Nota: 8 







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Com essas palavras, Iggy Pop resumiu em “Till Wrong Feels Right”, o seu estado espirito em relação à indústria fonográfica e às opções musicais oferecidas aos jovens hoje pelos canais normais de divulgação.
Iggy Pop, para quem não conhece, tem uma longa história e fama por dizer o que pensa para quem estiver mais perto. Sua carreira flui entre o medíocre e o divino e é, como um colega inteligentemente apontou, um daqueles artistas que não se pode nunca descartar completamente. Então depois de quase dez anos desde seu último disco melhor aceito, aparentemente do nada reaparece Iggy Pop com Skull Ring, um disco de alta voltagem envolto em fio desencapado.
Seus últimos três álbuns, gravados no período dos últimos sete anos, tem sido com a banda The Trolls: Whitey Kirst – guitarra, Alex Kirst – bateria e Pete Marshall – baixo. A banda tem ótima pegada e a produção prima pela simplicidade. Destaques para “Perverts in the Sun”, “Sugarbabe” e “Inferiority Complex.” A última faixa do disco, “Blood on Your Cool”, apesar de indicar o tempo de 7:02, na verdade tem apenas 3:18, o restante do tempo pertencendo a uma canção extra e não identificada, chamada “Nervous Exaustion.”
Uma diferença deste álbum porém, é que várias faixas foram gravadas com outras bandas. Participações incluem as bandas Feedom, Sum 41 e até o mais popular Green Day. Contudo, nenhum destes geram tanta atenção quanto a participação dos Stooges, banda que lançou Iggy ainda na década de sessenta.
The Stooges, aqui representado pelos irmãos Ron e Scott Asheton, constituem o coração daquela idolatrada banda, uma vez que alma, sem duvida nenhuma, é o próprio iguana mor, Iggy ‘Stooge’ Pop. Dos Stooges originais, faltam apenas o baixista Dave Alexander, falecido em 1975, e o guitarrista James Williamson, hoje executivo da Sony Records.
Nome não ganha jogo, é verdade, mas como pode-se comprovar aqui, Ron Asheton continua em plena forma. Cuida aqui igualmente de guitarras e baixo, dando aos dois, sua assinatura pessoal de peso, volume e simplicidade. Scott Asheton, já há decadas curado de seus antigos problemas com dependência, continua mostrando seu pulso forte, embora ainda um pouco econômico em sua distribuição pela bateria.
“Little Electric Chair” é puro Stooges, Ron, Scott e Iggy zoando como se não houvesse hiato algum. Já “Skull Ring”, que começa lembrando o tema “Peter Gunn”, e “Loser”, soam mais como uma banda convidada. Em “Dead Rock Star”, que oferece exatamente a mesma introdução que “Loser”, apenas em outro tom, Iggy usa bem sua voz mais suavisada e romântica, coisa que ele ainda não havia utilizado nos tempos do Stooges desde “Gimme Danger.”
Deixando os Stooges de lado, Green Day, praticamente filhotes aprendizes do que os Stooges faziam de zoeira, não fazem feio. Com duas boas faixas, “Private Hell” e “Supermarket”, trazem para Iggy, a tona o seu lado menos denso. “Private Hell” lembrando a leveza de “Passanger”, lançado em ’77. Já “Supermarket”, lembra mais o material encontrado nos discos do Green Day do que Iggy Pop.
Outras participações incluem a cantora Peaches e sua banda Feedom. Com direito a duas faixas, “Rock Show” e “Motor Inn”, ambas funcionam como curiosidades. Em “Rock Show”, temos apenas baixo e bateria marcando enquanto Iggy e Peaches oferecem a melodia clamando a letra em um estilo que beira rap, sem em momento algum realmente abraçar o estilo. O resultado embora destoe do resto, não é negativo. Por outro lado, “Motor Inn”, com banda, tem nos vocais de Peaches, o momento mais esdrúxulo do álbum. O chama-e-responde praticado entre os dois beira a pedofilia.
Com apenas uma faixa no álbum, “Little Know it All”, Sum 41 faz bonito. Banda formada por Deryck Whibley - guitarra, vocais, Dave Barsh – guitarra, Case McCashn – baixo e Steve Jocz – bateria, tiveram a sorte de trabalhar em uma das melhores composições de Iggy no álbum.
E aqui tocamos no calcanhar de Aquiles do disco. Já faz tempo que Iggy não escreve mais letras tão interessantes como em outros tempos. Ele explora seu forte, que é rock esporrento, malcriado e que não leva desaforo pra casa, um reflexo de sua propria personalidade. Mas já em alguns de seus últmos albuns se denota que as letras, fracas em poesia, às vezes fazem Iggy parecer apenas um rabujento aos berros, que xinga tudo que lhe incomoda, agora velho rabujento, o que não ajuda a imagem.
Porém, neste lançamento, talvez em parte pela rotatividade de bandas, não músicos contratados, que oferece um colorido para a sonoridade geral do álbum, tudo acaba funcionando a favor. O fato de conter quatro faixas novas com The Stooges é em si, sozinho, uma razão para este álbum ser histórico para os anais do rock.. As faixas sendo boas é motivo para sermos esperançosos de uma excursão mundial dos Stooges em 2004. Eles já deram um geral pela America este ano. Dedos cruzados.
Skull Ring
Little Electric Chair
(Pop, Asheton, Asheton) - Iggy & Stooges - 4:40
Perverts in the Sun
(Pop, Kirst, Kirst, Marshall) - Iggy & Trolls - 3:18
Skull Ring
(Pop, Asheton, Asheton) - Iggy & Stooges - 3:51
Superbabe
(Pop, Kirst, Kirst, Marshall) - Iggy & Trolls - 4:09
Loser
(Pop, Asheton, Asheton) - Iggy & Stooges - 2:41
Private Hell
(Pop, Armstrong) - Iggy & Green Day - 2:50
Little Know It All
(Pop, Whibley, Nori) - Iggy & Sum 41 - 3:33
Whatever
(Pop, Kirst, Kirst, Marshall) - Iggy & Trolls - 3:16
Dead Rock Star
(Pop, Asheton, Asheton) - Iggy & Stooges - 4:39
Rock Show
(Pop, Nisker) - Iggy & Peaches - 2:08
Here Comes the Summer
(Pop, Kirst, Kirst, Marshall) - Iggy & Trolls - 4:53
Motor Inn
(Pop, Szigeti, Beck, Nisker) - Iggy & Feedom - 4:11
Inferiority Complex
(Pop, Kirst, Kirst, Marshall) - Iggy & Trolls - 4:13
Supermarket
(Pop, Armstrong) - Iggy & Green Day - 3:01
Til Wrong Feels Right
(Pop) - Iggy Pop - 3:13
Blood on Your Cool
(Pop, Kirst, Kirst, Marshall) - Iggy & Trolls - 3:18
Nervous Exaustion
(Pop, Kirst, Kirst, Marshall) - Iggy & Trolls - 3:11
Produzido por Iggy Pop
The Trolls
Whitey Kirst - guitarra
Alex Kirst - bateria
Pete Marshall - baixo
The Stooges
Ron Asheton - guitarra e baixo
Scott Asheton - bateria
Green Day
Billy Joe Armstong - guitarra, vocais
Mike Dirt - baixo
Tre Cool - bateria
Sum 41
Deryck Whibley - guitarra, vocais
Dave Barsh - guitarra
Case McCashn - baixo
Steve Jocz - bateria
Feedom
Peaches - vocais, baixo
Taylor Sawy - lap steel guitar
Gonzles - bateria
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Nascido no ano do rato. Era o inicio dos anos sessenta e quem tirou jovens como ele do eixo samba e bossa nova foi Roberto Carlos. O nosso Elvis levou o rock nacional à televisão abrindo as portas para um estilo musical estrangeiro em um país ufanista, prepotente e que acabaria tomado por um golpe militar. Com oito anos, já era maluco por Monkees, Beatles, Archies e temas de desenhos animados em geral. Hoje evita açúcar no seu rock embora clássicos sempre sejam clássicos.
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