Cópia Infiel: Ato 1: Raul Seixas e o Dolo de Ouro

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Cópia Infiel: Ato 1: Raul Seixas e o Dolo de Ouro


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“Querer o meu não é roubar o seu / pois o que eu quero é só em função de eu” – Raul Seixas / Cláudio Roberto / Marcelo Motta em “Novo Aeon

Antes de qualquer coisa, e que os seguidores da Igreja Jesus Seixas dos Santos do Penúltima Dia comecem a espernear, quero deixar uma coisa bem clara: conheci o trabalho de Raul Seixas ainda no inicio dos anos 1970, com seu primeiro disco ("Krig-Ha Bandolo") e comprei todos os seus discos subsequentes. Fui a dezenas de "shows" dele, inclusive na estréia de "O Dia Em Que A Terra Parou", com um Raul Seixas trajado de roupas brancas, cabelos curtos e sem barba esquecendo a letra da música titulo e dormindo bêbado ao meu lado depois de ter dado lugar ao microfone a alguém da platéia. Escutei milhares de vezes suas músicas, tinha, e ainda tenho, "Tente Outra Vez" como uma das melhores músicas da história da música do Brasil. Até a história do nome do meu filho, que tem o nome de Raul não por causa dele, mas de uma estranha coincidência que rolou no lançamento do disco do Estúdio Eldorado em 1983. Fiquei sim, muito chocado com sua morte em 1989 e não fui ao velório em São Paulo porque não consegui licença no trabalho. Depois disso, escrevi vários textos que eram verdadeiras odes a Raul Seixas, e que continuam publicados em meu portal. Mas o que é necessário a um ser humano, segundo até mesmo o que o próprio Raul pregava, é a evolução do pensamento e por conseguinte das atitudes, de uma pessoa. A tendência natural de um ser humano é buscar novas informações, introjectá-las e processa-las, tornando-se assim um ser melhor, mais sábio e mais digno. O que ele chamava de “Metamorfose Ambulante”, tão repetida pelos fãs, mas tão pouco entendida. Na maior parte das vezes a letra é mal interpretada, transformada em hino de pessoas que não tem opinião própria, mudando-a de acordo com qualquer circunstância social e moral, o que é absolutamente diferente.

"Você é forte, faz o que deseja e quer / Mas se assusta com o que eu faço, isso eu já posso ver / foi com isso, justamente, que eu vi / Maravilhoso, aprendi que eu sou mais forte que você." – Raul Seixas/Paulo Coelho

Mas o fato é que Raul Seixas morreu sozinho, na merda e, segundo escritos dele publicados depois de sua morte, implorando por uma amada companheira que não queria por perto aquele homem decadente e doente. Raul morreu só, sem dinheiro e abandonado por todos. Ganhou muita grana e gastou tanto ou mais do que ganhou. Birita e outras coisas. Antes disso foi preso por estar tão embriagado num show que não foi reconhecido pelos próprios fãs que causaram tumulto. Ou seja, apenas um ser humano de carne, osso e sangue, que tinha problemas na vida como qualquer, mas que transformava, como bom artista, seus problemas, suas experiências e principalmente suas dores, em arte, em música. Não um messias, um deus. Apenas Raul Santos Seixas.

“Ah, mas que sujeito chato sou eu / Que não acha nada engraçado / Macaco, praia, carro, jornal, tobogã / Eu acho tudo isso um saco.” – Raul Seixas/

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O que se sucedeu após sua morte foi a criação de um mito que aparentemente Raul não queria ser. E seu nome passou a representar dinheiro em muitos cofres e, principalmente, representar o ídolo, um mito, quase um deus. Menos por seu trabalho musical e muito mais pela irresponsabilidade dele em relação a si próprio e a seus espectadores, que o tinham sempre embriagado, esquecendo letras de músicas. Raul se tornou um mito por ser associado mais à bebida, falta de compromissos, rebeldia gratuita do que propriamente por suas músicas e suas idéias, embora, claro, existam as exceções. E aí é reside decididamente o perigo. Um mito vivo é muito perigoso a si próprio, pois absolutamente ninguém consegue suportar essa pressão sem enlouquecer ou se tornar ditador, um ser gelado com um ego gigantesco, o que é quase a mesma coisa. E essa legião, tanto urbana quanto rural, passou a tentar reproduzir os passos de seu ídolo, transformando-o em mártir, em messias, em guru. Inatacável, intangível, inalienável. Então muito daquilo que o próprio pregava cai por terra. Segue-se o que é de interesse próprio, da barba às bebedeiras, mas muito, muito pouco da filosofia, das idéias. Raul era coerente, tinha sua existência e obra amalgamadas, enfim era autêntico. Mas o que falar de pessoas que não leram um décimo daquilo que ele leu, que não escutaram um décimo do que ele escutou? Que o seguem às cegas, às surdas e às mudas achando legal encher o rabo de vinho barato, deixar a barba crescer e sair por ai gritando em qualquer lugar: "Toca Raul!"??? Pessoas que têm personalidade, identidade e auto-estima tão pequenas que passam a adotar o sobrenome do ídolo. Por um lado querem ser o próprio, mas por outro colocam-se a si mesmo como tão frágeis e inseguros que precisam adotar ser adotadas por um “pai doidão”.

“Você alguma vez se perguntou por que / faz sempre aquelas mesmas coisas sem gostar? / Mas você faz, sem saber por que você faz, / e a vida é curta.” – Raul Seixas/Cláudio Roberto

Fanáticos são perigosos! A bala que estourou a cabeça de John Lennon tinha um nome gravado nela: fanatismo. E são extremamente perigosos porque são cegos a qualquer coisa que não diga respeito ao objeto de seu fanatismo e são capazes de atos violentos para defender o alvo de seu fanatismo, mesmo contra o próprio segundo, certas mentes doentes. E qualquer coisa que ouse atacar tal objeto é alvo de atos violentos de toda natureza. A eles, atacar seu "monstro sagrado" é arrumar briga, encrenca na certa. E eu, que não acredito que existam monstros e em nada que seja sagrado, até continuo a escutar Raul Seixas, mas não o tenho como ídolo, como aliás a ninguém. Apenas a mim mesmo, pois só apenas a si o Homem merecer reverenciar como a um deus. Até mesmo Raul que bebendo em águas turvas de filósofos como Nietzsche e Schopenhauer pregavam. “O que eu como a prato pleno / Bem pode ser o seu veneno.” Mas seus fãs preferem reverenciar um mito, colocar um deus no lugar de um homem e adorá-lo cegamente. Mas “ninguém pode notar / estão muito ocupados pra pensar”.

"Eu já passei por todas as religiões / Filosofias, políticas e lutas /
Aos 11 anos de idade eu já desconfiava / Da verdade absoluta."
- Raul Seixas

O presente preâmbulo é extenso por necessidade de deixar claras as minhas posições com relação à figura de Raul Seixas. O coração do texto não é o que pode entender o leitor mais afoito, que foi direto à lista das músicas que foram plagiadas por Raul Seixas. O coração e a mente por trás deste monólogo é demonstrar o quanto o ser humano é suscetível ao poder não apenas da mídia que lhes impinge o que deseja com a única função de obter lucro, mas também ao poder da própria massa de ignorantes que precisa criar ídolos e mitos para se manter na comodidade do não pensar. E que prefere seguir um ídolo e não ser ele próprio um ser com idéias próprias. Ou seja, um ídolo de si mesmo baseado em suas próprias experiências e dores, não um seguidor das alheias. E não por vaidade, nem por ganância, mas por justificar sua própria existência.

"O plágio é o ato de assinar ou apresentar uma obra intelectual de qualquer natureza (texto, música, obra pictórica, fotografia, obra audiovisual, etc) contendo partes de uma obra que pertença a outra pessoa sem colocar os créditos para o autor original. No acto de plágio, o plagiador apropria-se indevidamente da obra intelectual de outra pessoa, assumindo a autoria da mesma. (...) A origem etimológica da palavra demonstra a conotação de má intenção no ato de plagiar; o termo tem origem do latim plagiu que significa oblíquo, indireto, astucioso. O plágio é considerado antiético (ou mesmo imoral) em várias culturas, e é qualificado como crime de violação de direito autoral em vários países." - Wikipedia

É claro que uma pessoa que escute milhares e milhares de músicas e, sendo músico, no momento em que compõe acabe sofrendo das "influencias" daquilo que escutou. Também é lógico que determinados acordes ou trechos de músicas, permaneçam dentro de seu inconsciente e acabe aparecendo, se diluindo em sua obra. Isso acontece com todas as artes, da música à literatura, passando pela pintura. E a isso é dado o nome de "influência". Plágio é outra coisa, conforme consta na definição acima. Em resumo, plágio é roubo. Quando um artista pega propositalmente músicas inteiras, ou apenas trechos dela e confere a si próprio a autoria está sendo no mínimo mal intencionado. E como é a mais popular das artes, é na música onde se encontra o maior numero de "apropriações indébitas". Existem casos muito conhecidos, como Rod Stewart que plagiou descaradamente Jorge Ben e tomou um processo e os casos clássicos de bandas e artistas como Deep Purple, Led Zeppelin e Rolling Stones, que se apropriaram do trabalho, do suor e da criatividade alheias para ganhar seu dinheiro e fama. Incompetência? Malandragem? Preguiça? ... Acho que todas essas coisas juntas. Uma coisa é a citação com os devidos créditos. Aspas servem em texto para isso, e indicação em capas e selos de discos também. E a outra é pegar a criação alheia, mudar de nome e auferir os lucros.

“Se você acha o que eu digo fascista / Mista, simplista ou anti-socialista / Eu admito, você tá na pista...” – Raul Seixas/Marcelo Motta

No caso do nosso querido amigo Raul Seixas, as coisas pareciam acontecer de uma forma muito estranha, pois além motivos citados, ele tinha veneração pela cultura americana, particularmente dos primeiros ídolos do Rock. Todos sabem que Elvis era grande ídolo de Raul, mas nem por isso, ou talvez por isso mesmo foi um que sofreu nas suas mãos. Mas existiram outros, como The Byrds, Jim Breedlove, Albert King, Bobby Russel e Carl Perkins. Em seu excelente livro "Metamorfose Ambulante" (aliás, esse livro me foi presenteado pelo Sylvio Passos), Mario Lucena conta que Raul Seixas admitia que copiava mesmo e que não se sentia envergonhado com isso. Em algumas, poucas, oportunidade ele dava os devidos créditos, lançando como versão,tal como em “Babilina” que é “Bop-a-Lena” de Ronnie Silfo; e “No No Song” da dupla David P. Jackson / Hoyt Axton gravada por Ringo Starr que virou “Não Quero Mais Andar na Contramão” e “Não Fosse o Cabral”, versão de “Slippi’n & Slidin’n” de Little Richard. A mais conhecida é “Lucy In The Sky With Diamond” dos Beatles que se transformou em: “Você Ainda Pode Sonhar” que saiu inicialmente no disco “Raulzito e Seus Panteras“. E houve também o absurdo caso em que ele se auto-copia, como em “Abre-te Sésamo” e “Um Som Pra Laio”... Em pouquíssimos casos, Raul admitiu ter feito o plágio, como em "Rock das Aranhas", uma música tradicional americana que tinha sido gravada por Jim Breedlove em 1958, e posteriormente por Elvis Presley. Sobre isso ele próprio disse: "Meti a mão! 'Killer Diller' é uma música que adoro, e peguei o arranjo, ficou bonito e ninguém notou!!! ". E uma curiosidade sobre essa música: uma versão de "Rock das Aranhas" é considerada por muitos como a precursora de uma "jóia cultural" chamada "Funk Carioca".

“Cada cabeça é um mundo Gismundo / Antes de ler o livro que o guru lhe deu / Você tem que escrever o seu.” – Raul Seixas

Falando em Elvis, "I Was Born 10.000 Years Ago" acabou sendo traduzida "Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás". A música não é de autoria do “Rei do Rock”, é uma música de domínio publico americana gravada por ele. E esse caso em especial denota uma questão muito mais séria do que aparenta: uma música de domínio público é algo que nasceu das ruas, dos bares, das revoluções e é geralmente uma criação popular e anônima. Enfim, ninguém lucra com isso. É o que o nome próprio titulo demonstra, uma criação de propriedade pública. Então, um esperto chega, pega uma música dessas e coloca seu nome como autor, ganhando com isso... E o absurdo dessa usurpação é que nosso "Cowboy Fora da Lei" nem se preocupou com a regra gramatical na tradução. Em inglês está correto "10.000 Years Ago", mas "10 Mil Anos Atrás" é pleonasmo. Mas a coisa beira ao absurdo quando alguém ainda atesta a idoneidade de uma criação... Que nunca existiu. Há um tempo atrás, num documentário da Globo, a segunda esposa de Raul, Gloria Vaquer, conta sobre o momento em que Raul e Paulo Coelho compuseram "Eu Nasci Há 10 Mil Anos Atrás": "Foi algo singular, mágico, impressionante, amazing. Um falava uma frase e o outro completava, como se estivessem dominados por uma 'entidade'”. Mas será que ela, uma norte-americana fã de Rock, não sabia que "I Was Born About Ten Thousand Years Ago" havia sido gravada e lançada em disco por Elvis em meados 1970 e lançada no mesmo ano, inclusive como subtítulo do disco: “Elvis Country (I'm 10,000 Years Old)”, uns cinco ou seis anos antes da tal inspiração mediúnica da dupla brasileira? Então pergunto, se realmente Gloria relata uma visão correta, o que os dois fizeram ali foi o que? Uma encenação? Ou estavam apenas tirando a música e “adaptando” a letra? Bem provável que seja isso. Paulo Coelho ao ser questionado pela imprensa sobre o assunto, desconversou, mas depois afirmou que Raul prestara tributo a seu ídolo maior. Como se fosse Raul o único responsável pela fraude, atitude bem típica dele, que é dado também a surrupiar textos e histórias alheias. Mesmo assim, admitiu, mas o fato é que a música continua por ai, sem os devidos créditos de autoria. E de Elvis tem ainda "My Baby Left Me", uma co-autoria com Arthur Crudup, que Raul transformou em “A Verdade Sobre a Nostalgia”.

“Você já foi ao espelho, nego? / Não? / Então vá!“ – Raul Seixas

Uma banda que Raul também parecia adorar a ponto de copiar era The Beatles. “Peixuxa” tem a abertura idêntica a “Obladi-oblada”, do White Álbum. “Back in the U.S.S.R." do mesmo disco e "Get Back" foram picotadas e juntas formaram “O Dia da Saudade”. E um outro caso que merece uma historinha: "S.O.S." é uma cópia descarada de "Mr Spaceman" do Byrds e teve uma outra versão, com uma letra um tanto diferente, dois anos antes, em 1972, que tinha o nome de "Objeto Voador", gravado pela dupla jovenguardista Leno e Lilian.

“Eu sou estrela no abismo do espaço / O que eu quero é o que eu penso e o que eu faço. / Onde eu tô não há bicho-papão.” – Raul Seixas/Marcelo Motta

Mas o suprassumo é realmente quando a cópia é de músicas que já eram plágio, como foram os casos de "Loteria de Babilônia" e “Gita”. A primeira tem um final que é um felatio de "How Many More Times" do Led Zeppelin que já tinha sido devidamente boqueteada de "The Hunter", um antigo blues de Albert King. Particularmente não acredito que Raul tenha se baseado na cópia do Led, mas na original, de King. Já "Gita", foi originalmente composta por Bobby Russel com o titulo de "Honey I Miss You" que os Rolling Stones chuparam e chamaram de "No Expectations". Há de se invocar nesse caso o antigo dito popular do "Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão"? Acho que não: Para mim, ladrão que rouba ladrão tem que ir junto pro paredão.

“Não tenho saco para ouvir artista / Comendo alpiste na mesma estação / Cantando regra com o rei na barriga / E só de preguiça não mudou o botão.” - Raul Seixas

Enfim, um artista precisa ser tratado com o total de sua obra e com relação aos seus atos e efeitos causados. Que Raul Seixas foi importante à "linha evolutiva da música popular brasileira", embora cantasse o contrário talvez sendo sarcástico, não há como negar. Que, num determinado momento, quando a ditadura militar comia o couro dos descontentes, ele foi de grande e valiosa importância bradando no limite a favor da liberdade também não. Mas o que não posso aceitar é transformá-lo em algo acima do que realmente foi. Um Homem não pode estar abaixo de ninguém, mas muito menos acima de si próprio. Ou dos outros. O fanatismo é criminoso, como bem nos mostra a história. E concluindo com algo que decerto irá causar provavelmente irá abalar os mais profundos dogmas e aos fiéis, cegos e surdos seguidores da Religião Raulseixista: aquela história do encontro com John Lennon foi uma farsa. Ele nunca passou três dias na casa dos Ono-Lennon e, portanto a história do interesse do Beatle pela Sociedade Alternativa é falsa. Ao que parece Raul teria aprontado essa para além de promover a Sociedade Alternativa e chamar a atenção da imprensa brasileira, mas sustentou essa história até o fim. De fato, com quem realmente Raul esteve foi com Leno, da antiga dupla Leno e Lílian, para quem ele, na época um desconhecido produtor da CBS produziu e participou de um disco chamado “A Vida e a Obra de Johnny McCartney”.

“Eu devia estar contente / Por ter conseguido tudo que eu quis / Mas confesso abestalhado / Que eu estou decepcionado.” – Raul Seixas

Raul Seixas tinha um envolvimento muito grande com as coisas esotéricas e profundo admirador das coisas do bruxo Aleister Crowley. E muitas das citações em letras de músicas dele, particularmente em “Sociedade Alternativa” e “A Lei”, que é quase um remake da primeira, e outras, não saíram de dentro de sua cabeça, mas dos livros da “Besta”. A frase: “Faze o que tu queres, há de ser tudo da Lei”, hino da Contracultura no Brasil e amplamente cantada a plenos pulmões até a atualidade pelos adeptos da Igreja Raulseixista é de autoria de Aleister Crowley. Aliás, muitas de citações dele e principalmente atribuídas a ele que circulam pela Internet não eram de sua autoria. Por exemplo: "Ninguém morre, as pessoas despertam do sonho da vida" é um Provérbio Chinês, "Pare o mundo que eu quero descer" é de uma música de Silvio Brito.. E por aí. Já vi por ai gente usando camisetas com fotos de Raul, com as frases estampadas mais absurdas, que de fato nunca foram pensadas nem ditas por ele. E entra à baila a mesma questão: o fanatismo é cego, surdo... E burro. E embora ele tenha sido um pensador atento, lido grandes filósofos e criado sua própria filosofia, muita gente teima em atribuir a ele pensamentos que nunca foram de sua autoria. E o problema é que muita gente lucra com isso. Aliás, a marca, a grife “Raul Seixas” é muito vendável, rende muita grana aos espertos. Do mesmo jeito que outras grifes famosas, como Che Guevara, Marx e até mesmo Jesus Cristo.

“Eu sou astrólogo / E conheço a história do princípio ao fim.” – Raul Seixas / Paulo Coelho

Enfim, segue uma lista com uma dúzia (doze) músicas que foram total ou parcialmente surrupiadas em suas autorias por Raul Seixas. Algumas são cópias idênticas, outras são apenas trechos, mas nem por isso menos plagio. Ao que sei, tecnicamente, existem um certo numero de compassos, para ser comprovado o plágio. Não sei analisar por esse aspecto, mas estou certo que seja qual for esse numero é bem inferior ao que foi usado nas músicas citadas. E escutem as músicas antes de criticar. E se disserem "Ah, ele fez tudo isso, mas ainda assim é o Rei do Rock, o melhor, era um gênio" e outros adjetivos que denotem falta de discernimento e capacidade de raciocínio próprios, digo o seguinte, primeiro parafraseando uma de suas filhas: "Os fãs de Raul Seixas são muito chatos!" E por fim: "O que eu quero é o que eu penso e o que eu faço / ... / Pois o homem é o exercício que faz". Conhecem o autor, não?! Ao que consta, essa é dele mesmo. Ou não? Afinal é uma parceira com Marcelo Motta e a letra acredita-se que seja deste. Outro fato que há de se levar em consideração. Aliás, seria mesmo de Raul Seixas todos os conceitos explícitos nas suas letras? Paulo Coelho afirma quer eram dele, mas ele não exatamente a pessoa a quem eu daria crédito, afinal, ele é um plágio de qualquer mau escritor que tenha existido. E deixo então uma pergunta no ar: as tão aclamadas letras de Raul Seixas eram dele ou de seus parceiros letristas, como Paulo Coelho, Marcello Motta, Cláudio Roberto, Oscar Rasmussen e outros?

“Sou tão bom ator que finjo ser cantor e compositor e vocês acreditam.” – Frase atribuída a Raul Seixas.

1. The Byrds - "Mr Spaceman" / "S.O.S."

2. Jim Breedlove - "Killer Diller" / "Rock das Aranhas"

3. Peter And Gordon - "Willow Garden" / "A Beira do Pantanal"

4. Elvis Presley - "My Baby Left Me" / "A Verdade Sobre A Nostalgia"

5. Domínio Público (Spiritual) - "Working On The Building" / "Gospel"

6. Elvis Presley - "I Was Born About Ten Thousand Years Ago " / "Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás"

7. Albert King - "The Hunter" / Led Zeppelin - "How Many More Times" / "Loteria da Babilônia"

8. The Beatles - "Back in the U.S.S.R." e "Get Back" /
"O Dia da Saudade"

9. The Beatles - “Obladi, Oblada" / "Peixuxa"

10. Bobby Russel - "Honey I Miss You" / The Rolling Stones - "No Expectations" / "Gita"

11. Simon & Garfunkel - “Bridge Over Troubled Water” / "Ave Maria da Rua"

12. Carl Perkins - “Honey Don't” / "Rock do Diabo"

E não percam: Cópia Infiél – Ato 2 - Deep Purple; Cópia Infiél – Ato 3- Led Zeppelin, afinal eu também tenho o direito de “ser ateu ou de ter fé e até deixar Jesus Sofrer...”

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Sobre Luiz Carlos Barata Cichetto

Sou Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal, do ano da Graça do nascimento de Madonna, Michael Jackson, Bruce Dickinson, Cazuza e Tim Burton. Sou poeta, escritor, produtor e apresentador de Webradio, produtor de eventos e procuro pagar as contas trabalhando com criação de sites. Crescí escutando Beatles, Black Sabbath, Pink Floyd e Led Zeppelin. Participei da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos, deixei de ser poeta e fui tentar ser homem, o que no entender de Bukowiski é bem mais difícil. Escrevo poemas desde que comecei a criar pêlos.... nas mãos. Trabalhei como office-boy, bancário, projetista de brinquedos e analista de qualidade. No final do século XX, acordei certo dia de sonhos intranquilos e, transformado em um ser kafkiano, criei um projeto cultural na Internet nos moldes dos antigos panfletos mimeográficos. Mesmo antes de meu processo de metamorfose, nunca deixei de cometer poemas, contos e crônicas. E embora tenha passado dos três dígitos o numero de textos escritos, nunca ganhei um prêmio literário. Fui apaixonado por Varda de Perdidos no Espaço, Janis Joplin, Grace Slick e Sonja Kristina; casei quatro vezes e tenho dois filhos, Raul e Ian. Atualmente sou também editor, costureiro e colador de livros, num projeto de editora artesanal.

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