Resenha - Texas Flood - Stevie Ray Vaughan

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Resenha - Texas Flood - Stevie Ray Vaughan

Por Alexandre Narkunas

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No dia 13 de junho de 2003, completam-se 20 anos do lançamento de “Texas Flood”, o primeiro disco de Stevie Ray Vaughan and Double Trouble. Ainda hoje, é difícil mensurarmos o impacto que este álbum causou não somente na cena do Blues, mas também sobre uma geração inteira de garotos que, com este disco, puderam enxergar um outro mundo além do rock and roll e descobrir um verdadeiro artista que já em seu primeiro álbum mostrava, como uma espécie de tributo a seus mestres, uma fusão de todas suas influências, de artistas como Albert King, Buddy Guy, Lonnie Mack, Hubert Sumlin, Otis Rush, Albert Collins e principalmente Jimi Hendrix. A seguir, contaremos alguns dos fatos que antecederam o dia 13 de junho de 1983, com toda a mística envolvida e histórias daquele que tornou-se um dos mais influentes discos de guitarra e Blues de todos os tempos.

Stevie Ray Vaughan – Stephen Ray Vaughan nasceu no dia 03 de outubro de 1954, no hospital Metodista de Dallas, no estado americano do Texas. Filho de Jim e Martha Vaughan, teve através do irmão três anos mais velho Jimmi Vaughan, seu primeiro contato com a música e a guitarra, instrumento no qual Jimmie já ensaiava seus primeiros passos. Durante o início dos anos 60, Stevie conheceu as ricas ondas sonoras das rádios AM de Dallas, as quais possuíam uma variedade cultural e musical incrível, com sons dos mais variados lugares dos E.U.A. como Chicago, Mississipi, Memphis e Louisiana, sendo a “musica racial”, como era conhecido o Blues naquela época, a que despertara maior interesse no garoto.

No começo dessa década, mais precisamente em 1961, Stevie então com 7 anos de idade, ganha sua primeira guitarra, na verdade um instrumento de brinquedo da loja de departamentos Sears, na qual ele aprendeu a tocar as primeiras músicas tais como “Wine, Wine, Wine” e “Thunderbird”, da banda The Nightcaps. Esta mesma guitarra foi modificada por Stevie, que transformou-a em um contra-baixo, pois assim podia acompanhar seu irmão Jimmie, que era guitarrista. Uma foto desta guitarra, já encordoada como um contra-baixo, pode ser conferida na contra-capa do álbum “Family Style”, do “The Vaughan Brothers”.

Em 1963, compra seu primeiro disco, “Wham” de Lonnie Mack. Stevie ouvia este álbum muitas vezes seguidas, o que levou seu pai a quebrá-lo em pedaços. Por volta desta época, Stevie obtém sua primeira guitarra elétrica, um instrumento feito a mão, que lhe é presenteado por Jimmie. Jimmie Vaughan tocaria posteriormente em uma banda local chamada “The Chessmen”, de repertório composto de covers, bastante popular na região de Dallas e que começava a ficar conhecida em outras regiões do Texas, como San Antonio e a Costa do Golfo. Nesta banda, junto a Jimmie, fez parte o vocalista/baterista Doyle Bramhall, que nos anos seguintes foi um importante instrumento no desenvolvimento de Stevie como compositor e instrumentista.

Stevie começa a tocar em bandas aos 12 anos de idade, entrando e saindo de um sem número de grupos locais, sendo que em nenhuma deles conseguiu repetir o sucesso que Jimmie gozava junto ao “The Chessmen”. Em 1970, Stevie integra uma banda chamada “Blackbird”, enquanto Jimmie Vaughan e Doyle estavam com um novo projeto, chamado “Texas Storm” com um som calçado no blues. Quando Jimmie pergunta a Stevie sobre a possibilidade dele tocar contra-baixo para o “Texas Storm”, ele resolveu aceitar, sendo que algumas destas apresentações ocorrem fora da cidade, uma delas em um clube chamado “Vulcan Gas Company”, na cidade de Austin. No começo dos anos 70, a cidade de Austin era uma espécie de Berkeley, com um caldeirão cultural em ebulição, acompanhado de uma forte consciência política, lendas e folclore, sede da Universidade Estadual do Texas e tudo mais que dava a ela ares de uma cidade “hippie”.

Em Austin, Stevie encontra um ambiente bastante familiar que tinha no Blues uma de suas principais formas de expressão. Em 1971 Stevie, então com 17 anos, grava em estúdio pela primeira vez com a banda “Cast of Thousands” para uma coletânea de bandas locais chamada “A New Hi”. Além de muito raro nos dias atuais, este álbum atinge preços exorbitantes quando encontrado entre colecionadores. Nesse mesmo ano Stevie muda-se para Austin juntamente com a banda que integrava na época, o “Blackbird”. Na cidade já moravam seu irmão Jimmie, o parceiro de banda de Jimmie, Doyle Bramhall, o vocalista Paul Ray, o nativo de Houston Keith Ferguson e W.C.Clark. Nessa época, Stevie começa a trabalhar para uma cadeia de lojas de Fast-Food, mas após ter caído acidentalmente em um barril cheio de gordura, clama a si mesmo nunca mais aceitar outro trabalho que não fosse o de músico.

No ano de 1972, Stevie troca o som blueseiro do “Blackbird” pelo puro Rock’n’Roll do “Krackerjack”, no que seria a primeira parceria de Stevie com o baixista Tommy Shannon.. Após deixar o “Krackerjack” em 1973, Stevie junta-se ao “Nightcrawlers” que era composto por Drew Pennington (vocais), o baixista canhoto Keith Ferguson, Doyle Bramhall (bateria), e eventualmente o irmão de Doyle, Ronnie Bramhall (teclados Hammond). Como curiosidade, o “Nightcrawlers” possui um álbum gravado, porém nunca lançado. Em 1974, Stevie obtém aquela que seria sua marca registrada durante toda a carreira, a Fender Stratocaster toda descascada conhecida como “Number One”. Conforme o ex-técnico de guitarra de Stevie, Rene Martinez, existem muitas histórias em relação a essa guitarra. Stevie sempre referia-se a ela como ’59 (uma referência ao suposto ano de fabricação) e certa vez, numa rotineira desmontagem para manutenção, Rene descobriu que havia a inscrição “1962” no braço da guitarra e na cavidade do corpo, denunciando seu verdadeiro ano de fabricação. Quando questionou Stevie o porquê dele se referir a guitarra como ’59, Stevie lhe disse: “ – Se você olhar atrás dos captadores, “1959” está escrito a mão.”. Desde então, ’59 foi como Stevie passou a referir-se ao instrumento.

No final de 1974, Paul Ray, vocalista da banda Paul Ray and The Cobras convida Stevie para o posto de segundo guitarrista de sua banda. Aceito o convite, o grupo teve uma rotina de shows que consistiu de aproximadamente cinco apresentações por semana, pelos próximos dois anos que se seguiram. A estréia de Steve ocorre em um show no fim de 1974, numa apresentação em um clube chamado “Soap Creek”. Com a crescente popularidade, a banda é convidada para tocar no clube “Armadillo”, um clube de Austin conhecido pela falta de hospitalidade com as bandas locais.

No meio do ano de 1975, é aberto o hoje famoso clube “Antone’s”, o que provoca uma “febre” do Blues em Austin. Logo após, Paul Ray é aconselhado por médicos a encerrar suas atividades como vocalista, devido a problemas na garganta e consequentemente, a banda também encerra suas atividades. Paul Ray posteriormente comandou um programa chamado “Twine Time Radio Show”, na rádio KUT de Austin, onde as bandas apresentavam-se ao vivo no estúdio.

Stevie começa então a sondar possíveis nomes para formar uma nova banda, recrutando Lou Ann Barton (vocais), Mike Kindred (teclados), Fredde Pharaoh (bateria) e W.C.Clark (baixo), batizando posteriormente a banda como “The Triple Threat Revue””. O grupo faz suas primeiras apresentações no final de 1976, época em que Lou começa a ficar irritada com Stevie, que era o destaque principal da banda e dividia olhares da platéia com ela. Por outro lado, Stevie não queria lidar com uma vocalista com constantes ataques de estrelismo. Lou Ann resolve abandonar o grupo, sendo seguida pouco tempo depois por Mike Kindred e W.C.Clark; entrando Johnny Reno (saxophone) e Jackie Newhouse (baixo). Com todas essas mudanças, Stevie sentia que ainda assim faltava algo a ser mudado, algo que desse uma nova identidade ao grupo. Alguns amigos sugeriram uma pequena mudança no nome, mas Stevie já tinha algo que há tempos estava em sua cabeça e era o título de uma velha canção de Otis Rush. “Double Trouble”, a tal música, passou a ser o novo nome da banda de Stevie.

Em setembro de 1978, Chris Layton torna-se o novo baterista do Double Trouble e acompanharia Stevie até o fim de sua carreira. Após novas mudanças de formação e agora reduzida a um trio, a banda grava no dia primeiro de Abril de 1980 no clube “The Steamboat”, em Austin, o show que seria lançado (incompleto) posteriormente no ano de 1992 com o título de “In the Beginning”.

Em 1981, Jackie Newhouse é substituído por Tommy Shannon. Shannon, ex-baixista da banda de Johnny Winter, havia participado no ano de 1969 do lendário festival de Woodstock como membro da banda de apoio de Johnny, tendo tocado anteriormente com Stevie em uma banda local durante a década de 70. A banda já possuia uma grande reputação quando, no início de 1982, são convidados para tocarem em uma festa fechada promovida pelos Rolling Stones em uma danceteria de New York. É nessa época que começam a acontecer uma série de eventos, que somados as adversidades do início de carreira de Stevie e seus companheiros, resultaram na mágica da criação do álbum “Texas Flood”.

Jerry Wexler já era um renomado produtor quando assistiu pela primeira vez a uma apresentação de Stevie e o Double Trouble em Austin. Impressionado com a música e o entrosamento que a banda possuía, resolve ajudá-los a conseguir uma apresentação no Festival de Jazz de Montreaux. Em uma entrevista ao “Dallas Times Herald”, exatamente a um mês do primeiro show de Montreaux, Stevie dizia que sentia que as coisas estavam começando a acontecer para o Double Trouble, como uma espécie de recompensa por anos de trabalho duro e dedicação.

O Festival Internacional de Jazz de Montreaux de 1982 aconteceu entre os dias 9 e 25 de Julho, sendo que Stevie apresentou-se na noite do dia 17. Esta data foi marcada pelo predomínio de artistas que tocavam Blues acústico, sendo Stevie e o Double Trouble a única banda “plugada”. Além disso, eram praticamente desconhecidos fora das fronteiras do Texas e não possuíam um disco gravado; sequer tinham um contrato com gravadora. A resposta do público ao início da apresentação foi medíocre, que logo começa a vaiar a banda (como pode ser conferido no CD “Live at Montreaux – 1982”, no início da faixa “Texas Flood”). Apesar da hostilidade da platéia, a banda emenda uma seqüência de 8 músicas, que foram uma verdadeira aula de como se tocar Blues. Nessa mesma noite, dá-se o encontro de Stevie com David Bowie, que havia assistido o show da audiência. Bowie era um grande fã de R&B e Blues e declarou que não ficava tão empolgado com relação a um guitarrista desde quando assistiu Jeff Beck e sua banda Trident em Londres, no início dos anos 60. Vaughan e Bowie tiveram uma longa conversa naquela noite após o show, onde ambos descobriram que tinham em comum uma grande admiração por Albert King e tantos outros mestres do Blues. Nessa noite, Bowie, que estava começando os trabalhos de gravação do novo disco, “Let’s Dance”; convida Stevie para ser o guitarrista de sua banda. Stevie aceita não só ser seu guitarrista de estúdio, mas também o da tour de divulgação do álbum.

Na terceira semana de dezembro de 1982, Stevie entra no estúdio “Power Station” em New York, para adicionar suas linhas de guitarra ao trabalho, sob a supervisão do produtor Nile Rodgers. O solo na música “Let’s Dance” é uma espécie de tributo de Vaughan a Albert King. Stevie termina os trabalhos de gravação num espaço de tempo tão curto que surpreende a todos, e após isso começam os ensaios para a turnê de divulgação do disco. Pouco antes do início da tour, o manager de Stevie telefona para o promotor responsável pelos shows para saber sobre a possibilidade de Stevie, nos dias em que houvesse um espaço na agenda de apresentações de Bowie, fazer algumas apresentações com o Double Trouble para a TV alemã. O promotor explicou ao manager de Stevie que não haveria problema, desde que isso ocorresse na segunda parte da turnê, pois todos estavam empenhados nos shows que estavam por vir e no seu entender isso demandava dedicação única e total a banda. No entanto, meia hora antes de o carro que levaria a banda ao aeroporto para as primeiras apresentações partir, enquanto Stevie e os outros integrantes da banda de Bowie carregavam suas bagagens, o manager de Stevie encontra-se com o promotor da turnê a fim de renegociar o cachê de Stevie, o que daria a ele um salário jamais pago a qualquer outro músico de Bowie, caso contrário, Stevie estaria fora da turnê. Como Bowie encontrava-se a milhares de milhas de distância na Bélgica e faltando pouco tempo para o avião partir, o promotor tomou para si a decisão e telefonou para o tour manager dizendo: “- Tire as bagagens do Sr.Vaughan do carro, ele decidiu não fazer mais parte desta banda.” Carmine Rojas, o baixista da tour naquela época, disse a Bowie que aquela fora uma das cenas mais tristes que ele já presenciara em todos os anos que fora um músico profissional; Stevie, de pé na calçada, rodeado por sua bagagem sem entender o porquê daquilo tudo. Carmine se diz convencido de que Vaughan sequer sabia das jogadas de seu empresário. Para o lugar de Stevie, Bowie chamou Earl Slick, que aprendeu todo o repertório do show no vôo para a Bélgica.

Voltando ao show de Montreaux, foi nessa oportunidade que ocorreu o encontro de Stevie com Jackson Browne. Na noite seguinte ao aparentemente equivocado show, Stevie e o Double Trouble estavam tocando no bar dos músicos, que se localiza embaixo do palco principal do festival. Browne e sua banda, após sua performance no palco acima, desceram até o bar para conferir o show de Stevie e o resultado foi uma jam que só acabou ao raiar do sol. Jackson Browne era o proprietário do estúdio Down Town, localizado em Los Angeles, na Califórnia. Da amizade de Stevie com Browne, surge o convite para Stevie e o Double Trouble fazerem uso de 72 horas do estúdio, sem nenhum custo à banda ! Tudo o que Browne queria era poder proporcionar à banda a oportunidade deles gravarem uma fita demo que tivesse qualidade suficiente para ser apresentada a grandes gravadoras, a fim de conseguir um contrato. Eles sequer sabiam que estavam gravando seu primeiro álbum ao entrarem no estúdio de Browne, e talvez se tivessem esse conhecimento, a banda não teria conseguido passar para as fitas de gravação o clima que o álbum possui até hoje.

O primeiro dia foi usado para conhecimento do estúdio, seus equipamentos e possibilidades. No segundo e terceiro dias, a banda gravou 10 músicas, que viriam a se tornar o álbum “Texas Flood” em sua totalidade. A experiência não poderia ter sido mais inocente, com a banda executando música após música com a garra que sempre apresentaram. Ou como disse Tommy Shannon: “- Nós encontramos um espaço, montamos nossa aparelhagem em um semicírculo de modo que todos se enxergassem, e tocamos como uma “live band”. Uma das canções mais conhecidas de Stevie, “Pride and Joy”, foi gravada no dia 24 de novembro de 1982, tendo Richard Mulle, Stevie, Shannon e Chris Layton como produtores do álbum.

Em 1983, o lendário produtor e descobridor de talentos John Hammond, de posse da então demo-tape que viria a se tornar o álbum, consegue um contrato para a banda junto à Epic. Hammond é conhecido por ser o responsável pelo “descobrimento” de artistas como Countie Basie, Billie Holiday, Charlie Christian, Bob Dylan e Aretha Franklin, entre tantos outros.

O álbum “Texas Flood” é finalmente lançado no dia 13 de junho de 1983 pela Epic Records, atingindo posteriormente a 38ª posição da parada de álbuns da Billboard. O single extraído do disco, o da música “Pride and Joy”, atinge a 20ª posição da parada de AOL (Adult Oriented Rock) da Billboard. É ainda gravado um video-clip para a música “Love Struck Baby”. O álbum não só expôs o talento de Stevie para um número ainda maior de pessoas, mas também provou que tanto o Blues como a música orientada para a guitarra não estavam mortos.

O álbum “Texas Flood” possibilitou a uma nova geração conhecer músicas que, de modo único e com personalidade, deixavam evidentes as influências de Stevie. Estas influências foram, posteriormente, talvez em grande parte por causa deste disco, elevadas a condição de deuses do Blues e da guitarras; fato que só encontra comparações, com a invasão das bandas Inglesas na América no início dos anos 60 (para maiores detalhes, consultar “A História Impopular dos Rolling Stones” em www.whiplash.net). Mas um dos maiores méritos que o álbum “Texas Flood” possui é o de ainda nos surpreender com novos detalhes a cada nova audição. Isto só reafirma a genialidade de um artista que sempre se preocupou mais em aperfeiçoar-se em sua arte do que em vender álbuns.

Faixas do Álbum:
Love Struck Baby
Pride and Joy
Texas Flood
Tell Me
Testify
Rude Mood
Mary Had A Little Lamb
Dirty Pool
I’m Cryin’
Lenny
SRV Speaks *
Tin Pan Alley *
Testify (live) *
Mary Had A Little Lamb (live) *
Wham (live) *

* Constam somente na versão remasterizada do CD

Ficha Técnica:
Produtor Executivo: John Hammond
Produtores: Richard Mullen, Stevie Ray Vaughan, Tommy Shannon e Chris Layton
Assistente de Produção: Mike Harris
Engenheiro de Gravação: Richard Mullen
Assistente de Gravação: James Geddes
Gravado no Down Town Studios – Los Angeles – Califórnia
Vocais em “I’m Cryin’ “ gravados no Media Sound Studios por Lincoln Clapp
Overdbus gravados no Riverside Sound Studios – Austin - Texas
Mixado no Media Sound Studios – New York – New York
Masterizado no CBS Studios, New York – New York, por Ken Robertson
Arte da Capa por Brad Holland

Fontes:
Revistas Guitar Player Brasil
Revistas Guitar Player U.S.A.
Revistas Guitar World U.S.A.
Encarte dos CD's “Texas Flood”, “Live At Montreaux 1982 & 1985” e “SRV and Double Trouble – Boxed Set”.

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