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Resenha - Epica - Kamelot

Nota: 10

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Cansado dessa tranqueira de mundo que só lhe oferece bandas copiando umas às outras, sem nenhuma originalidade, sentimento e honestidade? Saturado desse tal de metal melódico que vem sendo o cúmulo e ápice desta falta de percepção? Novato em Kamelot, o único reino que pode salvaguardar o espírito defasado do estilo supracitado? Então chega! Dê um basta nessa vida amargurada, pois temo dizer que há alguns anos a resposta esteve diante de teus dedos e ouvidos e nem se deste conta. Mas tudo bem, se a dama ou o cavalheiro a quem me dirijo perdiam seu precioso tempo vasculhando prateleiras de CDs infestadas no intuito de se desvencilhar da mesmice, não se preocupe, a solução está bem próxima de ressurgir em forma de épico, ou melhor, Epicaaaaaaaaaaaa!!!!! (agora com ‘échio’, e, felizmente, sem a qualidade “Tabajara”).

Quem já escutou os dois últimos trabalhos desse fantástico trio norte-americano, junto a este fascinante vocalista norueguês, certamente não irá se decepcionar com seu novo opus, pois consoante ao prometido pelo guitarrista e fundador Thom Youngblood, houve a corriqueira inclusão de novos atrativos, adornando tudo aquilo que torna os “Cavaleiros da Távola Redonda” uma entidade digna de aplausos, mas fiel ao que lhes transformou em uma das melhores instituições metálicas da atualidade.

A verdade é que rotular o som deles pura e simplesmente como arrolei acima, seria uma tremenda afronta à tamanha “peça teatral”, que vem repleta de intervenções clássicas, músicas cadenciadas, e nada que possa causar asco a quem não agüenta mais ouvir falar a palavra “melódico”. Tudo bem que eu caíra nessa armadilha na resenha do álbum antecessor, Karma, porém não antes de ratificar que o termo em seu estado bruto simplesmente cai muito bem ao Kamelot, o que eu gostaria de evitar aqui, banindo-o, por, nos dias de hoje, assustar os leitores, sendo então melhor classificá-los como propagadores de um ‘metal épico’, como o próprio título desta feita já explicita.

Para musicar a obra literária Fausto de Goethe, sobre a qual gira toda a temática, o resultado se mostrou uma autêntica trilha sonora, com interlúdios enriquecedores, assim como o Blind Guardian fizera no popular Nightfall in Middle Earth. Assim, em seu desenrolar, há momentos de extrema dramaticidade como em “Helena’s Theme” (curta, porém lindíssima), protagonizada por vocais femininos em tom de despedida, já que a personagem foi condenada à execução; em outras passagens, elementos atípicos dão a tônica como o clima de tango em “Lost and Damned” que inclusive conta com um acordeom muito bem encaixado; há ainda um breve detalhe em “The Mourning After” (assemelha-se à “Rhydin” do Siége Perilous) que me deixou maravilhado, e remete ao refrão de (pasmem!) “Games People Play” do saudoso Alan Parsons Project.

A introdução não recebeu os mesmos cuidados que anteriormente, lembrando um pouco as fonias de “Beyond the Portal” do Helloween, algo que não implica em nada, mas não quer dizer que seja o meu tipo preferido de prólogo. Assim, o “defeito” do disco novamente fica por conta de um único refrão, que poderia ser mais caprichado, porém eu lhe digo, se não fores detalhista como este que te escreve, sequer o perceberá. Pelo contrário, mais do que nunca fica difícil eleger os destaques do álbum, valendo, como de praxe, citar a primeira canção, “Center of the Universe” na qual Khan canta uma naturalidade soberba, e “III Ways to Epica”, um encerramento primoroso, assim como nos mais recentes trabalhos. Não sossegarei até vê-las ‘ao vivo’, frente a frente, quando em uníssono bradaremos É-PICA, É-PICA, É-PICA!!!... que disco... que banda... Só não lhes digo que se trata de um dos melhores lançamentos do ano, porque já estou mais que acostumado com a competência destes instrumentistas, mas principalmente pelo fato de que o mesmo apenas será oficialmente lançado no dia 13 de janeiro.

O sentimento que tenho para com ele agora, não é o mesmo das tentativas iniciais de assimilação, pois à cada audição ele parece crescer mais e mais na mente do ouvinte. De fato, eu aguardava por algo que vinha sendo anunciado como o mais ambicioso e mais pesado álbum do Kamelot, e quiçá ele o é, ainda que esse último detalhe seja não muito perceptível. Benvinda, mas não imediata, pressinto que a preocupação para inovarem no próximo lançamento, sendo mais agressivos, é boa e deve estar em mente, caso contrário sofrerão de um mal que infelizmente existe em grupos como o famigerado Rhapsody: a manutenção de algo que criaram, apegando-se àquilo com unhas e dentes, o que é muito perigoso para um público tão exigente como o é o de metal.

Enquanto isso não ocorre, basta deleitar-se com 52 grandiosos minutos, permeados por muito feeling, pujança, interpretação [seja na voz angelical da cantora lírica Mari (Titania) ou na minuciosa performance de Khan], incursões progressivas, dor, mistério, intriga e beleza harmoniosa.

Obs: A versão ‘digipack’ trará uma porção multimídia, bem como a faixa-bônus “Snow” e um pôster.

Obs 2: Derek Gores está mais uma vez de parabéns. Que capa linda!

Obs 3: Com a popularidade em alta, a banda finalmente planeja excursionar por aqui e pelo Japão em sua turnê mundial.

Faixas:
01. Prologue 1:07
02. Center of the Universe 5:26
03. Farewell 3:41
04. Interlude I (Opiate Soul) 1:10
05. The Edge of Paradise 4:09
06. Wander 4:24
07. Interlude II (Omen) 0:41
08. Descent of the Archangel 4:35 [solo de Luca Turilli]
09. Interlude III (At the Banquet) 0:30
10. A Feast for the Vain 3:57
11. On the Coldest Winter Night 4:03
12. Lost & Damned 4:55
13. Helena's Theme 1:51
14. Interlude IV (Dawn) 0:27 [participação de Ian Parry]
15. The Mourning After (Carry On) 4:59
16. III Ways to Epica 6:16

Website oficial: www.kamelot.com

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