Bass Hero: "o quem é quem nas quatro cordas", parte 2

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Bass Hero: "o quem é quem nas quatro cordas", parte 2


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Quando o Rock ‘n’ Roll estava surgindo a partir dos anos de 1950, um conjunto de novas formas de se fazer música usando como base o Blues, Jazz, Country e R&B evoluía-se ainda mais. O piano e o sax foram aos poucos suprimidos pela guitarra elétrica, e aquele contra baixo enorme e pesado também evoluiu para um modelo mais “compactado” e elétrico. Isso fez muitos baixistas saírem de suas posições “inertes” para se aventurar mais no palco junto com o vocalista e o guitarrista. Aquele que antes pertencia a uma espécie de “anonimato”, desde então pode mostrar toda a sua desenvoltura e talento. É o caso dos protagonistas dessa matéria.

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YES é um grupo que consegue prender a atenção do ouvinte álbum após álbum, um de seus fundadores, CHRIS SQUIRE, conseguiu se destacar dentro do grupo por sua técnica peculiar de se tocar baixo, em geral como todo fã sabe, a banda é um dos principais nomes do Rock Progressivo mundial e no meio de tanto talento musical SQUIRE usa o seu inseparável ‘Rickenbacker 4001’ para impor a sua supremacia. É um gênio que em uma música só é capaz de utilizar diversos tons como melodia, dinâmica e agressividade. Graças a essas “peripécias pessoais” o baixista se torna um dos principais causadores da complexidade musical do YES.

Quando um certo TERENCE MICHAEL JOSEPH BUTLER (GEEZER BUTLER para os fãs) entrou para o mundo da música lá pelos idos de 1967, começou tocando guitarra. A sua primeira banda RARE BREED não teve muito êxito, a segunda, POLKA TULK também não, e olha que quem o acompanhava desde o começo era outro sujeito chamado JOHN “OZZY” OSBOURNE que se juntaram ao ex – torneiro mecânico TONY IOMMI e seu companheiro BILL WARD onde começaram a fazer “miséria” pelo mundo a fora. Foi sugestão de IOMMI que GEEZER tocasse baixo, sem discussões ele passou para as quatro cordas e inovou em sua sonoridade, hoje é conhecido como um dos baixistas pioneiros no uso do pedal ‘Wah – Wah’, você pode conferir ouvindo N.I.B. no disco primeirão do BLACK SABBATH. GEEZER também foi o homem que “ousou” na afinação um tom abaixo: D(RÉ) forçando IOMMI a afinar a sua guitarra em C#, também foi o mestre que batizou o nome da banda como BLACK SABBATH, porém os direitos da marca se restringem apenas a OZZY e TONY que foi motivo até de disputa judicial em 2009. Entre muitos seguidores da influência de BUTLER estava o também virtuoso CLIFF BURTON (METALLICA). GEEZER BUTLER hoje está em processo de gravação do novo álbum do BLACK SABBATH junto com outros membros da formação original que não conta com BILL WARD.

GERRY McAVOY é um exímio baixista que fazia a festa ao lado de RORY GALLAGHER nos palcos. O baixista ficou muito famoso naquela época por muitas vezes “roubar” a cena de seu patrão mandando ver na sua performance. A parceria durou de 1970 a 1991, a sua desenvoltura era mais para o melódico, mas como RORY gostava muito de improvisar, ele também tinha que acompanhar o compasso às vezes tendo até que duelar o instrumento com o guitarrista. As suas marcas preferidas eram ‘Music Man SingRay’ preto e ‘Silvertone Bass’ também preto. Depois de passar pelo NINE BELOW ZERO com sua última apresentação em 18 de dezembro de 2011, hoje ele tem a sua própria banda GERRY McAVOY’S BAND OF FRIENDS.

Depois da saída de SYD BARRETT do PINK FLOYD em 1968, ROGER WATERS praticamente “tomou a banda para si” e graças ao seu talento incontestável de criação fez a banda alcançar ares inimagináveis. Álbuns conceituais como “The Dark Side of The Moon, “Wish You Were Here”, “Animals” e “The Wall” marcaram o ápice de sua trajetória. Além de baixista, ele também se aventurava em sintetizadores, guitarra e uma variedade de experimentos que definiam o som da banda. No baixo, as suas melhores performances estão registradas nas faixas “Echoes” (Medle - 1971), onde faz um ton melódico, “Money” (The Dark Side of The Moon - 1973), com uma pegada Blues e a complexa “Shine on You Crazy Diamond Part VIII” (Wish You Are Here – 1975) onde o mocinho arrisca um ritmo Funk acompanhado da guitarra de DAVID GILMOUR.

Aos quinze anos de idade GLENN HUGHES deixava a escola para se dedicar à música, seu primeiro instrumento foi a guitarra onde começou tocando numa banda de seu bairro, quando tomou gosto pela Black Music resolveu mudar para o baixo. A sua desenvoltura chamou a atenção de JON LORD e IAN PAICE que logo o convidaram para entrar no DEEP PURPLE nos anos de 1970. Além de grande baixista, HUGHESS tem um vocal inconfundível e impactante que lhe valeu o apelido de “The Voice of Rock”. Para o PURPLE ele levou o “Swing Funk” que pode ser ouvido logo no seu álbum de estréia, o espetacular “Burn” (1974). O seu estilo foi tomando mais espaço dentro da banda até que RITCHIE BLACKMORE decide sair descontente com sonoridade que ela estava tomando. GLENN HUGHESS atingiu o grande momento de sua criação no grupo com o lançamento de “Come Taste Band” de 1975 onde as suas influências musicais ficaram mais latentes. Nomes como YNGWIE J. MALMSTEEN, JOE LYNN TURNER, GARY MOORE E BLACK SABBATH já trabalharam com ele. Hoje “a voz do rock” segue com seu projeto BLACK COUNTRY COMMUNION ao lado dos “fodões” JOE BONAMASSA - guitarra, JASON BONHAM – bateria (filho de JOHN BONHAM, ex – UFO) e DEREK SHERINIAM – teclados (ex – KISS, ALICE COOPER, DREAM THEATER, YNGWIE J. MALMSTEEN).

Não se pode falar em baixistas e deixar ROGER GLOVER de fora, o sorridente músico não apenas mostra o seu talento nas quatro cordas como também produziu muitas bandas. No PURPLE não está lá desde a fundação, mas os álbuns que tiveram mais êxito trazem a sua contribuição. GLOVER sempre é chamado para participar de projetos e eventos musicais, entre eles “The Deep End” de 2001 que contou com a participação dos melhores baixistas do mundo em tributo a ALLEN WOODY. Costuma usar um Rickenbacker 4001 com captadores Jazz Bass com posição modificada por ele mesmo próximo ao braço do baixo. Foi a forma encontrada para deixar o som mais gave, porém ROGER sempre utiliza diferentes métodos sem perder as características principais do instrumento. Atualmente ele continua com o DEEP PURPLE mais ativo do que nunca nos palcos.

Quem poderia imaginar que um dia o “monstruoso” MEL SCHACHER tocou em festas de casamento e recepções de eventos sociais? Era assim que o talento fabuloso desse homem dava os seus primeiros passos. A sua vida profissional começou aos dezesseis anos na QUESTION MARK AND THE MYSTERIANS, logo depois foi chamado para formar o Power Trio GRAND FUNK RAILROAD. Já no primeiro álbum a banda impressionava pela energia, mas depois de um grande estudo o baixista conseguiu extrair do seu instrumento um som único marcado pela potência e distorção. Tais experimentos renderam alguns alto-falantes estourados e isso contribuiu para a colaboração da ‘West Amplifiers’ que passou a construir modelos exclusivos para SCHACHER. O “poder de destruição” pode ser conferido logo no segundo álbum, “Grand Funk” de 1969. MEL SCHACHER ainda continua na banda fazendo shows ao lado de outro membro original, DON BREWER (bateria), MAX CARL – vocal (ex – 38 ESPECIAL), BRUCE KULICK – guitarra (ex – KISS) e TIMOTHY “TIM” CASHION – teclados.

Para se tocar em um ‘Power Trio’, seus integrantes tem que suar bem a camisa para que o som não fique tão limitado pela falta de alguns instrumentos, mas como estamos falando de ZZ TOP essa preocupação é praticamente nula principalmente quando na “cozinha” está o ‘Showman’ DUSTY HILL. Nos anos de 1960 DUSTY junto com seu irmão ROCK HILL formaram uma banda de ‘Chicago Blues’ que tinha como baterista FRANK BEARD, depois ele saiu para se juntar a BILLY GIBBONS onde também chamou o baixista HILL e o resto todo mundo já sabe. DUSTY tem uma pegada forte no baixo que oscila entre o harmônico e o rítmico usando de grandes coreografias. É um daqueles baixistas que passa segurança para o grupo e que não se limita em apenas tocar, mas também cantar e animar a festa em qualquer palco. A banda é uma das poucas no mundo que mantém a formação original, e olha que já passam dos quarenta anos de atividade.

Ninguém pode falar de grandes baixistas sem citar GENE “THE DEMON” SIMMONS. O “caretão” baixista/vocalista do KISS antes de entrar para o mundo da música dava aulas de inglês. Ele primeiro aprendeu a tocar guitarra, mas viu que o mundo estava cheio de guitarristas então resolveu partir para o baixo. Depois da banda atingir grandioso sucesso ele ainda deu uma “forcinha extra” para o surgimento de outras como VAN HALLEN e CINDERELLA. SIMMONS é um perfeito ‘workaholic’, tendo várias atividades profissionais no meio artístico e proprietário de um selo, ‘Simmons Record’ assim como sua própria revista, ‘Gene Simmons Tongue Magazine’. Seu estilo de tocar é agressivo fazendo seu baixo “sofrer” de tantos socos que leva, sua performance é melhor destacada nas músicas “Rock and Roll All Nite”, “Shout it Out Loud”, “Calling Dr. Love”, “War Machine” e outras. Seus instrumentos preferidos são: ‘BC RICH Punisher signature’ (raríssimo, ele comprou os direitos de fabricação e só existem alguns poucos modelos originais pelo mundo) e o ‘Axe Bass’, o famoso “machado”.

Talvez um dos mais simples e geniais baixistas da história esteja representado na figura de DEE DEE RAMONE, isso se olharmos pelo lado de que ele não sabia tocar “absolutamente nada”. Tentou algumas aulas de guitarra na adolescência, mas esfaqueou o seu professor durante uma briga, depois saído de casa se juntou a alguns amigos e formou o RAMONES, DEE DEE foi o primeiro a usar o sobrenome artístico RAMONE, pois ele já o acompanhava muito antes do grupo surgir. A importância desse baixista para o ‘Rock ‘n’ Roll foi a criação de um novo estilo que depois veio a se chamar ‘Punk Rock’. De maneira muito espontânea o baixo não assumiria mais o posto de marcador, mas sim de instrumento de frente fazendo a guitarra e a bateria seguir o seu ritmo, e o mais brilhante é que tudo era feito com duas ou três notas. Nos anos de 1980 ele resolveu se aventurar pelo mundo do ‘RAP’ e até gravou um álbum com o nome DEE DEE KING. Voltando ao ‘Rock’ nos anos de 1990 fez parte de inúmeros projetos e ainda subiu no palco com o RAMONES para fazer algumas participações. Onze dias depois de receber a premiação do ‘Rock and Roll of Fame’ em 2002, o seu corpo foi encontrado na sua casa em Hollywood, morto por overdose de morfina.

Veja a primeira parte desta matéria no link abaixo:

Bass Hero: "o quem é quem nas quatro cordas", parte 1

A terceira e última parte pode ser vista a seguir:

Bass Hero: "o quem é quem nas quatro cordas", parte final

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Sobre Leonardo M. Brauna

Leonardo M. Brauna é cearense de Maracanaú e desde 1989 vive à cultura e ideologia do Metal Pesado sendo fã ardoroso do Classic Rock ao Death Metal. A sua dedicação se define na constante busca por boas novidades e tesouros ainda obscuros.

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