Resenha - Individual Thought Patterns - Death

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Resenha - Individual Thought Patterns - Death


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O Death foi uma das mais importantes bandas da história do Metal. Antes deles, todas as bandas extremas seguiam poucas variações de uma mesma fórmula: andamentos ou muito arrastados ou muito velozes, solos dissonantes, temática satânica demasiadamente infantil. O Death, é verdade, começou fazendo um som bem tosco, na linha do Kreator fase “Pleasure to Kill” e o Possessed, do seminal “Seven Churches”, mas ainda assim tinha um grande diferencial, que era o apreço do vocalista e guitarrista Chuck Schuldiner pelas melodias do heavy metal tradicional. Embora suas canções todas tivessem vocais urrados, Chuck criava muitas melodias para guitarra e as aplicava sobre as bases pesadas. A idéia de tocar algo mais técnico precisou de dois álbuns para amadurecer. Os álbuns “Scream Bloody Gore” (1987) e “Leprosy” (1988) são cheios de boas idéias, mas mostram falta de maturidade nas letras e a gravação também não ajuda muito. A partir do álbum “Spiritual Healing” (1989), que marcou a entrada do excelente James Murphy na segunda guitarra, o Death mudou o rumo de sua carreira. Nesse álbum é possível perceber ótimas idéias melódicas sem abrir mão da brutalidade natural da banda, e um amadurecimento gigantesco em relação às letras.

Em 1991 o Death recruta o baixista Steve DiGiorgio do Sadus, que adiciona uma complexidade muito maior às estruturas que Chuck costumava compor. O álbum “Human” foi um imenso sucesso no underground mundial e deu à banda a oportunidade de gravar seu primeiro videoclipe. Mas a consagração definitiva só viria a acontecer dois anos depois.

Em 1993, Chuck chamou o batera do companheiro geracional Dark Angel, o incrível Gene Hoglan e o excelente guitarrista (e produtor hoje em dia) Andy LaRocque para completar a formação junto a ele e DiGiorgio. O resultado é o álbum clássico da banda, “Individual Thought Patterns”. Neste álbum a banda atingiu a alquimia perfeita entre peso e técnica. As estruturas das músicas eram as mais complexas até então, e Gene deu às músicas muito mais dinâmica. Particularmente sou muito fã de todos os álbuns da banda, mas foi “Individual Thought Patterns” que transformou o Death numa banda realmente incrível. “Individual Thought Patterns” convoca o ouvinte a uma viagem pela sordidez e a hipocrisia do homem, tudo embalado em músicas definitivas do estilo, como “Trapped in a Corner” e “The Philosopher”. Chuck havia se transformado em um excelente compositor, e nenhuma delas seria possível se a banda que o acompanhasse não fosse igualmente fentástica. Interessante notar que esse álbum foi um dos primeiros a fundir melodias com brutalidade, pois até então poucas bandas haviam feito isso.

Faixa a faixa:

Overactive Imagination - Andamento marcial com muito bumbo duplo, impossível manter-se parado, impossível não balançar freneticamente a cabeça! Riffs com quebra na "ponte", grande solo de LaRocque, enfim, uma grande faixa de abertura para um grande álbum.

In Human Form – Tem as famosas “paradinhas” de bateria, riffs estilo Bay Area. A letra é uma critica a sordidez humana, com a frase "os monstros com forma humana estão fora de controle". Impressionante imaginar Chuck tocando as bases ultra-complexas e cantando ao mesmo tempo. Gene dá uma aula de como se tocar bateria aqui. Grande faixa!

Jealousy - Introdução com quebra de ritmo, riffs arrastados, andamento variando durante a música inteira. Solos insanos de Chuck e Andy, antes de cair na levada quebrada da introdução. Uma música subestimada na carreira da banda. Uma da melhores.

Trapped In A Corner - A melhor faixa do álbum e uma das melhores da história da banda. Os riffs iniciais com os harmônicos de baixo são clássicos, assim como o dedilhado que serve de base para Chuck começar rasgando "I want to watch you drown in your lies...". A levada cadenciada com palhetadas bem thrash metal é destaque também. Impossível não ressaltar os riffs velozes que precedem o refrão. Chuck mostra muito talento melódico no solo desta música, simplesmente emocionante!

Nothing Is Everything - destaque absoluto para a técnica absurda do mestre Gene Hoglan, com suas quebras de ritmo e rajadas de bumbo constantes durante a música. Essa música tem vários tempos diferentes e tem fraseados com influência asiática (cortesia do gosto refinado da dupla de guitarristas). O solo é muito bom, com arpejos bem colocados, e são bem melódicos. Na letra Chuck filosofa: "Variações imprevisíveis de comportamento guardam a chave para as portas da mente, onde tudo é nada e nada é tudo". Soberba!

Mentally Blind - Ritmo cadenciado e palhetadas totalmente thrash marcam o início da faixa. Em seguida é tocada uma melodia de guitarra acompanhando a melodia vocal, onde pode se perceber novamente no refrão com a guitarra arpejada. Isso é simplesmente a maior prova da influência enorme que Chuck Schuldiner causou sobre todos os guitarristas da nova onda do “Melodic Death Metal”. No meio da música ocorrem várias paradinhas de bateria e o mago do baixo Steve DiGiorgio puxando as cordas.

Individual Thought Patterns - A faixa-título do álbum é uma das melhores. Grande letra, Chuck sugere aqui a criação de "padrões individuais de pensamento", e é interessante lembrar que um grande diferencial do Death em relação às outras bandas de death metal é a temática abordada em suas letras. Riffs insanos marcam toda a faixa.

Destiny - O começo acústico com belíssimos violões e arranjos tenta enganar o ouvinte antes da pancadaria começar. Mais uma das grandes músicas da banda, Destiny é a faixa com maior variedade de andamentos e climas de todo o álbum, e a banda a partir deste álbum iria tomar esse rumo. Novamente aparecem aqui as melodias de guitarra servindo de base ao invés de acordes simples.

Out of Touch - a seqüência inicial de acordes é de um lirismo absurdo, para, em seguida cair em riffs totalmente Slayer. Essa faixa é a que possui mais melodias vocais neste álbum. Riffs marciais e melodias dobradas de guitarra marcam a estrutura da música. Steve dá um show com seus riffs de baixo. A letra é pura rebeldia, explodindo na indagação "Who are you to question my sincerity?".

The Philosopher - a outra grande canção do álbum. Hino absoluto da banda, serviu de abertura para todos os shows que a banda faria até ao fim de suas atividades. A belíssima progressão harmônica do início para depois cair em um levada totalmente quebrada empolga até defunto. Aqui Steve tem suas melhor performance, duelando com a guitarra de Chuck no final da música. A letra desta música pode ser aplicada para muitos espertalhões que acham que sabem tudo e podem vilipendiar os outros, com Chuck urrando no refrão: "o filósofo, sabe demais sobre absolutamente nada". “The Philosopher” gerou o segundo videoclipe da banda, com boa rotação na MTV americana e na brasileira também (no finado Fúria MTV).

Enfim, um dos melhores álbuns da história do Metal, e ideal para quem gosta de músicas complexas, mudanças de andamento constantes e grandes solos de guitarra. Pode causar estranhamento à primeira audição, por ser completamente inacessível, mas conforme as mesmas se tornam mais constantes ele te cativa por inteiro. Se isso não fosse o bastante para tornar “Individual Thought Patterns” obrigatório, ainda temos o fato de ele representar toda a genialidade e habilidade de Chuck Schuldiner, que nos deixou em 2001, vítima de um tumor no cérebro, e foi, sem sombra de dúvida, um músico de vanguarda, sempre.
“Individual Thought Patterns” foi lançado no Brasil em CD pela Century Media, assim como todos os que o precederam. Os álbuns seguintes, “Symbolic” de 95 e “The Sound of Perseverance” de 98 também são fantásticos, mas as idéias todas estão em “Individual Thought Patterns”. Um clássico inesquecível, sem dúvida!

Formação:
Chuck Schuldiner – guitarra, vocais
Andy LaRocque – guitarra
Steve DiGiorgio – baixo
Gene Hoglan - bateria

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Sobre Nelson Endebo

Estudante de Comunicação Social na Puc-Rio, cheirou dúzias de carreiras de Música e hoje é completamente debilitado por causa disso. Tem um corte no córtex por causa do Mr. Bungle, mas acredita que isso seja legal. Doutrinado no bom e velho Metal (ainda chora ouvindo o grande Venom), aprendeu a ouvir Jazz e Samba na marra. É responsável pela coluna Nós do Noise e colabora com o site Bacana e a revista Valhalla. Sua máxima é: "quanto mais você sabe, mais você sabe que pouco sabe". Traduzindo, gosta de aprender e de ensinar. Espera poder somar algo à família Whiplash a partir de 3, 2, 1 segundo!

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