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O nome Tourniquet significa:
1º) Um esquema cirúrgico para parar hemorragia pela compressão de uma veia sanguínea
2º) Processo de longa vida espiritual por um Deus pessoal, através do qual seu sangue, morte, e ressurreição de seu único filho Jesus Cristo, pode começar a fluir durante a sua vida sem saber e a servir nosso criador. Ele é o nosso TOURNIQUET.
O álbum em questão parte de um principio. Pathogenic Ocular Dissonance quer dizer:
Dissonância - desarmonia, discórdia;
Ocular - relativo à visão
Patogênica - causadora de doenças.
Aqui nós temos três palavras que normalmente não estão juntas representando o conceito do daltonismo espiritual - ver a nossa vida sem todas as cores - ou ver certas cores de modo não-exato. Quão frequentemente nós temos SÓ a nossa própria visão das coisas - omitindo a visão bíblica - a visão de Deus. “Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra” (Colossenses 3:2). A capa do álbum possui um esboço que inclui tabelas reais para o teste de daltonismo. O círculo colorido no centro é uma foto distorcida e embaçada da banda.
O Tourniquet faz uma música bastante quebrada, complicada, em arranjos que desestruturam qualquer idéia sobre o Metal, soando bastante diferente e até um pouco estranho. A sonoridade muda consideravelmente de um cd para o outro.
Este Pathogenic Ocular Dissonance começa com Impending Embolism que é uma instrumental bem thrash com pitadas melódicas, padrão que será seguido durante todo o álbum, que é carregado de vozes e sons estranhos.
A música que dá nome ao álbum é uma continuação da primeira, só que mais heavy e mais rápida e com um vocal alucinado, isso até a sua metade onde dá uma surpreendente quebrada levando o ouvinte a pensar até que o que se segue é outra música, mas seu aparelho não está com defeito, é a mesma música que na 2º metade vem mais “calma” com uma levada diferente e um vocal mais ritmado.
Phantom Limb começa bem estranha com um som muito esquisito, mas logo volta ao normal se transformando numa das melhores do álbum, principalmente por causa do riff poderoso e do vocal que “agrada” bastante, muito bem encaixados.
Ruminating Virulence para não perder o costume, inicia com um som de um “mergulho” ou coisa parecida e o som de uma sirene de polícia, depois vem o thrash violento de sempre e um vocal mais rápido que a anterior,conta ainda com um bom solo de guitarra, coisa não muito comum neste cd, e outra quebrada no final mudando um pouco, mas pode ser classificada como uma speed/thrash/metal.
Spectrophobic Dementia tem um ínicio bem heavy levando a um vocal em algumas partes rasgado em outras lento e até meio gótico, seguida de um solo bem feito com o marcante riff inicial.
A próxima música tem o singelo nome de Gelatinous Tubercles of Purulent Ossification, uma das mais esquisitas do álbum, com um vocal meio eletrônico e bastante diferente, difícil de classificar, batidas thrash, quebradas, sons estranhos, elementos presentes em todo o cd.
Justamente este é um dos “pecados” do álbum, que soa bem repetitivo e depois de um tempo até enjoativo, te dando a impressão que a música seguinte é uma repetição da anterior, “reciclada” e com uma letra diferente, te cansando de ouvir sempre a mesma coisa.
Os integrantes da banda são competentes, nada de espetacular, mas são bons, o baterista principalmente (como trabalha esse cara!), o guitarrista é mediano e digamos esforçado, o vocalista está bem encaixado neste tipo de som e segura bem a pegada da banda.
Incommensurate é um apanhado do que foi dito acima, logo no início de Exoskeletons têm-se a impressão de ser uma faixa extremamente bizarra, mas não, é uma das melhores do álbum, não se arrasta, o backing vocal deu efeito bem criativo e interessante e o “refrão” empolga, tem a duração certa pra se salvar, Theodicy of Trial também é decente, os elementos foram bem “costurados”, a massa sonora criada pelo baixo, guitarra e bateria ficou muito boa, junto com o vocal bem particular, Descent into the Maelstrom é uma instrumental mais tranqüila e dá uma quebrada no thrash violento das anteriores tendo um efeito muito positivo, En Hakkore é aquele tipo de música rápida com um refrão lento que volta a ser rápida de novo, nada muito original mas bem executado, a música que fecha o álbum Skeezix Dilemma por incrível que pareça tem uma introdução acústica, seguida de um som meio “circense” e depois entra a voz de um garoto falando alguma coisa, pra depois voltar a ter a mesma batida das anteriores, o vocal é algo entre raivoso e indignado, alertando para algo, depois entra um solo de guitarra que é a melhor coisa da música, após o solo entra um bizarro som de algo como um “gato-sofrendo” ou qualquer coisa desse nível, aí volta o vocal característico seguido da mesma batida acústica do inicio que a seguir volta com um som mais pesado e agradável terminando assim seus 9:53m que como você pode ler acima estão cheios de sons esquisitos, quebradas no som e mais algumas bizarrices, é bem estranha e arrastada mas não deixa de ser original.
No final das contas o cd se mostra com algumas passagens boas e outras nem tanto, algumas músicas sofríveis é verdade, poderia ser menos repetitivo e menos quebrado, a fórmula não funciona bem, chega a incomodar um pouco, enfim não é a oitava maravilha do mundo, o Tourniquet já fez trabalhos melhores do que este, valeu pelo experimentalismo exacerbado tornando o álbum no mínimo curioso, ouça e tire suas próprias conclusões, quem sabe você não gosta?
Nota: 6,5
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Maurício G. Angelo odeia definições. Acha que não entende nada de música, mas o suficiente. Pseudo-jornalista, pseudo-crítico e pseudo-escritor. Não gosta de explicar ironia. Escreve no Whiplash! desde 2003. Colaborou para uma série de veículos, como a revista Roadie Crew e os sites Rock Press, Duplipensar e Simplicíssimo. Ouve tudo aquilo que lhe interesse: do blues ao metal extremo, passando pelo pop, progressivo, clássico, jazz, eletrônico e MPB. Peca pelo tesão, nunca pela inércia. Alfabetizado, chato, detalhista e exigente: está continuamente tentando aprender a ler, e tem orgulho disso. Passou bons momentos ao lado de Rubem Braga, George Orwell, Pink Floyd e tantos outros. É apaixonado por palavras, pelo som e pelo silêncio. Erra muito. Muda mais ainda. E se permite ser hiperbólico, às vezes.
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