Cathedral: discografia comentada por Lee Dorrian

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Cathedral: discografia comentada por Lee Dorrian

Traduzido por Lucil dos Reis Alves Junior | Fonte: Terrorizer

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Em abril o CATHEDRAL lança seu álbum final, “The Last Spire”. O frontman Lee Dorrian fala sobre a discografia da banda na revista Terrorizer deste mês, que tem o CATHEDRAL na capa.

‘Forest Of Equilibrium’ (1991)

Ainda me sinto surpreso de termos gravado, porque as probabilidades estavam todas contra nós. Quando começamos a banda, nossa única ambição era fazer uma demo baseada nos filmes de Amando de Ossorio, como “Tombs Of The Blind Dead”. Quando vimos que as coisas estavam acontecendo e que de fato faríamos um álbum, com mais pessoas envolvidas com a banda, foram tempos estranhos... Tínhamos um modo de vida, moldando-nos dentro de tudo que o álbum representava. Éramos muito niilistas, entretanto curtíamos e nos divertíamos. Todas as emoções que apareceram no álbum são muito genuínas. Esse álbum é um marco. E provavelmente o mais importante que já fizemos. É o meu favorito também. Tendo dito isso, “The Last Spire” chega bem perto, mas é muito cedo para dizer.

‘The Ethereal Mirror’ (1993)

Foi um segundo álbum muito difícil. Não me sentia confortável com a maneira que a banda havia mudado. Como já disse, se “The Last Spire” tivesse sido nosso segundo álbum, eu teria ficado feliz. Mas a forma com que a banda estava mudando não era muito o que eu queria. Você pode notar em “Soul Sacrifice” [EP de 1992, n.t.]; há um grande pulo de ‘’Forest Of Equilibrium’’ para ele. Depois, dele para esse. A musicalidade no CATHEDRAL avançou tão rapidamente que as letras e os riffs tornaram-se bem mais competentes, bem mais técnicos, em um curto espaço de tempo. “The Ethereal Mirror” tem muito mais som de heavy metal clássico, com influências dos anos 70 e umas viradas psicodélicas que realmente não existiam no primeiro álbum. Isso mostrou a destreza da banda, mas na época eu só queria tocar lentamente, eu não queria fazer tanta coisa dos anos 70 assim, então eu realmente não estava com a cabeça nisso. Senti que foi um salto grande demais para a banda. Mas isso é como me senti na época. Agora, ao refletir, acho que é um álbum fantástico, certamente um de nossos melhores.

‘The Carnival Bizarre’ (1995)

Esse tem um sentimento bem mais cru em si, e apesar de ter um tipo de psique distante no aspecto das letras e em algumas das canções, soou muito natural para nós. Acho que tem uma boa vibração nesse álbum, e eu diria que está no meu top 4 dos álbuns favoritos do CATHEDRAL.

‘Supernatural Birth Machine’ (1996)

Nunca fui muito fá desse álbum, por vários motivos. Não acho que estávamos prontos para gravá-lo. Estávamos em uma turnê dando a volta ao mundo e então chegamos em casa e tivemos duas semanas até entrar no estúdio, não tivemos tempo para escrever, eu não tinha nenhuma letra com a qual me sentisse confortável...Na verdade deixei a banda três dias antes de entrarmos no estúdio, porque estava puto com o fato de nós sermos forçados a fazer algo que não estávamos prontos. Algumas pessoas dizem que é seu álbum favorito, mas para mim parece algo que não foi realmente terminado. Há alguns riffs matadores nele e tudo o mais, mas se o álbum tivesse sido gravado cinco ou seis meses depois eu provavelmente estaria bem mais feliz com ele.

‘Caravan Beyond Redemption’ (1998)

Acho que tem algumas grandes canções, mas há muitas canções no total, há três ou quatro que não deveriam estar aqui. Chegamos ao ponto em que tentávamos toneladas de estilos diferentes e fazíamos o que queríamos fazer sem ter muita consideração sobre isso. Nós estávamos tentando fazer cada música soar diferente, e acho que realmente é um álbum muito ambicioso, apesar de que acho também que naquele tempo nós éramos muito imprevisíveis, sim, mas previsivelmente imprevisíveis, se é que isso faz sentido. Nós éramos tão incomuns que isso ficou meio que óbvio, foi quando eu disse que não faria outro álbum a não ser que fizéssemos algo radicalmente diferente. Que foi...

‘Endtyme’ (2001)

…Quando eu quis acabar com tudo e começar novamente. Nós tínhamos cinco álbuns lançados e vi que começamos a nos sentir musicalmente confortáveis, e isso é algo que sempre fui contra. Odeio complacência, é algo que me assusta mais que a vida em si. É algo que você nunca deveria sentir, especialmente quando o assunto é arte. Temos que assumir riscos, e vi que poderíamos destruir tudo ao fazer “Endtyme”, mas também senti que era algo que deveríamos fazer. [...] Foi o fim de um capítulo e o começo de um novo, em muitos aspectos. Então, o álbum depois desse foi um pouco mais complacente novamente.

‘The VIIth Coming’ (2002)

No “Endtyme” fui muito insistente, estava brigando com todos na banda. Tivemos que dar uma acalmada, porque eu não queria ser tão insistente da próxima vez. Isso é algo de que me arrependo, de certo modo. Acho um bom álbum, mas estávamos voltando a soar musicalmente confortáveis. Não fiz nenhuma objeção específica a isso, mas gosto de álbuns que passam um pouco dos limites. Mas algumas vezes isso é preciso acontecer, também. Você nem sempre se sente no clima para fazer algo desafiador. Quanto se está nessa há tanto tempo, como você imagina que a música deve ser e como ela realmente é são duas coisas muito diferentes, porque você está tão imerso em seu próprio mundinho...

‘The Garden Of Unearthly Delights’ (2005)

Acho que tem muito foco, muita direção nesse disco. Estávamos parados por um tempo, esse foi um dos períodos que a banda meio que acabou. Leo [Smee, baixista] esteve fora por um tempo e depois voltou, e houve uns dois anos de desilusão. Nós, na verdade, escrevemos dois álbuns, mas demolimos um monte de material e começamos tudo novamente. Na época em que entramos no estúdio estávamos bem carregados. Nossas baterias tinham sido recarregadas e estávamos prontos. Todas as canções foram fechadas e nos divertimos bastante as gravando, especialmente a longa canção [“The Garden”]. Mas quando terminamos as sessões, pensamos em nos separar. Nós não sabíamos o que sucederia a isso.

'The Guessing Game’ (2010)

Nós nos acostumamos ao fato de que tínhamos terminado, havia dois anos que nós não tínhamos mais nada a ver com a banda, não fazíamos nenhum show e nem nos comunicávamos, não sobre a banda, pelo menos. Gaz e eu eventualmente tivemos uma conversa e ele veio à minha casa com sua guitarra por alguns dias pra ver se tínhamos alguma ideia. Basicamente o que ele fez foi chegar com um monte de faixas que eram doom puro, mas sentimos que não era o certo a fazer. Queríamos fazer algo mais aventureiro, mais ambicioso, algo realmente diferente como nós sempre quisemos fazer, mas nunca fizemos. Acho que esse é um álbum muito bom, mas não acho que ele atingiu seu potencial. O principal problema foi a mixagem, que talvez um dia iremos consertar. Mas ainda fico realmente feliz com o álbum, é um de meus favoritos. Não me arrependo, na verdade, de nada nele.

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