W.A.S.P. "30 Anos de trovão" é o nome da série de quinze textos que Blackie Lawless está publicando no "Official W.A.S.P. Nation Website" para comemorar o trigésimo aniversário de seu grupo, realizado em setembro de 2012. Todo mês o guitarrista, vocalista, produtor e lider do W.A.S.P. escreve um episódio contando o caminho trilhado por sua banda, uma das mais importantes do mundo do Heavy Metal. No Brasil, W.A.S.P. "30 Years of Thunder" é traduzido EXCLUSIVAMENTE por Willba Dissidente e publicado primeiramente no Whiplash.net.

W.A.S.P. "30 Anos de trovão" - Parte Treze.
"OK, LUKE... É HORA DE ENTRAR NA CAIXA"

Os dois discos "Neon God (álbum duplo conceitual lançado em 2004)" me deixaram um gosto ruim na boca. Existem músicas excelentes em ambos os CDs, porém, em minha tentativa de superar e melhorar o "Crimson Idol", eu acabei por deixar a estória muito comprida e muito complicada. A trama divagava em alguns pontos e a produção do disco foi muito sofrida. Houve momentos em que eu mesmo estava me perdendo no enredo que criei. Então, quando veio a hora de fazer o próximo disco, eu disse a mim mesmo que NÃO IMPORTA O QUE ACONTEÇA, eu iria RELAXAR e rolasse o que rolasse era assim que o CD sairia... bom ou ruim!!!
Me recusei a me destroçar para criar um disco. Surpreendentemente, por causa de minha mentalidade, foi fácil compor o próximo álbum. Engraçado como algumas vezes, quando você está acabado, algo se torna fácil de fazer. Foram esses os acontecimentos que levaram ao que ficaria conhecido como "Dominator". (Mike) Duda e eu éramos agora o núcleo da banda. Nós conhecemos Mike Dupke (o baterista) por Mark Zavon, guitarrista do grupo KILL DEVIL HILL. Nós ensaiamos com Mike e o primeiro som que quis ouvir ele levar foi "The Real Me". Nós testamos vários bateristas, muitos dos quais hoje tocam em bandas grandes, mas nenhum conseguiu levar bem esse som, que tem um nível de dificuldade elevado e não são muitos os que o tocam. Nós observamos Mike cuidadosamente aquela noite e eu sabia, nos primeiros dois minutos, que ele era o cara certo pra gente. Enquanto seção rítmica, ele e Duda são perfeitos um para o outro, tanto musical, quanto pessoalmente.

Mikey, como nós o chamamos, tem formação em música. Propriamente treinado e estudado não somente em bateria, mas em muitas variações clássicas de música. Desde Frankie (Banali, do QUIET RIOT) que eu não trabalhava com um baterista que tivesse esse nível de entendimento e compreensão; não só de bateria, mas de música em geral. Suas contribuições se tornariam inestimáveis nos discos que iríamos fazer. Após o teste, eu o perguntei se ele tinha emprego ou qualquer coisa que pudesse o impedir de embarcar em tour conosco. Ele respondeu "bem, eu tenho uma porcaria de emprego diurno agora". Eu disse "Essa sexta-feira será o seu último dia de serviço"!!

Então, eu fui averiguar se Doug (Blair) estava disponível. Como muitos de vocês sabem, ele fez a tour mundial do 'Crimson Idol' conosco em 1992. De todos guitarristas que conheço, Doug tem um dos melhores sensos de melodias. Ele também é um bom cantor, então isso é suficiente para lhe proporcionar a capacidade de construir leads melódicos (no sentido de melodia, não confundir com Metal melódico) e memoráveis. Eu perguntei a David Gilmore, já que ele é um dos meus guitarristas favoritos, como ele constrói seus leads melódicos. Ele respondeu "Eu sou um cantor, eu penso como cantor, então a guitarra, nesse sentido, é uma verdadeira extensão de minha voz". Fez todo sentido para mim!!
Se você ouvir nos discos os leads que Doug tocou em "Dominator" e "Babylon", eu digo que não há outro guitarrista no nosso gênero de música que conseguiria performances como essas.

Como vocês provavelmente sabem, Mike Duda está no W.A.S.P. há mais tempo que qualquer um, exceto por eu mesmo. Há uma razão para isso. Quando ele entrou na banda foi principalmente pela sua performance de palco e sua maestria no baixo. Para a maioria dos músicos, a gravação de estúdio é um desafio completamente animalesco: eles são ótimos ao vivo, mas não conseguem desenvolver um senso deles de identidade no estúdio. Em boas palavras, encontrar seu estilo verdadeiro, algo que os faça unicamente únicos. Eu mesmo levei para chegar nesse ponto. Ninguém, e eu quero dizer NINGUÉM, precisa dizer ao ao Duda como tocar ao vivo... ele é natural!!
Mas, assim como eu, levou um tempo para Duda se encontrar no estúdio. Ele amadureceu nas gravações e agora está na categoria de melhores pessoas para se gravar hoje. Ainda ele tem um dom de ser capaz de me dizer imediatamente se alguma ideia que eu tive para uma música é boa ou não. Ele sabe instintivamente!! Sendo honesto, quando gravamos atualmente, eu - ocasionalmente - vou no estúdio ver o que ele está fazendo, mas basicamente o deixo sozinho, porque eu sei que ele faz o que quer. Isso faz a vida muito mais simples para mim!!!
Agora que eu os disse como eles são fabulosos (e todos são incríveis) ... vamos para o "Dominator".
Se você ler com atenção o que escrevi aqui sobre esses caras como músicos será facil de notar. ESSA É UMA BANDA DE VERDADE. Grupo completo com cada um com suas idéias de como construir suas partes da música. Eu digo, sem dúvidas, que nem "Dominator" ou "Babylon" estariam perto de ser os discos que são sem as contribuições de cada um de nós. Nunca na minha carreira isso aconteceu antes... NUNCA!!!
Uma coisa que você vai notar no "Dominator", vendo as entrelinhas, é que nós demos um agradecimento especial para a "Caixa de Luke". Eu tenho certeza que muitos de vocês se perguntam há anos o que é a "Caixa de Luke". Nós estávamos gravando o disco num depósito abandonado na propriedade que eu vivia na época. Foi no verão de 2006 e passávamos por uma onda de calor no Sul da Califórnia. O depósito NÃO TINHA ar condicionado e estava indubitavelmente quente no "forno de aço" em que gravávamos o disco.
Para piorar a situação, eu tive de ser isolado da banda enquanto eu fazia os vocais, para não haver vazamento de som nas faixas de voz. Isso quer dizer que nós fizemos uma caixa dentro da outra caixa. Adivinhe quem estava nessa caixa menor... isso mesmo... EU!!!! Há um velho filme estrelado pelo Paul Newman chamado "Cool Hand Luke" (conhecido no Brasil como Rebeldia Indomável, lançado em 1967). A trama aborda um velho acampamento prisão na Flórida dos anos 60. Quando algum dos prisioneiros se comportava mal, as autoridades os colocam "na caixa". Paul Newman é o Luke. Ele é colocado na "caixa" tantas vezes que seus companheiros de prisão começam a chamá-la de "a caixa de Luke".
Era assim que eu me sentia cada vez que tinha de ir para aquele buraco INFERNAL e começar a cantar. "Quente" nem chega perto descrever!! Era o SOFRIMENTO absoluto!! Depois de 05 minutos "na caixa" eu saia completamente suado, da cabeça ao dedão do pé!! Dai o nome "A Caixa de Luke".
É engraçado agora. Eu fui de 'ensaiar num freezer de carne do frigorífico em 1982' (ver as primeiras edições) para 'cantar num forno de pizza'. Algo de meio termo nisso teria sido agradável!!!
No fim de tudo, esse foi um dos momentos mais divertidos da minha vida...oh, e o disco acabou saindo bem legal também!!!
E da BANDA, eu digo aqui e agora, sem o menor medo de errar, é uma das melhores bandas do mundo... PONTO FINAL!!!
Mais mês que vêm.
B. L.
Nota: o texto deste mês, que deveria ser publicado no site oficial ao fim de setembro, só sai no começo de outubro, causando atraso na tradução desta edição.
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