Guns N' Roses: O Grande Assalto à MTV - Final

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Guns N' Roses: O Grande Assalto à MTV - Final


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TONY DiSANTO: Quando o Guns N’ Roses começou a pegar fama, nós gravamos entrevistas com eles no Chelsea Hotel, e a energia deles era tão to-pouco-me-fudendo, tão punk rock… quando ‘Use Your Illusion’ saiu, a próxima série de entrevistas foi com Kurt Loder no lindo quintal de Axl em Los Angeles. O cabelo dele estava escovado, os dentes dele estavam perfeitos, e ele parecia um anjo. Eu pensei, “Porra, eles mudaram”.

ANDY MORAHAN: Dois dos artistas favoritos de Axl eram Elton John e George Michael. O que era bizarro. Na verdade, ele odiava a maioria das outras bandas de rock. Se você falasse do Van Halen ou do Nirvana, ele cuspia fogo, mas quando chegava a hora de falar sobre Elton John, ele ficava até com os olhos mareados. Um dos clipes favoritos dele era o de ‘Father Figure’, de George Michael, e ele queria fazer uns clipes enormes, de narrativas épicas.

DOUG GOLDSTEIN: Depois que Axl despediu Alan Niven, eu entrei no escritório de Eddie Rosenblatt e disse, “Vamos fazer um vídeo caro”. E ele disse, “Doug, não entraremos no ramo de vídeos com vocês. Vocês que paguem pelos seus próprios vídeos. Nós vamos adiantar o dinheiro, mas vamos pegar de volta, e daí vocês terão os direitos sobre seus clipes”.

ALAN NIVEN: Os vídeos que foram feitos sob a minha tutela custaram ao todo algo como 500 mil dólares, metade disso foi pra “Paradise City”. Me disseram que custou 1.25 milhões de dólares para filmar “November Rain”, o que pra mim é um absurdo desperdício de dinheiro.

STEVEN ADLER: Eu acho que aquele vídeo teria sido melhor se eu tivesse sido parte dele. Mas eu tinha sido expulso da banda por enfiar o pé na jaca – e a maior ironia nisso é que eu estava enfiando o pé na jaca com os caras da banda.

DOULG GOLDSTEIN: Os vídeos causaram tensão na banda. Axl não aparecia pra gravar por um dia inteiro, e isso dobrava os custos. Ele fez isso em todos os clipes. Todo mundo na banda ficou puto com isso, e Slash foi o único que disse algo.

DAVE GROHL: Quando um músico começa a usar a frase ‘mini-filme’ para descrever um vídeo, ta na hora de parar. Eu gostava de alguns clipes simplesmente porque eles eram um desastre, como “November Rain”.Eu ficava esperando ele passar na TV porque eu não podia fazer outra coisa naqueles nove minutos da minha vida.

DANIEL PEARL: Axl era uma pessoa tão não-confiável como você pudesse imaginar, mas ao mesmo tempo ele era um bom benfeitor. Eu fiz três clipes grandes com Andy Morahan para o Guns N’ Roses – “Don’t Cry”, “November Rain”, e “Estranged” – e cada um deles custou mais de um milhão de dólares. Deus os abençoe.

DOUG GOLDSTEIN: Ah, porra. Pra ser honesto, eu nem sei qual que é um e qual que é outro daqueles clipes do Use Your Illusion, porque eles todos parecem o mesmo vídeo pra mim.

ANDY MORAHAN: Axl tinha escrito uma trilogia de vídeos baseado em uma história escrita pelo amigo dele, Del James. Nós fizemos “Don’t Cry”, o primeiro vídeo. Axl estava passando por terapia de regressão, ele tinha essas crises de depressão e queria dar um tiro na cabeça, e a loucura pessoal dele se tornou parte do enredo do vídeo. Izzy Stradlin tinha deixado a banda, e as rachaduras estavam começando a aparecer – a trilogia foi o modo de Axl dizer, “Eu vou começar a mandar aqui”. Antes de começarmos aqueles vídeos, os ‘Use Your Illusion’ tinham vendido 8 ou 9 milhões de cópias. Depois deles, foram pra 22 milhões.

Se eu quisesse gravar uma cena usando luz natural, eu tinha que manter a banda acordada a noite inteira e gravar logo ao amanhecer. Eles eram como vampiros. Eu tinha separado um dia só pra cena do cemitério. Eu mandei fechar metade do cemitério de Los Angeles, e um cortejo e duzentos extras e quatro máquinas de chuva, e Axl não apareceu até que escurecesse. È por isso que a cena do cemitério é à noite.

PETER BARON: Andy Morahan gravou parte do clipe de “Don’t Cry” no topo do Transamerica Center no centro de Los Angeles. Tínhamos dois helicópteros. Era o caos. Nós nos encrencamos com a cidade porque nós engarrafamos o tráfego totalmente numa noite de sexta-feira.

ANDY MORAHAN: Stephanie Seymour e Axl estavam de chamego no primeiro vídeo. Stephanie não tinha vergonha de se pegar com Axl na minha frente e dizer, “Hey Axl, por que você não trabalha com uns diretores de Hollywood desses bem famosos?” Obrigado, Steph. Eu também te amo.

PETER BARON: Quando a filmagem de “Don’t Cry” finalmente acabou, eu entrei no elevador de carga sozinho para ir até meu carro. E logo quando as portas iam fechar, Axl e Stephanie Seymour entram. E eles começam a se pegar. Eu não vou dizer que ele estava encoxando ela, mas ele estava encoxando ela. Ele simplesmente não se importava que havia alguém mais no elevador. Ele era um astro do rock, e ele estava tendo um momento astro do rock.

DOUG GOLDSTEIN: A relação deles era tumultuada. Axl amava aquela mulher, demais. Eu diria que Stephanie era a parte instável da relação. A primeira vez que eu a vi, ela abriu a porta pelada. Ela diz, “Não, você pode entrar”. Desculpa, eu preciso ir.

ANDY MORAHAN: Nós não conseguíamos decidir o que faríamos com Slash em “November Rain”. Eu disse pra ele, “Não seria legal se você saísse andando da igreja pra um ambiente completamente diferente?” e ele disse, “Sim, vamos pro Novo México e fazer isso”. Então o fizemos. Estranhamente, Anton Corbijn estava no mesmo hotel eu nós no Novo México. Eu já conhecia Anton fazia uma cara, e eu o convidei para a gravação. Depois de cerca de meia hora, ele me disse, “Andy, isso é incrível. Você tem cinco câmeras, gruas, helicóptero, essa equipe enorme. È pro clipe inteiro?” Eu disse, “Não pra cerca de vinte e sete segundos dele”.

Eu tenho recebido ligações da equipe de Sofia Coppola ao longo dos anos pedindo pra comprar o storyboard original de “November Rain”.

Todas as três faixas – “Don’t Cry”, “November Rain”, e “Estranged” – são baladas exageradas. E todos os três vídeos são loucos. Era como Spinal Tap com grana. Eu ainda não sei até hoje porque, em “November Rain”, você só vê metade da cara de Stephanie Seymour no caixão.

DOUG GOLDSTEIN: Axl pulando do petroleiro em “Estranged”, isso deve ser a coisa mais extravagante que eu já vi.

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BILL BENNETT, executivo da indústria musical: Eu recebi uma notificação um dia dizendo que a Sunset Boulevard seria fechada uma tarde inteira para a gravação de um vídeo, e pensei, “Quem caralhos fecharia a Sunset” Guns N’ Roses, pra ‘Estranged “. Os vídeos deles atrasavam, exagerados e caros. A banda era tão grande, eles faziam o que queriam.

ANDY MORAHAN: Quando começamos ‘Estranged’, Axl tinha rompido com Stephanie Seymour, e ele disse”, Eu nunca mais quero uma mulher num clipe de novo. Eu preferiria sair com um golfinho.” E foi por isso que eu coloquei golfinhos pra todo canto no clipe. Eu tenho sido perguntado por estudantes sobre as metáforas das imagens naqueles vídeos, e eu digo”, E eu lá sei dessa porra?”

ANDY MORAHAN: Eu quis chorar quando vi “Teen Spirit”. Eu achei aquilo perfeito. De certo modo, o Guns N’ Roses, eu mesmo, nós nos tornamos os dinossauros, o tipo de artistas que os punk rockers odiavam. Nós tínhamos inchado e ficado indulgentes e meio burros, e daí o Nirvana aconteceu e de repente tudo era grunge e barato, e graças a deus por isso, sabe?

COURTNEY LOVE: Nós estávamos sentados nos bastidores dos VMAs. Todo mundo está nessa grande tenda, e há um canto do Guns N’ Roses e outro do Nirvana. Literalmente, nossos roadies e os roadies deles estão entrando em brigas. Nós ficamos em nosso trailer porque Kurt estava doente, mas ficamos entediados, provavelmente porque não haviam drogas pra se usar, exceto cocaína, e nós não teríamos percebido isso. Então Kurt e eu saímos pro trailer principal com Frances, e Axl Rose vem e ele parece nervoso. Todo mundo estava olhando pra nós. Eu disse algo pra ele, eu não me lembro o quê, e ele disse pro Kurt, “Faz a sua mulher calar a boca ou eu te deito na porrada”. Kurt estava segurando Frances, e em um momento de puro brilhantismo, ele disse pra mim, “Cale a boca, cachorra”, na voz mais cara-de-pau do mundo. A sala inteira riu de Axl. Foi o pior pesadelo freudiano de uma sala inteira rindo de você. Eu sabia que era uma história que eu estaria contando muitos anos depois. Daí, Stephanie Seymour achou que poderia pagar de esperta, e me disse, “Você não é modelo?”. E eu disse, “Não, você não é física nuclear?” Naquele momento, o mundo estava definitivamente do nosso lado.

DOUG GOLDSTEIN: Eu adoraria esclarecer a história sobre Axl e Kurt Cobain. Axl amava a música de Kurt, mas Kurt costumava dizer coisas pouco gentis sobre Axl. E Axl nunca conseguiu entender o porquê.

Então estamos andando juntos, eu e Stephanie e Axl, e do nada, eu ouço essa voz: “É o Asshole Rose. É o Asshole Rose”. Era Courtney. Axl disse, “Vai se fuder”, e continuou andando. Ela disse, “Asshole, o que você está fazendo, Asshole?” E daí finalmente Axl se emputeceu e foi até ela e Kurt e disse, “Olha, se você não fechar a fossa dessa vaca, talvez eu devesse calar a sua”. A provocadora da situação foi Courtney.

AMY FINNERTY: Courtney estava obviamente tentando irritar Axl. Ele disse pra Kurt, “É melhor você cuidar da sua mulher”. E daí Kurt gritou para Courtney, “Mulher! É melhor você me escutar!” No que todos nós rimos. Mas quando Axl foi embora, Kurt disse baixinho, “Na boa, isso foi assustador”.

DAVE GROHL: Aquela foi uma noite bem estranha. Parecia que tínhamos voltado ao ensino médio, e essa foi uma das razões pelas quais eu larguei a escola, pra começar.

AMY FINNERTY: Depois do programa, eu fui pro trailer do Nirvana. Quando cheguei lá, eu vi Duff McKagan e uns outros caras do Guns N’ Roses balançando o trailer pra trás e pra frente, tentando virá-lo. Eles estavam tentando descontar em Kurt por seus comentários. Eu comecei a gritar pra eles, “a neném está aí dentro, a neném está aí dentro!”. Eles pararam, mas ficou feio por um momento.

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Sobre Nacho Belgrande

Nacho Belgrande, 33 anos, residente em Marilia - SP, é professor de inglês e francês, apesar de formado em Técnico de Engenharia de Estúdio pelo Recording Workshop de Los Angeles, nos EUA. Suas lembranças musicais mais remotas datam de 1983, com a fervilhante passagem do Kiss pelo Brasil e da alta popularidade do Queen no país. Fã(nático) por Mötley Crüe (de quem tem mais de 100 CDs), segue de perto também o trabalho de Slayer, Krisiun, Guns N´ Roses, Van Halen e Ozzy Osbourne, entre outros.

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