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Great Fall - Narnia

Por Maurício Gomes Angelo | Em 06/11/03
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Nota: 9

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Amigo! Que evolução! The Great Fall faz Desert Land parecer brincadeira de mau gosto. Que maravilhoso avanço destes suecos, conseguiram produzir um dos álbuns de mais bom gosto do ano.

The Great Fall é um álbum conceitual, mas graças ao bom Deus, não tem nada a ver com lendas, mitologias, espadas e dragões. O conceito é centrado no mundo atual, as letras versam sobre o comportamento humano, os rumos do planeta, o relacionamento das pessoas umas com as outras, e tudo que vemos ao nosso redor. Letras inteligentes e bem construídas.

Quanto ao som, a diferença nota-se já na introdução. War Preludium é linda e necessária, ao contrário da maioria das introduções que vemos por aí. Mas o show começa mesmo em The Countdown Has Begun, porradaria melódica como o Narnia nunca tinha feito antes.

E quem é esse monstrinho no baixo? Andreas Olsson (ex-Wisdom Call e também do Stormwind) – estreando no Narnia – não deixa a mínima saudade do apenas correto Jakob Person. Este cara é um animal! Consegue colocar linhas destruidoras de baixo em meio á melodia da banda sem descaracterizar o som. Provavelmente é ele o responsável pelo primor de peso alcançado pelo Narnia neste álbum.

Back From Hell ilustra melhor ainda o objetivo do grupo aqui... começa violentíssima, desemboca num ritmo calmo e cadenciado, elementos progressivos e sinfônicos muito bem encaixados, alternando peso com calmaria, violência com tranqüilidade. É maravilhosa.

Carl Johan Grimmark desvia-se completamente do estigma de clone mal feito de Yngwie Malmsteen, mostra toda sua técnica, competência, peso e originalidade, produzindo riffs muito pesados e legais (coisa escassa nos trabalhos anteriores), show guitarrístico do início ao fim.

Andreas Johanson, baterista do Hammerfall, foi quem gravou este álbum com o Narnia. Nem parece, porque o mesmo obtém muito mais destaque na sua banda de origem, onde sua bateria é muito mais avassaladora, mas é claro que a qualidade do cara é inegável.

Diferentemente das insossas baladas do álbum anterior, No Time To Lose mostra-se muito agradável e bem arranjada.
Só acho que a voz de Christian Rivel (com o sobrenome modificado porque adotou o de sua esposa) não fica muito boa para baladas, e que ele também foi o integrante que menos evoluiu dentre todos. Seria interessante que ele procurasse alternar mais os tons, soar mais agressivo em alguns momentos e ser mais criativo. Não é um vocalista ruim, não tenham dúvidas de que o cara é bom, mas como disse, alguns detalhes precisam ser revistos e melhorados.

No decorrer do álbum percebe-se que o baixista Andreas Olsson teve muito destaque e foi muito importante na composição do álbum, ao lado de Carl Johan. Ground Zero é a prova disso.

Os teclados à lá Jens Johanson de Judgement Day fazem o pano de fundo perfeito para os pesados riffs de Grimmark. Nota-se um potencial muito grande nessa música. O que não ajuda muito é a linha vocal, que poderia ser diferente e mais de acordo com o que a música propõe. Assim, em vez de termos uma composição mediana, teríamos uma excelente.

A última e épica The Great Fall of Man, que conta com a participação do maravilhoso Eric Clayton do Saviour Machine, com 14 minutos, é o que eleva este álbum á um dos melhores do ano. A sinfonia e progressividade estão muito mais presentes e evidentes aqui. É a composição mais trabalhada, criativa e bem arranjada do álbum. A melhor música do cd, com certeza, em que todos os integrantes dão o melhor de si. A mais inspirada e mais diferenciada atuação de Christian Rivel, mostrando que os resultados obtidos com a sua voz podem sim ser muito melhores. Os coros adicionados foram muito positivos, lembra muito as composições do álbum “V – The New Mythology Suíte” do Symphony X, pelas quebradas de ritmo e tempo, e pela utilização maciça dos teclados em contraponto ao baixo e guitarra pesados. Perfeita!

Só fica aqui o meu apelo à Nuclear Blast/Century Media, que há um bom tempo já vem anunciando este álbum em versão nacional e até agora nada. Espero que seja mesmo lançado, porque vale muito á pena. Disparado, o melhor álbum do Narnia.

Set List:
1. War Preludium
2. The Countdown Has Begun
3. Back from Hell
4. No Time To Lose
5. Innocent Blood
6. Ground Zero
7. Judgement Day
8. Desert Land
9. The Great Fall of Man

Tempo Total: 54:00 m

Line – Up
Christian Rivel – Vocal
Carljohan Grimmark – Guitarra
Andreas Olsson – Baixo
Andreas Johanson – Bateria
Linus Kåse - Teclados

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Sobre Maurício Gomes Angelo

Maurício G. Angelo odeia definições. Acha que não entende nada de música, mas o suficiente. Pseudo-jornalista, pseudo-crítico e pseudo-escritor. Não gosta de explicar ironia. Escreve no Whiplash! desde 2003. Colaborou para uma série de veículos, como a revista Roadie Crew e os sites Rock Press, Duplipensar e Simplicíssimo. Ouve tudo aquilo que lhe interesse: do blues ao metal extremo, passando pelo pop, progressivo, clássico, jazz, eletrônico e MPB. Peca pelo tesão, nunca pela inércia. Alfabetizado, chato, detalhista e exigente: está continuamente tentando aprender a ler, e tem orgulho disso. Passou bons momentos ao lado de Rubem Braga, George Orwell, Pink Floyd e tantos outros. É apaixonado por palavras, pelo som e pelo silêncio. Erra muito. Muda mais ainda. E se permite ser hiperbólico, às vezes.

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