Nota: 10 









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Outra memória ainda recente é a de que, tempos atrás, muita gente dizia que a Donzela estava acabada e que os grupos da atualidade, além das bandas de história - como Metallica, Judas Priest, Megadeth -, é que eram o verdadeiro heavy metal. Agora, veja como as coisas são engraçadas: os caras lançaram um disco de peso, têm Bruce e Adrian no cast, voltam a fazer as turnês mais extensas do globo e conseguem algo que só se tem a chance de alcançar uma vez na vida: voltar ao topo. Que é o lugar onde merecem estar, diga-se de passagem. A ironia? Olhe o tipo de música que estão fazendo Metallica e Megadeth... melhor até não comentar.
"Wicker Man" foi a faixa que quem estava antenado nas novidades que saíam na Net pôde ouvir primeiro. O engraçado, entretanto, é que pode-se dizer que é a faixa "menos melhor" do CD. Com um apelo claramente comercial, foi feito um video-clipe para que programas como a MTV, onde poderiam ser divulgados, não ficassem de fora.
"Ghost of the Navigator" é a segunda faixa e a que atraiu mais atenção enquanto eram distribuídas MP3s clandestinamente do disco pela Internet afora. Como o som não soa clichê e tem bases e uma melodia poderosa, a música logo se tornou um hit entre os fãs do grupo. Que já era de se esperar. Como se poderá ver mais adiante, o disco todo é feito de clássicos.
"Brave New World", a música título, também foi distribuída Internet afora. Possui linhas vocais muito bonitas, especialmente no refrão que, definitivamente, TEM que ser cantado pela multidão inteira, quando no show da banda. O baixo galopante está lá e as guitarras, idem. O paredão sonoro funcionou perfeitamente.
"Blood Brothers" é a quarta faixa do disco e, segundo uma versão da lenda, Steve compôs a música inspirado nos laços que mantinha com seu pai, que morreu quando o baixista estava em turnê. A canção tem o começo lento, para depois ficar relativamente pesada, com os vocais de Bruce gritando "blood brothers".
Mas é com "The Mercenary" que o fã pode ver o metal puríssimo que o Iron Maiden tem correndo nas veias. A música já começa na porrada e é assim por todos seus 4 minutos e 41 segundos. É como se os gritos de batalha de Bruce não lhe deixassem fugir do massacre: "nowhere to run, nowhere to hide; you have to kill to stay alive". Na verdade, a temática da música chega a lembrar um pouco "The Fugitive". Mas com bases muito mais rápidas e - principalmente - metálicas. É Iron Maiden puro, das raízes.
"Dream of Mirrors" tem as guitarras bastante coladas - dá pra ver que o entrosamento dos guitarras atingiu niveis incríveis. No comecinho da música dá pra sentir uma leve brisa lhe levando de volta no tempo até 1990, onde se pode perceber alguns toques de "Mother Russia" e, logo depois, você corre de volta a 83, com "Piece of Mind". Se ouvir com atenção, dá pra sentir um pouquinho de "To Tame A Land". A balada, entretanto, em geral discorre de linhas de baixo limpíssimas que mais lembram "The Clansman", canção épica do "Virtual XI". Esta é uma das melhores músicas do disco.
"The Fallen Angel" foi a última das quatro faixas distribuídas pela Net. Quem a ouviu sabe o estilo Piece of Mind incrustrado na música. Peso, rapidez, está tudo lá.
"The Nomad". Agora, sim. Está aí a melhor faixa do disco. Ah, musiquinha boa! Assim como "The Fallen Angel" e "The Mercenary", já começa na porrada. O feeling é crescente. O peso realmente remete o ouvinte diretamente a 85, época do estouro "Powerslave". O timbre da voz de Bruce combina perfeitamente com a temática e o seguimento da canção. Aquela linha melódica (vocal) rasgada à lá "Be Quick...". O refrão também tem a obrigatoriedade de ser cantado ao vivo. O detalhe vai para os teclados, no fundo, acompanhando a melodia do baixo.
"Out of the Silent Planet", a seguinte, é portadora de uma bela introdução. Enquanto as guitarras vão tocando os solinhos duplos bem Iron Maiden, o baixo toca os acordes cheios ao fundo, dando aquele clima de espaço para a entrada do vocal, que já começa recitando o nome da música: "Out of the Silent Planet... Out of the Silent Planet we are...". Pouco depois, os riffs pesados que carregam a canção até seu final. Os refrões são lindíssimos, cantados em duas vozes.
"The Thin Line Between Love and Hate", a última música (que pena, acabou) do disco, se traduz em uma coisa: peso. O começo lento dá espaço para a distorção de guitarra, que entra e preenche os ouvidos com a maior facilidade possível. O refrão não demora e logo entra, após algumas frases cantadas por Bruce. Também com duas vozes gravadas. Solos curtos, mas com feeling. Dá pra imaginar direitinho Adrian com aquela pose paradona com a Gibson à frente, solando como se aqueles fossem os últimos minutos de existência.
No geral, "Brave New World" é simplesmente o que Bruce garantiu que seria: o ícone da volta da banda ao topo. Os defeitos ficam por conta de algumas partes onde há repetição das bases e sempre fica aquele gostinho de quero mais do vocal ou dos solos. Mas é só. O peso, a rapidez, a balada, o galope, os solos... e, principalmente, ele: Bruce. Novamente. Lá, na frente, como fez por quase 15 anos, gritando "Scream for Me" e correndo de um lado pro outro no palco, como um louco desvairado. De arrependimento, só a impossibilidade de dar mais que 10 nesse CD; "Brave New World" merecia muito mais.
Maiden's back.
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Nascido ao fim dos anos 70 e adolescido em meio ao universo metálico, Haggen Heydrich Kennedy já trabalhou e atuou numa vultosa gama de atividades, como o jornalismo, o desenho, a informática, o design e o ensino, além de outros quefazeres. Atualmente vive em Atenas, Grécia, onde estuda História, Arqueologia e Grego Antigo na Universidade de Atenas. A constante nesse turbilhão de ofícios, todavia, sempre constituiu-se de dois fatores: as línguas (ainda hoje trabalha com tradução e interpretação) e a música - esse último elemento, definitivo alimento espiritual.
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