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Quando surgiu no ano passado com o álbum “71”, o Rumbora dizia que sua música era “rock ensolarado, vitaminado, pesado, cheio de energia e alto astral”. Agora, com “Exército Positivo e Operante” a banda pode acrescentar um novo adjetivo à definição: certeiro. Em seu segundo disco, o quarteto de Brasília agrega uma inigualável vocação para o pop à explosiva mistura de ingredientes como hardcore e ska. A combinação resultou em canções prontinhas para assaltar as paradas ou para pogar feliz da vida – ou as duas coisas ao mesmo tempo, de acordo com a disposição do freguês.
Produzido pelo mesmo Carlos Eduardo Miranda (aquele da Trama…), “Exército Positivo e Operante” mostra uma banda mais forte, entrosada e, digamos, madura. Mas não pense em maturidade como sinônimo de bunda-molismo, acomodação e marasmo criativo. Aqui, a qualidade é refletida por aquela segurança na hora de arriscar, aquela certeza de que não importe a direção a seguir, tudo vai fazer sentido.
E como faz. Logo na abertura, “Flou”, o recado curto e direto não deixa dúvidas sobre o que o Rumbora pretende com esse disco: “evoluir e voar”. Nas pesadas “Ladeirão” e “Tá Com Medo” (com versos de Arnaldo Antunes) o lema é traduzido em peso, enquanto a faixa-título e “Alfa e Beto, Baca e Biu” trazem raps de Speed (da dupla carioca Black Alien & Speed, apadrinhada pelo Planet Hemp) e X (ex-Câmbio Negro), respectivamente.
Tem também suas baladas. “Tô Com Você”, mais normal, simplificada e perfeitinha, contrasta com a pungente “O Mal Do Mundo”, que sofre efeitos fornecidos pelas traquitanas de Apollo IX (o rato de estúdio por trás das produções do Planet Hemp). Sugerindo a transição entre este lado experimental – no sentido de buscar novos caminhos – e a pegada de “Veste O Uniforme (Born To Be Alive)”, o sucesso de Patrick Hernandez que embalou os anos 80, transformada em um manifesto anti-aula.
A versão inusitada abre-alas, um música com alto teor de audiência é o “Mapa Da Mina”, seguida por “O Passo Do Azuílson E Boa Nova” (com participação de Marcelo Vourakis, ex-vocalista do Maskavo Roots) e “Na Paz” - aquele tipo de canção para cantar junto… Ora, já está mais do que provado que nem sempre uma banda piora quando fica mais pop. Pelo contrário: propor-se a compor algo que agrade a um amplo espectro de ouvintes implica em desafios maiores do que tocar apenas para ser elogiado pelos amigos. Afinal, pop não é fórmula, é talento. E isso o Rumbora parece ter de sobra.
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