Resenha - Dark Assault - Iron Savior

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Resenha - Dark Assault - Iron Savior


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Nota: 7

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Já dizia o ditado: "Cachorro de muito dono morre de fome". Podes crê! O Iron Savior começou como um projeto e com o passar do tempo foi se tornando uma banda, efetivamente falando, mas para que isso acontecesse, eram inevitáveis as mudanças de formação. Aliás, como é de conhecimento geral, o único álbum gravado com o mesmo 'line-up' de seu antecessor foi o Condition Red, lançado agora em 2002, contando em suas fileiras com Piet Sielck (sim, ele, "o eterno" guitarrista, vocalista e produtor), Jan-S.Eckert (baixo, vocais, atual Masterplan), Andreas Kück (membro convidado do Blind Guardian - teclado, vocais), Thomas Nack (ex-Gamma Ray - bateria, percussão) e Joachim 'Piesel' Küstner (guitarra, vocais), o que contribuiu em demasia para o resultado final. Mesmo assim, Dark Assault continha um diferencial, pois esse último ainda "cedera" algumas de suas partes ao desistente Kai Hansen (bem, tu sabes quem ele é...), que já preparara previamente todo o terreno e não tinha mais como se desdobrar para estar concomitantemente nas duas empreitadas, tendo ele por esse motivo apenas solado, além de especialmente participar aqui e acolá no CD.

Piesel foi uma escolha natural para substituí-lo, afinal era um velho amigo da gangue, e também técnico de guitarra, engenheiro de som, assistente nas tours tanto deste conjunto quanto nas do ‘Raio Gama’, trocador oficial de lâmpadas, etc. Já nas baquetas, Dan Zimmermann percebeu que não dava para copiar o Mike Terrana (Rage) e resolveu se dedicar apenas a suas bandas principais, o próprio Gamma Ray e o Freedom Call. Ainda bem que ele deixou de xeretar por aqui, pois para que ter um sujeito como este, que pouco pode se dedicar e trazer novas idéias, ao passo que um outro coitado, que era o caso de Nack, continuava desempregado. Saí fora, seu Zimmermann! Tu és bastante simpático, até foi atencioso ao me dar um autógrafo na primeira passagem por aqui, mas vamos tentar ser comedidos... Então quer dizer que com o seu desligamento, eu fiquei feliz? De modo algum! Aí surgiu outro empecilho: a participação do novo empossado não passou de correta, ou seja, eficiente, e nada mais.

“Mas, Leandro, você está tentando nos dizer que o Thomas Nack, baterista que gravou ao lado de Kai Hansen, a obra mestra do metal melódico Land of the Free, também estava com ele quando fizeram esse ‘play’?” Sim! Quer dizer, não! Ainda que o Kai apenas tenha feito algumas firulas no disco, e co-escrito a faixa "Solar Wings" (que é a sua cara, lembrando muito a fase No World Order!), lembre-se que "o goleiro não faz o time" e assim como aconteceu com o Zimmemann (também responsável pelo suntuoso Somewhere Out in Space) não podemos esperar nada desta dupla, já que quem compõe praticamente tudo é o técnico Piet Sielck, que até recebeu uma ou outra ajudinha do fiel volante Jan-S.Eckert.

Fosse na época de seu lançamento, eu diria categoricamente que o Dark Assault se sobrepõe ao Unification, o segundo de seus ‘full-lenghts’, devido a um asco tão grande que cultivei para com duas canções existentes naquele. Analisando melhor hoje, percebo que desconsiderando as ressalvas que tenho (ou tinha) com o referido, as músicas que ali se sobressaem, travam uma batalha acirrada contra este terceiro como um todo, devido ä sua regularidade e "postura politicamente correta". Digo, o álbum inteiro é inegavelmente bom, pode ser ouvido de ponta a ponta, mas é o meio termo na carreira do Iron Savior, muito ‘redondinho’, e peca por não conter grandes inovações. Se colocarmos o Condition Red no ringue, aí sou obrigado a admitir que ele o nocauteia em termos de atrativos. Todavia, quero me abster de tantas comparações, pois tudo que aqui escrevo ficará registrado sem chance de voltar atrás, assim como ocorreu com um rascunho que redigi há muito tempo em relação ao ‘debut’ auto-intitulado e seu sucessor, do qual agora abrando minha opinião sobre alguns aspectos, por ter me acostumado com a nova proposta seguida desde que tudo definitivamente tomou ares de banda. Assim, escancarei naquele texto a minha preferência pelo embrião de 1997 que mui provavelmente não será batido por nenhum outro futuro, apesar de que seguirei os conselhos da faixa de abertura aqui presente, a qual recomenda, “nunca diga nunca”, ou melhor, “Never Say Die”.

Excetuando-se aquele ato que remete à fase contemporânea do Gamma Ray, a despeito de novamente não fazer jus ao material por ele registrado, e outro fator bem sacado que alegra e incrementa o refrão de “Back into the Light”, o uso de um pandeiro meia-lua, numa música em boa parte sussurrada, de resto podemos aqui ouvir muito do que já compôs sua trajetória complementar, como a agressividade em “Seek and Destroy”, com os dois bumbos comendo soltos (mas queira por gentileza não se lembrar da homônima canção do “extinto” Metallica), ou o arranjo cadenciado que vai crescendo e se alterna em peso (“Dragons Rising”), seguida da matadora “Predators” em seu clima tradicional, e uma belíssima balada, que contém os já esperados dotes vocálicos do baixista Jan S.Eckert, no que perfaz o pico da obra, certamente a melhor de todas, apesar de mais uma vez se tratar do encerramento da mesma.

Os mais afoitos podem estranhar a grandeza de “Made of Metal” que beira os sete minutos, ou seja, a maior do álbum, bem orquestral e segue em ritmo de primeira aula de direção, quando o sujeito está aprendendo a usar a embreagem e repetidamente dá uns solavancos, mesmo usando a marcha lenta. De qualquer modo, isso não me afeta em nada, pois há outros detalhes com que me preocupar. Por exemplo: o single daqui extraído foi “I’ve Been to Hell”, que além de ter um ‘bridge’ dissonante, conta um solo fantasma, ou melhor, que foi gravado mas o Piet esqueceu de colocar suficientemente à frente para podermos ouvi-lo, um vacilo de produção incomensurável. E também vai entender quem escolhe uma faixa de trabalho inconstante como esta...

Não bastasse isso, a sem-graça “Eyes of the World” contém um refrão fraquíssimo e deveria se chamar “Coming Home Part II - The Annihilation” devido aos frustrantes resquícios que esta traz em relação ao ‘opening-theme’ do Unification. Ainda não contentes com a repetição, eles tiveram a ‘inédita’ idéia de fazer uma cover do Judas Priest, “Delivering the Goods”. “Mas isso é ruim?” De forma nenhuma, contudo, será que já se esqueceram das suas aparentadas “The Hellion/Electric Eye”, “The Rage”, ou ainda da “Desert Plains”? “Ué, mas que mal tem o Piet coverizar a maior de suas influências? Isso lhe desanima?” Absolutamente que não, mas o fato é que ela se faz desnecessária devido ao abuso que isso vem se tornando. Muita atenção: Foi feito um exame de DNA em “Firing the Guns” e assim constatado que ela é primogênita da “Rapid Fire”, antigo clássico dos padres britânicos, assim como “Solid” do Gamma Ray é um infante descarado dessa mesma música. Homenagem ou não, isso é falta de tomar “chá de simancól”. Eu que escutara esta última primeiro, sofri, portanto, um efeito retardado ao tomar conhecimento do seu irmão mais velho, e já não sei mais com quem me indispor. O pior é que o Piet voltou a usar um outro excerto do Judas no Condition Red que só veio a ratificar esta minha imutável desaprovação. Pelo menos a já citada “Never Say Die” (a do Sabbath é melhor, he he), que detém a mesma pegada, não desaponta e tem um comecinho deveras simpático, no qual os instrumentos vão apoteóticamente se apresentando.

É, rapaz! Não é fácil contar tantos mortos e feridos em tamanha batalha interestelar, mas minha inusitada sugestão é que eles deveriam encurtar caminhos, manter as letras essenciais para o entendimento da trama em forma de estória (como já é feito em certas partes), deixando assim, prensadas as músicas realmente boas. Existem tantos lançamentos no mercado com quarenta, cinqüenta minutos pelo mesmo preço, e ninguém se queixa caso a obra seja bem feita de fato. Infelizmente não avaliamos duração e sim conteúdo (o útil e agradável compreendido pelo Condition Red), portanto o que dizer de um CD como o Unification que tem uma hora de material próprio e inédito, fora abundar outros “brindes”? O Dark Assault chega bem próximo deste tempo total, mas se o ‘debut’ tem dez giradas de ponteiro a menos, eu não me importo. Vale analisar qual é a preferência do leitor, pois para apertar a tecla forward do CD Player não lhe custa nada, dá na mesma, e se simpatizares com os momentos que considero duvidosos, sorte a tua. De qualquer modo, para quem se alimenta de Power Metal e álbuns conceituais, ou já coleciona a discografia desta, não deve ligar para pequeninas aversões de um resenhista injusto e mal-encarado, pois com que intuito devemos partilhar a corriqueira seqüência temática, se este ao menos merece uma conferida, apesar de não ser a salvação definitiva para Terrenos e Calderanos, nisso que ainda vai longe...

Duração – 61:22 (12 faixas)

Website oficial: www.iron-savior.com

Material cedido por:
Century Media Records
http://www.centurymedia.com.br
Telefone: (0xx11) 3097-8117
Fax: (0xx11) 3816-1195
E-mail: [email protected]

OBS: Agora, alguém pode me explicar por qual motivo a impressão deste encarte promocional veio totalmente invertida? Espero que este não tenha sido um equivoco permanente, pois nunca vi a Century Media fazendo algo semelhante, o que até então era exclusividade de uma outra empresa grande por aí...

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