Discharge

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Discharge


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Por Marcio Faveri - Portal do Rock

Muitos dizem que o Discharge foi a mais influente banda punk depois dos Sex Pistols. Certamente a massa sonora caótica que a banda criou inspirou tanto bandas punks como metal em todo o planeta, principalmente na Europa e nos EUA.

Nascidos em meio ao movimento NWOBHM (New Wave of British Heavy Metal – Nova Onda do Heavy Metal Britânico), que incluía nomes de peso como Motorhead, Diamond Head e Mercyful Fate, o Discharge foi o verdadeiro “ícone” do hardcore raivoso e gutural inglês, que conseguiu a proeza de romper a barreira do punk e contaminar até os mais aficionados metaleiros.
A banda foi formada em 1977 na cidade inglesa de Stoke-on-Trent, por dois irmãos: Terry “Tez” Roberts (vocal) e Tony “Bones” Roberts (guitarra), além de Roy “Rainy” Wainright (baixo) e um baterista conhecido apenas como Hacko. O nome Discharge foi escolhido pelo simples fato de soar como algo repulsivo.
Esta primeira formação não chegou a gravar nenhuma música, fazendo apenas alguns shows na região de Stoke-on-Trent. Em 1979 Hacko deixou a banda e Tez assumiu a bateria, com Cal (Kelvin Morris) agora como vocalista. No começo a banda era influenciada pelos Sex Pistols, The Damned e The Clash.
Quando Cal entrou na banda, todas as músicas que eles já tinham feito antes foram esquecidas e o Discharge começou a trabalhar em um novo material, cujas letras foram feitas pelo próprio Cal. Nada de novo acontecia, até que um cara chamado Mike Stone se mudou de Stoke-on-Trent para Londres. Ele tinha uma loja de discos e um pequeno selo. Um dia ele foi num show do Discharge (o primeiro da nova formação) que rolou no Northwood Parish Hall. No final do show ele foi falar com a banda, dizendo que “apesar deles não terem nenhuma técnica musical, ele tinha todo interesse em contratá-los, porque ele considerava a pegada e a energia da banda intensa”. Então o Discharge assinaria seu primeiro contrato com o selo de Mike, o lendário Clay Records.
O primeiro single, “Realities of War” foi lançado em março de 1980 e como Mike Stone não tinha um esquema montado de distribuição de seus discos, ele mesmo vendia seus lançamentos indo com seu carro de loja em loja por todos os cantos de Londres e cidades vizinhas. O single ficou na posição 10 na parada independente da Sounds (uma revista musical semanal inglesa). Logo após, a banda lançou outro single, “Fight Back”, que também entrou nas paradas.
As portas começavam a se abrir e o Discharge fez então seu primeiro show fora de sua terra natal, tocando nas cidades de Leicester, Preston e Glasgow. Outro single, “Decontrol” foi lançado também em 1980, seguido por um vinil EP em 1981, chamado “Why”. Este disco foi o primeiro sem Tez na bateria, porque ele havia deixado a banda antes das gravações.
Logo eles organizariam sua primeira turnê, chamada “'Apocalypse Now”, com um novo baterista (Bambi), que logo foi também substituído por Garry Maloney (ex-The Varukers). Com esta formação eles gravaram o single “Never Again”, que foi lançado no final de 1981. O single foi muito bem nas paradas independentes, sendo inclusive colocado na posição 64 das paradas nacionais de rock.

Em 1982 eles lançariam então seu primeiro álbum full, chamado “Hear Nothing, See Nothing, Say Nothing”, que entrou nas paradas nacionais logo de cara, atingindo a posição 40, permanecendo nas paradas inglesas por cinco semanas consecutivas. Com isso eles foram procurados por uma grande gravadora que queria contratá-los. Porém, eles resolveram ficar firmes com Mike e a Clay Records, porque tinha sido ele o primeiro a acreditar na banda e também pelo fato de que não ficava bem para uma banda punk assinar com uma grande gravadora, porque certamente seriam chamados de “vendidos”.
Assim o Discharge começou a fazer turnês fora do Reino Unido, tocando na Itália, Iogoslávia, Holanda, Finlândia, Suécia, além da primeira turnê nos EUA e Canadá em 1982. Quando eles retornaram à Inglaterra, Bones decidiu deixar a banda. Seu último trabalho com o Discharge (naqueles tempos) foi “State Violence, State Control”, um single lançado em 1982.
No lugar de Bones veio Peter “Pooch” Pyrtle, que participou das gravações do próximo EP da banda, “Warning”. A banda então começava uma nova turnê pelos EUA e Canadá em 1983 e foi durante esta turnê que eles lançaram outro single, “Price of Silence”. Depois disso, tanto Pooch como Garry deixaram a banda, ficando Cal e Rainy sozinhos. Durante as gravações do EP “Why” eles terminaram uma nova música, “The More I See”, que foi remixada e lançada junto com uma coletânea da banda, chamada “Never Again”, de 1984.
O próximo single, “Ignorance” foi gravado por Cal e Rainy, ajudados pelos amigos Mole (guitarra) e Haymaker (bateria). Este single foi lançado em 1985, tendo sido o último single da banda naqueles tempos.
Garry voltou à banda e um outro guitarrista, Steve Brooks foi recrutado. Com esta formação eles gravaram o terceiro álbum, “Grave New World”, lançado em 1986. O disco deu origem a uma nova turnê pelos EUA, mas agora a banda vinha com um som mais metal e pesado, sendo que Cal não queria tocar músicas antigas na turnê, o que causou a decadência e o final da banda. A Clay Records lançou uma outra coletânea da banda em 1986, chamada “Discharge 1980-1986”.
Em 1989, a Clay Records lançou um disco ao vivo, “'Live At The City Garden New Jersey”, gravado durante um show da banda na segunda turnê americana. Um outro disco ao vivo veio em 1990, gravado durante um show com a formação Cal, Rainy, Garry e Pooch, na cidade natal da banda, na casa de shows Tunstall Town Hall.
Em 1991 a banda retornou à ativa, mas apenas com Garry e Cal das formações anteriores, ao lado de Andy Green (guitarra) e Anthony Morgan (baixo). Com esta formação eles lançaram um novo disco de estúdio, “Massacre Divine”, que levou Cal a cantar de forma menos agressiva e gutural (como se ouve no disco Grave New World), passando agora a cantar numa linha mais Brian Johnson (AC/DC).
A banda fez uma gigantesca turnê pela Europa, chegando a tocar até no Japão. Mesmo com as novas músicas soando um tanto quanto estranhas, comparadas ao som que eles tinham feito no começo, a maneira que eles tocavam ao vivo ainda era a mesma dos velhos tempos, dos bons tempos do single Realities of War.
Em 1983 eles gravaram outro disco de estúdio sem muito alarde ou divulgação, chamado “Shootin`Up The World”, que sem dúvida é bem melhor do que o disco anterior, mas ainda não caia no gosto dos fãs do velho Discharge.
Uma avalanche de coletâneas da banda foi então lançada pela Clay Records e por outras gravadoras, dentre estes discos destaque para Hardcore Hits, Decontrol - The Singles, Punk And Destroy, Visions Of War, Free Speech For The Dumb e Protest And Survive. Todas essas coletâneas traziam mixagens diferentes dos mesmos singles e músicas do disco Hear Nothing. Estas coletâneas ainda podem ser encontradas nas lojas de todo o planeta.

Também foi lançado um disco em tributo ao Discharge, com bandas de peso como Anthrax e Metallica, fazendo uma homenagem aos seus grandes ídolos.
De acordo com alguns sites da internet, a banda nunca terminou realmente depois do disco “Shootin`Up The World”, mas nem eles mesmos confirmam essa informação, mantendo o segredo. Depois de todos os percalços, Tez, Bones e Rainy conseguiram se juntar novamente a Cal. Tudo indica que eles fizeram alguns shows com essa formação em 1999, mas ninguém sabe dizer onde foram estes shows. Existe muita lenda e muito boato envolvendo a carreira dessa grande banda.
A banda chega então ao novo milênio, mais precisamente no ano 2002, quando eles resolvem voltar e lançar um novo disco. A formação original compôs um disco inteiro de inéditas, simplesmente chamado “Discharge”, originalmente lançado no começo de 2002 em formato mini LP deluxe promocional, acompanhado de um lançamento oficial em CD, que veio numa caixa com toda as letras e fotos da banda. O som em 2002 é mais punk do que o dos discos anteriores e busca resgatar o espírito original da banda, aquele dos idos de 1977, considerado um tapa nos ouvidos, cheio de mensagens inteligentes e conscientes.
É mais do que notório que o Discharge influenciou no mínimo duas gerações de bandas hardcore e punk, especialmente nos países nórdicos, como Suécia, Finlândia e Noruega, que até hoje veneram o Discharge como verdadeiros deuses do punk hardcore.
A melhor descrição para o som do novo disco (2002) para aqueles que ainda não o conhece, seria dizer que o Discharge tentou fazer o mesmo som das bandas que eles mesmos influenciaram ao longo da história.
A banda voltou a fazer shows e turnês em 2003, com Rat dos Varukers assumindo os vocais, uma vez que Cal não queria mais tocar ao vivo novamente.

O Discharge prepara agora o lançamento de seu mais novo CD chamado "The Beginning of The End", previsto para estar nas lojas entre junho e julho deste ano, pela gravadora Thunk Records. Também está previsto para este ano o lançamento de um documentário sobre a banda em VHS/DVD, que trará vídeos novos e antigos, entrevistas, tomadas de backstage, shows ao vivo, etc.
Eles estão desde o começo de 2004 numa extensa turnê pelo Reino Unido e Alemanha, tocando em quase todas as principais cidades. A formação atual conta com três integrantes originais: Tez (bateria), Bones (guitarra), Rainy (baixo), ao lado de Rat (dos Varukers) nos vocais.

É fácil afirmar que o impacto do som do Discharge pode ainda ser ouvido no som de mil bandas (ou mais) que eles influenciaram, tanto na cena underground como no mainstream.

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