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Resenha - Filipenses - Século I

Nota: 4

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Fica difícil entender os objetivos e as pretensões do Século I com este álbum. Como EP – já que são apenas 26 minutos – e dado todo o empenho na parte gráfica, na produção e na divulgação, é um desperdício. Como full-lenght, é um desperdício maior ainda. Que o inglês é a língua oficial do planeta e do metal ninguém discute, e aquele papo de “temos que compor em português porque somos brasileiros” soa como o patriotismo mais barato que existe e de uma imbecilidade sem tamanho. Se noruegueses, finlandeses, italianos, alemães, espanhóis e suecos (...) também pensassem assim até hoje não teríamos nenhum cenário de heavy metal. Que o inglês é a melhor e mais indicada língua para tal é consenso unânime. Compor em português para o metal é uma tarefa complicada, arriscada e raras bandas conseguem soar satisfatórias. O risco de soar “brega” está sempre presente. E além disso, o metal em si (por sua própria essência, história, ideologia, etc, etc..) tem seu estilo lírico (de variedade imensa é verdade) que é mais apropriado para ele. Todo esse prólogo é necessário porque o Século I conseguiu a infeliz combinação de compor em português e com o agravante de temas excessivamente religiosos (que exigem ainda mais atenção e destreza). Até aí tudo bem, não são problemas em si mesmos, mas a conotação batida e igrejeira (faltou a transposição metálica citada acima) que as composições tiveram destruíram a qualidade do álbum. Vejamos: a primeira (Gênesis) é uma narração longa e dispensável, “Acreditar” é uma balada extremamente insossa, “Filipenses” foi a mais digerível em português e a última música é uma reprise de “Acreditar” em versão acústica (!?!?!).

Não é à toa que “Hold On” e “Moored” são as únicas realmente elogiáveis do trabalho, mas ainda assim não podem ser consideradas além de razoáveis em termos de metal melódico. Poucas bandas cristãs conseguiram fazer um ótimo trabalho em português, Stauros e Vulgata são dois exemplos, e o Século I definitivamente não alcançou o nível desejado. É vital para eles definir que rumos querem tomar e para apresentar a evolução necessária num possível próximo trabalho terão que se dedicar profundamente (em todos os quesitos) á isso.

Formação:
Beto Silva (Vocal)
Daniel Caçoilo (Guitarra)
Fábio Santos (Guitarra)
Anderson Fernandes (Baixo)
João Granggeiro (Bateria/Vocal)
Mauricio Dantas (Teclado)

Site Oficial: www.seculo1.cjb.net

Material Cedido Por:
Heavens’s Music Produções
Email: [email protected]
Fone/Fax: (11) 5614-6411/9881-1042

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Sobre Maurício Gomes Angelo

Jornalista. Escreve sobre cultura pop (e não pop), política, economia, literatura e artigos em várias áreas desde 2003. Fundador da Revista Movin' Up (www.revistamovinup.com) e da revrbr (www.revrbr.com), agência de comunicação digital. Começou a escrever para o Whiplash! em 2004 e passou também pela revista Roadie Crew.

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