Robert Bartleh Cummings nasceu na pequena cidade de Haverhill, localizada no interior dos Estados Unidos, no estado de Massachusetts, em 12 de janeiro de 1965. Durante a década de 1980, Robert se tornou conhecido ao liderar uma banda que chamou bastante atenção na música pesada. Já com a alcunha Rob Zombie, esteve à frente do White Zombie por 13 anos, período em que lançou cinco discos que se destacaram por conter uma sonoridade que unia, sem maiores cerimônias, o peso do heavy metal à batidas eletrônicas, tudo amarrado por uma estética e letras que exploravam o universo dos filmes B – ou, se preferir, os chamados 'trash movies'. Entre os álbuns do White Zombie, recomendo "La Sexorcisto: Devil Music Vol. 1" (1992) e "Astro-Creep: 2000 – Songs of Love, Destruction and Other Synthetic Delusions of the Electric Head" (1995).

Após o encerramento das atividades da banda, em setembro de 1998, Rob iniciou uma bem sucedida carreira solo seguindo a mesma sonoridade, porém apresentando ainda mais elementos teatrais em seus shows, transformando-se em uma espécie de Alice Cooper moderno. Entre os seus discos solo, valem uma audição os ótimos "Hellbilly Deluxe" (1998) e "Zombie Live" (2007), esse último ao vivo.
Porém, o objetivo desse texto não é falar da carreira musical de Rob Zombie, mas sim de uma outra atividade onde ele tem se destacado bastante: a de diretor de cinema. Apaixonado por filmes, o vocalista levou para a sétima arte a mesma estética que explorava em seus álbuns, alcançando resultados muito interessantes.

A estreia de Rob como diretor ocorreu em 2003 com "House of 1000 Corpses" ("A Casa dos 1000 Corpos"). O filme, escrito pelo próprio Zombie, se passa em 1977 e conta a história de dois casais que pegam a estrada juntos em busca de aventuras para escrever um livro. No entanto, acabam cruzando com um estranho palhaço chamado Capitão Spaulding (vivido pelo ator Sid Haig) e, a partir daí, acabam conhecendo uma estranha família liderada pela matriarca Mãe Firefly (Karen Black). A família tem hábitos estranhos, cultivam o sadismo e outros costumes não muito corretos. Já dá para imaginar o resto da história, certo?
A recepção da crítica foi negativa, com diversos comentários malhando o debut cinematográfico de Zombie, classificando o filme como confuso e de baixa qualidade. O excesso de personagens contribuiu para isso. Uma parcela do público também não engoliu o filme, porém, com o passar dos anos, "A Casa dos 1000 Corpos" foi ganhando status de cult.

Após esse início não muito animador, Rob Zombie acertou a mão em sua segunda tentativa. "The Devil's Rejects" ("Rejeitados pelo Diabo", 2005) foi novamente escrito e produzido pelo vocalista. A trama é uma sequência do filme anterior, porém focada nos personagens mais carismáticos de "A Casa dos 1000 Corpos": o já citado Capitão Spaulding e dois de seus filhos – Otis (Bill Moseley) e Baby (vivida pela bela esposa de Zombie, Sheri Moon). O filme é um road movie que relata a história de uma família de serial killers, e conta com inúmeras cenas violentas que remetem ao cinema de horror dos anos setenta, principalmente ao clássico "O Massacre da Serra Elétrica", de 1974. Amarrando tudo, Zombie montou uma trilha sonora de altíssima qualidade, repleta de clássicos do rock norte-americano, com destaque para o Lynyrd Skynyrd e a Allman Brothers Band. A cena final, ao som da imortal “Freebird”, é antológica.
Como você já percebeu, há uma relação bem próxima com o que faz Quentin Tarantino, porém o que difere o trabalho de Zombie é a exploração muito maior da violência com uma pegada bem 'gore', com litros de sangue e cadáveres em profusão. O filme obteve boa recepção da crítica especializada, inclusive com o aval do cultuado escritor Stephen King, que o classificou como o nono melhor filme de 2005. Enfim, "Rejeitados pelo Diabo" é um excelente filme, indicado como porta de entrada para quem quer conhecer a carreira cinematográfica de Zombie.

O sucesso atraiu os olhares da indústria para o trabalho de Rob Zombie. Diversos rumores surgiram sobre projetos futuros, até que a Dimension Films anunciou que Rob seria o diretor da nova versão de "Halloween", um dos grandes filmes da história do cinema de horror. Lançado em 2007, "Halloween" é uma pequena obra-prima, e isso se deve não às cenas de assassinato e violência que contém, mas sim à maneira sublime com que Rob Zombie conta a história do pequeno Michael Myers. O filme passa a metade de sua duração construindo o perfil do pequeno Myers (vivido pelo ótimo Daeg Faerch), que aos poucos vai descobrindo e dando vazão ao seu lado sádico, fazendo surgir um psicopata doentio e assustador. Mais uma vez, a presença de Sheri Moon é um dos destaques, como a mãe de Michael. Ao se tornar adulto, o personagem passa a ser vivido por Tyler Mane, ex-lutador norte-americano que ficou famoso ao interpretar o personagem Dentes de Sabre no primeiro filme da série "X-Men".
Aqui há de se fazer um parênteses em relação à interpretação do ator Malcolm McDowell. Para quem não sabe, o papel mais famoso da carreira de Malcolm é a do mitológico Alex em "Laranja Mecânica" (1971), uma das obras-primas do diretor Stanley Kubrick. Em "Halloween", McDowell vive o psicólogo Dr. Samuel Loomis, que trata do pequeno Michael e explora a sua história vendendo livros sensacionalistas. A performance de Malcolm é extremamente caricata, construindo um personagem que parece ter o carimbo '171' marcado na testa. Não sei se isso foi proposital ou não, porém tenho a impressão de que McDowell, após um início de carreira fascinante, se revelou um ator limitado que vive do passado, tentando encontrar pelo caminho outro personagem tão emblemático quanto Alex – o que, é óbvio, não irá conseguir.

Rob Zombie conseguiu em "Halloween" reconstruir de maneira brilhante a história de Michael Myers. É claro que a estética e o clima trash foram mantidos, porém o filme de Zombie coloca Myers novamente em seu lugar como um dos personagens mais assustadores do cinema, e não como a caricatura que se transformou graças às inúmeras continuações lançadas durante a década de 1980.
A crítica teve uma recepção ambígua em relação ao filme. Enquanto uma parcela detonou a película, outra elogiou o trabalho de Zombie. O público curtiu, e fez o filme, que teve um custo de 10 milhões de dólares, render 60 milhões.

O sucesso, é claro, levou a uma sequência. Porém, "Halloween II", lançado em 2009, é muito inferior ao filme de 2007. Novamente escrito por Zombie, o filme se perde em sequências pretensiosas que tentam fazer uma ligação sobrenatural entre o pequeno Michael e sua figura adulta. Ainda que contenha algumas passagens interessantes, vale apenas como curiosidade, já que o resultado final é infinitamente inferior à primeira parte, o que é uma pena.
Entretanto, essa sequência de quatro filmes solidificou o nome de Rob Zombie como diretor, atraindo a atenção para o seu trabalho. Isso gerou frutos, como o convite para dirigir um dos episódios da oitava temporada da série "CSI: Miami" – o de número 16 daquele ano, chamado "L.A.".

Atualmente, Rob Zombie está trabalhando em um novo filme intitulado "The Lords of Salem", com estreia prevista para 2012. Ainda não há maiores informações sobre a trama, a não ser que ela contará a história atual da cidade de Salem, que será infestada por bruxas. O curioso é que o título do filme é o mesmo de uma canção lançada por Zombie em seu terceiro álbum solo, "Educated Horses", de 2006.
Independentemente de você ser um fã ou não da carreira musical de Rob, o seu trabalho como diretor merece uma conferida. Há pelo menos dois trabalhos excelentes nessa trajetória – "Rejeitados pelo Diabo" e "Halloween" -, que fazem uso de diversos elementos da cultura pop e de trilhas sonoras acima de qualquer suspeita para contar histórias muito interessantes. Caso você ainda não tenha tido contato com a carreira cinematográfica de Rob Zombie, recomendo com entusiasmo essa faceta, já que Rob conseguiu traduzir em imagens o conceito que explorava em seus discos. Portanto, prepare a pipoca, acomode-se no sofá e divirta-se!

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Ricardo Seelig é editor do blog Collectors Room - www.collectorsroom.blogspot.com - e colaborador das revistas poeira Zine e Rolling Stone. Escreve para o Whiplash desde 2005.
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