Masterplan: uma banda ou um projeto paralelo?

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Masterplan: uma banda ou um projeto paralelo?

Por André K | Fonte: Masterplan Official Website

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Como se sabe, a história do MASTERPLAN começa com a “demissão” do guitarrista Roland Grapow e do baterista Uli Kusch da lendária banda germânica HELLOWEEN. Os motivos alegados pelas partes envolvidas variam entre os extremos “falta de comprometimento” e “excesso de influência”. Em todo caso, certeiro é recorrer ao mais tradicional dos motivos: “diferenças musicais”.

Sem entrar efetivamente no mérito da questão, o que se pode afirmar com precisão é que, ao final de 2001, Roland e Uli estavam completamente livres para realizar a ideia conjunta de um projeto paralelo contando com os vocais de Russell Allen, do SYMPHONY X. E mais, agora sem o compromisso com o HELLOWEEN, a ideia de projeto paralelo poderia se transformar em um “plano mestre” (o nome do grupo, MASTERPLAN, foi sugerido por um fã mexicano através de uma enquete feita pela internet. Por algum tempo, o grupo havia adotado o nome MR. TORTURE – música composta por Uli para o álbum “The Dark Ride”, o último deles com sua antiga banda).

Banda de verdade por banda de verdade (e não mais um compromisso esporádico), Russell Allen optou por continuar com o SYMPHONY X. A opção se voltou então para um velho conhecido de Roland, dos tempos de HELLOWEEN: o aclamado Michael Kiske. Acontece que, àquela época, Kiske ainda não cogitava se envolver novamente com a rotina de uma banda de metal, embora já flertasse com essa volta através de participações especiais em alguns álbuns do gênero (volta que mais tarde viria a se concretizar com o UNISONIC).

Foi então que o futuro da banda foi definitivamente alterado. A “terceira opção” recaía sobre um desconhecido do grande público brasileiro, mas com uma já vasta carreira no cenário europeu, o norueguês Jorn Lande. No currículo, Jorn possuía passagens por bandas como THE SNAKES (com os ex-membros do WHITESNAKE, Bernie Marsden e Micky Moody), ARK (com o ex-TNT, John Macaluso), MILLENIUM, apresentações ao vivo com YNGWIE MALMSTEEN, dois álbuns solo e algumas participações em outras bandas e com outros artistas.

A decisão não poderia ter sido mais acertada. Em seus trabalhos anteriores, Jorn já havia revelado o DNA de sua voz, que remetia o ouvinte diretamente a duas referências clássicas da cena: David Coverdale e Ronnie James Dio. Restava assim, a Roland e Uli, recrutar um baixista e um tecladista para completar o line-up do grupo. Os escolhidos foram, respectivamente, Jan S. Eckert (ex-IRON SAVIOR) e Janne Wirman (CHILDREN OF BODOM). A partir daí era gravar um álbum, divulga-lo e sair em turnê.

Em janeiro de 2003, a banda lança seu primeiro registro oficial: o homônimo “Masterplan”. Produzido por Andy Sneap e com algumas participações especiais (Michael Kiske canta em uma faixa que teria sido composta para os seus vocais, “Heroes”), o álbum ganhou total aceitação de público e crítica especializados. Misturando componentes consagrados do metal melódico, com arranjos mais modernos e “pitadas” do rock clássico, esse álbum viria a se tornar uma referência do estilo. Com resenhas extremamente positivas e participação confirmada em diversos festivais, esse poderia ser o marco inicial de uma longa e bem sucedida carreira.

No entanto, apesar da aparente boa fundação, é exatamente aqui que as desventuras do MASTERPLAN começam a emergir. O tecladista Janne Wirman havia sido substituído por Axel Mackenrott (colaborador de Uli Kusch em um tributo ao RAINBOW, CATCH THE RAINBOW) antes mesmo de o álbum ser lançado. Não se sabe ao certo, mas tudo indica que Janne não seguiu com a banda em função de seus compromissos com o CHILDREN OF BODOM.

Dois anos mais tarde, em janeiro de 2005, chegava ao mundo “Aeronautics”. O segundo e ótimo álbum do MASTERPLAN (mais melódico e um pouco menos experimental do que o primeiro) anunciava “voos mais altos” para o grupo. Mas, desta vez, duas mudanças brutais aconteceriam após a tour de divulgação: Jorn Lande e Uli Kusch estavam fora. O primeiro, por “diferenças musicais” (Jorn queria um direcionamento mais direto, menos progressivo); o segundo, de acordo com Roland, por diferenças mais sérias (leia-se: negócios, dinheiro etc.).

O baque havia sido grande. Não seria fácil substituir à altura, músicos e compositores do calibre de Jorn e Uli (embora este tenha saído e deixado algumas músicas já compostas para outro álbum). Em 2007, foram escolhidos Mike DiMeo (ex-RIOT) para o vocais e Mike Terrana (ex-um bocado de bandas/projetos) para a bateria. Os músicos escolhidos eram reconhecidamente bons, mas isso seria suficiente para retomar o legado da banda e seguir adiante para os tais “voos mais altos”?

O que se tem a seguir é um bom álbum: “MK II” (menos pela entrada de dois “Mikes” no time, mais pela referência à mudança de formação, bem ao estilo DEEP PURPLE). Seguindo a direção do álbum anterior, mas inferior a este, segundo a maioria dos fãs, sua turnê de divulgação revela certa desmotivação no ar. Alguns vídeos no YouTube mostram um DiMeo pouco entusiasmado, esquecendo e errando letras por diversas vezes. Roland, evidentemente, não estava satisfeito e DiMeo, literalmente, pediu para sair.

A esta altura já se sabia que não seria fácil substituir Jorn Lande. Após a sua saída do MASTERPLAN, Jorn aproveitou a explosão de sua reputação e gravou uma série de álbuns solo, participou de diversos outros projetos musicais (incluindo uma “batalha” de vozes com Russell Allen no projeto capitaneado por Magnus Karlsson, ALLEN – LANDE) e se consolidou como um dos maiores vocalistas da atualidade. Após tudo isso, a questão que se colocava agora não era sobre quem poderia substitui-lo, mas, sim, se alguém poderia fazê-lo.

Roland optou pelo caminho mais óbvio. Aliás, teria sido o próprio Jorn a ligar para Roland e dizer que tinha algumas letras e ideias que se encaixavam no som do MASTERPLAN. Como a sua saída da banda havia sido amigável, o caminho para o retorno estava consolidado. Para a alegria dos fãs, Jorn estava de volta. Mas, pelos fóruns de discussão sobre a banda mundo a fora, todos se perguntavam sobre o que realmente significaria esse retorno. A banda partiria para o som mais direto que Jorn desejava ou ele haveria repensado seu ponto de vista e aceitado o caminho mais progressivo de outrora? O MASTERPLAN seria novamente a sua banda principal ou ele apenas dedicaria algum de seu escasso tempo disponível em sua lotada agenda de compromissos musicais?

Com um sugestivo nome, “Time To Be King” foi lançado no início de 2010 e mais rápido do que todos os fãs pudessem imaginar as perguntas começariam a ser respondidas. Possuindo um direcionamento musical que o situaria no meio do caminho entre “Aeronautics” e “MK II”, o álbum que marcou o retorno de Jorn à banda era indubitavelmente bom, mas carecia do impacto esperado para um registro do MASTERPLAN com ele nos vocais (a expectativa era de algo nos moldes do primeiro álbum da banda). A impressão era a de que “Time To Be King” havia sido feito meio que “às pressas”. Um clipe. E nenhum plano para apresentações ao vivo. Tão logo as primeiras entrevistas começassem a surgir, Jorn demonstraria sua insatisfação com o resultado final do álbum e com sua estratégia (ou falta) de divulgação.

Após um longo hiato sem notícias e atualizações relevantes sobre a banda, com somente alguns comentários na linha de que “estamos nos dedicando a outros projetos” e “pensamos em fazer shows e lançar um DVD no futuro”, eis que, entre 2011 e 2012, as primeiras pistas começariam a aparecer no site do grupo. “Roland e Axel estão escrevendo canções”. “15 canções já escritas”. “Álbum previsto para o início de 2013”. Em meio a tudo isso, a primeira confirmação de mudança na banda: o baterista Martin “Marthus” Skaroupka (CRADLE OF FILTH) estava oficializado para o novo álbum.

Até aqui, tudo parcialmente resolvido. Apesar de sua técnica e experiência inquestionáveis, Mike Terrana não havia preenchido os corações e ouvidos dos fãs da banda, saudosos ainda do talento e criatividade de Uli Kusch. É provável que os inúmeros projetos paralelos de Mike nunca tenham feito do MASTERPLAN sua verdadeira prioridade. Como a volta de Uli fora praticamente descartada por Roland, eles chegaram até Martin (nas palavras do próprio Roland, um baterista e compositor no nível de Kusch. Será?).

Meses depois, e com ares de suspense, mais uma notícia surge no site: “nova formação anunciada em breve”. Foi a deixa para que todos começassem a desconfiar do que, a essa altura, já parecia evidente. Jorn estava fora mais uma vez. Em dias, a banda anunciava oficialmente não um, mas dois novos integrantes: Jari Kainulainen (ex-STRATOVARIUS, KOTIPELTO e SYMFONIA) no baixo e Rick Altzi (AT VANCE, SANDALINAS, THUNDERSTONE, HERMAN FRANK, entre outros) nos vocais.

Jorn Lande e, além dele, Jan S. Eckert não estavam mais com o MASTERPLAN. Sobre Jan é difícil dizer. Apesar de carismático, sua participação nunca foi das mais ativas nas composições do grupo. Apesar de original, seu contra baixo em formato de peixe nunca seria lembrado como algo essencial ao som da banda. Mesmo assim, o cara estava lá desde o início. Era um dos membros da formação original. Por algum motivo, que nem sequer podemos especular, ele saiu. Sem mais, nem menos. Já sobre Jorn, a razão parece estar mais clara: sua carreira se tornou grande demais. Sua voz e presença são frequentemente requisitadas por diversas bandas e artistas influentes no meio (reza a lenda que, após a morte de Dio, caso Ozzy não houvesse aceitado a reunião com o BLACK SABBATH, Jorn é quem seria escalado para gravar um álbum e sair em turnê com os remanescentes do HEAVEN & HELL). Ademais, Jorn parece ter encontrado na rock opera de Tobias Sammet, AVANTASIA, o que ele não havia obtido integralmente com o MASTERPLAN: ampla divulgação e turnês extensivas ao redor do mundo. Isso, claro, sem desocupa-lo de sua atualmente prioritária carreira solo (de uns anos para cá, em gradual declínio criativo).

Ao leitor que nos acompanhou até aqui, resta então refletir sobre os dois novos integrantes e os indícios que suas escolhas podem representar. Jari recentemente esteve envolvido em um projeto (SYMFONIA) que reuniu ex-membros das consagradas bandas STRATOVARIUS, ANGRA e HELLOWEEN, Uli Kusch incluído. Aparentemente, o projeto não decolou. O MASTERPLAN seria uma chance para se firmar em uma banda fixa novamente? Talvez. Mas, o que mais impressiona é a escolha de Rick Altzi. Menos por suas habilidades vocais. Ao contrário. Rick passou a ser reconhecido no meio exatamente por cantar influenciado por... Jorn Lande! Algo que ele, aliás, menciona abertamente. Particularmente, acho que seu timbre se assemelha mais ao de Jeff Scott Soto, mais “rasgado” e agressivo. Gosto do seu vocal, mas considero suas interpretações algumas vezes enjoativas, não muito criativas (cantar em composições inspiradas de Roland Grapow, por exemplo, pode alterar essa minha percepção). Enfim, a escolha surpreende exatamente por Rick ter trilhado um caminho muito semelhante ao que Jorn trilhou antes e depois do MASTERPLAN: participações em diversos projetos e bandas simultaneamente. E o que isso implica? Vamos às indagações.

Roland mencionou que era hora de o MASTERPLAN voltar com “força total”. Gravar um álbum e sair em turnê pelo mundo. E que com a nova formação isso seria finalmente possível. Mas pensemos, por exemplo, na situação do baterista Martin Skaroupka (que lembra muito a de Janne Wirman, lá no primeiro álbum do grupo, no início desta matéria). Em principio, Skaroupka não saiu do CRADLE OF FILTH. Isso quer dizer que ele, em determinado momento, terá de conciliar agendas. Será isso possível? Qual foi mesmo o motivo para a saída do baterista anterior, Mike Terrana? Mike e Roland são amigos, portanto teria sido o excesso de compromissos de Terrana? Como nada foi dito a respeito, esta é a hipótese que com mais probabilidade podemos especular. Além disso, o anúncio e as declarações dão conta de que Skaroupka foi recrutado para o novo álbum. Nada confirma que há compromissos entre ele e a banda para o futuro, além de alguns shows já acertados. Com Jari e Rick, parece acontecer algo um pouco diferente, pois ambos foram anunciados com status de membros efetivos da banda.

Tudo indica que Roland está atendendo, na medida do possível, aos anseios dos fãs: novo álbum, apresentações ao vivo e, não podendo contar com os membros originais, ter na atual formação integrantes ao menos com características semelhantes. É claro que é sempre legal quando um artista pensa no seu público. Mas não é essencialmente disso que se trata a indústria da música. Como disse Paul Stanley em sua recente passagem com o KISS pelo Brasil: “se você está na música e não está preocupado com o dinheiro, alguém está fazendo isso em seu lugar”. Estaria o futuro do MASTERPLAN, portanto, intimamente condicionado ao sucesso do álbum e de sua tour de divulgação? E caso isso não aconteça, cada um de seus integrantes se voltaria sem maiores impedimentos aos diversos projetos paralelos em que estão frequentemente envolvidos (é sabido que o próprio Roland tem dedicado muito de seu tempo à produção de outras bandas em seu estúdio) e esperariam para ver o que o futuro os reserva?

Devemos levar em consideração essa tese. Uma das melhores bandas surgidas nos anos 2000, sem nenhum registro ruim sequer, e que em um intervalo de 10 anos já teve cinco diferentes formações, preservando apenas um de seus membros fundadores, retornaria ao seu princípio original, quando seus dois idealizadores ainda estavam ocupados com sua antiga banda principal. Ser um projeto paralelo. E, nesse caso, tornar-se-ia o que efetivamente foi concebida para ser: não um plano mestre, mas um segundo plano em uma parte do tempo. Resta a nós fãs, aceitarmos essa possível condição. Sem maiores expectativas. Sem grandes ilusões. No fim das contas, precisamos de músicos talentosos como eles na ativa. Ótimo, portanto, que o MASTERPLAN esteja “reativado”. Seja como for. Como banda ou como projeto paralelo.

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