Guitarras: As mais icônicas do Rock - Parte 10

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Por Marco Pala
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Voltando à sequência de matérias sobre guitarras icônicas do rock, vamos à parte 10, que dá início à lista dos "esquecidos pelo autor":

BILLIE JOE ARMSTRONG (GREEN DAY) – “BLUE”

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O líder do Green Day foi um “strateiro” por muito tempo, até adotar a Gibson Les Paul Junior como principal instrumento (incluindo uma versão “signature” do modelo). Porém, em termos de “guitarra icônica”, sua mais famosa é sem dúvida uma Stratocaster azul claro que ele ganhou de presente de sua mãe ainda na adolescência (ela a comprou de um antigo professor de guitarra de Billy). Porém, não se trata de uma Fender, mas sim, uma Fernandes Stratocaster. A Fernandes, antes de virar gigante no ramo das guitarras (que fabrica instrumentos de ponta mas também versões bem ruins para iniciantes), era uma “etiqueta” que começou a fabricar instrumentos acústicos em 1969 e se firmou no mercado fazendo ótimas cópias de guitarras Fender e Gibson nos anos 70 (a empresa também era responsável pelas ótimas guitarras Burny). A “Blue”, apelido dado por Billy Joe à sua Strato azul (por razões óbvias), é uma Fernandes de uma boa safra japonesa e foi durante muitos anos sua principal guitarra à frente do Green Day, principalmente no período em que a banda chegou ao estrelato, com o álbum “Dookie” (1994). O pickup original da ponte logo foi substituído por um humbucker Bill Lawrence, que permaneceu na surrada guitarra por algum tempo, até o show feito pelo Green Day no festival Woodstock de 1994. Como se vê no vídeo de “She” (gravado ao vivo no festival), a guitarra acabou toda suja de barro, e depois disso o pickup precisou ser substituído, optando Billy por um Seymour Duncan JB que está até hoje na guitarra. Mesmo tendo adotado a Les Paul Jr a partir da fase “American Idiot”, a Blue ainda continua no set-up de turnê Billy Joe, normalmente usada para tocar algumas músicas da fase “Dookie”.

BILLY CORGAN – FENDER STRATOCASTER 1974

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Apesar de ter usado alguns diferentes modelos de guitarra durante sua carreira, o temperamental líder do Smashing Pumpkins sempre vai ser associado às Stratocasters, principalmente enquanto esteve à frente de sua banda mais famosa. Entre tantas Stratos diferentes (incluindo modelos “signature” mais recentes), a guitarra que mais se destaca é sem dúvida uma Strato ano 1974, que Corgan possui desde a adolescência. Originalmente, a guitarra era cor creme, e nos primeiros anos do Smashing Pumpkins ela tinha uma curiosa inscrição no corpo: “I Love My Mom”. Antes da banda começar a divulgar seu lendário álbum duplo “Melon Collie And The Infinite Sadness”, de 1995, a guitarra foi pintada de azul (acabamento que a tornou mais reconhecível), mantendo os pickups Lace Sensor (Red, Silver e Blue) por um longo tempo, até substituí-los por um trio de DiMarzio Billy Corgan (humbuckers em formato de single-coils). Esta guitarra esteve presente em todas as turnês com os Pumpkins (e também na maioria das gravações), e até hoje figura nos set-ups de Billy Corgan.

BILLY DUFFY (THE CULT) – “SANCTUARY”

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O subestimado guitarrista do The Cult também é dono de algumas guitarras icônicas, entre elas modelos Gretsch e Gibson Les Paul. Porém, a escolhida para a matéria é uma de suas principais guitarras desde 1985, quando a adquiriu: uma Gretsch White Falcon (“single-cutaway”, ou seja, com único corte na parte inferior) de 1975. Esta, na verdade, foi a segunda White Falcon de Billy. Sua primeira (“double-cutaway”), foi adquirida em 1982 (antes da formação do The Cult), mas logo ele percebeu que era muito complicado tirar um som legal dela, uma vez que a guitarra tinha saída estéreo. Daí, ele acabou encontrando sua primeira “single-cutaway” e foi amor à primeira vista. Billy a usou nas gravações de todos os álbuns que fez com o Cult a partir do segundo (“Love”, de 1985), cujo grande “hit”, “She Sells Sanctuary”, acabou servindo de inspiração para batizar sua guitarra favorita (obviamente gravada com ela, juntamente com um combo Roland JC-120 e pedais Boss). A partir do álbum “Sonic Temple” (1989), Billy passou a usar guitarras Gibson Les Paul Custom, mas nunca chegou a abandonar as suas Falcons, e desde o retorno do The Cult em 2001 (depois de um hiato nos anos 90) vem usando alternadamente Gretsch e Gibson nos shows (além de outras guitarras eventuais). Billy é dono de cerca de meia dúzia de White Falcons mais antigas e outras mais novas, além de dois modelos “signature” lançados pela Gretsch (Silver e Black Falcon), os quais são as titulares em turnês já há algum tempo.

BUDDY GUY – FENDER STRATOCASTER BUDDY GUY SIGNATURE

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Este amado bluesman, usuário de Gibsons e Fenders, toca há muitos anos com uma Stratocaster preta com bolinhas brancas (em inglês: “polka dot”) que se tornou sua marca registrada e uma das guitarras mais facilmente reconhecíveis da história. Não se trata de uma guitarra “vintage” em particular, ou que possua uma história digna de romances policiais, mas sim, basicamente, uma Fender feita exatamente nos moldes da Stratocaster Eric Clapton Signature que Buddy vinha tocando desde os anos 80. A guitarra, feita pelo Custom Shop da Fender, vinha com corpo em ash, pickups Lace Sensor Gold e potenciômetro TBX Tone Control para acionar um ganho a mais no sinal (“mid-booster”). Todas as guitarras usadas por Buddy Guy eram feitas nos USA com estas especificações (mais recentemente, com captadores Fender Noiseless), mas a linha “Buddy Guy Signature” lançada em 1995, apesar de visualmente idêntica, era fabricada no México, com corpo de alder e outros tipos de eletrônicos (sem o sistema TBX). Curiosidade: quando era jovem, Buddy disse para sua mãe que partiria para Chicago para se tornar alguém bem sucedido, e de lá voltaria dirigindo um Cadillac “polka dot”, porém, sua mãe faleceu antes de Buddy poder cumprir a promessa. Quando teve a oportunidade de criar um modelo de guitarra “signature”, Buddy pediu à Fender para fazer a guitarra com este acabamento, em homenagem à sua mãe.

DAVE MUSTAINE (MEGADETH) – JACKSON KING V CUSTOM 1986

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Apesar de ter usado algumas guitarras B. C. Rich durante sua breve e conturbada passagem pelo Metallica, Dave Mustaine ficou mesmo marcado pelo modelo “V”, inicialmente Jackson, e já há muitos anos feitos pela Dean. Porém, em termos de “guitarra icônica”, a sua Jackson King V branca é a mais marcante. O modelo King V foi uma espécie de “continuação” do modelo Randy Rhoads, elaborada por Grover Jackson juntamente com o guitarrista da banda Overkill, Dave Linsk, que queria uma guitarra Rhoads com os dois lados do mesmo tamanho. O protótipo foi provisoriamente chamado de “Double Rhoads”. Enquanto a guitarra era feita, o guitarrista do Ratt, Robbin Crosby (que tinha o apelido de “King”) viu o processo de construção do protótipo de Dave Linsk e logo encomendou duas delas, que Jackson acabou batizando de “King V” e o nome pegou. Quando surgiu a oportunidade de um contrato de patrocínio entre Mustaine e Jackson, o guitarrista optou também pelo mesmo modelo e a primeira guitarra da parceria foi feita por Grover especialmente para Dave em 1986. A King V ‘86 branca veio com um pickup humbucker na posição da ponte e mais dois single-coils (originais da Jackson), além de uma ponte Kahler 2300. No fim das contas, a King V acabou ficando muito mais associada a Mustaine do que a Linsk ou Crosby, o que fez com que a Jackson lançasse no mercado o modelo (KV1) como uma guitarra “signature” de Dave Mustaine. A V ‘86 original foi usada por Dave por curto período (entre 1986 e 1989), junto com algumas outras King V e B. C. Richs, sendo depois substituída por suas King V “signature”, quando passou a usar exclusivamente Jacksons em 1990. Curiosidade: Dave nunca se considerou um colecionador de guitarras e possui poucas peças, todas para uso exclusivamente profissional. Ele vendeu a maioria das guitarras usadas por ele quando decidiu se aposentar (“só que não”) em 2002 (por conta de problemas no braço), sem o menor arrependimento, não se podendo precisar se sua King V #1 ainda está sob sua posse.

DUANE ALLMAN – GIBSON LES PAUL STANDARD 1959

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Este talvez seja o maior guitarrista-slide moderno de todos os tempos, falecido precocemente aos 24 anos (em 1971), que fez seu nome na banda que formou em 1969 com seu irmão Gregg, The Allman Brothers Band. Ele foi dono de algumas guitarras lendárias, entre elas, Les Paul “goldtop” 1957 e Les Paul/SG 1961, porém, sua #1 foi mais um “santo-graal” da lista: uma Gibson Les Paul Standard 1959 (serial # 9-1988). Em setembro de 1970, fascinado pelo som que Duane tirava de sua “goldtop”, o guitarrista de uma banda chamada Stone Baloon (Rick Stine) sugeriu fazer um rolo envolvendo uma guitarra de sua coleção que era muito cobiçada: uma Les Paul Standard ’59 “sunburst” (que já naquela época valia uma boa grana). Duane aceitou o negócio, dando sua “goldtop”, um cabeçote Marshall e mais US$ 200 em dinheiro em troca da “burst” de Rick Stine, com uma condição: poder ficar com os captadores originais da “goldtop”. Os captadores PAF foram tirados da LP ‘57 e instalados na LP ‘59, com a adição das capas de níquel que cobrem as bobinas, ausentes enquanto os pickups estavam na antiga guitarra (o que gera, até hoje, discussões entre “especialistas” sobre ter de fato ocorrido esta troca de captadores). A partir de então, a LP ‘59 se transformou na principal guitarra de Duane Alman, presente em diversas situações antológicas com seu grupo, como no álbum “Live At Filmore East” (1971), e também em gravações feitas para o lendário álbum lançado em 1972 pela banda Derek And The Dominos (com Eric Clapton), “Layla And Other Assorted Love Songs”, ambos lançados depois de sua morte. Depois de seu falecimento, a guitarra permaneceu com a esposa de Duane, Donna Roosmann, estando hoje em dia exposta no museu do Rock N´Roll Hall Of Fame. Esta é mais uma guitarra clonada pelo Custom Shop da Gibson. Curiosidade: em 2014, as três Les Pauls que pertenceram a Duane (a 1957 “goldtop” vendida, a Standard 1959 da matéria e uma Standard 1958) foram reunidas no palco, em um show do Allman Brothers e tocadas pelo guitarrista Derek Trucks. A foto que estampa esta matéria mostra as três Les Pauls de Duane juntas na cama do quarto de hotel do técnico Tommy Alderson (que trabalha com Steve Morse, do Deep Purple), que ficou responsável pelo transporte e preparação das três relíquias, sendo a ‘59 a do centro.

JAKE E. LEE – FENDER “CHARVELIZED” STRATOCASTER

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O talentoso ex-guitarrista de Ozzy Osbourne e Badlands ficou imortalizado no imaginário dos anos 80 ao usar uma guitarra Charvel Strato branca (com escudo preto). Porém, originalmente, esta guitarra NÃO era uma Charvel, mas sim, uma Fender Stratocaster “sunburst” (com ponte fixa, sem trêmulo, que colecionadores chamam de “hardtail”) ano 1973, adquirida por ele em 1975 enquanto trabalhava numa loja de instrumentos musicais. Em todos os seus trabalhos anteriores ao Ozzy (que o tornou mundialmente famoso), esta guitarra foi usada com sua configuração original, até que no início dos anos 80, Jake pediu a um amigo (que trabalhava na Charvel) fazer algumas modificações na sua Strato. A guitarra foi pintada de branco, ganhou um novo escudo (preto) e nova configuração de pickups: um humbucker Seymour Duncan JB na ponte e dois single-coils DiMarzio SDS-1 no meio e braço. Estes dois pickups single foram posicionados um pouco inclinados para a esquerda, o que se tornou marca uma registrada de Jake (apesar de não afetar tão drasticamente a sonoridade). Outro detalhe interessante foi que o headstock da guitarra (do padrão mais largo, típico das Strato anos 70) foi “lixado” e convertido aos contornos do modelo original dos anos 50 (de tamanho menor), tendo sido também pintado de branco, ganhando um logotipo da Charvel. Titular no seu período com Ozzy, esta “Charvel que não era Charvel” (a qual ganhou o apelido de “charvelized” por conta disso) acabou caindo no gosto popular, fazendo com que a empresa lançasse um modelo “signature” com certo sucesso. A guitarra original (juntamente com algumas Charvels autênticas e uma Gibson SG Junior) foi usada por Jake até o início dos anos 90, quando foi aposentada, dando lugar a versões mais novas de sua #1, feitas pela Charvel e também pela Fernandes.

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Post de 17 de março de 2017

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Sobre Marco Pala

Marco Pala, nascido em 1975 na cidade de Monte Alto-SP, é advogado, guitarrista da banda Roy Corroy nas horas vagas e um apreciador do bom e velho rock and roll desde a mais tenra idade.

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