Nota: 10 









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Utilizando muitos recursos cênicos nas suas apresentações, o visual desses trintões da extinta Alemanha Oriental impressiona tanto quanto o música. O impacto começa pelo fato de as letras serem cantadas em alemão. Combine a força desse idioma (sem conotações racistas, por favor) com a potência de um vocalista que faz bonito tanto nos graves quanto nos agudos, em canções pesadas e melódicas (sem as firulas dos conterrâneos Helloween). O resultado é o ouvinte se pegar cantarolando refrões cujo significado é uma incógnita!
O Rammstein conseguiu algo que parecia impossível : tornar o alemão uma coisa extremamente atraente para os leigos no assunto. Se o ouvinte mais curioso procurar uma tradução para o inglês verá que o vocalista Till Lindemann é de uma poesia...flamejante, abordando principalmente assuntos como sexo, obsessões e amores, sem qualquer envolvimento com política (ou arianismo).
Um vocal competente não seria mágico sem um bom apoio rítmico. Não há solos espetaculares (exceto no primeiro disco, Herzeleid, de 1995), mas sim uma muralha construída pelos engenhosos Richard Kruspe (fundador da banda) e Paul Landers. Além da cozinha poderosa composta por Chistoph Doom Schneider (drums) e Olliver Riedel (bass), mandam ver em recursos eletrônicos para acrescentar mais punch às guitarras nervosas, que se emparelham e não deixam passar nenhuma mediocridade. Essencial é o trabalho do tecladista Flake Lorenz, estabelecendo uma liga estreita de arranjos delicados, que sustentam a fúria de Lindemann. Isso tudo torna o Rammstein inclassificável perante os parâmetros que a mídia adora adotar.
Confira o hit, indicado para o Grammy de 99 de melhor performance metal, “Du Hast” (também incluído na trilha sonora de “Matrix”), “Engel” (que impulsionou as vendas do álbum na Alemanha), “Klavier” (balada de amor obcessivo), “Küess Mich” (com sonzinhos próximos ao de um video-game), e a polêmica “Büeck Dich” (que fala sobre sadomasoquismo e cuja apresentação ao vivo inclui uma simulação de sodomia).
No Brasil o Cd saiu em edição nacional (pasmem), muito antes da abertura do Rammstein para o show do Kiss, em abril de 1999. Porém, esse edição veio sem as faixas adicionais da versão importada, ou seja, as versões em inglês para Du Hast e Engel (You Hate e Angel), mais a cover (em inglês) de Stripped, do Depeche Mode. Sem contar que a versão nacional não trouxe o encarte com as letras (tudo bem que há meia dúzia de brazucas falando a língua de Nietzsche, mas por que esse desrespeito?).
Enfim, metaleiros de cabelos curtos e visual teatral? Alemães que não fazem metal melódico? É , os rapazes do Rammstein são definitivamente incomuns...e quem gosta de novidades nesse fim de milênio, pode comprar de olhos fechados.
Nota : 10
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