Guitarras: As mais icônicas do Rock - Parte 7

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Por Marco Pala
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Mais algumas guitarras icônicas de músicos famosos.

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PAUL STANLEY (KISS) – IBANEZ PS-10 'CRACKED MIRROR'

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Nas quatro décadas de existência do KISS, Paul Stanley tocou com diversas guitarras, de diferentes empresas e modelos, mas a PS-10 se tornou sua marca registrada. Muita gente chama esta guitarra de Iceman, porém, a PS-10 é apenas um dos modelos pertencentes ao universo das Icemans, cujo shape NÃO foi criado por Paul Stanley. O modelo foi desenvolvido no Japão, em 1975, por um americano chamado Jeff Hasselberger, que trabalhava para a empresa Hoshino Gakki Co, a qual detinha os direitos sobre algumas 'etiquetas' hoje famosas, como Ibanez, Greco e Tama. A guitarra em questão era vendida no Japão sob o nome Ibanez Artist 2663, e exportada para os EUA sob o nome Ibanez Iceman. A primeira tiragem da guitarra durou de 1975 a 1976, mas não despertou muito interesse, até o KISS visitar pela primeira vez o Japão em 1977, quando, na ocasião, foi oferecido a Paul Stanley um contrato que envolvia um modelo 'signature'. Paul revirou os catálogos antigos da empresa e adorou o modelo 2663, que, depois de muitas modificações funcionais, estéticas e de matéria prima, se tornou a PS-10. O modelo foi lançado no mercado em 1978, juntamente com outras séries mais simples – estas sim, chamadas de Ibanez Iceman (nos EUA e Europa) ou Greco Mirage (na Ásia e Austrália) – e se eternizou como um dos modelos mais clássicos da Ibanez. Curiosidade: a lendária PS-10 'Mirror Ball' (ou 'Cracked Mirror' = espelho quebrado) original de Paul Stanley era um modelo 'de linha' do ano de 1978, customizado pelo próprio Jeff Hasselberger, que usou epóxi para colar as partes de um espelho quebrado no topo do corpo. A guitarra foi usada em 1979, depois entre 1992 e 1996, e ainda está sob a posse de Paul. O modelo usado por ele hoje em dia é uma versão mais nova (PS-1CM), de 2015.

PETE TOWNSHEND (THE WHO) – GIBSON SG SPECIAL 1967

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Assim como muitos desta lista, Pete Townshend possui algumas guitarras lendárias que poderiam figurar aqui, que marcaram épocas específicas de sua carreira. Mas a escolhida cobre uma fase gloriosa de sua banda, The Who, entre 1968 e 1971: uma Gibson SG Special vermelha, serial # 884484, feita no final do ano de 1967 (ou início de 1968, segundo algumas fontes). Pete comprou a guitarra 'zero km' na loja Manny's Music, em New York, e sua primeira providência foi tirar o trêmulo Maestro original, que foi trocado por uma ponte 'wraparound' (o que deixou marcas dos parafusos no corpo da guitarra, tornando-a identificável perto de outras parecidas usadas no mesmo período), mantendo os dois pickups P-90 originais. Ela foi sua principal guitarra em eventos históricos, como os festivais de Woodstock, Leeds e Isle Of Wight, além de ter sido o principal instrumento na gravação da obra prima 'Tommy', entre outros. Pete usou outras guitarras semelhantes durante este período (muitas delas quebradas por ele no palco), até trocar seu setup por Les Pauls Deluxe modificadas, passando a mudar incessantemente de modelos durante as décadas seguintes (há muitos anos ele vem usando Stratocasters). Esta guitarra permaneceu sob a posse de Pete até 2014, quando foi leiloada por US$ 60.248. Desde 2000, a Gibson vem fabricando regularmente pela divisão Custom Shop o modelo Pete Townshend Signature, baseado nesta guitarra.

PETER FRAMPTON – 'PHENIX'

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Esta é outra guitarra lendária com uma história dramática. Trata-se de uma Gibson Les Paul Custom preta, ano 1954, que Frampton ganhou de um fã em 1970. Na ocasião, ele estava em turnê com a banda Humble Pie, e usava uma ES-335, mas vinha tendo problemas de microfonia com ela. No segundo show, feito no mesmo local no dia seguinte, um fã chamado Mark Mariana levou sua Les Paul para Peter experimentá-la. Mark a havia comprado por US$ 50, em péssimo estado, e fez as modificações que a tornaram lendária: três captadores PAF no lugar dos dois single-coils originais (P-90 e Alnico) e molduras dos pickups/switch tirados de uma Les Paul Standard. Frampton usou a Les Paul naquele show e adorou, se oferecendo depois para comprá-la, mas Mark acabou lhe dando de presente. Ela se tornou o principal instrumento de Peter Frampton por dez anos consecutivos (veja a guitarra e seu dono na capa do antológico 'Frampton Comes Alive!', de 1975), até desaparecer em 1980: o avião que despachava o equipamento de Frampton para um show no Panamá caiu no mar do caribe, levando a guitarra consigo. Depois do triste incidente, ele passou a usar guitarras parecidas, além de outros modelos, até que 30 anos depois um milagre aconteceu: como uma fênix, a guitarra retornou das cinzas. Na época do acidente, alguém conseguiu encontrar a guitarra em meio aos destroços do avião e vendeu a um músico anônimo da ilha de Curaçao. Ela passou de mão em mão até que, em 2010, chegou à oficina de um luthier caribenho chamado Donald Balentina, que suspeitou de que aquela guitarra incomum poderia ser a Les Paul de Peter Frampton. Ele conseguiu entrar em contato com Frampton, que lhe deu detalhes da parte interna da guitarra e confirmou se tratar do mesmo instrumento. Eles ainda levaram dois anos negociando com o então dono da guitarra até que ele viesse a ter problemas financeiros e resolvesse vendê-la de volta a Frampton. A guitarra já estava muito detonada (inclusive, com marcas do acidente, como queimaduras), mas depois de alguns ajustes, pôde voltar à cena. É mais uma guitarra clonada pelo Custom Shop da Gibson.

PRINCE – HOHNER MADCAT

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Prince dispensa maiores apresentações. Porém, muita gente desconhece (ou desconhecia até sua prematura morte em 2016) que este excêntrico músico foi, além de um talentoso cantor, compositor e multi-instrumentista, também um guitarrista extraordinário. Provavelmente muitos estavam esperando histórias sobre alguma guitarra exótica usada por ele em sua carreira (a exemplo da 'The Cloud' e da 'Symbol Guitar'), mas a sua guitarra mais icônica foi também a sua favorita em toda sua carreira e usada incessantemente até Prince sumir dos holofotes: uma Telecaster 'na madeira' (acabamento natural). Talvez não seja a guitarra mais fotogênica entre as usadas por ele, mas era sua ferramenta principal (as guitarras exóticas eram usadas em uma ou outra música ao vivo). Porém, esta Tele não é uma Fender: ela foi feita no Japão nos anos 70 por uma empresa chamada Moridaira, que fabricava (impecáveis) cópias de Gibson e Fender. No início, estas guitarras saiam pela 'etiqueta' H.S. Anderson (marcas japonesas conhecidas pelas suas ótimas cópias, como Greco, Tokai, Orville e Ibanez, por exemplo, também eram 'etiquetas' fabricadas por outras empresas). No final dos anos 70, a empresa alemã Hohner (especializada em fabricar gaitas) fechou uma parceria com a Moridaira e essas guitarras passaram a sair com a 'etiqueta' Hohner Madcat, sendo a de Prince desta última safra. O artista adquiriu a guitarra por volta de 1980 e ficou impressionado com a qualidade da construção, principalmente pelo corpo todo de maple (algo raro, uma vez que o maple, por ser muito denso, geralmente só é usado para braços ou acabamento do corpo) e a única modificação foi a troca dos pickups originais por um par de single-coils Kinman. Quando Prince se tornou um 'superstar' nos anos 80, a Hohner lançou um modelo 'signature' desta Tele, chamado The Prinz, e em 2008 relançou o modelo com o nome The Artist. Curiosidade: a Madcat original de Prince ainda pertence ao espólio do músico, sendo que uma de suas The Cloud originais foi recentemente leiloada por US$ 137.500.

RANDY RHOADS – JACKSON 'CONCORDE'

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A importância desta guitarra Jackson (a branca) não é ter sido a principal guitarra usada por Randy (sua favorita, de fato, era uma Gibson Les Paul Custom 1974 branca), mas sim, que esta foi simplesmente a primeira guitarra Jackson a ser fabricada. Sim, a primeira! Trata-se de um protótipo que teve dois nomes provisórios: 'Original Sin' e 'Concorde' (por conta do seu design, inspirado no modelo de avião que levava o mesmo nome). Em 1980, época que divulgava seu primeiro trabalho com Ozzy Osbourne ('Blizzard Of Ozz'), Randy já possuía duas guitarras lendárias, a Les Paul branca e uma Flying V artesanal feita por um luthier chamado Karl Sandoval (preta com bolinhas brancas). Mas ele não estava totalmente satisfeito, Randy queria uma guitarra com formato 'V' que fosse diferente do convencional e teve a idéia de procurar o luthier Grover Jackson em dezembro de 1980. Jackson já era um luthier badaladíssimo na época, o cara por trás da grande moda do momento: as guitarras Charvel. Randy tinha bolado algo baseado nas Flying V, mas com shape mais agressivo e mais próximo ao conceito 'super-strato' em termos de construção (não no formato do corpo). Randy e Grover projetaram o instrumento, mas o luthier não quis associar o protótipo à marca Charvel, já que ele achava a nova guitarra muito ousada e conceitualmente diferente dos seus produtos. Solução: colocar no headstock o seu próprio nome, afinal, era improvável que as pessoas fossem ligar 'Jackson' a 'Grover Jackson'. Além disso, em 1980, Randy ainda era um guitarrista pouco conhecido do público em geral, que tinha como missão ajudar a reabilitar a carreira do doidão Ozzy Osbourne, tido então como artisticamente morto. No fim, esta Jackson branca acabou sendo um modelo de transição. Segundo Randy, as pessoas ainda achavam que a guitarra era uma Gibson, então, um novo modelo deveria ser feito. O design ideal só foi concluído em dezembro de 1981, depois de novos ajustes feitos por Randy e Jackson, e o guitarrista adorou o resultado final, porém, a guitarra que seria (tempos depois) batizada eternamente de Jackson Randy Rhoads (a preta) ficou nas mãos de seu dono apenas por três meses, até acontecer aquele bizarro acidente aéreo que lhe tirou a vida. No entanto, a Jackson branca, mesmo não sendo a preferida de Randy ou a guitarra 'Rhoads' definitiva, marcou a história da música por ter sido a primeira guitarra Jackson a ser fabricada, que deu início a uma febre: todos queriam saber quem era o nome por trás daquelas guitarras. No fim, o nome Jackson virou uma marca mais bem sucedida que a Charvel, Randy um dos guitarristas mais importantes da história da música e Ozzy o eterno rei do heavy metal. Curiosidade #1: Randy Rhoads teve em suas mãos somente duas guitarras Jackson (a branca e a preta). Grover Jackson estava preparando outras quatro quando Randy faleceu. Curiosidade #2: diz a lenda que uma destas quatro Jackson Rhoads foi parar nas mãos de Vinnie Vincent, então recém integrado ao KISS, mas Grover nega.

RICK NIELSEN (CHEAP TRICK) – HAMER 5-NECK CUSTOM 1981

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Rick Nielsen é um guitarrista um tanto quanto excêntrico. Basta vê-lo no palco com sua banda, usando boné 'girocóptero', guitarras e amplificadores pintados como um tabuleiro de xadrez, entre outras coisas. E, claro, de vez em quando uma guitarra com cinco (!) braços. Esta não é sua principal guitarra, Rick adora as Hamer Standard (versão da Gibson Explorer) e guitarras 'vintage' da Gibson e Fender, possuindo uma vasta coleção delas. Mas a guitarra de cinco braços tem de fazer parte desta lista. Segundo o próprio Rick, ele possui três delas (todas feitas especialmente para ele pela Hamer – você não vai achar um trambolho destes para comprar em uma loja), mas sua favorita é a primeira, uma alaranjada, de 1981. No final dos anos 70, ele começou a pensar em algo diferente para seu número solo nos shows do Cheap Trick, e daí surgiu a idéia de uma guitarra de SEIS braços que deveriam girar como uma roleta. Como o projeto era obviamente impraticável, ele se contentou com cinco braços estáticos. Ainda assim foi um trabalho complexo torná-la viável, já que Rick queria que um braço soasse como Strato, outro como uma Les Paul Junior, um 'fretless' (sem trastes), outro de 12 cordas, etc. Segundo Frank Untermeier (responsável pelo projeto), foi um pesadelo passar toda fiação dos captadores pela guitarra, mas no final, funcionou. Obviamente, é um instrumento usado em algum momento pontual do show, por conta do peso. A que Rick usa em turnês é sua #2 (quadriculada), já que sua #1 (alaranjada) é guardada como uma relíquia.

RITCHIE BLACKMORE – FENDER STRATOCASTER 1977

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Nem todos se lembram de que, nos primeiros anos de Deep Purple, Blackmore usava uma Gibson ES-335 vermelha. Porém, não há como falar dele sem mencionar as Stratocasters, que foram onipresentes na maior parte de sua carreira. É difícil escolher uma em particular, já que Blackmore não se prendia a uma única guitarra. Mas, por volta de 1979, na época que sua banda da ocasião (Rainbow) lançava o álbum 'Down To Earth', ele adquiriu uma Strato '77 branca que se transformou em sua favorita, usada por muitos anos e que serviu de base para todas as outras guitarras que ele veio usar posteriormente, incluindo seus modelos 'signature'. A guitarra teve várias modificações: o escudo original (preto) foi trocado por um de cor creme; a escala (de jacarandá) foi 'escalopada' (escavada entre os trastes – esta na verdade foi sua terceira Strato com este tratamento, influenciado por John Mclaughlin); o pickup do centro foi simplesmente desligado; a chave original (5 posições) foi trocada por uma de 3 posições e os pickups da ponte e braço foram trocados por diversas combinações diferentes até ele chegar aos modelos Seymour Duncan Quarter Pound Flat (SSL-4), que até hoje equipam suas guitarras de shows (e os modelos 'signature'). Esta foi a sua #1 durante os anos 80, e permanece com ele até hoje.

Em breve a parte 8.

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Post de 25 de fevereiro de 2017

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Sobre Marco Pala

Marco Pala, nascido em 1975 na cidade de Monte Alto-SP, é advogado, guitarrista da banda Roy Corroy nas horas vagas e um apreciador do bom e velho rock and roll desde a mais tenra idade.

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