora estabilizado, a formação conta com Shamgar nos vocais, Ohtar na guitarra, Nath no baixo, Grimbold na bateria, Sorgier nos teclados e a bela Fionnghual nos backing vocals sopranos.
Há algumas barreiras a serem quebradas para você ouvir o Slechtvalk (mais fictícias e preconceituosas, do que reais na verdade). É uma banda cristã praticando black metal sinfônico. Se conseguir passar por elas terá belos e memoráveis 63 minutos pela frente.
Para os puristas de plantão é bom avisar que o som praticado pelo sexteto é Black Metal Sinfônico, sem exageros, e com adicional de vocais femininos. Se você disse “Sim, nenhum problema” e optou por seguir em frente, parabéns, vai ter a oportunidade de conferir um black metal sinfônico muito bem feito por estes holandeses, donos de muita classe, criatividade e bom gosto.
Os backing vocals femininos (e também masculinos em alguns casos) conferem uma singularidade tocante em faixas como "A Plea For The King" e "My Last Call" (a obra prima do álbum) e "In Paradisum". Vozes belíssimas são permeadas por teclados climáticos, instrumental variado e harmonicamente perfeito, dentro das limitações que o estilo impõe.
Agonizante e soturno quando necessário, brutal e veloz quando preciso, melódico como de praxe, o Slechtvalk caminha intacto pelo mar de bandas que se perdem em muitos rodeios, ostentações e exageros comuns quando se trata deste estilo.
Não se preocupe com medo de dar bocejos. "Of Slumber And Death", "Burying The Dead" e "From Behind The Tress" garantem o peso abismal, com direito a bateria veloz, baixo encorpado e guitarras viajantes.
Conceitual, a estória contada em "The War That Plagues The Land" é na verdade um pretexto para divagar sobre as aflições e crueldade presentes na personalidade humana, e as conseqüências que isso traz. Com certeza não temos nenhum show de criatividade e brilhantismo nas letras, mas são bem apropriadas ao estilo.
O que garante a audição agradável do material, sem risco de se tornar cansativo, é a boa variedade entre as músicas, uma mescla bem feita entre o black metal mais cru e puro com a sonoridade que o black metal adotou nos últimos anos, com teclados e vocais femininos, os quais me agradam. Para um próximo trabalho eles poderiam aprimorar ainda mais a parte lírica, o entrosamento e empregar maiores doses de técnica. O vocal de Shamgar também pode ser bastante aperfeiçoado. Alguns ajustes que firmarão o nome da banda como uma das melhores bandas de black metal da Europa.
Formação:
Shamgar (vocal, guitarra)
Ohtar (guitarra)
Nath (baixo)
Grimbold (bateria)
Sorgier (teclados)
Fionnghual (backing vocals)
Track List:
01 – Of Slumber And Death
02 – A Plea For The King
03 – From Behind The Trees
04 – My Last Call
05 – The Falcon’s Flight
06 – A Call In The Night
07 – And Thus It Burns
08 – Burying The Dead
09 – War Of The Ancients
10 – The Dragon’s Children
11 – In Paradisum
Tempo Total: 63:34 min.
Site Oficial: www.slechtvalk.com
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Maurício G. Angelo odeia definições. Acha que não entende nada de música, mas o suficiente. Pseudo-jornalista, pseudo-crítico e pseudo-escritor. Não gosta de explicar ironia. Escreve no Whiplash! desde 2003. Colaborou para uma série de veículos, como a revista Roadie Crew e os sites Rock Press, Duplipensar e Simplicíssimo. Ouve tudo aquilo que lhe interesse: do blues ao metal extremo, passando pelo pop, progressivo, clássico, jazz, eletrônico e MPB. Peca pelo tesão, nunca pela inércia. Alfabetizado, chato, detalhista e exigente: está continuamente tentando aprender a ler, e tem orgulho disso. Passou bons momentos ao lado de Rubem Braga, George Orwell, Pink Floyd e tantos outros. É apaixonado por palavras, pelo som e pelo silêncio. Erra muito. Muda mais ainda. E se permite ser hiperbólico, às vezes.
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