
Estamos sentados numa limusine planando suavemente na rodovia rumo a Fresno, onde o mais uma vez reavivado JOE PERRY PROJECT irá tocar um show na House of Blues como parte de uma mini-turnê para promover seu novo disco, ‘Have Guitar, Will Travel’.
Quando eu digo ‘estamos’, refiro-me a Joe, eu, o fotógrafo Ross Halfin, o tour manager John Bionacci e a senhora Billie Perry, a dama cujo lindo busto é mostrado na guitarra ‘Billie’ de Joe. Ross e eu devíamos apenas cobrir o lance solo de Perry, mas já que essa história se tornou inevitavelmente ligada com o drama do Aerosmith que parece estar se desdobrando a nosso redor a cada hora, bem…

Ao longo dos últimos meses, a internet tem ficado abarrotada de fofocas, boatos e até pesados fatos sobre a progressivamente fissurada relação de Steven Tyler com seus colegas, tudo isso iniciado pela reportagem sobre a ‘marca Tyler’ no web site da «revista» Classic Rock em Novembro de 2009 «que chegou às bancas no mês de Outubro anterior».
Apesar de Perry estar focado em promover seu disco, ele aceita que a mídia se concentre no Aerosmith. “Aquela banda tem sido minha vida por quase 40 anos, então era de se esperar que você tivesse algumas perguntas sobre o Aerosmith”, ele suspira. E então um sorriso se abre em suas feições: “e pra ser honesto: toda a atenção e palhaçada da mídia no momento não fizeram nenhum mal às vendas de ingressos da minha banda.”
As sementes de ‘Have Guitar, Will Travel’ foram plantadas em algum ponto de 2008, quando Tyler cancelou a pré-produção do novo disco do Aerosmith, desperdiçando dois meses de meio de tempo de estúdio. A princípio, Perry estava planejando uma produção estelar, convocando os serviços de uma vasta gama de talentos, incluindo Jimmy Page, Scott Weiland, Lil Wayne e Snoop Dog «algo que ele ainda planeja pro futuro». “Eu pensei em fazer isso depois que o disco do Aerosmith tivesse sido finalizado,” ele explica, “mas eu não tive tempo de ligar pras pessoas e organizar tudo. Eu sabia que poderia fazer ‘Have Guitar… ’ se enfiasse a cara.”
O disco abortado do Aerosmith é um dos fatores-chave responsáveis pela separação de 2009. Perry estava insatisfeito com os últimos lançamentos, não estava feliz com a utilização de compositores de fora da banda, e sentia que a banda tinha perdido o rumo e precisava voltar a suas raízes e recapturar glórias passadas como ‘Toys In The Attic’ e ‘Rocks’.
“Eu não acho que tenhamos feito um disco decente em muitos anos”, ele manda, “’Just Push Play’ é o que menos gosto…quando o gravamos, nunca houve um ponto onde todos os cinco membros estivessem na sala ao mesmo tempo e a maior força do Aerosmith é o coletivo. Foi uma experiência de aprendizado pra mim: me mostrou como NÃO fazer um disco do Aerosmith.”
Em um esforço para consertar as coisas, Perry solicitou os serviços do über-produtor Brendan O’Brien «PEARL JAM, RAGE AGAINST THE MACHINE e NEIL YOUNG», um homem que o tinha impressionado como engenheiro nas sessões de ‘Get a Grip’ de 1993.
Perry: “Eu sempre quis trabalhar com Brendan. Ele gravou parte dos melhores rocks dos últimos 10 anos. Depois de fazermos ‘Get a Grip’, tanto Steven como eu queríamos trabalhar com aquele cara. Era pro Steven vir até meu estúdio. Nós dois não tínhamos escrito uma canção juntos em mais de 10 anos, e eu finalmente disse ‘Stevie, anda, vamos fazer do jeito que era’: você toca bateria «Tyler começara sua carreira como baterista numa banda chamada The Strangeurs», eu toco guitarra e vamos compor umas músicas. ’ Eu estava esperando ele no estúdio e daí de repente, não ouvi mais falar dele.”

“Colocar o Aerosmith em movimento é como um transatlântico, entende?” concorda Joe. “É difícil mudar de direção.”
Foi no começo do verão de 2008 que rumores começaram a circular sobre Tyler fazendo testes para entrar no Led Zeppelin «seis meses depois do show da banda no O2 de Londres» – um boato que Joe, que normalmente lida com a imprensa pelo código de Omerta, confirma: Perry: “Quando Steven desapareceu, eu fiz umas ligações e alguém me disse que ele estava em Londres fazendo um teste pro Led Zeppelin. É algo que eu nunca falei fora da família, por assim dizer, e mantive fora da imprensa. É meio que uma janela pro quão difícil tem sido manter a parceria. Com certeza não é a primeira vez que coisas do tipo aconteceram. É o lado ruim de uma relação.”
Os testes pro Led Zeppelin se deram através de Henry Smith, um amigo de infância de Tyler que tinha trabalhado com o Zeppelin «na verdade Tyler convidou Smith para acompanhá-lo ao –evento – Classic Rock Roll of Honour de 2007, onde eles se sentaram, numa mesa com Jimmy Page». De acordo com vários relatos, acredita-se que Tyler foi para os ensaios despreparado e sob a impressão de que ele ia compor material novo com a banda, resultando em algumas sessões rocambolescas, momentos constrangedores e o posto de Plant ainda vago.
Perry pôs o papo com Jimmy Page em dia no Classic Rock Awards de 2008 e soube da real situação: “Page disse que se sentia muito desconfortável com o teste, mas que no final das contas, foi uma decisão do grupo.”
Tyler voltou para os EUA pensando que o Aerosmith não sabia de suas últimas escapadas, e as coisas rolaram como de costume até o tombo em Dakota, depois do qual ficou gradualmente claro pra Perry que seu colega tinha outros planos.
Segue…
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Nacho Belgrande, 33 anos, residente em Marilia - SP, é professor de inglês e francês, apesar de formado em Técnico de Engenharia de Estúdio pelo Recording Workshop de Los Angeles, nos EUA. Suas lembranças musicais mais remotas datam de 1983, com a fervilhante passagem do Kiss pelo Brasil e da alta popularidade do Queen no país. Fã(nático) por Mötley Crüe (de quem tem mais de 100 CDs), segue de perto também o trabalho de Slayer, Krisiun, Guns N´ Roses, Van Halen e Ozzy Osbourne, entre outros.
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