WHIPLASH.NET - Rock e Heavy Metal!

Os discos do Nazareth na década de 80

Uma polêmica é mantida entre os fãs da banda escocesa Nazareth até hoje. A banda produziu bons discos na década de 80? No Brasil o grupo atingiu bastante popularidade neste período por causa de algumas baladas. Além do sucesso de “Love Hurts”, que foi lançada ainda em meados da década de 70, a banda emplacou “Dream On” e “Love Leads To Madness” em 1982 e “Where Are You Now” em 1983. As baladas mudaram um pouco a imagem original do grupo. Enquanto na década de 70, a banda era conhecida como um vigoroso nome do Hard Rock, nos anos seguintes o Nazareth passou a ser conhecido pelas chamadas “músicas lentas”, que tocavam em festas de adolescentes, bares e casas noturnas.Após a virada da década de 70 para a 80, a fórmula utilizada pelos escoceses já se encontrava estagnada e a banda passou por um período difícil. O Nazareth tentou se renovar e mudou o estilo.

Imagem
O início da década

Em 1980, a banda lançou o álbum “Malice In Wonderland”, que teve como principais canções a bem humorada “Holiday” e a balada “Heart’s Grown Cold”, que ainda é uma das mais pedidas nos shows. Fora as duas canções, muitos fãs consideram que o grupo se perdeu no restante do LP. Quem sustenta uma grande admiração pelo trabalho é o novo baterista da banda, Lee Agnew. O filho de Pete Agnew, que substituiu Darrell Sweet, diz que considera o álbum um dos melhores do grupo. Outro grande momento do LP é a canção “Showdown At The Border”, que apresenta uma boa melodia, mas peca um pouco na falta de peso. No restante do repertório, não existe nenhuma surpresa. É fácil perceber que o Nazareth da década de 80 seria um grupo bem menos pesado.

Imagem
The Fool Circle

Em 1982, a banda lançou “The Fool Circle”, que se apresenta com menos peso ainda. Destacam-se a canção de abertura “Dressed To Kill”, “Let Me Be Your Leader” e “Pop The Silo”. Apesar de demonstrar mais unidade no novo estilo que deseja criar, a banda comete um pequeno equívoco e faz uma versão “meio latina” do clássico “Cocaine”, conhecida na voz do lendário guitarrista Eric Clapton. No disco ainda, o grupo começa a utilizar bateria eletrônica, demonstrando influência das novas bandas que surgiam no início da década de 80. Ainda nesta época, foi filmado um show da turnê de lançamento deste disco que atualmente pode ser conferido em um DVD chamado “Hair Of The Dog Live”. No vídeo a banda demonstra muito mais peso que no próprio álbum.

Imagem
Imagem
Direcionamento Pop

Após patinar um pouco no início da década de 80, os escoceses gravaram o ao vivo "Snaz" e, em seguida, lançaram o seu melhor álbum na década. Em “2XS”, o Nazareth soube equilibrar melhor o direcionamento Pop que adotou. O LP inicia com a canção “Love Leads To Madness”, que se tornou grande sucesso. Além de ser lançada em videoclipe, a música ainda fez parte da novela global “Sol de Verão”. O disco também emplacou a balada “Dream On”, que continua no set list dos shows da banda até hoje. Fora a retomada dos hits, o trabalho ainda apresentou melhor unidade. Apesar de utilizar bateria eletrônica como detalhe, os arranjos não foram comprometidos. O “2XS” ainda incluiu canções que devem ser mencionadas como “Boys In The Band”, “Back To The Trenches” e “Games”. Muitos fãs consideram o álbum a obra prima do grupo na década de 80.

Imagem
Sound Elixir

Por causa do sucesso obtido com “2XS”, o Nazareth optou em manter a mesma fórmula e lançou um álbum nos mesmos padrões. A estratégia foi correta. Em 1983, os escoceses fizeram “Sound Elixir”, que emplacou “Where Are You Now” – uma balada que segue o mesmo estilo do sucesso “Dream On”. É importante mencionar que desta vez o grupo voltou a deixar sua sonoridade menos pesada e mais limpa, sem comprometer a qualidade. Destacam-se no LP a pesada para padrões oitentistas “Whippin’ Boy” e “Rags To Riches”. Ao lado de “2XS”, o álbum apresenta o que de melhor foi feito pelo Nazareth na década de 80.

Imagem
Perda de identidade

Já em 1984 o Nazareth demonstra que exagerou na utilização de elementos da música pop da década de 80. Ao lançar o LP “The Catch”, a banda escocesa recebe diversas críticas. O trabalho abusa da bateria eletrônica, teclados e sintetizadores. A canção “Party Down”, que abre o LP, é bem próxima do estilo New Wave que foi consolidado por grupos como The B52-s e Devo. O disco não agradou, principalmente, os fãs conservadores da década de 70. O excesso de elementos oitentistas causou um desequilíbrio musical na fórmula do grupo. O disco também não atingiu o objetivo pretendido pela falta de uma grande balada com apelo comercial. Porém, o trabalho expôs algumas canções interessantes. Destacam-se “This Month’s Messiah”, que apresenta uma sonoridade mais pesada, lembrando o estilo tradicional da banda escocesa e a interpretação de “Ruby Tuesday” (conhecida balada dos Rolling Stones).

Imagem
A retomada das raízes

Dois anos depois de confundir os fãs e lançar o álbum “menos Nazareth” da discografia, a banda avaliou a possibilidade de resgatar a sonoridade e o estilo que trouxeram a consagração mundial. Em 1986, chegou às lojas de discos de todo o mundo o LP “Cinema”. Apesar de retomar as raízes, o excesso de cuidado resultou em um disco pouco ousado. “Cinema” é um trabalho que agradou fãs, mas não surpreendeu. Mais pesado que o álbum anterior, o disco ainda trazia algumas faixas com bateria eletrônica. O destaque pela retomada do estilo foi do guitarrista Manny Charlton, que incorporou mais sua identidade na obra devido a utilização de seus riffs. Outro integrante da banda que voltou a apresentar um desempenho semelhante ao dos grandes discos da década de 70 foi o vocalista Dan McCafferty. Vale mencionar as canções “Just Another Heartache”, “Other Side Of You” e a bela balada “A Veteran’s Song”.

Imagem
Fim de década

No último ano da década de 80, o Nazareth gravou o disco que ao lado de “The Catch” é um dos menos admirados pelos fãs. A banda fechou os anos 80 insistindo em uma fórmula que não deu muito certo. Se em “The Catch” os escoceses fizeram uma versão para canção dos Stones, no presente trabalho o Nazareth apresentou um novo arranjo para a canção “Piece Of My Heart”, famosa na voz da lendária cantora da década de 60, Janis Joplin. Já nas demais canções o grupo demonstrou exaustão e pouca inspiração. Parecia realmente que o Nazareth desejava que a década acabasse. Percebe-se no álbum que o excesso de teclados e a falta de peso voltaram a figurar. O trabalho é recomendado somente para os fãs mais fanáticos. Pode se destacar no álbum o Hard Rock psicodélico “Back To School” e “Girls”.

Todas as matérias da seção Matérias e Biografias
Todas as matérias sobre Nazareth

Os comentários são postados usando scripts do FACEBOOK e logins do FACEBOOK, HOTMAIL, AOL ou YAHOO, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que fizeram uso deste sistema (citados na assinatura de cada comentário). Caso você considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato. Os responsáveis pelo site podem excluir comentários que julguem inadequados e fornecer informações sobre os comentários a reclamantes se solicitados.

Pense antes de escrever. Ao comentar sobre alguém, lembre-se que este alguém é uma pessoa e merece respeito. Tenha cuidado especial ao comentar sobre colaboradores do Whiplash.Net; eles trabalham de graça para gerar o conteúdo que você está lendo. Mais chato do que uma matéria com erro, ou uma opinião com que você não concorda, são os chatos que apenas reclamam. Se acha que pode fazer melhor, clique no link ENVIAR MATERIAL no topo do site. Se achar um erro de digitação ou similar, envie pelo link de ENVIO DE CORREÇÕES; lembre-se que é falta de educação corrigir outras pessoas em público. E lembre-se de também elogiar quando encontrar bom conteúdo; isso é um bom incentivo aos colaboradores. :-)

Chatos, trolls e usuários que faltam com respeito a outras pessoas poderão ser banidos sem aviso prévio.

Sobre André Molina

André Molina é jornalista, economista e começou a ouvir heavy metal ainda quando era criança. Tem 30 anos de idade e Rock 'n' Roll é sua religião.

Mais matérias de André Molina no Whiplash.Net.

Link que não funciona para email (ignore)

QUEM SOMOS | RSS | FACEBOOK | TWITTER | APPS | ANUNCIAR | ENVIAR MATERIAL | FALE CONOSCO

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria. Os textos não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será retirado do site.

Em abril de 2012 Whiplash.Net teve 1.211.297 visitantes, 3.149.841 visitas e 10.113.719 pageviews. Ver stats.

Use o botão abaixo para seguir o webmaster e receber as principais novidades em sua timeline.


As 10 melhores aparições de bandas em filmesCinema
As 10 melhores aparições de bandas em filmes
Lemmy: "Radiohead e Coldplay são bandas sub-emo"Motorhead
"Radiohead e Coldplay não são rock"
Iron Maiden: como soa a voz de Dickinson isolada?Iron Maiden
Como soa a voz de Bruce Dickinson isolada?