Em 25/11/2010 | Paul McCartney: inusitada noite de autógrafos em São Paulo

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Paul McCartney: inusitada noite de autógrafos em São Paulo


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Apesar de a banda da minha vida ser o IRON MAIDEN, sei, desde que nasci, que sou um filho dos BEATLES. Meus pais se conheceram em 1970 e o primeiro papo entre eles foi sobre a banda de Liverpool. Nasci dois anos depois, e cresci cercado das músicas dos BEATLES e a carreira solo de seus integrantes. Lembro bem da cara de bunda que meu pai chegou em casa no dia em que John Lennon foi assassinado. Lembro das discussões intermináveis que apontavam Yoko Ono como a causadora da separação do quarteto. Lembro da viagem para o Rio de Janeiro que eles fizeram em 91 para ver Paul McCartney pela primeira vez no Brasil, e de quanto eles comentaram o show em São Paulo em 93.

Em 2008, quando o IRON MAIDEN desembarcou em São Paulo para a primeira perna da turnê Somewhere Back in Time, resolvi ir ao aeroporto para tentar ver de perto o Ed Force One, avião oficial da banda, pilotado pelo vocalista Bruce Dickinson. Mas ele pousou a noite, longe de onde eu estava, e não consegui ver muita coisa. Voltei para casa frustrado. Se eu não conseguia nem ao menos ver o avião do Maiden, minhas chances de um dia conhecer os integrantes da banda deviam ser zero. Mas eu estava enganado e muito próximo de descobrir isso. Naquela noite, acessando o Orkut, reparei que um integrante de uma comunidade do Iron Maiden postou uma foto abraçado ao baixista Steve Harris. Dava pra reconhecer o hotel. Acessei o site e descobri que não era tão caro assim, eu podia pagar sem me apertar muito. No dia seguinte, ao acordar, chamei minha esposa e fomos. Conheci Nicko McBrain, Janick Gers, Bruce Dickinson, Steve Harris e Adrian Smith, com quem consegui fotos e autógrafos. Só faltou o Dave Murray, que vim a conhecer um ano depois, em Manaus.

Após descobrir que conseguir chegar perto de uma banda não é um sonho tão impossível assim, venho, desde então, abordando muitas bandas que sou fã, algumas há mais de 1/4 de século. HEAVEN & HELL, MOTÖRHEAD, TWISTED SISTER, AC/DC, REVOLUTION RENAISSANCE, PAUL DI'ANNO, BLAZE BAYLEY, DREAM THEATER, EPICA, MEGADETH, GAMMA RAY, RUSH, LACRIMOSA, RAVEN, HALFORD, WINGER, SCORPIONS e DELAIN foram algumas das bandas que já abordei, conseguindo fotos e autógrafos.

Foi então que foram anunciados os shows de PAUL MCCARTNEY no Brasil este ano, e uma idéia me veio à mente: se consegui abordar a banda da minha vida, por que não proporcionar aos meus pais a mesma oportunidade?! Não da mais pra conseguir John e George, e o Ringo nunca veio ao Brasil, mas poderíamos tentar abordar PAUL MCCARTNEY para, quem sabe, conseguir uma foto e um autógrafo. Após falar com meus velhos, e perceber que se animaram com a idéia, bolei cuidadosamente um plano para fazer isso dar certo.

No domingo, dia 21, lá estávamos eu, minha esposa e meus pais hospedados no Hyatt, hotel em que Paul se hospedou em São Paulo (e lá se foi meu 13º salário...). Você, fã de Paul, sacrificaria o show de domingo pela possível oportunidade de ver o cara de perto? Foi o que meus pais fizeram. Chegamos de manhã ao hotel, e nem sinal do ex-BEATLES, certamente recluso em sua suíte presidencial. A tarde, o único sinal de vida foi na hora da saída de Paul para o estádio do Morumbi, onde ocorreu o show. Uns 20 fãs estavam na parte de dentro do hotel, hospedados, e não poderiam ser retirados pelos seguranças. O dobro disso o esperava do lado de fora. Os seguranças bem que tentaram isolar a área, mas os fãs que estavam fora deram um show de má educação ao cercar o carro e bater nos vidros. Pra que isso?! Se não sabe abordar banda, faça um favor: fique em casa! Depois não sabe porque falam mal do Brasil lá fora...

Ao perceber o número de fãs que também tiveram a idéia de se hospedar, e constatar a atitude chiliquenta de alguns deles, comecei a desconfiar que seria muito difícil ter acesso ao cara. No entanto, nossa grande oportunidade estava justamente no fato de não irmos no show. Aos poucos, os fãs foram se encaminhando ao estádio, mas ficamos ali, no hall, esperando pela volta de Paul. Somente quatro pessoas talvez não o assustassem, e quem sabe conseguíssemos alguma coisa. De repente apareceu um homem, que sabemos tratar-se do segurança pessoal de McCartney. Ele observou o álbum que minha mãe carregava, Ram, e disse, em inglês, pra ela relaxar, pois ainda faltava pelo menos uma hora para o Paul aparecer. Em seguida, se dirigiu à mim e minha esposa e disse que o Paul havia pedido para que ele selecionasse 20 fãs, que seriam atendidos assim que ele chegasse ao hotel, e que nós 4 estávamos entre os escolhidos, primeiro porque não havia muia gente a escolher, segundo porque fomos observados de tarde pela segurança, que percebeu que não éramos ameaça alguma ao Paul. Uau! Por essa eu não esperava mesmo!

Após uma hora, ele nos chamou e pediu para que aguardássemos do lado de fora do hotel. A essa altura, estava no hall também um casal, que também foi convidado para participar. Ela estava com um vestido extremamente curto e um belo decote, enquanto ele não largava a filmadora. E foi ali que percebemos que havia algo errado. Ao invés de comemorar a grande chance oferecida, começaram a bater boca dizendo que "estavam hospedados e não iam sair", mas acabaram cedendo. Lá fora, nos unimos a uns 10 fãs que não estavam hospedados, mas também foram selecionados para a inusitada sessão de autógrafos. O segurança explicou que seria apenas um autógrafo por pessoa, e que fotos e filmagem estavam proibidos. Também pediu para que organizássemos uma fila. O casal mais uma vez começou a destoar, primeiro por não deixar o cara falar e, depois, tentando retornar para dentro do hotel, com câmeras na mão, especialmente quando enfim chegou o ônibus com o Paul. No passado, já perdi foto com o DIO por causa de fãs assim, e um ano depois ele estava morto. Se isso acontecesse novamente, por causa dos dois, certamente o pau ia comer. Todo mundo na fila estava irritado com o casal, que parecia estar lá apenas para tumultuar.

Após a chegada do ônibus, outra coisa nos preocupava: se começassem a chegar os fãs que foram ao show, ninguém conseguiria nada, nem nós, nem eles. Seria muita gente, muita bagunça. Percebendo isso, os seguranças fizeram quem estava na fila entrar para a área em frente ao hotel, mas na parte de dentro, onde os carros manobram. Nessa hora foi tudo extramamente organizado. Quando nos demos conta, lá estava ele, bem na nossa frente. Eu era um dos primeiros da fila e logo estava cara a cara com ele, tão próximo que se esticasse o braço poderia toca-lo. Ele me disse "good night", eu respondi a mesma coisa, retribuindo o cumprimento. Entreguei uma foto da banda e ele sem querer começou a autografar sobre outro músico. Percebendo o erro, olhou pra mim e disse "eu assinei em cima dele, mas você sabe que o autógrafo é meu". Extremamente simpático e amigável. Foi tudo muito rápido, mas simplesmente mágico. Quem era atendido saia da fila e se afastava. Acho que Paul não demorou nem dois minutos para atender a todos, e então acenou para nós, despedindo-se e entrando no hotel sem ser incomodado. Olhei em volta: tinha gente chorando. Meu pai tremia como se não tivesse acreditado que após quase 50 anos como fã dos BEATLES, finalmente teve seu momento para conhecer um deles. Mas todos estavam em êxtase, sabendo exatamente o quanto foram privilegiados. A única coisa a lamentar era não ter tirado uma foto, mesmo que coletiva, com ele. Ainda assim, não havia o que reclamar.

A dispersão dos fãs também foi rápida. Quem não estava hospedado se despediu e se mandou. Quem estava, entrou para o hall. Então, os seguranças abordaram o casal que ficou tumultuando e confiscou os autógrafos que conseguiram. Mais tarde, encontramos um outro fã, arrasado, que havia levado um baixo idêntico ao utilizado por McCartney, mas o músico se recusou a autografar. Por um momento fiquei com pena. Mais tarde, reencontramos o segurança, que perguntou se estavamos felizes. Estávamos extasiados, claro. A seguir, ele explicou que os dois que formavam o casal eram impostores do Pânico, estavam lá só pra tumultuar mesmo. Quanto ao cara que teve o autógrafo no baixo negado, o segurança explicou que ele já havia conseguido o autógrafo em outro baixo idêntico, em Porto Alegre. Outra fã argumentou que não era o mesmo fã mas, se era, perdi a pena dele na mesma hora, pois certamente conseguiria o autógrafo para vender. Nem mesmo eu, que sou fã do IRON MAIDEN, venderei meu autógrafo um dia. Sei bem quanta gente gostaria de estar em meu lugar. E, sem dúvida, é uma bela história para contar aos netos...

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Sobre Adriano Ribeiro

Adriano Ribeiro é fã xiita do Iron Maiden, daqueles que não perdoa até hoje Bruce e Adrian por terem saído da banda - e não importa se voltaram. Nas horas vagas, tem como hobby conhecer seus ídolos na música, conseguindo com eles fotos e autógrafos.

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