We're Halfway There: A busca do Bon Jovi por respeitabilidade

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We're Halfway There: A busca do Bon Jovi por respeitabilidade

Traduzido por Pedro Ceballos | Fonte: Pop Matters

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Aqui vão as boas notícias para o BON JOVI: o novo álbum deles, “What About Now”, irá estrear no topo das paradas da Billboard, a terceira gravação de estúdio a ir direto ao número um. O impulso para o novo álbum veio, em parte, pelo sucesso de “Because We Can”, o cativante single principal, o mais inevitável hit em ao menos uma década. Além disso, a banda permanece como uma das donas das turnês mais rentáveis do mundo, não mostrando sinais de diminuir o ritmo e esgotando ingressos tão rápido na atual turnê como faziam em 1987.

Por Steve Leftridge, traduzido por Pedro Ceballos.

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Apesar de tal gigantesco sucesso, por que o BON JOVI se sente tão depreciado? De certa maneira, é precisamente devido a tal sucesso. Isto é, “What About Now” surgiria como Jon perguntando se o BON JOVI irá finalmente ser votado para o Rock and Roll Hall of Fame. Sim, a banda foi desprezada novamente para as introduções de 2013, outra desilusão para Jon, que vem se empenhando para ser levado mais a sério desde aproximadamente 1992, quando reivindicou que o álbum “Keep the Faith” foi um comentário social, algo mais sério, uma mudança pós-Nevermind do Pop Metal dos anos 80.

Porém ninguém aceitou completamente JON BON JOVI como um compositor de música politizada ou como um porta-voz musical sério de alguma causa social, nem em “Keep the Faith”, nem no não característico sombrio e realista conjunto de “These Days”, nem nos hinos pós 11 de setembro de “Bounce” e nem no apelo à classe trabalhadora de “The Circle”, de 2009. Jon se nega a desistir, então agora nós temos “What About Now”, o décimo-segundo álbum de estúdio do BON JOVI, no qual JON BON JOVI arrisca mais umas tentativas nos comentários populistas, mais uma vez ancorado pelo guitarrista RICHIE SAMBORA (um dos mais valiosos companheiros no rock), pelo tecladista DAVID BRYAN, e pelo baterista TICO TORRES. (E pelo amor de Deus, liberte HUGH MCDONALD! Esse cara tem tocado baixo para o BON JOVI desde a saída de ALEC JOHN SUCH mais de vinte anos atrás, e eles continuam mantendo o pobre coitado na penumbra. Eles tocaram no American Idol outra noite, e eles fizeram Hugh tocar atrás do palco. Nota pra Jon: Você não é o ROLLING STONES, e mesmo eles não fariam esse tipo de artimanha).

Fãs e críticos sempre foram rápidos para notar que as tentativas do BON JOVI de ser levado a sério ou os esforços para finalmente adquirir algum aplauso da crítica – outra ferida – nunca colaboraram para o que fez a banda ocasionalmente incrível. O ultrarromantismo e a mitologia dos garotos de Jersey tentando dar certo é o que os colocou nos holofotes em primeiro lugar, e as histórias de Tommy e Gina de “Livin’ on a Prayer” (revividas em “99 in the Shade” e “It’s My Life”) e Danny e Bobby de “Blood on Blood” foram excelente nostalgia afrodisíaca, entregadas pelo emplumado e ardente som de Jersey, com guitarras, teclados e Aquanet (marca de spray de cabelo) por todo o lugar. Ninguém quer que JON BON JOVI cante sobre males sociais; eles querem que ele nos conte que o amor é um problema social. Política externa? Me leve de volta para Tokyo Road. Debate sobre o sistema de saúde? Seu amor é como Bad Medicine.

O BON JOVI foi tão perfeito como uma banda arruaceira, sincera, atraente porém adepta do Rock and Roll durão de Jersey que eles ganharam um considerável pedaço do final dos anos 80, dominando os pedidos por shows na MTV e gerando mais imitadores que o mercado poderia basicamente tolerar. A razão para que balancemos nossas cabeças hoje em descrença pelos dias de hair metal - onde muitas bandas assinaram no despertar de “Slippery When Wet”, todas se esforçando para superar o molde do BON JOVI - é que toda coisa por fim degringolou na paródia ridícula cheia de couro, batom e guitarras Flying V. Era inevitável então que o BON JOVI se afastasse da própria imagem, e assim pudesse vencer e se destacar no gênero, e ser capaz de alcançar a longevidade que escapava a todo CINDERELLA e WHITE LION do dia.

No entanto, o passo para ‘músicas com mensagem’ se provou artisticamente complicado para a banda, na medida em que o domínio de Jon como letrista muitas vezes excedia seu alcance. Mais tarde, o BON JOVI monopolizou o mercado em duas áreas: gigantes e repetitivos coros pop-metal (“You Give Love a Bad Name”, “Born to Be My Baby”) e ascendentes power ballads (“Never Say Goodbye”, “Bed of Roses”).Se o BON JOVI não inventou essas formas exatamente, eles as aperfeiçoaram durante o segundo mandato de Reagan. Depois, em qualquer momento que a banda se esforçou para se tornar séria, com estridentes guitarras em médio tempo à la anos 90, as composições soaram insossas, enfraquecendo álbuns como “Have a Nice Day” e “Bounce”. Essa é uma situação um tanto quanto embaraçosa para uma banda tão talentosa e batalhadora como o BON JOVI: evolução e estagnação são situações igualmente complicadas.

Então, apesar do consistente sucesso comercial, JON BON JOVI passou os últimos vinte anos com um sentimento de inferioridade. Não importa o quão duro ele trabalhou para ser socialmente consciente, filantrópico, competente, músico boa pinta, para muitos ele será sempre lembrado como o cara que nomeou seu álbum “7800º Fahrenheit” porque este é ponto de fusão da rocha (rock). Como JBJ se defende sobre ser criticamente desprezado? Ele deu ao box-set da banda de 2004 a marca de Elvis com o título “100.000.000 Bon Jovi Fans Can’t Be Wrong”. Isto provavelmente ajuda que as tentativas de Jon de chamar uma explícita atenção para sua integridade faça mais mal do que bem, como apontar em entrevistas que suas músicas contêm “vários comentários sociais” ou se referir a si próprio como “cantor/compositor/filantrópico” em um comercial de Advil.

Em 2000, o BON JOVI gravou uma espécie de música de despedida sobre perseverança e independência, aparentemente em resposta às críticas. “It’s My Life”, o primeiro single de “Crush”, foi um hit surpresa, e a banda aprendeu muito neste ressurgimento desde então. Na próxima década, JON BON JOVI se certificou de que todos soubessem que ele era o cara que se preocupava apenas em viver a sua vida intensamente. Jon cantou “I’m gonna live my life every day” (“Everyday’, 2002), “I ain’t gonna do what I don’t want to/I’m gonna live my life” (“Have a Nice Day”, 2005), e “This one’s about anyone who does it differently” (“We Weren’t Born to Follow”, 2009). A similaridade desses singles foi inconfundível, e o BON JOVI, uma vez mais, se achou seguindo um padrão sem uma direção lírica e musical fresca.

Eles podem não ter nascido para serem seguidos, mas em 2007 a banda atraiu alguns seguidores depois de tudo para o único lugar lógico para eles na cena atual: Nashville. “Lost Highway” encontrou o BON JOVI se juntando às mais óbvias heranças do som que a banda forjou nos anos 80, os hinos pegajosos classic rock e as power ballads agora arranjadas sob uma nova música country. BON JOVI, portanto, não teve que ajustar muito seu som para as rádios country, mas assim produziram alguma das melhores músicas em muito tempo. “(You Want To) Make a Memory” e “Whole Lot of Leavin” cortaram o cliché da autoajuda e os guiaram em meditações melódicas sobre amor e mágoa, soando refrescantemente autênticos e ganhando algum aplauso da crítica por não se esforçar em buscar isso.

Mas e agora? O novo álbum diferencia seu passado triunfal da tentativa da banda em se desafiar. Os resultados são tão mistos como você poderia esperar. “Because We Can” é o maior, mais polido e fácil soco no ar em 25 anos, completo com um desses imensos breakdowns de apenas bateria e vocal que você pensou ter morrido com o QUIET RIOT. As letras ainda estão cheias de temas colegiais, murmúrios revitalizantes, o que não importa quando o refrão é insanamente cativante. A diversão não dura muito, entretanto: A insossa “I’m With You” não é boa o suficiente para ser incluída no álbum, muito menos ser a segunda faixa. “What About Now” foi produzido por John Shanks, que comandou os últimos três registros do BON JOVI e frequentemente empurrou a banda em direção ao corrosivo e desinteressante “limite” do rock, e as piores músicas aqui (“I’m With You”, “Pictures of You”, “Room at the End of the World”) foram co-escritas por Shanks.

O álbum recupera razoavelmente as músicas sólidas do BON JOVI, incluindo a faixa-título, uma das músicas que supostamente revela a inclinação política de Jon pela esquerda (“Who stands for the restless and the lonely, for the desperate and the hungry?”) e “What’s Left of Me”, uma boa batida ao estilo de “Who Says You Can’t Go Home”. A melhor música do álbum é “That’s What the Water Made Me”, um explosivo pedaço de pop de qualidade, seja o que for que o título queira dizer. A banda também traz o maestro Desmond Child – uma vez mais! – para “Army of One”, e sim, é um estimulante e encorajador hino. O resto da segunda metade do álbum cambaleia novamente com deslumbrantes e irregulares faixas que falham em entusiasmar.

Muitos fãs do BON JOVI vão direto para a grande balada do álbum, e o momento “amolecer de corações” vem com “Amen” (claramente influenciada por “Hallelujah” de LEONARD COHEN, parte do repertório ao vivo da banda um tempo atrás). Ainda mais, “Amen” mostra os impressionantes 50 e poucos anos de Jon, que com seu violão e uma graciosa progressão de acordes, acha um modo de quebrar os moldes do BON JOVI com sucesso. Assim como “The Fighter”, a balada acústica que fecha o álbum, a única música aqui que foi escrita somente por Jon. É genuinamente adorável, com harmonias de Sambora, mesmo que “The Boxer” de PAUL SIMON seja uma óbvia inspiração. “I am a fighter / Though not a boxer by trade”, ele canta, adicionando “On the New Jersey Turnpike / Counting the headlights”, se apoiando em “America” de Simon, para apagar qualquer dúvida sobre o que Jon vem ouvindo.

Falando dessas influências, “What About Now” também destaca um dramático pre-chorus que repete “We’re alive!”, e se esse refrão te relembra de “We Are Alive” de BRUCE SPRINGSTEEN de “Wrecking Ball”, do último ano, não fique surpreso. Springsteen, claramente, é um fardo nas costas de JON BON JOVI. Sem Bruce, é difícil imaginar BON JOVI em primeiro lugar, o que significa que o BON JOVI nunca irá perder a leve marca de Bruce, e se os esforços de JBJ para ser levado a sério tem o iludido, a grande sombra de Bruce tem muito a ver com isso. Ainda, Jon tem imitado Bruce tantas vezes tão descaradamente que o BON JOVI merece alguma das acusações de imitação. Músicas como “What’s Left of Me” soam visivelmente moldadas pelo colarinho azul e pelo sentimento anti-bancário de “Wrecking Ball”, e quando Jon canta “I’m a teacher, I’m a farmer, I’m a union man / It’s getting hard to make a living in this hard land”, a influência de Bruce fica mais óbvia. E ainda em “Thick as Thieves”, onde, de acordo com o título da música, Jon rouba de “Nebraska”: If I robbed a bank you wouldn’t care / You’d come sit on my lap in the electric chair / And when they flipped the switch, we’d just kiss”.

No geral, “What About Now” não é consistentemente um grande registro. Ou mesmo um consistente bom álbum do BON JOVI. Tal qualificador é precisamente o tipo de golpe que JON BON JOVI mais odeia, ainda esperando que um disco do BON JOVI figure nas listas de final de ano das maiores revistas de rock. Se “Wrecking Ball” pode liderar essas listas, por que não “What About Now”?, ele poderia perguntar. E quem sabe, ele seja desvalorizado como um escritor prolífico, o líder de uma banda com ótimos músicos, um vocalista talentoso, e um cidadão generoso e íntegro. Nada disso muda o fato de que a maior parte de “What About Now” não traz progresso. Ainda mais, isso irá certamente atirar a banda de volta para o que eles sempre fizeram melhor – tocar ao vivo – e eles serão capazes de trazer novo material para lotar arenas e estádios por trinta anos em sua carreira, um feito impossível de se jogar pedras. Agora, what about 2014?

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Sobre Pedro Ceballos

Nascido em São Paulo, Pedro Ceballos é formado em Jornalismo pela PUC-SP. Descobriu o Rock em 2007 com grandes bandas como Kiss, Scorpions, Iron Maiden, Judas Priest, Queen e Black Sabbath. Fotógrafo e músico nas horas vagas, é grande entusiasta do Hard Rock setentista, AOR oitentista e da NWOBHM.

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