Black Sabbath, Alice Cooper: O Pop Obscuro

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Black Sabbath, Alice Cooper: O Pop Obscuro

Postado por L. F. Barbosa Silva | Fonte: blog A Jornada do Herói

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A Psicologia do Terror

O medo sempre foi um sentimento explorado pelos artistas. Desde as primeiras narrativas fantásticas ele vem sendo usado como um elo de ligação entre a realidade e o imaginário, entre a vida ordinária e o sobrenatural, fazendo aflorar uma profusão de sensações e emoções.

Comumente o medo é caracterizado pela sensação de ameaça física. O terror seria gerado pela possibilidade do risco de vida. No entanto podemos observar outros fatores psicológicos que são intrínsecos a esse sentimento. Vemos que o medo tem uma forte relação com o desconhecido, o não cognoscível, o inconsciente. Isso ocorre, por exemplo, quando se tem que lidar com uma situação nunca antes experienciada, ou sem aparente explicação lógica; podemos dizer, uma situação que nunca chegou a ser trabalhada pela mente consciente. Desse modo observamos explicitamente a relação do medo com mais uma faculdade da psicologia humana que é comum a todos: a curiosidade. O ímpeto de explorar, a vontade de conhecer aquilo que é desconhecido, é o que move a ciência. E, em muitos casos, é o que faz o personagem do filme entrar naquela sala escura, onde um barulho estranho fora ouvido, e com um ruído de porta rangendo, ele descobre para seu horror, que era só um gato. Só que o assassino ou o monstro (ou o monstro assassino) ainda pode estar à espreita, escondido em outra parte da casa; e é aí que entra o suspense, o sentimento de ansiedade.

Essas sensações e sentimentos são comuns a todas as pessoas, e quando lemos um livro, vemos um filme ou escutamos uma música que acabam trazendo essas características à tona, de pronto nos identificamos.

Na Literatura

Obviamente esse tipo de narrativa é bem antiga. Creio que bem antes de Hesíodo e Homero (século VIII a.C.) muitos autores devem ter se dedicado a invetar histórias de terror. De todo modo, o trabalho dos gregos era mais voltado à mitologia, ao imaginário e à aventura, deixando em segundo plano o medo; mas ainda vemos em suas obras fantásticas elementos embrionários do gênero.

No século XIV, o poeta Dante Alighieri escreve a sua Divina Commedia (1308-1321), baseado principalmente na teologia cristã e na filosofia de S. Tomás de Aquino, ele descreve sua jornada, guiado pelo poeta romano Virgílio, pelo Inferno e o Purgatório, até chegar ao Paraíso. A medida que os personagens percorrem os nove círculos do inferno se deparam com as mais variadas formas de tortura e desgraça sofridas pelos condenados. Ao chegar no nível mais profundo encontram um inferno de gelo e a grotesca figura de Satã, uma besta gigantesca que em cada uma das suas três bocas mastiga Judas, Brutus e Gaius Cassius, e ao bater das suas enormes asas de morcego cria um vento que mantém esse círculo do inferno congelado. O retrato do Inferno descrito por Dante de fato foi tão contundente que chegou a cunhar um novo adjetivo para descrever coisas aterrorizantes: DANTESCO. Que é aquilo que supera o horrível.

Entre o século XVI e XVII, William Shakespeare ainda inspirado pelos mitos gregos, em sua comédia A Midsummer Night’s Dream (1595), apesar da comicidade, nos traz uma certa sensação de espanto quando lemos sobre o Reino das Fadas e seus monarcas Oberon e Titania e sobre as travessuras do endiabrado Puck. Posteriormente com o uso da temática sobrenatural servindo de pano de fundo para tragédias como Hamlet (1599-1601) e Macbeth (1606) nos aproximamos mais do que se chama literatura gótica.

Ainda no século XVII, com a publicação do poema épico Paradise Lost (1667), John Milton explora a mitologia judaico-cristã contando a história da queda de Lúcifer e dos outros anjos rebeldes e da expulsão de Adão e Eva do Jardim do Éden. Novamente uma obra mais próxima da literatura de temática mitológica dos gregos, só que mesmo assim foi de grande influência para os artistas das gerações seguintes. Como parte da história é contada do ponto de vista de Lúcifer e seus aliados, isso faz com que os leitores se identifiquem com eles. Carimbando com a frase “É melhor reinar no Inferno do que servir no Paraíso” a criação de um vilão memorável e de um dos primeiros anti-heróis.

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Em 1764 foi publicado em Londres um livro chamado The Castle of Otranto, de Horace Walpole, frequentemente citado como o primeiro romance gótico. Walpole introduziu em seu estilo literário elementos marcantes que vieram se consolidar caracterizando o gênero. Como atributos do romantismo, o uso da temática medieval, a nobreza decadente, uma protagonista feminina. Além de sons misteriosos, portas que se abrem sozinhas, objetos pesados caindo de lugares altos provocando a morte de pessoas e assim por diante.

Outros autores de considerável reconhecimento, responsáveis pela popularização do gênero gótico são: Wolfgang von Goethe com sua peça Faust (1806-1831), onde valendo-se do misticismo judaico-cristão e de temas relacionados à práticas ocultistas conta a história de um acordo entre um humano e um demônio. Mary Shelley com seu Frankenstein, or The Modern Prometheus (1818), notável por ser um dos primeiros exemplos da mescla entre o goticismo, horror e ficção científica. Edgar Allan Poe, The Pit and the Pendulum (1842), The Masque of the Red Death (1842) e The Raven (1845). E Abraham “Bram” Stoker, cuja obra Dracula (1897) representou um marco para a literatura de horror popularizando o mito do vampiro.

No início do séxulo XX, surge um tipo de terror jamais visto antes; e o responsável por isso é um homem chamado Howard Phillips Lovecraft. Algumas de suas publicações mais famosas são Dagon (1919), Beyond the Wall of Sleep (1919), The Tomb (1922), The Whisperer in the Dark (1931) e At the Mountains of Madness (1936). Seu estilo de literatura é uma fusão de suspense, terror e ficção científica, criando um novo gênero conhecido como horror cósmico, focado no medo do desconhecido e abordando temas relacionados à mitologia, ocultismo, entidades alienígenas, patologias psiquiátricas e assim por diante. Seu trabalho posteriormente influenciou inúmeros escritores, músicos e cineastas.

No Cinema

Pode-se dizer que o terror começou a dar seus primeiros passos no cinema com o gênio de George Méliès. Embora a maior parte dos seus filmes tragam um elemento maior de espanto e até de comédia do que de horror propriamente dito, são os primeiros videos com temática sobrenatural e obscura, além da notável influência gótica. Ouso dizer que graças à mágica feita por Méliès na direção e edição, naquela época eles foram responsáveis por inesquecíveis sustos sofridos pelo público. Dessa maneira podemos classificá-los como sendo os primeiros filmes de terror da história. Le Manoir du Diable (The Haunted Castle – 1896), Le Diable au Couvent (The Devil in a Convent – 1899), Le Monstre (The Monster – 1903) e Le Diable Noir (The Black Imp – 1905) são os primeiros exemplos de medo retratado em película cinematográfica.

Na década de vinte destacam-se os expressionistas alemães. Com as adaptações de F. W. Murnau de obras famosas da literatura, como Nosferatu, eine Symphonie des Greuens (Nosferatu, a Symphony of Horror – 1922), adaptação do Drácula de Bram Stoker que rendeu a Murnau um processo por quebra de direitos autorais; e Faust (1926) adaptação do livro homônimo de Goethe. Ainda no expressionismo, de Robert Wiene temos Das Cabinet des Dr. Caligari (1920), filme notável pela atmosfera que cria graças a interpretação dos atores e a montagem dos cenários. E Der Golem, wie er in die welt kam (The Golem: How He Came into the World – 1920) de Paul Wegener; este filme foi o primeiro a ser o terceiro de uma trilogia e contar a história que se passou antes do começo dela, sendo o pioneiro dos filmes “O Início” que hoje vemos com tanta abundância no mercado.

Alguns anos depois, já a partir de 1930, seguindo a tendência de Murnau, Hollywood aposta nas adaptações. Só que dessa vez com as permissões legais adequadas. Bela Lugosi interpreta o papel que marcou sua carreira e popularizou a imagem moderna do vampiro em Dracula (1931). E Boris Karloff encarna o monstro criado pelo Dr. Frankenstein, interpretado por Colin Clive, no filme do mesmo ano. Essas duas produções foram responsáveis por deslanchar a carreira desses dois mitos do cinema de terror. Com a participação de Lugosi destacam-se Murders in the Rue Morgue (1932), baseado no conto de Edgar Allan Poe, Mark of the Vampire (1935) e The Wolf Man (1941), filme clássico no qual faz uma participação como o lobisomem original que transmite a maldição ao protagonista. De Karloff temos The Ghoul (1933), Bride of the Frankenstein (1935) e The Black Room (1935), no qual faz um papel duplo interpretando irmãos gêmeos. Com Lugosi e Karloff juntos: The Black Cat (1934) e Black Friday (1940). Ainda na década de 30 temos o primeiro filme de zumbi, com Lugosi estrelando como vilão, de Victor Halperin, White Zombie (1932), que diferente dos posteriores trabalhos de George Romero, foca no mito africano ao invés do holocausto viral.

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Na década de 50 e 60, com o fim da segunda guerra e a explosão das duas bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki e o advento da guerra fria, o terror de ficção científica ganha força. É o caso de The Thing from Another World (1951), Godzilla (1954), e Invasion of the Body Snatchers (1956). Grande parte dos filmes focavam no perigo de se viver na era nuclear. Por outro lado a produtora Hammer continuava fazendo sucesso com o terror clássico de monstros, com longas estrelados por Peter Cushing e Christopher Lee como The Curse of Frankenstein (1957) e Dracula (1958) e a AIP (American International Pictures) produzia uma série baseada nas obras de Edgar Allan Poe estrelada por Vincent Price.

Ainda nessa época vemos algumas mudanças no estilo dos filmes de terror. Graças a influência do mestre do suspense Alfred Hitchcock; a cineastas como Jack Clayton (The Innocents – 1961), Robert Wise (The Haunting – 1963) e Roman Polanski (Rosemary’s Baby – 1968), que apostam num terror voltado à figura do demônio cristão; e ao cinema japonês que aposta nos fantasmas em Onibaba (Demon Hag – 1964) e Yabu no Naka no Kuroneko (A Blackcat in a Bamboo Grove – 1968). Sendo precursores de sucessos comerciais como The Exorcist (1973), primeiro filme de terror indicado a um Oscar de melhor filme, e Paranormal Activity (2007). Em 1968, George Romero lança Night of the Living Dead, inaugurando o gênero apocalipse zumbi, a produção contou com um orçamento de apenas U$140.000 dólares e a bilheteria rendeu mais U$12 milhões nos Estados Unidos e U$30 milhões em todo o mundo.

Entre os anos 70 e 80 filmes gore como The Texas Chain Saw Massacre (1974), Friday the 13th (1980) e A Nightmare in Elm Street (1984) ganharam mercado e trouxeram para a cultura popular personagens como Leather Face, Jason e Freddy Krueger. Dario Argento começa sua carreira no gênero com L’uccello dalle Piume di Cristallo (The Bird with the Crystal Plumage – 1970). Produções baseadas nos livros do autor Stephen King, como Carrie (1976), The Shining (1980) dirigido pelo gênio Stanley Kubrick, e Pet Cemetary (1989) também fizeram sucesso. Romero continuou espalhando zumbis pela terra em Dawn of the Dead (1978). E na ficção científica temos como melhor exemplo Alien (1979) cujo roteiro certamente teve alguma inspiração nas obras de H. P. Lovecraft. Além de muitos outros trabalhos que fizeram imenso sucesso e foram elevados ao status de clássicos cult, como Evil Dead (1981), Fright Night (1985) e Lost Boys (1987).

A partir dos anos 90 filmes de terror de qualidade ficaram cada vez mais raros. Eles foram sendo feitos de uma maneira cada vez mais comercial e a fórmula que causava o sentimento de assombro na audiência foi se perdendo entre personagens que não convencem, atores ruins, roteiros mal escritos, péssima direção e um monte de restos de maquiagem e galões de sangue cenográfico. Dessa época poucas coisas podem ser salvas, é o caso de The Silence of the Lambs (1991), primeiro filme do gênero a receber um Oscar de melhor filme, Dracula (1992), dirigido pelo mestre Coppola com a fantástica atuação de Gary Oldman, e Interview with the Vampire (1994).

Na Música

O canto gregoriano tem suas raízes no século III depois de Cristo, quando elementos musicais começaram a ser introduzidos nos ritos católicos, sendo desenvolvido e atingindo o seu auge entre os séculos V e VIII, começando sua decadência entre o século IX e X e sendo totalmente substituído nas tradições ocidentais por outras formas de composição entre os séculos XII e XIII. Embora tenha sido desenvolvido com fins religiosos, é amplamente admirado dentro dos círculos da cultura gótica e tornou-se influência para muitos compositores contemporâneos. Sua melodia monódica cria uma atmosfera sombria que lembra castelos medievais, catedrais e mosteiros, e pode servir como trilha sonora para romances que se passam nesses cenários. É interessante notar que o canto gregoriano deixou de ser usado justamente no período em que a arte gótica começou a ser desenvolvida, voltando a ser estudado na França no final do século XIX, época em que o gênero literário se popularizava.

Também dedicada em grande parte a religiosidade da época, a música barroca teve início na primeira metade do século XVII com o criador da ópera, o italiano Claudio Monteverdi, e teve fim com a morte de Johann Sebastian Bach em 1750. A música de expressividade dramática de compositores como Bach, Vivaldi e Händel, com uso amplo de instrumentos como o órgão, o cravo e o clavicorde, invoca o sentimento daquele período dando o tom ideal às muitas histórias de vampiro que se passam nas cortes da época.

Após a morte de Bach iniciou-se o período clássico, do qual o seu maior expoente foi o austríaco Amadeus Mozart. O Réquiem em Ré Menor, de 1791, talvez seja a obra de música erudita que mais exerceu influência sobre a cultura gótica, posto que um réquiem é uma composição para ser executada em um funeral. De fato a história do Réquiem de Mozart é cercada de lendas. Conta-se que tarde da noite um homem misterioso bateu à porta do compositor, ele desejava especificamente um réquiem em ré menor, não quis revelar o próprio nome e adiantando metade do pagamento combinou retornar em um mês. Conta-se que tentando de todo modo, através da sua influência na sociedade, descobrir quem era o tal homem e não conseguindo, Mozart, já muito abalado com a morte do próprio pai, com uma doença que o atingia e com o cansaço do trabalho, se pôs a acreditar que aquele seria um mensageiro do além vida e que o réquiem que agora compunha era para sua própria missa fúnebre. Mozart faleceu no mesmo ano deixando três seções prontas e muitos rascunhos sobre os quais seu pupilo Franz Süssmayer completou a obra.

Do romantismo temos muitos nomes a ser citados: Beethoven, Wagner, Brahms, Strauss, Schubert, Tchaikovsky, mas nenhum desses com apelo ao medo particularmente. Talvez nos pianos de Fryderyk Chopin e Sergei Rachmanioff possamos encontrar elementos musicais mais próximos do sentimento que desejamos. Mas é em Niccolò Paganini que encontraremos a história mais escabrosa. Paganini era um exímio violinista, suas execuções eram impressionantes, além do normal, tão perfeitas que, diz a lenda, sua virtuose era fruto de um pacto com o Diabo. As cordas de seu violino, que na época eram feitas de tripas de porco, diz a lenda, eram feitas de tripas humanas. Além do virtuosismo abismal supõe-se que em parte esse mito foi gerado por conta da aparência física de Paganini. Hoje se acredita que ele era portador de uma patologia chamada síndrome de Marfan, ou Aracnodactilia, doença que deforma os ossos causando alongamento dos membros e dedos, o palato, causando apinhamento dental e provoca outros distúrbios de ordens oculares e cardio-respiratórios.

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Todo mundo está ciente da ligação entre o Rock e a temática obscura. Aliás, esse tipo de música foi em parte a grande responsável pela popularização desses assuntos. E isso começou cerca de quinze anos antes do surgimento do Rock’n Roll, e aproximadamente trinta anos antes das bandas do estilo se aprofundarem nesse assunto. Em 1911 nascia no Mississipi, a lenda do Blues, Robert Johnson. Suas primeiras gravações datam de 1936. Alguns dos mais famosos guitarristas influenciados pela sua música são Eric Clapton, Muddy Waters, Keith Richards e Jimi Hendrix, desse modo entende-se que sua influência se estende a toda música pop contemporânea. A lenda teria começado quando outro grande bluesman, Son House, teria brincado em uma entrevista dizendo que a incrível habilidade de Johnson era proveniente de um pacto com o Demônio. Mas especula-se que, devido à grande força do protestantismo e da música gospel entre os negros americanos, já se dizia em sua terra natal que Johnson teria se entregado à perdição quando decidiu tocar a música do Diabo. Conta-se que ele tinha uma grande vontade de ser um famoso guitarrista de blues e foi instruído por alguém, talvez um sacerdote de alguma antiga religião africana, a levar seu violão para uma encruzilhada à meia-noite. Fazendo isso lá foi abordado por um grande homem negro que tomou a viola, afinou, tocou algumas músicas e a devolveu. Estava consumado, um pacto demoníaco nos moldes do Fausto de Goethe. Algumas das canções de Johnson que supostamente provam essa história são: Crossroad Blues, Hellhound on my Trail e Me and the Devil Blues.

Agora façamos uma viagem pelas estradas do rock obscuro: É na psicodelia dos anos sessenta que os temas sombrios começam a aparecer. Na banda The Doors, primeiro disco de 1967, notamos principalmente nas letras do vocalista Jim Morrison e nas atmosferas criadas pelos teclados de Ray Manzarek, traços da estética gótica. Bons exemplos são as canções The End, People are Strange, Not to Touch the Earth e Riders on the Storm.

No mesmo ano, com The Velvet Underground & Nico, além de canções como Heroin e Venus in Furs, temos o uso do vinil, do látex e do couro no vestuário, que influenciou amplamente a indústria da moda.

Em 1968 os Rolling Stones lançaram seu disco Beggars Banquet. Mick Jagger escreveu uma letra em que, assim como no Paradise Lost de Milton, a história era contada do ponto de vista de Lúcifer. No documentário Crossfire Hurricane (2012) Jagger afirma que suas principais influências foram o poeta francês Baudelaire, famoso por seu poema Les Litanies de Satan, e o romancista russo Mikhail Bulganov e seu livro The Master and the Margarita, que fala sobre uma visita do Diabo à até então ateísta União Soviética. Assim, com Sympathy for the Devil, os Rolling Stones trazem o Diabo de uma vez para o mundo do Rock.

Em 1969 a banda Coven lança seu primeiro álbum, Witchcraft Destroys Minds & Reaps Souls. Apesar de ser uma banda de rock psicodélico ela foca na temática satânica e pagã. Tendo de fato levado a coisa a sério, seu primeiro álbum termina com treze minutos de cânticos e preces satânicas e a faixa foi intitulada Satanic Mass. A Coven é reconhecida como sendo a primeira banda a usar o famoso sinal dos chifres, que mais tarde se popularizou através do mestre Ronnie James Dio, tornando-se uma marca registrada da cultura Rock e Heavy Metal.

Chegamos a 13 de fevereiro, sexta-feira, de 1970. Sai no mercado o primeiro álbum de uma banda chamada Black Sabbath. Na capa uma cena que remete à um conto de bruxas. Ao fundo um velho casarão, folhas marrons denotam o outono, ao lado de um grande tronco retorcido, um vulto enrolado em vestes negras caminha lentamente sobre o matagal. Essa capa é a introdução perfeita para a primeira faixa do disco, Black Sabbath, o barulho da chuva e do vento se mesclam ao soar de melancólicos sinos. E então explodem os riffs desesperadores de Tony Iommi, o baixo denso de Geezer Butler e a sôfrega bateria de Bill Ward. E quando essa sinfonia da danação se ameniza, entram os tenebrosos vocais de Ozzy Osbourne, falando sobre vultos negros com olhos de fogo e sobre Satã que ri sentado em seu trono. Esses quatro são reconhecidos como os criadores do Heavy Metal. Embora a temática sombria já fosse explorada por outras bandas, nenhuma delas tinha feito isso com tamanha maestria e tanto peso.

O nome da banda foi inspirado num filme de 1963, de Mario Bava com a participação de Boris Karloff, no orginial I tre Volti della Paura, que traduzido literalmente é The Three Faces of Fear, só que as distribuidoras inglesas do filme optaram por modificar o título para algo mais simples: Black Sabbath. Que quer dizer Sabá Negro. Sabá é uma missa ou cerimônia religiosa. Em hebraico significa Reino e corresponde ao sábado, na religião judaica dia de adoração à Deus. Essa terminologia que também era usada nos fechados círculos de bruxaria tradicional e ordens secretas, se popularizou na cultura gótica pois muitos apreciadores dessa estética também estudam mitologias e religiões pagãs.

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A importância do trabalho do Black Sabbath é imensa. Eles foram a peça chave na criação de um novo gênero de Rock e esse gênero se subdividiu em muitos outros, todos eles ligados ao tema central que deu início a tudo isso: a cultura do obscuro. Algumas das bandas mais importantes que podemos citar (datando a partir do lançamento do primeiro disco) são: Iron Maiden (1980), Mercyful Fate (1982), Metallica (1983), Bathory (1984), Candlemass (1986), Paradise Lost (1988) e muitas outras.

Em 1975 após uma não tão bem sucedida carreira com a banda de mesmo nome, Alice Cooper se lança em carreira solo com seu disco Welcome to my Nightmare. Alice começou em 1969 fazendo o Hard Rock comum à época, mas só atingiu o auge quando se renovou, colocando mais peso em sua música e trazendo um aspecto teatral às suas performances. Fazendo uso de maquiagem, sangue falso, caixões, bonecos de vodu, cobras reais e assim por diante, ele modificou totalmente o jeito de se fazer apresentações ao vivo, sendo o primeiro a se valer desses recursos cenográficos.

“A atmosfera é realmente maléfica, mas você se sente à vontade dentro dela”. Esse foi o comentário de Bernard Sumner, Joy Division e New Order, sobre o filme Nosferatu de F. W. Murnau. Nos anos 70, além do surgimento do Heavy Metal outro gênero de Rock surgia, o Punk. Embora a maior parte das bandas dedicassem suas letras exclusivamente à política, uma delas abrangeu muitos aspectos da vida, utilizando inclusive elementos do romantismo. Eram os Ramones, do vocalista Joey Ramone, que curiosamente era portador da síndrome de Marfan assim como o violinista Paganini. Com a rápida ascensão e igualmente rápido declínio do Punk Rock mais um novo gênero entrou em evidência. Além da influência musical de bandas punk como Ramones, esse novo tipo de som foi amplamente influenciado por bandas como The Stooges, David Bowie, Velvet Underground e bandas experimentalistas de Dub Reggae e Krautrock. Em termos de conceito, a influência vem principalmente da literatura e poesia gótica, por isso muitos usam o termo gothic rock para se referir a esse gênero. Embora na época não houvesse um rótulo específico e a maior parte dos integrantes das bandas não gostassem de rótulos, esses grupos compartilhavam notórias semelhanças e o público e a crítica especializada rapidamente batizaram a cena de Dark Wave. Posteriormente o movimento também ficou conhecido como post-punk. Em 1978 a banda Joy Division lançou o single An Ideal for Living e um ano depois o disco Transmission. No mesmo ano Siouxsie & The Banshees lançava The Scream. Em 1979 a banda Bauhaus estreava com o single Bela Lugosi’s Dead e o The Cure com Three Imaginary Boys. Em 1980 a Echo & the Bunnymen entrou no mercado com Crocodiles. A banda The Smiths estreou em 1984, e embora não partilhe completamente a atmosfera obscura e decadente ou os elementos musicais das outras bandas da geração, possui o lirismo e o romantismo que a caracterizam como membro dessa cena. Em 1985, Jesus & Mary Chain lança Psychocandy, Fields of the Nephilim lança o EP Burning the Fields e a banda The Sisters of Mercy alcança o sucesso comercial com First and Last and Always.

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Em 2 de Dezembro de 1983 saía um clipe dirigido por John Landis, diretor de An American Werewolf in London (1981) e Into the Night (1985), dois filmes do gênero comedy-horror. Landis também foi co-roteirista no projeto e o outro roteirista era Michael Jackson. O clipe era para a música Thriller, do álbum homônimo de 1982. O trabalho de maquiagem ficou por conta de Rick Baker, King Kong (1976) e The Howling (1981). E o clipe assim como a música contém uma atuação em áudio do grande ator de filmes de horror Vincent Price. Nesse vídeo Michael Jackson mostra que não ficou imune à popularidade dos filmes de terror e presta uma homenagem ao gênero.

Nas Artes Gráficas

Os temas obscuros sempre estiveram presentes nas pinturas desde quando a arte gráfica começou a se desenvolver. A princípio começou, como na literatura, no retrato de temas mitológicos.

Na idade média pinturas representando o Inferno e o Diabo, demônios e bruxas são abundantes.

No século XVIII, o pintor espanhol Francisco de Goya realizou diversos trabalhos com ênfase no sombrio. Como a série Los Sueños, uma versão gráfica da obra literária do escritor satírico Francisco de Quevedo, do século XVII, onde este relata um sonho no qual ia até o inferno e conversava com os demônios e os condenados. E na pintura El Aquelarre, onde um grande bode é venerado por mulheres velhas e jovens que lhe oferecem crianças recém nascidas.

Nos quadrinhos os monstros começam a aparecer como vilões nas histórias de super-heróis no começo dos anos 30, graças ao sucesso dos filmes da Universal estrelados por Lugosi e Karloff. Em 1940 a Prize Comics lançou The New Adventures of Frankenstein, escrita por Dick Briefer, a primeira série de horror do universo HQ. Em 1943 saiu a primeira história completa de horror em uma revista em quadrinhos, uma adaptação do livro The Strange Case of Dr Jekyll and Mr Hyde. Em 1947 foi publicada a primeira edição da Eerie Comics, com seis histórias que retratavam de maneira branda a violência comum à literatura de horror. Em 1948 o romance de Walpole, The Castle of Otranto, ganhou uma adaptação de sete páginas por publicação na série Adventures into the Unknow, da American Comic Group. A EC Comics lançou em 1950 três séries: Crypt of Terror, The Vault of Horror e The Haunt of Fear, que mais tarde foram rebatizadas como Tales From the Crypt. Em 1951 as duas mais famosas editoras de quadrinhos de hoje entram no mercado do terror/suspense/sci-fi. A DC Comics lança a série The House of Mystery e a Marvel lança a Strange Tales.

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Em 1954, Fredric Wertham publicou um livro chamado Seduction of the Innocent, no qual descrevia do seu ponto de vista como os quadrinhos eram a causa direta da delinquência entre os jovens. Esse livro foi um dos fatores principais que acabaram levando a uma longa batalha nas cortes norte-americanas entre as editoras e o Subcomitê do Senado contra a Delinquência Juvenil. Ainda em 1954 foi criado o Comics Code Authority (CCA) que colocava várias restrições criativas que deveriam ser estritamente seguidas ou as publicações não receberiam o selo de aprovação. Além disso toda a repercussão causada pelo julgamento atingiu as famílias americanas, e os pais dificultavam de todo modo a aquisição de quadrinhos por parte dos filhos, eles tendo ou não o selo da CCA. As séries da DC e da Marvel se converteram basicamente em HQs de ficção científica e muitas publicações foram extintas.

As editoras Gilberton, Dell Comics e Gold Key Comics não figuraram entre as signatárias do CCA. A Dell publicou uma adaptação da série de televisão Twilight Zone em 1961, e em 1962 publicou uma edição do Drácula de Bram Stoker. Em 62 a Gold Key também lançou uma adaptação de uma série de TV, Boris Karloff Thriller, mais tarde renomeada para Boris Karloff Tales of Mystery. E em 1969 a Warren Publishing corajosamente lançou a primeira edição de Vampirella.

Em 1971 a CCA abrandou alguns termos do código de restrições. Desse modo a Marvel voltou a publicar histórias de terror de verdade como Morbius, the Living Vampire, The Tomb of Dracula e Werewolf by Night, e introduziu personagens como Ghost Rider e Blade. A DC retornou com as publicações com Secrets of Haunted House e Tales of the Ghost Castle.

Hoje temos um grande números de HQs de horror de qualidade. Algumas das melhores são Hellblazer (#1 – 1993), Preacher (#1 – 1995), 30 Days of Night (#1 – 2002) e The Walking Dead (#1 – 2003), além das adaptações dos clássicos da literatura que sempre ganham novas roupagens.

Nos Games

Nos jogos de papel: Em 1974 chegou ao mercado o box original de Dungeons & Dragons. Embora fosse um role-playing game de fantasia nos moldes sword & sorcery, o fator medo estava presente e desempenhava um papel muito importante no jogo. Em 1981 a Chaosiumpublicou Call of Cthulhu, RPG baseado nos mitos de Lovecraft, cenário que obteve bastante sucesso em trazer a atmosfera do horror cósmico para os jogos de mesa. Em 87 a Palladium Books lançou Beyond the Supernatural, no qual os personagens podem ter poderes psíquicos Em 1989 a companhia francesa Siroz publicou seu In Nomine Satanis/Magna Veritas, jogo baseado na velha batalha entre o céu e o inferno, In Nomine Satanis é o guia para jogadores que querem interpretar personagens demoníacos e Magna Veritas é o guia para aqueles que preferem interpretar Anjos. Ravenloft surgiu pela primeira vez como um módulo de aventura no Advanced Dungeons & Dragons de 1983 mas só foi publicado como um cenário de campanha completo em 1990; o livro reproduz a estética gótica clássica dos romances de Walpole, Mary Shelley e Bram Stoker. Em 1990 surgiu Nightlife da Stellar Games, jogo que introduziu várias inovações, tanto na estética como na mecânica de jogo, que vieram a se popularizar mais tarde com os RPGs da série World of Darkness (WoD). Em 1991 a White Wolf começou com o lançamento de Vampire: The Masquerade, aquela que seria uma das séries de maior sucesso da história dos role-playing games, algumas da outras publicações da série WoD são Werewolf: The Apocalipse (1992) e Mage: The Ascension (1993); a série Dark Ages começou em 1996, mas só emplacou em 2002 quando também foi lançado um cenário da Era Vitoriana só para Vampire. Em 1997 a editora de Steve Jackson lançou um remake do In Nomine com uma adaptação para o sistema d666, que consiste num rolamento de três dados de seis lados, sendo que um resultado 111 sempre favorece o lado angelical e um resultado 666 sempre favorece o lado demoníaco. No mesmo ano saiu o RPG brasileiro Trevas, da Daemon Editora, onde os personagens são mortais que tomam lugar no jogo entre o céu e o inferno e agindo através de sociedades secretas tentam influenciar os resultados dessa contenda. As novas publicações da White Wolf, que renovaram a série Wolrd of Darkness e seu sistema de jogo, começaram a sair em 2004 com Vampire: The Requiem.

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Nos games eletrônicos: Obviamente no início da era dos video-games a tecnologia não proporcionava todos os meios necessários para se reproduzir o medo de maneira plena, desse modo o gênero do horror estava intrinsecamente ligado aos games de aventura e ação. Dois exemplos que podem ser citados, indo ao “tempo das cavernas do video-game”, são os jogos Haunted House para Atari 2600 e o Terror House do Bandai Solarpower, com certeza a única coisa que dá medo nesses jogos é a qualidade dos gráficos. Em 1986, já na era 8-bit, a Konami desenvolveu para o Nintendo Entertainment System (NES) o Castlevania, o primeiro a introduzir elementos da estética gótica nos video-games, gerando uma das mais bem-sucedidas franquias da história, com destaque para o Castlevania: Symphony of the Night de 1997. O Sweet Home produzido pela Capcom em 1989 é um role-playing de horror psicológico no qual os personagens se vêem presos numa mansão assombrada por um espírito maligno, os jogadores devem explorar a mansão enquanto tentam sobreviver às armadilhas e ataques do vingativo fantasma; é tido como um dos avôs do gênero survival horror. O primeiro game de horror com gráficos em 3D saiu em 1992 para MS-DOS, em Alone in the Dark, durante o que seria uma investigação normal um detetive particular se depara com zumbis, ratos gigantes e outras criaturas bizarras, o game também envolve muita investigação e quebra-cabeças; o enredo é visivelmente inspirado nos trabalhos de autores como Lovecraft e Allan Poe. Em 1994 saiu para o Super-NES, Demon’s Crest, um jogo de aventura cheio de elementos de RPG, no qual você interpreta um demônio chamado Firebrand que tem como objetivo reunir as pedras elementais que juntas dão poder infinito e a habilidade de conquistar todos os reinos da terra; os desenvolvedores da Capcom capricharam na estética, trazendo uma atmosfera realmente obscura às telas dos jogadores. O período entre 95 e 2000 é considerado como a
era dourada dos survival horror games, alguns jogos dessa época são Clock Tower (1995), Resident Evil (1996), Parasite Eve (1998) e Silent Hill (1999). A partir do ano 2000, além das franquias já consolidadas, alguns novos títulos fizeram sucesso, é o caso de F.E.A.R. (2005), Dead Space (2008) e Left 4 Dead (2008).

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Conclusão

O aspecto sombrio da vida e do imaginário está longe de ser desvalorizado ou tratado como algo desprezível. Muito pelo contrário. Desde o começo dos tempos a nossa curiosidade nos impeliu a desvendar esses mistérios, tornando-os objetos de admiração e estudo. A engenhosidade da arte humana é capaz de encontrar no soturno, o sublime.

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