Nota: 5 




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Cartilha do declínio (ou, como manchar uma reputação estabelecida):
- Construa uma carreira forte, lute palmo a palmo por espaço e respeito.
- Crie uma identidade própria, desenvolva um novo estilo de som.
- Lance um álbum inovador, quebre parâmetros estabelecidos.
- Treine muito, lapide sua técnica e alcance um nível invejável.
- Fique conhecido pela criatividade e pela busca de soluções diferentes para fugir da mesmice.
- Lance um álbum ainda melhor, arranque elogios dos críticos mais exigentes.
- Assine com uma major.
- Eleve a técnica ao extremo.
- Como conseqüência, seu novo trabalho só é compreendido por quem tem um senso musical apuradíssimo.
- Mantenha sua honestidade intacta.
- Comece a olhar com carinho para o Tio Sam.
- Passe a ver graça e qualidade em modas já batidas e comprovadamente repugnantes.
- Altere a formação; perca dois dos principais integrantes e compositores.
- Mude completamente sua linha musical: vocais guturais agora são limpos, guitarras antes polivalentes passam a apresentar afinação excessivamente baixa, reduza drasticamente o nível técnico, simplifique suas músicas, enfim, faça tudo estritamente ao contrário do que o seu público estava acostumado.
- Se receber críticas negativas e ver seus antigos fãs virando a cara para você, bata na velha tecla de que estão buscando evolução musical e quem diz o contrário é porque tem a cabeça fechada.
- Acredite realmente que a sua involução é uma evolução.
Esta pode ser considerada uma breve história de tudo que concerne ao Extol nos últimos 10 anos. “The Blueprint Dives” é uma vergonha para uma banda que produziu clássicos como “Burial” e “Undeceived”. Peter Espevoll é uma outra pessoa, seus vocais não fazem nem sombra ao que apresentava antigamente (e o excesso de efeitos incomoda bastante), a excelente fluência que víamos entre vocais guturais, screams e limpos agora se apresenta completamente errônea e mal explorada. Mudanças bruscas no andamento das composições estão presente aos montes, coisa muito comum em bandas de metal alternativo. A variação se foi, a criatividade também, incursões clássicas passaram longe, aquela brutalidade rebuscada de outrora está guardada sabe-se lá em que lugar. Mas como seria impossível para eles fazer algo completamente descartável, podemos elogiar alguns riffs realmente animais, a atuação impecável do monstro (e sacrificado) David Husvik na bateria e certos níveis atmosféricos bem realmente bem explorados, mas é só. Definitivamente adotaram uma postura deliberadamente moderna (basta ver a capa do álbum, abandonando as artes obscuras e perturbadoras de antes).
Lamentável que seja assim, o que era uma banda única, agora é apenas mais uma dentre tantas outras que apostam nestes elementos verificados aqui, embora com muito mais competência. E isto meus amigos, não é Extol! Eles são muito mais do que “The Blueprint Dives” insinua, e para piorar a situação, o novo álbum é o que está tendo a melhor divulgação da história da banda...sinal dos tempos. Eles têm toda a condição para fazer um álbum milhões de vezes melhor do que esse, resta saber que rumos irão querer dar ao roteiro criado acima.
Formação:
Peter Espevoll (Vocais)
Tor Glidje (Guitarra)
Ole Halvard Sveen (Guitarra)
John Robert Mjâland (Baixo)
David Husvik (Bateria)
Site Oficial: www.undeceived.net
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Maurício G. Angelo odeia definições. Acha que não entende nada de música, mas o suficiente. Pseudo-jornalista, pseudo-crítico e pseudo-escritor. Não gosta de explicar ironia. Escreve no Whiplash! desde 2003. Colaborou para uma série de veículos, como a revista Roadie Crew e os sites Rock Press, Duplipensar e Simplicíssimo. Ouve tudo aquilo que lhe interesse: do blues ao metal extremo, passando pelo pop, progressivo, clássico, jazz, eletrônico e MPB. Peca pelo tesão, nunca pela inércia. Alfabetizado, chato, detalhista e exigente: está continuamente tentando aprender a ler, e tem orgulho disso. Passou bons momentos ao lado de Rubem Braga, George Orwell, Pink Floyd e tantos outros. É apaixonado por palavras, pelo som e pelo silêncio. Erra muito. Muda mais ainda. E se permite ser hiperbólico, às vezes.
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