Resenha - Destroyer - Kiss

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Resenha - Destroyer - Kiss


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Nota: 10

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O primeiro disco da série ao vivo “Alive” foi o responsável por fazer o Kiss cair nas graças do público americano e também de todo o mundo. A palavra sucesso já começava a ser algo amplo no vocabulário da banda. Apesar de grandes clássicos lançados nos discos anteriores, o público só viria a começar reconhecer a qualidade da banda a partir do momento que tomassem conhecimento da força que o Kiss tinha sobre o palco com um público na frente.

O fato curioso é o recorde de tempo em que a banda lançava discos. Foram quatro num curto período de dois anos. O que tornou o Kiss ainda mais visado pela imprensa em geral. Para aproveitar a excelente fase, nada melhor do que mais um disco. Mas esse, não seria só mais um...

Bob Ezrin, um dos melhores produtores da época tendo trabalhado com artistas como Pink Floyd, Led Zeppelin, Peter Gabriel, Alice Cooper e Jimi Hendrix, foi contratado para a elaboração do quinto álbum pela Casablanca Records. Como resultado dessa parceria, em 15 de março de 1976, saia “Destroyer”, disco que se tornaria um marco não só na carreira da banda, como também na história do Rock.

Destroyer foi o responsável por elevar as músicas do Kiss a um outro patamar. A incrível habilidade de Bob Ezrin aliada a sonoridade e a mística em torno da banda, faz desse álbum uma reunião de grandes clássicos, que assim como o primeiro disco, possui a maioria de suas faixas obrigatórias nos shows até os dias atuais

A capa de Destroyer apresenta paradigmas típicos de revista em quadrinhos, retratando, através de uma ilustração, a imagem da banda como super-heróis que invadem uma cidade após a destruição total.

A faixa de abertura, “Detroit Rock City”, poderia se resumir em uma só palavra: obra-prima. Começa com uma narração jornalística de rádio, feita pelo próprio Gene Simmons, logo após se ouve barulho de chaves e a porta de um carro sendo fechada. O motor é ligado, o rádio começa a tocar “Rock ‘n Roll All Nite” e o motorista acelera cada vez mais na estrada. Pronto, o clima está instalado para uma aula de pouco mais de 4 minutos que mostra como se produz um clássico.

Na letra é contada a aventura desse motorista que sai dirigindo pela estrada à noite e fatalmente encontrará um caminhão em alta velocidade na sua frente. E no final fica pergunta: “Eu começo a rir, sei que vou morrer. Porque?”.

A voz de Paul Stanley é incontestável, transmitindo no timbre toda excitação do petardo musical. O solo de Detroit Rock City é simples, prático, nenhuma virtuosidade, mas quase que de uma forma inexplicável, esse mesmo solo consegue ser estonteante, traduzindo em poucos segundos porque Ace Frehley se tornou um guitarrista cultuado até hoje, mesmo sendo considerado um músico com limitações técnicas.

Talvez o fato de Ace ser extremamente habilidoso e conseguir transpor em solos simples toda a sinergia da banda, fazem com que ele seja um exemplo para guitarristas que viriam a começar a partir daí. O solo de DRC que em certo momento sai de sintonia e deixa espaço para as batidas continuadas da bateria de Peter Criss e logo após retorna numa desfaçatez impagável, serve para elevar a música há um nível jamais ouvido antes.

Sem interrupção, colada na linha sonora deixada por DRC vem “King Of The Night Time World”. Excitante, mais uma vez mostrando solos simples e funcionais, com destaque para o baixo de Simmons.

Terceira faixa “God Of Thunder”. Seria a banda querendo matar os ouvintes de um ataque cardíaco? Um clássico atrás do outro é difícil do coração e os ouvidos digerirem em tão pouco tempo. Totalmente voltada para que Gene desafie seu baixo em 4 minutos e 13 segundos, com uma pegada forte, simples e contagiante. Mas o som do baixo pode ser colocado em segundo plano quando Gene entra com sua voz grave, fazendo uma interpretação fantástica e verdadeira do que seria o Deus do Trovão e do Rock ‘n Roll.
GOT é a música que serve de pretexto para que, nos shows, Gene saia voando, vomite sangue e domine seu baixo com um solo pesado e de clima caótico que abre alas para o início da música em si.

A banda explora agora uma nova sonoridade, com pianos e a participação do coral da Orquestra Sinfônica de Nova York na faixa “Great Expectations”. Uma música que soa estranha num primeiro momento, pois difere de tudo o que já se conhecia da banda, mas mesmo assim acaba se encaixando bem na proposta do álbum possuindo uma linda melodia aliada as vozes do coral.

“Flaming Youth” é a quinta faixa, dançante, com um espírito alegre que se traduz na voz de Paul Stanley. Não se tornou um clássico, mas agrada aos fãs da banda.

A sexta música é “Sweet Pain” que volta a trazer a energia das primeiras canções do disco. Mais uma vez Gene utiliza os vocais com total liberdade, alternando a atenção com os solos vibrantes da guitarra de Ace.

Ainda faltam duas músicas, mas a sétima faixa “Shout It Out Loud” já é o suficiente para Destroyer ser considerado uma pérola perfeitamente lapidada. Uma sonoridade incrivelmente estarrecedora, dançante, com um refrão inesquecível. É impossível ouvi-la e não sair cantarolando o refrão mesmo que de forma impensada. É o verdadeiro espírito do: “Chame seus amigos para uma festa de Rock ‘n Roll e grite mais alto!”

Mais uma vez a banda experimenta uma sonoridade diferente, incluindo violinos e pianos na primeira balada: “Beth”. Escrita por Peter Criss, ela causou certo desconforto entre os demais integrantes, que não concordavam em incluir uma balada no repertório da banda, por diferir totalmente do trabalho que vinha sendo realizado.

Segundo Paul Stanley, “Beth” foi colocada no lado B para não terem que joga-la fora pois achavam que ela não teria a mínima chance de fazer sucesso. Erraram feio na previsão. “Beth” se tornou um dos maiores sucessos de Destroyer e foi a responsável por incluir o Kiss na programação das diversas rádios FMs.

Possui uma letra um tanto quanto tola, falando de um garoto que não vai atender a namorada agora pois está tocando Rock com os amigos. Mas a linda melodia e a voz suave de Peter Criss fazem de “Beth” uma música que poderia até ser considerada completamente fora da proposta da banda, mas que sem ela o disco não seria o mesmo.

Por ter a necessidade do acompanhamento de uma orquestra, até hoje “Beth” é executada nos shows na forma de playback. Pois os custos para rodar o mundo em uma turnê carregando uma orquestra inteira a tiracolo não seriam muito acessíveis. Algo óbvio de se concluir. Mas que infelizmente serve de pretexto para que pessoas sem o mínimo conhecimento da história da banda, critiquem o Kiss por fazer playback. Na realidade, os fãs se contentam apenas com a interpretação ao vivo de Peter Criss que sempre emociona as platéias.

Para fechar o disco, definitivamente com a certeza de que se ouviu uma obra de arte, “Do You Love Me?” traz mais uma vez um refrão fácil e pegajoso, se tornando uma das que conta com maior participação do público durante os shows. Destaque também para linha de baixo de Gene Simmons. Mais um clássico, sendo coverizada mais tarde até pelo Nirvana.

Segundos após o término de “Do You Love Me?”, existe um som da voz de Paul misturado a gritos de público e ao refrão de Great Expectations. É extremamente curta, não consta sua presença no encarte do disco, mas é chamada pelos fãs de “Rock ‘n Roll Party” pois é uma das frases que Paul diz durante essa misteriosa mistura de sons. Enigmática.

Em apenas algumas semanas após seu lançamento “Destroyer” alcançou 3 discos de platina, e 6 das 10 faixas são executadas em shows até hoje. No final de 1976 a banda já havia vendido mais de 1 milhão de discos e a média de público nos shows começava a aumentar cada vez mais, tornando os tumultos na entrada das apresentações bastante freqüentes. Até então o Kiss era bem popular nos Estados Unidos e a partir daí passa também a ser reconhecido mundialmente, incluindo a Europa e, principalmente, o Japão.

Traduzir em palavras um trabalho musical não é algo muito fácil quando se trata de clássicos seminais como os descritos aqui. Um álbum obrigatório, feito com paixão, básico e necessário a qualquer fã admirador do bom Rock 'n Roll.

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Sobre Carlos Roberto Merigo Filho

Louco por Rock 'n Roll de todos os tipos desde sua criação até os dias de hoje, infelizmente não toca nada. Suas bandas preferidas são Kiss, The Black Crowes, Aerosmith, The Cult, Iron Maiden, Black Sabbath, Queen, Camisa de Venus, Velhas Virgens, etc.

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