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Spiritual Black Dimensions foi um dos álbuns mais aguardados no ano de 1999. A banda que catapultou o black metal aos patamares que hoje desfruta é, sem dúvida alguma uma das maiores revelações musicais da última década. Ouví-los entretanto, sobretudo neste último trabalho, requer uma série de prerrogativas que vão do rompimento de preconceitos à aceitação de cinco marmanjos pintados desfilando blasfêmias pelo encarte, e, por conseguinte, pelo disco. Preenchidos estes requisitos – básicos – você recebe sua credencial para o inferno.
A entrada do espetacular guitarrista Astennu a partir do Ep “Godless Savage Garden” alimentou algumas mentes – eu aí incluído – acerca da possibilidade de uma valorização maior dos solos e das texturas melódicas construídas com as guitarras (quem ouviu o álbum “Nexus Polaris”, do Covenant, onde Astennu divide as guitarras com Blackheart, sabe muito bem do que estou falando...). Ignorando tal premissa, e talvez por isso deixando de contribuir para que este álbum fosse definitivamente alçado ao olimpo musical, temos a impressão de que a adaptação de Astennu ao Dimmu Borgir ocorreu de forma um tanto tímida, possivelmente por alguma retaliação por parte da banda quanto à arranjos mais “burocráticos”, ou, quem sabe, por conflitos de ego com Erkekjetter Silenoz, guitarrista fundador e principal compositor do grupo. Caso típico de modelo perde-perde, onde ninguém sai ganhando. Sobretudo o fã.
Conceituar o álbum como bom ou ruim é pedreira. O Dimmu Borgir continua fiel ao seu estilo, aqui reconfigurado em algo ainda mais hostil, pesado e – pasmem – rápido. Os teclados trabalham como orientadores dos vários direcionamentos musicais apontados através do disco. Embora sobre uma cortina extremamente pesada, os mais sensíveis poderão identificar elementos do rock progressivo, do heavy metal tradicional e até mesmo do pop. Músicas como “Reptile” (nem pense em Helloween, my friend!!!), “Behind The Curtains of Night-Phantasmagoria”(credo!!!) e “Dreamside Dominious” comprovam que a capacitação musical do grupo continua inquestionável.
Contudo, é um disco de difícil assimilação dada a carga sonora concebida pelo quinteto, o que, a bem da verdade, não subtrai suas qualidades. Os fãs mais ardorosos não ficarão desapontados de forma alguma, o Dimmu Borgir continua sendo uma grande banda. Mas quem esperava pelo disco do ano certamente ficará um pouco decepcionado. Eu, mais que ninguém, gostaria de poder dizer o contrário.
Antes que me esqueça: a capa é sim, uma das melhores do ano!
Nota: 8 (oito)
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