Bass Hero: "o quem é quem nas quatro cordas", parte 1

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Bass Hero: "o quem é quem nas quatro cordas", parte 1


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O contra baixo é um instrumento que integra a chamada “cozinha” de uma banda, ele tem suas origens lá na idade média quando era um gigante de três cordas friccionadas por um arco. A função desse instrumento harmônico é servir de base para o compasso da música eliminando todas as lacunas que puderem surgir na execução da mesma, mas com o surgimento de ritmos como o Jazz, Soul, Funk, Reggae, Blues e outras associações esse “tímido” instrumento foi ganhando mais importância passando a ser um item fundamental para a construção desses estilos. Do harmônico o baixo também conquistou funções rítmicas. No Rock a partir dos anos de 1960 o instrumento ícone tem sido a guitarra, mas quando o baixista se destaca a banda passa a ter uma identidade com o seu trabalho tomando-o também como referência, é o caso de alguns “Bass Heros” a seguir.

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JOHN ENTWISTLE além de baixista era um grande compositor que teve a sua obra marcada no THE WHO. Certa vez as publicações de Greewich Time e The Ledger o elegeram como o “maior baixista na história do Rock”, sua sonoridade era bastante agressiva pelas pegadas de suas linhas pentatônicas, e também extraia com frequência sons agudos, o que não era muito comum para esse tipo de músico. A sua coleção passava de 200 “peças” das mais diversas marcas. ENTWISTLE que nasceu em Londres, Inglaterra, morreu em Las Vegas no dia 27 de junho de 2002 nas vésperas da turnê americana do THE WHO. O laudo apontou ataque cardíaco induzido pelo uso de cocaína.

Em Liverpool havia quatro garotos que simplesmente conquistaram o mundo com sua banda seja na música ou na televisão em apenas oito anos. Entre eles um de seus líderes era PAUL McCARTNEY. Além de baixista o “Sir” nomeado pela rainha Elizabeth tocava guitarra, piano, bateria e outros instrumentos. Hoje o seu conjunto de atribuições aumentou para empresário, produtor musical, cinematográfico e ativista dos direitos dos animais onde advoga na Grã-Bretanha. A “fera” é considerada como o baixista “canhoto” mais famoso do mundo e o mais rico, no ranque da revista Rolling Stonne de 2008 foi eleito também como o 11º melhor cantor de todos os tempos. Uma de suas melhores performances no baixo está na música “Day Tripper”. Começou sua carreira usando um Höfner 500/1 semi – acústico do modelo de 1961 e outro de 1964. Ele também usou o baixo Rickenbacker nos estúdios em 1966.

Existe um sujeito que apesar de “durão” é um verdadeiro mestre da música, seu nome, JACK BRUCE, nos anos 60 ele tocava no grupo de GRAHAM BOND que tinha o Rhythm and Blues como base. Ainda tocou com JOHN MAYALL e MANFRED MANN antes de conhecer ERIC CLAPTON e formarem o CREAM junto com GINGER BAKER, seu “desafeto” desde os tempos da banda de GRAHAM. O baixista também era notável por sua criação nas músicas sendo o principal compositor do trio ao lado de PETE BROWN que fazia as letras. Revolucionou o modo de tocar baixo elétrico usando as técnicas Full – Toned e Free – Wheeling. Em 2003 descobriu um câncer no fígado e ainda foi transplantado no mesmo ano tendo sua vida quase ceifada pela rejeição do organismo ao novo órgão.

Um dos mais discretos e fabulosos músicos dos anos de 1970, com certeza foi JOHN PAUL JONES, o que lhe faltava nas palavras sobrava-lhe no talento. Ele é um multi - instrumentista que acompanhou o LED ZEPPELIN até o “final” de suas atividades com a morte do baterista JOHN BONHAM em 1980. O baixo é apenas um item de seu trabalho, pois o “homem faceta” toca com maestria outras “ferramentas” como teclados, guitarra, bandolim, harmônica e uma série de instrumentos exóticos de diversas culturas. Entre os seguidores famosos desse mestre estão JOHN DEACON (QUEEN), GEDDY LEE (RUSH), STEVE HARRIS (IRON MAIDEN), FLEA (RED HOT CHILI PEPPERS), GENE SIMMONS (KISS) E KRIST NOVOSELIC (NIRVANA). Atualmente JONES está integrando o projeto “super banda”, THEM CROOKED VULTURES tocando baixo e piano ao lado de JOSH HOMME – vocal, guitarra (QUEENS OF THE STONE AGE) e DAVE GROHL – bateria, percussão, backing vocals (FOO FIGHTERS, ex – NIRVANA).

Parece até que tocar baixo é uma tarefa tão fácil que seus instrumentistas não se contentam em apenas trabalhar as “quatro” cordas, mas procuram executar outros recursos, como também é o caso de JOHN DEACON. Conhecido mundialmente como baixista do QUEEN, DEACON era o mais jovem entre seus colegas, sujeito tímido, mas grande compositor tocava também guitarra base e acústica bem como teclados em muitas das canções, e são dele a autoria dos Hits "You're My Best Friend", "Spread Your Wings", "Back Chat", "I Want to Break Free" e o Single mais vendido nos EUA, “Another One Bites the Dust”. É considerado um dos maiores baixistas do mundo. De 2004 a 2009 o QUEEN se reuniu com PAUL RODGERS (ex – FREE, BAD COMPANY), mas JOHN se negou alegando “não ter graça” a banda sem FREDDIE MERCURY, porém apoiou os ex – companheiros. Hoje ele está aposentado do mundo da música.

Quando uma banda entra num estúdio para gravar e ainda encontra dificuldades em acertar algum encaixe na música, o recinto lhes oferece os serviços de outro profissional, o “músico de estúdio”, esse cara é o que chamamos de “Fodão!”, em geral ele não toca em nenhuma banda por achar que não exista alguma que acompanhe as suas qualidades, por tanto arranjam empregos em estúdios para “salvar a vida” de quem o procura. PETE WAY era um desses músicos, mas ganhou renome mesmo por ser membro fundador da banda UFO. O seu trabalho no baixo impressionava tanto quanto MICHAEL SCHENKER na guitarra, e ao contrário do guitarrista, era muito amigo de todos. A sua performance de palco deixava a todos de queixo caído se tornando um show a parte. Quem o vê tocando “Rock Bottom” e “Doctor Doctor” logo imagina que aquele homem é um “alienígena”. Seus instrumentos preferidos são “Gibson Thunderbird” pelo seu tom mais Hard Rock, “Epiphone Thunderbird” que emite mais graves e já tocou também um “Ibanez Iceman” rosa. PETE está afastado da banda desde 2009 quando vem tratando de um problema no fígado.

O amor pelo som dos ROLLING STONES e THE WHO levou o “adolescente” STEVE PRIEST a entrar para o mundo da música. Seu primeiro baixo foi feito por ele mesmo de forma caseira, mas começou a tocar com bandas locais até conhecer o produtor JOE MEEK e com ele trabalhar em suas produções musicais. Em 1968 recebeu um convite para formar a banda THE SWEET que na época se chamava SWEETSHOP. STEVE foi um músico polêmico, no início dos anos 70 a banda se apresentou no programa de TV “Top of the Pops” com o baixista usando maquiagem rosada nas bochechas e vestindo-se como um “nazista”. O seu estilo de tocar era primoroso, investindo muita força nas cordas dando ao som da banda um “Up” no ritmo, pode-se perceber isso em temas como “Fox on the Run”, “Hard Times”, “Live for Today” e muitas outras. Além das suas peripécias no baixo ele ainda possuía outra peculiaridade, como os vocais extremamente agudos que serviam de apoio em quase todas as canções. Hoje morando nos Estados Unidos ele mantém uma versão americana da banda, a STEVE PRIEST’S SWEET.

PHIL LYNOTT por muito tempo soube explorar o próprio talento como músico, à frente da banda THIN LIZZY o britânico filho de mãe irlandesa e pai guianês não colocava limites em nada que fazia, o seu jeito de tocar baixo com palhetadas quase tão veloz quanto à guitarra deu a música do grupo uma identidade própria que veio a contribuir para o surgimento do movimento NWOBHM no Reino Unido. LYNOTT também era um dos melhores Frontmans de sua época, sempre cativante empolgava a todos com sua movimentação no palco, era o principal letrista e compositor das músicas, resumindo PHIL LYNOTT era “a alma do THIN LIZZY”. O gênio morreu em 4 de janeiro de 1986 vítima de ataque cardíaco proveniente do abuso de drogas, afinal para ele não havia limites.

Nos anos 70 a banda FREE atingiu grande fama pela qualidade de suas músicas, e entre os músicos estava o baixista e compositor ANDY FRASER, ele se juntou ao time de PAUL RODGERS ainda com quinze anos de idade, e antes de tocar baixo já se via seu talento para a música aos cinco tocando piano até os doze, daí então mudou para o violão. Já no FREE ele produziu e escreveu junto com RODJERS o maior hit da banda, “All Right Now” que ficou por meses no topo das paradas de vinte países, inclusive na América. Ele partiu para uma carreira paralela em 1971 formando um trio e saindo FREE em 1972. No ano posterior formou o ANDY FRASER BAND que lançou dois álbuns. Décadas depois o virtuosíssimo baixista num exame de sangue descobriu que tinha Hepatite B e havia contraído o vírus HIV, em entrevista à Classic Rock Magazine ele falou: “Fiz um exame de sangue e o resultado mostrou Hepatite B e HIV. Você congela na hora. Fiquei cinco minutos paralisado e passei a noite sem dormir e chorando. Mas tenho orgulho em ter me recuperado rápido e dito: ‘Ok, tenho menos tempo que imaginava. Hora de estabelecer prioridades, deixar o que não vale a pena de lado’”. Em 2010 o Rock and Roll Hall of Fame Museum o homenageou exibindo em suas salas uma quantidade de baixos personalizados de sua coleção. Também em 2010 ele participou de um documentário que trata da trajetória das bandas mais importantes dos últimos cinqüenta anos.

A primeira parte da lista acaba com o excelente GEDDY LEE, o canadense baixista e vocalista do RUSH é um destaque mundial quando se trata de criação. O seu estilo de tocar é totalmente diferente daquilo que é ensinado na “escola”, pois apenas servir de base harmoniosa para as músicas o parece deixar entediado, por isso ele é um inovador ao tocar solando quase sempre desprezando a marcação. O seu grande parceiro, ALEX LIFESON o ajuda nas composições enquanto o outro “monstro” NEIL PEART se encarrega da maioria das letras. LEE também é considerado um dos melhores contrabaixistas do mundo por sua técnica. O seu estilo às vezes contrastando com a bateria ajuda o seu colega PEART a ser também um dos melhores no seu instrumento, parecendo assim haver um duelo entre os dois. A genialidade de LEE é tanta que ele é um dos poucos músicos que consegue cantar enquanto sola e por vezes ainda comanda um teclado com pedaleiras, tais facetas renderam a ele o apelido de “bruxo” ou “God Lee”. Seus instrumentos no decorrer da carreira vêm sendo um Steinberger série L, Rickenbaker 4001, Wal Pete Stevens Signature, também o próprio é “Signature” da Fender, o Fender Jazz Bass Geddy Lee Model.

Veja a segunda parte desta matéria no link abaixo:

Bass Hero: "o quem é quem nas quatro cordas", parte 2

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Sobre Leonardo M. Brauna

Leonardo M. Brauna é cearense de Maracanaú e desde 1989 vive à cultura e ideologia do Metal Pesado sendo fã ardoroso do Classic Rock ao Death Metal. A sua dedicação se define na constante busca por boas novidades e tesouros ainda obscuros.

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