Iron Maiden: o lado escritor de Bruce Dickinson

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Iron Maiden: o lado escritor de Bruce Dickinson


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Hoje em dia não é segredo para ninguém que Bruce Dickinson é hiperativo e, por conta disso, ocupa-se de várias outras funções além de ser o vocalista do Iron Maiden. Além da carreira musical (contando também com ótimos álbuns solos), Bruce é piloto de aviões, já teve seu programa de rádio na BBC de Londres, já foi diretor de marketing, pratica esgrima, é formado em história e, como se não bastasse, escritor. E hoje em dia poucos conhecem essa sua faceta literária, algo que começou meio que ao acaso, durante a turnê de Somewhere In Time (lá pelos idos de 1986/87).

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Nessa época, Bruce encarava a iminência de um divórcio e nem mesmo o cansaço da vida na estrada junto ao Maiden lhe rendiam boas noites de sono. Entre uma noite em claro aqui e ali, ele começa a coletar algumas ideias e esboços sobre um malandro inglês vivendo na Escócia, passando por dificuldades financeiras. Ao mesmo tempo, Bruce vislumbrava escrever um filme sobre o violinista italiano Niccolò Pagannini, numa espécie de ópera-rock que chegou a ser levada em consideração por alguns estúdios cinematográficos na época. Ele chegou a explicar seu fascínio sobre o virtuoso músico: “O filme seria uma espécie de cruzamento entre “Amadeus” e “Tommy”. Paganini era feio que doía, narigudo, corcunda e quase careca. Odiava seu pai que o obrigava a estudar música, teve filhos bastardos, teve seu corpo mudado de lugar várias vezes após sua morte porque as pessoas achavam que ele tinha pacto com o demônio. Ele tirava sons de pássaros de seu violino no meio dos concertos, se vestia de preto como Ritchie Blackmore, tinha mãos grandes e ágeis como Jimi Hendrix...”.

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Porém apenas o entusiasmo do músico não foi o bastante para levar o projeto adiante, e logo ele voltou a se focar em seus manuscritos desconexos, que após serem retomados logo formariam o esboço do primeiro livro de Bruce Dickinson, lançado em 1990: “The Adventures of Lord Iffy Boatrace” (“As aventuras de Lord Iffy Boatrace”). Usando de muito humor negro e ácido, Bruce critica em formato de quadrinhos a aristocracia inglesa. Iffy Boatrace é um caçador de aves que passa por tremendas dificuldades financeiras. Para sair dessa, ele inventa uma reunião de velhos colegas de escola para uma sessão de tiros contra uma espécie de ave que ele garante ser indestrutível – na verdade uma falsa ave que o próprio havia forjado juntando penas a um enorme pudim de farinha com passas (!). E quando seus colegas se reúnem, situações bizarras começam a acontecer, culminando na criação da “maior e melhor máquina de sexo do mundo” por um deles...

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Sim, totalmente nonsense, e como de se esperar, massacrado pela crítica especializada. Mas nada que impedisse o livro de ser um sucesso de vendas na Inglaterra, através dos famintos e fanáticos seguidores do Maiden. Tanto que sua primeira tiragem se esgotou rapidamente, levando a editora a encomendar a Bruce um segundo livro, lançado em 1992 e que levaria o singelo título de “The Missionary Position” (expressão equivalente à posição sexual “papai e mamãe” em português, num trocadilho com a posição de “missionário” a ser assumida pelo personagem principal). Desta vez Bruce abre seu leque e critica as mais variadas classes, como policiais, religiosos, bandas posers e etc. Quanto à história, desta vez Iffy Boatrace vai parar em Los Angeles, após roubar as passagens aéreas de um casal, e como sempre passa por dificuldades financeiras. Agora ele resolve se tornar um evangelizador, seguindo os passos de Jimmy Reptile (sim, a mesma referência ao pastor Jimmy Swaggart utilizada na música “Holy Smoke”, do álbum “No Prayer For The Dying”).

Bem, o tempo passou, Bruce saiu do Maiden e depois voltou, e continuou com suas múltiplas atividades. E em 2001, o ex-integrante do grupo humorístico Monty Python Terry Jones anuncia que o primeiro projeto de sua nova empresa, a Messiah Pictures, seria a filmagem de um roteiro escrito pelo vocalista em conjunto com o diretor Julian Doyle que já havia trabalhado com Bruce nos vídeos de “The Tower” e “Killing Floor”, do álbum “Chemical Wedding”. O projeto foi engavetado, devido a falta de recursos e de interesse de algum grande estúdio em distribui-lo, mas em 2008 a Focus Films reativou o projeto e o levou adiante.

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Embora o filme leve este mesmo nome, a história aqui retrata o professor Haddo (interpretado pelo ator Simon Callow) que recebe o espírito do ocultista Aleister Crowley com o auxílio de uma máquina de realidade virtual, passando então a realizar diversos ritos místicos, buscando encontrar a “noiva escarlate” para realizar o ritual que leva o nome do filme (o “casamento químico” é um antigo ritual realizado pelos Rosa-Cruzes, que visa promover a união física, alquímica e espiritual de dois seres), para assim elevar seus poderes.

E assim como os livros, o filme escrito por Bruce não agradou em nada à crítica, principalmente pelo roteiro confuso, pelas cenas grosseiras e gratuitas (como o professor urinando em seus alunos, ou a cena em que uma mulher é depilada antes de ser sacrificada). E desta vez nem os fãs de Maiden apoiaram o projeto, que foi um fracasso retumbante nas bilheterias – para se ter uma ideia, nos EUA foi lançado direto em DVD, com o título alterado para “Crowley”, e permanece inédito até hoje aqui no Brasil (pelo menos oficialmente, já que pode ser baixado pela internet). Se serve de consolo, a trilha sonora pelo menos é muito boa: desnecessário dizer que conta com canções do Maiden (“The Wicker Man”, “Can I Play With Madness”) e da carreira solo de Bruce (“Chemical Wedding” e “Man Of Sorrows”), além de trechos eruditos de Mozart, Handel e Debussy.

Pois é, não se pode vencer todas. Resta saber se Bruce Dickinson, o incansável, deixou-se abater ou se pretende trazer à luz mais um pouco destas histórias malucas que circulam por sua cabeça...

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Sobre Doctor Robert

Conheceu o rock and roll ao ouvir pela primeira vez Bohemian Rhapsody, lá pelos idos de 1981/82, quando ainda pegava os discos de suas irmãs para ouvir escondido em uma vitrolinha monofônica azul. Quando o Kiss veio ao Brasil em 1983, queria ser Gene Simmons e, algum depois, ao ver o clipe de Jump na TV, queria ser Eddie Van Halen. Hoje é apenas um bom fã de rock, que ouve qualquer coisa que se encaixe entre Beatles e Sepultura, ama sua esposa e juntos têm um cãozinho chamado Bono.

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