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Slash: a guitarra que gentilmente chora

Confesso uma coisa: estou ficando velho e cada dia mais chato. Sabe aquele tipo “não vi e não gostei”: pouco interessado em saber qual o último lançamento de uma banda inglesa de “indie qualquer coisa” ou o ultimo trabalho de uma das “atrações” do último Rock In Rio. Meus assuntos começam em bandas que tenham no mínimo vinte anos e no meu perfil está escrito que eu não dou a mínima para as críticas – ou seja- sou um chato.

Felizmente, muitos de meus ídolos- os sobreviventes, digamos assim- também ficaram velhos e, felizmente, tão relevantes quanto antes. É bom escutar um disco novo do DEEP PURPLE é perceber que a terceira idade tem mais lenha para queimar do que noventa por cento dos “rockers” de hoje em dia- em sua maioria lamentáveis tentativas de dar ao rock n´roll algum caráter de novidade ou inteligência.

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Bom, nessa nostalgia toda, ganhei de presente “Apocalyptic Love”, o último lançamento de SLASH. Depois de ouvir, pensei em escrever uma resenha sobre o disco e desisti. SLASH não precisa de mais resenhas – nem minha e nem de ninguém – não precisa mais lançar discos, não precisa provar nada para seu ninguém.

Como tudo o que ouvi dele por todos esses anos, mais uma vez está confirmada a minha tese: envelhecer não significa nada para alguns dos seres que habitam nesse planeta. Claro que você não vai ouvir ali o guitarrista que gravou “Use Your Illusion”- a questão é essa: SLASH atualiza o som, sabe que está em 2012, mas não perde a mão - sua guitarra ainda chora e soluça como uma recém nascida.

Discípulo de MARC BOLAN e JOE PERRY, o inglês cabeludo é uma esponja no que diz respeito a filtrar o que de melhor o ambiente lhe tem a oferecer: se em 1986 tinha uma aorta punk escancarada, no ano seguinte mostrou o quanto podia ser único, gravando um clássico fora do apelo comercial descartável e vagabundo que permeava o hard daquela época.

Enquanto a maioria de seus contemporâneos insistia em solos estrambólicos, subindo e descendo escalas a quatrocentos por hora, o “mão dura” – alguém lhe chamou assim – criou, junto com IZZY STRADLIN, os riffs definitivos daqueles tempos – “Mr. Browsntone” , “You´re Crazy” e por aí vai – enxertando som quente e malandro da “antiquada” Les Paul plugado a um Marshall – simples e eficiente.

Com o passar dos anos e a introdução de novos elementos à música, SLASH não deixou por menos e tornou os solos requintados de “Estranged” e “November Rain” dignos de reverência eterna. Seja no SNAKEPIT, no VELVET, com MICHAEL JACKSON, CHIC ou com o cacete a quatro, o som está lá- é tão gravado a ferro e fogo como BB KING ou SANTANA.

Bom, como diria MARCELO NOVA- “Eu vi o futuro baby, ele é passado”. Voltarei à minha vitrola agora.

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Sobre Paulo Severo da Costa

Paulo Severo da Costa é ensaísta, professor universitário e doente por rock n´roll. Adora críticas, mas não dá a mínima pra elas.

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