Vitão Bonesso - A imensa coleção do apresentador do Backstage

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Por Ricardo Seelig
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Esta edição da Collector´s Room apresenta a coleção de Vitão Bonesso, idealizador, produtor e apresentador do lendário programa Backstage, e um dos mais respeitados jornalistas musicais brasileiros. Além de nos apresentar o seu acervo impressionante, Vitão esclareceu tudo o que envolveu o Backstage nos últimos meses, com o surgimento da Rádio Backstage, a primeira rádio brasileira a tocar heavy metal 24 horas por dia. Então, sente na cadeira e respire fundo.

Bem Vitão, antes de mais nada eu gostaria de agradecer a você por esta entrevista. É muito gratificante para mim bater este papo com você. Para começar eu gostaria que você se apresentasse aos nossos leitores.

Eu que agradeço a oportunidade de ter um espaço tão bom como este para falar do meu trabalho.

Bem, eu sou o Vitão, ou melhor, Vitor Bonesso (risos), produtor e apresentador do programa Backstage, e hoje também diretor geral da Rádio Backstage (www.radiobackstage.com). Além disso, sou baterista do Electric Funeral (Black Sabbath Tribute, que está completando dezoito anos de existência), um dos redatores da revista Roadie Crew, tenho um bloco no programa de TV Rock Forever (que vai ao ar nas terças às 23 horas na TV Cultura da região de Jundiaí e mais doze cidades) chamado Backstage Pub, e uma edição do Backstage na Clip FM, todo domingo às 23 horas, atingindo cerca de quinze cidades da região metropolitana de Campinas.

Sei que já faz tempo (risos), mas você lembra como foi o seu primeiro contato com a música e, mais especificamente, com o rock?

Sim. Foi através do meu pai, isso por volta de 1965. Ouvia muita música italiana, Ventures, Roberto Carlos, alguma coisa de MPB como Nara Leão, Chico Buarque e, claro, Beatles. Em 1966 o meu velho foi para a Inglaterra assistir a Copa do Mundo e trouxe mais e mais discos dos Beatles, que considero o meu ponto de partida dentro do rock.

Toda grande coleção tem o que eu chamo de o seu “ponto zero”, o seu marco inicial. Aquela hora em que nós, colecionadores, percebemos que somos diferentes dos nossos amigos, que apenas “consomem” música. A dedicação é maior, o investimento é maior, o cuidado com tudo é maior. Quando você percebeu que estava se transformado de um simples fã em um colecionador dedicado de seu estilo favorito?

Por volta de 1970. Comecei a ouvir tudo referente aos Beatles e junto vieram Led Zeppelin, Elton John, mas a coisa pegou fogo mesmo em 1973, quando ouvi Deep Purple, Black Sabbath, Alice Cooper, Slade, Grand Funk, e aí não parei mais.

Sacia a minha curiosidade: quantos álbuns no geral você possui?

Não sei (risos)... Sério!!! Eu me lembro que a última vez que contei os meus discos eu tinha uns 3000 vinis, isso em meados dos anos 80. Daí vieram os CDs, mas francamente nunca tive um número exato. Numa conta por cima acredito que tenho uns 9000 CDs, uns 2000 vinis, 1000 DVDs e mais um arquivo imenso de MDs e K-7 com entrevistas registradas, além de um arquivo morto para as coisas que eu recebo e que não faço uso. Só ali naquele quartinho devo ter mais uns 2000 CDs guardados.

E entre estes milhares de itens, de quais bandas você possui mais material?

Beatles, Deep Purple e Black Sabbath, com certeza. Só de bootlegs do Purple e do Sabbath juntos deve dar uns 500 títulos.

Além dos CDs, vinis e DVDs, com certeza você possui diversos outros itens na sua coleção, certo?

Não é bem uma coleção, mas tenho guardadas umas 150 camisetas importadas que ganhei ou comprei em shows, tanto aqui no Brasil como no exterior. Tem coisas raríssimas, que usei até um certo ponto e depois as guardei. A mais rara delas é sem dúvida a camiseta oficial da tour do “Born Again” do Black Sabbath (essa que eu estou usando nas fotos). Tem uma história bem legal sobre ela. Sou um fanático pela fase Ian Gillan no Black Sabbath, e o que pude perguntar ao Tony Iommi e ao Gillan sobre essa fase, eu perguntei. Em novembro de 95 eu estava na Inglaterra para ver o Iron Maiden numa das primeiras apresentações do Blaze na banda, e no dia seguinte o Black Sabbath na tour do álbum “Forbidden”. Antes da passagem de som estava marcada uma entrevista com o Iommi e mais uma vez perguntei várias coisas a respeito do “Born Again”. Em certo momento disse que meu sonho era ter o tour book e a camiseta daquela tour. Ele me disse que o tour book ele só tinha o dele, mas que a camiseta ele ainda tinha algumas em algum lugar da casa dele, já que antes da banda sair em tour para promover algum novo trabalho eles recebem dos responsáveis pelo merchandise algumas amostras para aprovação ou mesmo para dar de presente para alguém. Naquele dia ele me presenteou com algumas camisetas da “Forbidden” tour, algumas caveiras de latex e me prometeu enviar pelo correio a do “Born Again”. Ok, deixei o meu endereço e fiquei na espera. Depois de umas três ou quatro semanas recebi a camiseta... Cara, caí de costas!!! Nem o Gillan, quando me viu com ela em 2003, tem uma dessas!!!

Tenho também uma coleção de baquetas com quase cem pares de grandes nomes como Tommy Aldridge, Ian Paice, Neil Peart, Eric Singer, Bill Ward, Bobby Rondinelli, entre outros. Em torno de umas 400 credenciais que fui guardando ao longo dos anos. Posteres autografados, são centenas, como Alice Cooper, David Coverdale, Ozzy, Manowar, Slayer, Purple, etc.

Ahhh, sou fanático por tour books também. Devo ter uns 150, alguns muitíssimos raros que comprei em lojas especializadas em Londres. E livros biográficos de bandas, uns cem, vários autografados, incluindo um do primeiro baterista dos Beatles, Pete Best.

Apesar do amplo horizonte que a música nos abre, revelando estilos, ritmos e culturas tão ricas e diferentes, o heavy metal ainda é, sem dúvida, o estilo mais apaixonante que existe. Você lembra como foi a sua história, a sua trajetória, dentro do rock e do metal?

Hummm, no Rock como disse foi com os Beatles. E no metal, que naquela época chamavam de hard rock ou mesmo rock pauleira (risos), foi com o Deep Purple e o Black Sabbath.

Vamos voltar um pouco no tempo então: qual foi o primeiro álbum que você comprou, e porque?

Com a minha própria grana foi o “Fireball”, do Deep Purple. Foi o primeiro deles a ser lançado no Brasil. O meu vizinho tinha, eu gostei e comprei. Aquela intro do Ian Paice na “Fireball” me enlouqueceu (risos).

Qual o item que você considera o mais raro da sua coleção?

Nossa essa é difícil... Bom, tenho uns piratas em vinil do Purple e dos Beatles que hoje em dia são raridades, assim como os discos e CDs autografados, cerca de 500. As edições limitadas, os singles, pictures, caixas (box), também são materiais que vão se tornando raros com o passar do tempo, e quando eu ia para a Europa entupia a minha mala com esses discos.

Mais pelo lado sentimental tenho um vinil do Roger Glover, “Elements”, que eu acho maravilhoso, que ele me autografou com uma dedicatória bem legal, na primeira visita do Deep Purple ao Brasil, em agosto de 1991.

Vitão, todo colecionador sonha, ou já pensou, naquele dia em que vai chegar a uma loja e comprar todos, literalmente todos, os álbuns que tem vontade. Infelizmente, na vida real isso fica um pouco mais difícil (risos), mas a gente continua sonhando. Então, qual foi o maior número de álbuns que você comprou de uma única vez?

Hahahahaha... Na vida real é difícil, imagina na vida em libra esterlina (risos). Cara, sempre que vou à Londres detono meu cartão de crédito em CDs, livros, camisetas... Putz, detono mesmo. Numa das vezes comprei numa tacada só 45 CDs, nove fitas de vídeo, oito livros e mais uma dúzia de revistas. Dá arrepio só de lembrar a fatura do cartão (risos).

Como jornalista, apresentador e referência em música pesada, você recebe muito material de gravadoras e artistas, e com certeza muitos destes itens não são do seu gosto pessoal. Você guarda todo este material promocional, ou fica só com o que realmente curte e repassa o restante?

O que não me interessa eu procuro ir separando e depois fazer algum rolo com eles. Se eu guardasse tudo que recebo com certeza teria mais que 50.000 CDs. As demos de bandas nacionais e mesmo os CDs eu guardo tudo naquele arquivo morto.

Apesar de receber todo este material, você ainda continua comprando CDs, vinis, para a sua coleção? Se sim, quantos álbuns em média você compra por mês?

Vinil não, mas CDs ainda compro sim, principalmente aquelas edições limitadas, boxes e materiais raro das bandas que eu gosto. Não sei dizer quantos por mês, mas pelo menos uma vez por mês faço uma feirinha na galeria e não saio de lá sem pelo menos dez CDs e mais uns três ou quatro DVDs na sacola.

Qual o item que você tem mais ciúmes, tem um carinho especial e não venderia de jeito nenhum?

A minha coleção americana dos Beatles é uma. Os boxes do Purple, do Sabbath também, ninguém chega perto. Uma coisa que eu não faço mesmo é emprestar meus CDs e DVDs, já deixo bem claro antes que alguém se arrisque a fazer esse pedido. Nem é uma questão de ciúmes, e sim zelo mesmo.

Vitão, conta pra gente, entre todos os itens que você possui, quais foram os que deram mais trabalho para conseguir?

Olha, tem vários... Tenho aquele livro do Kiss, “Kisstory”, autografado por seis integrantes. O livro saiu antes da reunião da formação original e trazia as assinaturas do Gene, Pau, Eric Singer e Bruce Kullick. Quando eles voltaram com o Ace e o Peter Criss alguma cópias tiveram a inclusão das assinaturas deles também. Comprei a minha em Londres, trouxe três cópias, vendi duas e fiquei com uma.

O primeiro disco solo do guitarrista do Kansas, Kerry Livgren, “Seeds Of Change”. Me lembro que quando ele foi lançado vinha dentro uma carta dizendo que aquele disco tinha uma edição limitada de 2000 ou 5000 cópias, não me lembro ao certo. Um amigo meu tinha uma delas e me torturava o tempo todo. Aí, depois de alguns anos o meu irmão foi para os Estados Unidos e encontrou uma. Algum tempo depois o disco foi relançado e saiu também no Japão.

Outro que deu trabalho foi o primeiro disco do Budgie, na época raríssimo, e as negociações para conseguir aquela “pérola” foram traumatizantes (risos). Gastei uma fábula, mas consegui.

Outro que foi um parto foi o primeiro do Captain Beyond. Esse disco eu tive pelo menos umas cinco edições nacionais e duas americanas. Mas eu queria a primeira edição, que trazia um holograma na capa. Demorou, mas consegui. Xiii, tem tantos... (risos)

Mas, apesar disso, com certeza ainda existem alguns álbuns que você procura, procura, mas mesmo assim faltam na sua coleção, certo? Que discos são estes?

São poucos. Alguns singles, edições limitadas, mas isso a gente só encontra em Londres mesmo.

Você possui algum lugar específico para guardar a sua coleção? E, além disso, tem alguma dica de como conservar todos estes itens?

Eu guardo em várias estantes, em ordem alfabética, dentro daqueles saquinhos plásticos. Não tenho nenhum ritual para cuidá-los, só evito colocar dedos, e se acho alguma caixinha de CD quebrada eu troco por uma nova. A circulação de CDs. aqui no meu estúdio é muito grande, toda hora estou com a mesa cheia...

Eu queria que você fizesse agora um top#5 com os itens do seu acervo que você mais curte.

Os boxes são bem legais. Gosto também dos livros, edições especiaiss é difícil especificar quais, são muitos....

Tenho certeza de que você já fez esta lista, mas vou perguntar do mesmo jeito: para você, quais são os dez melhores álbuns de todos os tempos?

Beatles - White Album
Deep Purple – Made In Japan
Grand Funk – E Pluribus Funk
Black Sabbath - Vol. 4
Black Sabbath – Born Again
Deep Purple – Burn
Roger Glover – Elements
Slade – Old New Borrowed And Blue
Alice Cooper – Muscle Of Love
Clannad – Landmarks

E atualmente Vitão, nos últimos dois, três anos, que grupos têm chamado a sua atenção? E mais, que grupos você tem ouvido atualmente e que destacaria para os nossos leitores?

Francamente tem muita porcaria por aí... Difícil de destacar, pela falta de tempo de ouvir com mais calma. Ouvi bastante o novo do Purple, Rapture Of The Deep, afim de assimilar melhor o disco, e percebi que as músicas que eles tocam ao vivo deste álbum ficaram bem melhores que as versões de estúdio. O novo do Iommi com o Glenn Hughes, “Fused”, eu acho o melhor lançamento do ano passado, assim como o novo do Candlemass. Estou gostanto do novo do Rage também, “Speak Of The Dead”.

Certamente, no meio de todo este enorme acervo, devem existir alguns itens que você olha e pensa “nossa, porque eu comprei este disco?”. Então, vamos lá: qual é o item mais estranho da sua coleção, e também que álbuns as pessoas ficariam surpresas em saber que você possui?

Bom, alguns compactos todos detonados que o meu pai comprava nos anos sessenta de grandes sucessos da música italiana, como Pepino Di Capri, Sergio Endrigo, Nico Fidenco, entre outros. Apesar de estarem inaudíveis eu os guardo com muito carinho.

Já as surpresas ficariam por conta de álguns do Bee Gees, incluindo um box bem legal com 4 CDs, e alguns do Roberto Carlos da fase Jovem Guarda.

Você acompanha as matérias que foram publicadas aqui na Collector´s Room. Qual a sua opinião a respeito destes fãs dedicados que possuem, na maioria das vezes, mais material do que os próprios integrantes dos grupos dos quais são fãs?

Acho ótimo, e estou entre eles. O Ian Gillan quis comprar alguns singles que eu tinha dele e que ele nunca tinha visto. Em 2003 dei um bootleg do Deep Purple para o Ian Paice que ele quase teve um enfarte. Era a primeira apresentação do Purple nos Estados Unidos em 1968 abrindo para o Cream. O cara ficou amarelo, disse que procurou aquilo a vida toda e foi encontrar no Brasil (risos). Também dei de presente vários vídeos do Janick Gers nos tempos em que ele tocava com o Ian Gillan, o cara pirou. Costumo sempre dar alguns presentes para meus ídolos.

O rock já está aí há mais de cinquenta anos, e passou por diversas fases neste tempo todo. Sendo assim, eu gostaria que você indicasse aos nossos leitores os álbuns que você recomenda das décadas de sessenta até hoje.

Dos anos sessenta, apesar de eu gostar demais do “White Album” dos Beatles, é obrigatório ter como representante maior “Sgt Peppers”. Dos anos 70 eu votaria em” Made In Japan”, do Deep Purple. Uma aula de garra, energia e totalmente sem overdubs. Anos oitenta Black Sabbath, “Born Again”. Anos 90, “Painkiller” do Judas Priest seria um deles. Depois desses está difícil recomendar alguma coisa (risos).

Vamos falar sobre o Backstage agora. O final de 2005 foi marcado por diversas mudanças no programa, com a saída da Brasil 2000 e a migração para a web. O que realmente aconteceu e como se deu todo este processo?

Muita gente acha que pretendia me aposentar na Brasil 2000. Sempre sonhei em poder trabalhar com uma rádio que fosse realmente rock e sobretudo comandada por quem entende de rock. Acho que esperei demais. Além dos dezessete anos de Backstage em rádio convencional tenho mais dois como produtor. São praticamente vinte anos esperando alguma coisa acontecer, e nada. Ok, não sou político e muito menos traficante para ter uma rádio, os custos são astronômicos, já expliquei isso no próprio site da da Rádio Backstage.

Há cerca de dois anos comecei a acompanhar os progressos das rádios de internet no exterior. Fui pesquisando e achei que seria mesmo o futuro, caso eu quisesse ter uma rádio. Mas os custos eram altíssimos e a tecnologia ainda caminhava de forma rápida, mas para nós aqui no Brasil ainda demoraria um tempo. Fui ficando na Brasil 2000.

Em maio de 2005 a Rede Bandeirantes arrendou quatro horas da programação diária da rádio para retransmitir o noticiário do AM. Foi aí que comecei a achar que a vaca ia pro brejo mesmo. Em julho voltei a me aprofundar mais seriamente numa possível Rádio Backstage. Em outubro fui comunicado que os programas ficariam no ar até o final de novembro. Depois protelaram para o final de dezembro, e finalmente para o final de janeiro.

Até esse ponto trabalhei feito um maluco para montar a rádio, fazendo testes, pesquisando, pesquisando, pesquisando. Não tive Natal, não tive ano novo, não tive férias, e fiquei com um pé numa coisa que eu achava que só acontecia com as mulheres, a depressão. Não sei se por extremo cansaço, pelas complicações que encontrei nesse período, mas fiquei esgotado, tinha pesadelos quase toda a noite, e não foram poucas as vezes que pensei em jogar tudo para o ar. Mas sempre lembrava dos meus ouvintes, que não paravam de mandar e-mails, aquilo me dava uma sobrevida. Sair da cama a cada manhã e começar uma nova etapa numa coisa que eu não tinha muito conhecimento era uma tortura.

Mas no dia 13 de fevereiro colocamos a rádio no ar. Foi uma comemoração, tanto para mim como para o João Paulo do Whiplash!, que me ajudou demais nesse projeto.

Até o mês passado o ritmo de trabalho foi forte, dezesseis, dezessete horas de trabalho, até as coisas começarem a tomar forma. O retorno veio rápido e percebi que os vinte anos de rádio não foram em vão, e hoje a Rádio Backstage é a primeira rádio 100% heavy rock do Brasil. Às vezes me pergunto: de onde tirei tanta força? Como consegui me dedicar tanto em meio a tantos problemas? Só pode ter sido Deus...

É palpável a sua paixão pela música, e, mais especificamente, pelo seu trabalho. Todos estes acontecimentos certamente afetaram a sua vida pessoal, o “Vitão pessoa física”. Nós já conversamos sobre isso. Eu gostaria que você contasse a respeito de todo este furacão que invadiu a sua vida nos últimos meses, e como você superou tudo isso.

Da mesma forma que passei por esses problema: acredito que o trabalho de uma certa forma me ajudou a passar por cima de algumas coisas. Se eu ficasse mais um ou dois meses na Brasil 2000 eu estaria louco. Os últimos dois anos na Brasil 2000 foram péssimos, a cada três semanas era um novo boato, um novo terrorismo, e não tem saúde que agüenta tanta pressão.

Há dois anos moro sozinho numa chácara a 70 Km de São Paulo. De certa forma esse lugar me ajudou também, muita paz, muito verde, ar puro, mas nas horas em que você se sente num beco, com muitas dúvidas, você precisa de alguém, e aqui não tem. O primeiro ser humano que eu encontro aqui é o porteiro do condomínio, que está a dois quilômetros de distância. Não tinha vontade e nem cabeça o suficiente para sair para algum lugar, e não queria que meus filhos me vissem naquele estado.

Foi um aprendizado, uma prova, e de certa forma valeu a pena e ainda está valendo. Em apenas dois meses e meio a Rádio Backstage é comentada em todo lugar, e a Brasil 2000?

Em vários aspectos, a tal “cena” metálica brasileira me parece muito imatura e infantil. Não é raro lermos depoimentos, não só de fãs, mas de músicos e jornalistas, com declarações preconceituosas e invejosas a respeito dos mais diversos assuntos. Isso sem falar dos grupos que, ao alcançarem certo sucesso, são taxados de “vendidos” automaticamente. Confesso que esta postura, que muitos adoram chamar de “true”, me incomoda bastante. Imagino que todos estes fatos recentes envolvendo o Backstage tenham gerado algumas atitudes desagradáveis envolvendo o seu nome, certo?

Olha, esse negócio de ser “true” e depender da comidinha da mamãe, da roupinha lavada, do carro do papai, é mole...

A inveja é uma coisa absurda aqui no Brasil. Enquanto você começa a subir os primeiros degraus, tá cheio de amigos te dando uma força e tal. Daí você chega lá, e passa a ter uma vida ocupada, cheia de compromissos. Manter o nível de um padrão adquirido é muito difícil, requer muito controle, muita garra, senão tudo desabada rapidinho. Daí você passa a ser visto de uma forma diferente por aqueles “amigos”.

Eu estou há vinte anos nesse ramo, e desde maio de 93 sou profissional no meu trabalho, mantendo um padrão de vida razoável, honrando meus compromissos com minha ex-esposa, sendo pai, pagando faculdade e escola para meus dois filhos e toda a assistência que for preciso, além de muito carinho e amor, procurando fazer o melhor a cada dia. Meu pai não teve a oportunidade de me deixar nada, morreu duro. Minha mãe está com 65 anos e vive com o meu irmão, que é solteiro. Ser “true” é pouco para tudo isso.

Tenho orgulho do meu trabalho, tenho orgulho quando alguém chega e me diz: “conheci, isso, isso e isso por sua causa. To fazendo rádio e TV por sua causa”. Isso é ser “true”, e não ficar jogando pedra no telhado do vizinho, ficar olhando para o rabo alheio procurando defeito.

Você é um cara de rádio, não há dúvidas disso. Como está sendo esta nova fase do Backstage para você? Quais são as principais diferenças que você vê entre a web radio e uma rádio tradicional?

Não sou de uma época em que a internet signifique muito para mim. Ou melhor, significava. Entrei no brejo descalço sem saber onde a lama ia chegar. Sempre me disseram: “calma, essa mudança é natural, a internet é o futuro das rádios segmentadas”, e mesmo assim eu ficava meio desconfiado. Mas é verdade, e fiz na net uma rádio com a mesma linhagem, a mesma alma e feeling de uma rádio normal. Acredito nesse formato e está dando muito certo.

Diferença? Sim, existe: hoje o meu programa e a minha rádio podem ser ouvidas em todo Brasil 24 horas por dia. Ok, e aqueles que não dispõe de banda larga ou mesmo de um computador? Acho que uma coisa compensa a outra, nada é 100% como a gente quer. E o principal: acabou o terrorismo.

Volta e meia o seu nome é citado e lembrado para apresentar uma eventual nova versão do extinto “Fúria Metal”, da MTV. Como você se sente em relação a isso, tem o desejo de estar a frente de um programa de TV dedicado ao heavy metal? E, além disso, como você vê o “Stay Heavy” e o “Total Massacration” que, apesar de serem bem diferentes entre si, são os únicos programas televisivos dedicados ao metal no Brasil?

A parada do “Fúria” foi que o Gastão ficou de saco cheio de uma chefe lá que todos achavam uma casca de ferida. O cargo foi oferecido ao João Gordo que disse não e, assim como o Gastão, me indicou. Fui chamado para uma conversa e tal, mas de cara não gostei do clima, da arrogância da MTV. Passou... O que é a MTV hoje? Uma junta de acéfalos? Um videogame pra molecada? Cadê a música? Cadê a credibilidade? O “Total Massacration”? Cara, o Bruno é um dos caras mais bem educados e sangue bom que eu conheci nos últimos anos. Grande cara!!! Assisti algumas vezes, mas a MTV não ajuda em nada a alimentar o programa com material novo. É sempre a mesma coisas, aqueles clipes manjados, então eles são a atração. Eles estão errados? Ou alguém acha que eles tem como ser sérios frente a tanto descaso?

Há uns três anos atrás estava desenvolvendo um projeto de um programa de TV. Para a gravação do piloto chamei alguns amigos, como o Aírton Diniz da Roadie Crew, a filha dele, Cíntia, e o namorado dela, o Vinícius. Fizemos o piloto e até discutimos o nome do programa. O piloto ficou pronto, todos na produtora adoraram, eu achei uma bosta. Não curti, achava que faltava algo mais e abandonei o barco. Pouco depois surgiu o “Stay Heavy” na All TV. Eles estão crescendo, trabalhando duro, estão aprendendo ainda, mas todo mundo tem um início na vida e merecem atenção e respeito e todo o meu apoio.

No meu caso acharia mais interessante dirigir um programa de TV ou fazer algumas aparições rápidas como as que eu faço no Rock Forever do que lidar exclusivamente com isso... Mas, vai saber? As propostas, as reuniões, não servem somente para você despistar alguém no telefone, e eu estou aqui para discutir o assunto a qualquer hora, porque não?

Você lançou há alguns anos um livro sobre os primeiros dez anos do Backstage. Quando que nós vamos ganhar uma nova versão deste livro, repleta de histórias curiosas, divertidas e históricas sobre o heavy metal?

Dificil dizer. Escrever um livro requer concentração, memória boa, e nos dias de hoje eu não teria nada disso. O desejo e a cobrança existem, e garanto que uma segunda parte seria tão consistente e cheia de “aventuras” quanto a primeira. Ainda tem um tempinho aí...

Você já realizou inúmeras coisas dentro da música. Apresentador, produtor, crítico musical, colunista, dono de loja, isso sem falar do seu trabalho ao lado da Electric Funeral. Tudo isso fez de você uma das personalidades mais respeitadas quando se trata de heavy metal, quase uma “lenda vida” (risos). O que você ainda gostaria de realizar em relação à música?

Uma lêndia viva (risos)... Bom, eu acho que ver a Rádio Backstage seguir um caminho da forma que está seguindo é a minha meta. Não sou de fazer milhares de coisas ao mesmo tempo... Parece sacanagem, mas eu gosto de dormir, curtir uma caipirinha, e disso eu não abro mão. Aos poucos estou retomando o meu ritmo de trabalho. Segunda, terça e quarta trabalhando forte, quinta um pouquinho e no restante da semana descansar, cortar grama, namorar, cuidar da minha chácara, essas coisas.

Vitão, você já está há muito tempo trabalhando com música. Como você vê a evolução da cena nos últimos vinte, trinta anos, de praticamente insignificante na época do primeiro “Rock In Rio” (1985) ao estágio atual, com milhões de fãs, veículos, selos e lojas especializadas, isso sem falar da qualidade das bandas nacionais, reconhecidas em todo o mundo? O que você acha que está melhor ou pior agora, e o que ainda precisa melhorar?

No geral o Brasil precisa melhorar. O esforço que eu vejo em certas bandas em se destacar é gratificante, mas falta lugar para tocar, falta grana no bolso do brasileiro para prestigiar o nosso metal. Muita coisa mudou sim desde o Rock In Rio, melhorou, piorou, melhorou de novo. A coisa é cíclica, o pais é muito instável, o povo se ilude com coisas absurdas como Copa do Mundo, eleições, isso é péssimo.

Outra coisa que prejudica muito não só o metal mas a música em geral é esse negócio de troca de arquivos. Isso está falindo as gravadoras. Muita gente pode estar dizendo agora: “pô, mas o Vitão ganha CD pra caralho,.e nós?” Concordo, e vou contar uma pequena história: uma vez um ouvinte ligou na rádio implorando um ingresso para um show, disse que o pai dele estava desempregado e tal, que ele não tinha nem para comprar um CD e que o que ele tinha ele havia baixado na internet. O que o pai dele fazia? Trabalhava numa fábrica de plásticos, que fornecia bobinas de papel celofane para frigoríficos, indústria farmacêutica, fábricas de CDs... Deu para entender?

Eu sou um consumidor de música há mais de vinte anos. Durante todo este tempo tive contato com as mais diversas publicações, dezenas de pessoas que, de alguma maneira, estiveram ou ainda estão envolvidas com o rock e com o metal. Quem você considera referência no cenário atual, onde um leque muito maior de opções é colocado à disposição dos fãs de música?

Vai parecer óbvio demais, mas em matéria de revista eu acho a Roadie Crew a melhor. Se eu sou redator na Roadie Crew, paciência. Tive o privilégio de ser chamado para escrever para eles numa época em que outras se destacavam no meio. Se ela cresceu nos últimos anos, só tenho que parabenizá-los. Também gosto da Rock Brigade, eles estão ai há vinte e cinco anos e merecem todo respeito. Gosto demais do Ricardo Franzin, do Fernando Souza Filho e do Antônio Carlos Monteiro. Todos grandes profissionais, além de amigos.

Como conhecedor de metal, é claro, cada um tem as suas preferências, mas para mim o Ricardo Batalha é o melhor de todos. Outro que admiro demais e que vive falando que eu sou a maior influência dele é o Bento Araújo, do Poeira Zine. Esse cara é um exemplo de jornalismo musical, se empenha como ninguém. Bento, tenho uma honra enorme de ter te influenciado, assim como me considero um fã de carteirinha do seu trabalho. Você, Ricardo, é outro que presto bastante atenção, perguntas inteligentes, muito bom!

Em termos de sites o Whiplash! é sem dúvidas uma referência, assim como o Rock On Line, mas existem vários outros bastante interessantes por aí.

Bandas? Gosto do Korzus, Tuatha de Danann, Mindflow, Monster, tem várias...

Olhando para trás, para a história do Backstage, qual o balanço que você faz destes mais de quinze anos de programa? Qual você acha que foi, e ainda é, a principal contribuição do programa não só para o público headbanger brasileiro, mas para toda a cena?

Tenho certeza que fizemos muita coisa e estamos aí para muito mais. Fazer um balanço de dezessete anos é complicado, prefiro que os ouvintes e meus admiradores digam isso, no que contribuí e no que posso contribuir. Estamos aí. Amo meu trabalho e muita coisa tem que ser feita ainda.

Nestes anos todos de trabalho e envolvimento com a música você conheceu muitas pessoas, viveu e presenciou diversas histórias interessantes. Você já contou algumas destas histórias no livro sobre os dez anos do Backstage, mas eu queria que você nos dissesse quais foram os momentos mais gratificantes e inesquecíveis de todos estes anos dedicados ao rock e ao heavy metal.

Cara, pergunta complicada essa... Como te disse, em dezessete anos rolou tanta coisa... Apertar a mão do Paul McCartney foi foda. Tocar com Glenn Hughes por quarenta minutos foi um sonho. Entrar dentro do Abbey Road Studios em Londres foi fulminante. Entrevistar o Ritchie Blackmore, o Rush, Kiss, Black Sabbath, pagar uma cerva para o Tony Iommi, ver o Nicko em varias revistas, e até mesmo em discos do Iron Maiden, com a camiseta do Backstage, ter um disco do Bill Ward dedicado a mim. Receber um cartão de natal da Candice Night e do Ritchie Blackmore foi uma surpesa, mandar o Glenn Danzig e o Michael Weikath à merda foi legal também (risos). Comemorar um aniversário do Backstage com todos os integrantes do Manowar no estúdio durante duas horas foi lindo. O Bruce Dickinson fazendo um acústico de trinta minutos ao vivo no programa também matou a pau... Muita coisa, coisa pra caralho!

Bem Vitão, antes de encerrar eu queria dizer que curti muito este bate-papo com você. Muito obrigado, e este espaço é seu.

Cara, muito obrigado pela oportunidade, pelo desabafo. Agradeço a todos que me acompanham, que acreditam no meu trabalho, e desejo a todos que tiveram em mim alguma inspiração, muita sorte, muita garra e saúde. Abraços a todos.

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Sobre Ricardo Seelig

Ricardo Seelig é editor da Collectors Room - www.collectorsroom.com.br - e colabora com o Whiplash.Net desde 2004.

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