Resenha - Brothers In Arms - Dire Straits

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Resenha - Brothers In Arms - Dire Straits


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“Now look at them yo-yo’s that’s the way you do it / You play the guitar on the MTV / That ain’t workin’ that’s the way you do it / Money for nothin’and chicks for free”... Com estes versos estourou, por todo o planeta, o primeiro hit de um disco que seria um marco na história do rock. Suas nove faixas, quase todas, uma após outra, alcançaram as paradas de sucesso de todo o mundo, e o tornaram o álbum mais vendido da história da música no Reino Unido. E, falando em Grã-Bretanha, estamos falando do palco natural de artistas como The Beatles, Led Zeppelin, The Rolling Stones, Oasis, The Who, The Police e muitos outros competidores de respeito e altas vendagens. Ainda assim, apesar de toda essa história de recordes e rendas, “Brothers In Arms” abriu seu espaço justamente por ser descompromissado com o mercado da época (1985), lotado de grupos onde os fatores fundamentais para o sucesso eram a quantidade de laquê gasto nos penteados e o quanto justa a calça de couro de seu guitarrista conseguia ser.

O principal responsável por isso foi um guitarrista escocês, dono de uma técnica singular, chamado Mark Knopfler, que compôs todas as músicas, sendo que Money For Nothing teve o auxílio, na composição e vocais, de Sting, ainda componente do The Police. Mark Knopfler conseguiu criar um clima triste e intimista – porém envolvente e cativante - por todo o disco, somente permitindo a uma música romper esta barreira: a animada e vibrante “Walk Of Life”, um dos maiores hits de “Brothers In Arms” e da carreira do Dire Straits. Curiosamente, Neil Dorsman, que co-produziu o disco com Knopfler, queria deixar esta música fora do álbum, mas foi impedido por toda a banda, que no final provou ter tomado a decisão certa.

Para abrir o álbum foi escolhida “So Far Away”, outro grande hit, com versos apaixonados e doloridos como “I’m tired of being in love and being all alone”. Essa tristeza (blue, em inglês) ao mesmo tempo romântica, sonhadora e esperançosa, é traduzida pela inesquecível capa azul celeste, com a foto de um violão de aço National (parecido com o nosso violão dinâmico) alçando vôo entre nuvens levemente escuras num céu azul intenso, quase violeta. Para seguir a faixa que foi o primeiro single retirado do disco, uma música que, se não é triste, mostra desprezo e frustração, “Money For Nothing”. Mais tarde Mark Knopfler citaria sua musa inspiradora: dois carregadores de uma loja falando mal dele ao verem um clip do Dire Straits na MTV. O vídeo-clip feito para essa música foi marcante na época, por ter sido um dos pioneiros em usar animação computadorizada.
Um pouco mais de vibração surge na celebração à vida (simbolizada no clip pelo esporte) em “Walk Of Life” e, para contrastar, a boêmia “Your Latest Trick”, com sua inesquecível frase no saxofone.
Um convite à solidariedade e a amizade sincera, numa das mais belas baladas do grupo, “Why Worry” tem uma letra terna sem cair na pieguice, permitindo a Mark Knopfler explorar seu dedilhado, com o contraponto do piano. Já “Ride Across The River” é uma das músicas do disco que tem como tema o soldado e a guerra, no caso tanto os “partisans” que se julgam imbuídos da causa mais justa quanto os mercenários que não se importam nem com a razão do combate, pois é tudo, para eles, a mesma velha história: matar ou morrer. A guitarra lembra, em determinadas passagens, a de Carlos Santana, e o sopro ainda reforça a idéia, sem que o arranjo se banalize e descambe para o óbvio, abusando da percussão.

Com o mesmo tema – o soldado, desta vez o que volta para casa e não se adapta, tornando-se um criminoso aos olhos da sociedade – temos a música mais contrastante e impactante do disco, “The Man’s Too Strong”, que principia com o violão dedilhado e a voz de Mark, antes que a banda, que vem surgindo do nada, exploda vigorosamente ao mesmo tempo em que é cantado seu refrão: “The man’s too big / the man’s too strong”.

“One World”, um blues, é a mais urbana e pop de todo o álbum, onde a guitarra é tão elétrica quanto pode ser, com seu velho parceiro John Illsley slapeando no baixo. Essa música relativamente pequena (3min40s), descontrai o ouvinte para o que se segue: a faixa-título, “Brothers In Arms”, que nos pega de surpresa, desde seu clima inicial, com ruídos de batalha. Este hino anti-belicista, onde a guitarra de Mark Knopfler volta a apresentar todas as características que o fizeram famoso e respeitado, combinando notas rápidas, curtas e abafadas com outras longas em belos “bendings”, foi guardado propositalmente para fechar o disco. A cama feita pelo órgão é comovente e a cozinha (baixo e bateria) econômica e correta. Mais um hit e mais um clip famoso, com outra técnica de animação, onde até fotocópias foram usadas.

“Brothers In Arms” marca a vitória da emoção e inspiração sobre o modismo e o sucesso pré-fabricado.

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