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Ratos De Porao

Em 06/04/06
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Por Felipe Matula

No começo de 1982, três punks, dois paulistas e um santista, se conheceram em um show chamado ‘Gritos Suburbanos’ no qual tocaram Olho Seco, Fogo Cruzado, Inocentes, M-19, Lixomania, Anárkolatras entre outras.

Ainda em 82, o Ratos de Porão participou da coletânea ‘Grito Suburbano’, que também incluía Olho Seco, Inocentes e Cólera. Naquela época a repressão contra os punks era muito grande (coisa que não mudou muito até hoje).

No mesmo ano, o RDP lançou outra coletânea chamada "Sub", que também foi lançada pela Estúdios Vermelhos. Além do RDP, o petardo destacava Psykose, Fogo Cruzado e Cólera.

Em 1983 o ano começou bem com a ‘invasão’ dos punks paulistas da banda no Circo Voador, junto com Zona–X, Lixomania, Inocentes e Psykose, não podendo passar em branco a atuação da única banda local no evento, o Coquetel Molotov.

Neste mesmo ano, o grupo lança seu primeiro disco, com pouca experiência, mas com letras sujas e tombadas pro lado mais punk. Venderam pouco e o disco não fez nem cócegas em comparação ao primeiro álbum do Olho Seco (que ganhou disco de ouro!). Os dois anos seguintes foram passados em silêncio pelo RDP, que estava sem gravadora.

Já em 1986 é lançado "Descanse em Paz", segundo álbum da banda, que tinha começado a se tornar ‘economicamente viável’. Lançado pela Cogumelo Records, foi um disco fraco e também de pouca vendagem.

Em 1987 lançam "Cada Dia Mais Sujo e Agressivo", que contém músicas razoáveis, mas com pouca evolução, se comparado aos discos anteriores, porém com vendagem maior que estes mesmos discos anteriores juntos. Daí pra frente, começaram a crescer perante a mídia (as revistas especializadas em Rock, em sua suprema maioria, surgiram a partir de 1985).

Em 1989, na época próxima a Copa do Mundo de 90, lançam "Brasil". Inspirados, fazem o CD com músicas que execram totalmente os políticos e a situação econômica daquela época. Esse é considerado o melhor disco do grupo por muitos fãs. A partir daí, excursionam pela Espanha pela primeira vez tocando com o Beer Mosh num pequeno festival punk intitulado "Grito De La Intsumision".

Em 1991 lançam "Anarkophobia", mesclando português e inglês (se é que dá pra entender o que o Gordo canta!). Não tão hardcore/punk, o álbum deixa a desejar. Em 1992 a banda lança seu primeiro e único álbum ao vivo: "RDP Ao Vivo", disco muito bom com algumas pérolas do punk nacional como "Beber Até Morrer" e "Sofrer". Deste disco em diante, o grupo começa a excursionar pela Europa novamente (onde é muito bem recebido pelos fãs), mas com muitas influências de fora, entram em estúdio e lançam "Just Another Crime... In Massacreland" (94). Cantado em sua maior parte em inglês e tendo participação da ex–namorada de João Gordo, Alé Brigati (Pin Ups), é definido por Gordo como o disco secreto da banda (já que a Roadrunner fez uma péssima distribuição dele). Destaque para as músicas "Satanic Bullshit", onde no trecho de introdução da música há um trecho de uma música dos Menudos tocada ao inverso – quem sabe poderia ser alguma mensagem do capeta! –, e "Bad Trip".

Em 1995, numa paródia ao "Spaghetti Incident?", do Guns n’ Roses, são lançados "Feijoada Acidente? – Brasil" e "Feijoada Acidente? – Internacional", ambos muito bons. No nacional, destaque para "Papai Noel", música dos Garotos Podres, e no Internacional para as músicas cantadas em Basco (dialeto do Norte da Espanha). Outro ponto alto é o cover "Mucha Polizia Pouca Diversión", da banda Eskorbuto.

Em 1997 lançam "Carniceria Tropical", álbum no qual Jão (guitarra) já consegue tocar a guitarra. Talvez o melhor disco do grupo, pois apesar de todas as dificuldades o RDP se manteve como uma das poucas bandas a sobreviverem não se vendendo ao Pop Punk. Destaque para a música "Difícil de Entender", que chega a ser irônica, pois até hoje só Gordo sabe o que está cantando! Este petardo foi lançado nos EUA pela Alternative Tentacles Records, gravadora de Jello Biafra (The Dead Kennedys).

No final de 1998, o RDP participou do tributo ao Sepultura cantando "Biotech is Godzilla" no qual estrearam seu novo baixista Fralda (ex–Blind Pigs), já que o anterior, Pica–Pau, deixou a banda logo após a turnê européia do grupo no começo de 98.

Aliás, ser baixista no RDP é ‘missão impossível’. Já passaram pela banda, entre outros, Pica–Pau, Fralda, Bart, Jabá, Mingau... nenhum deles de muito destaque, de qualquer modo. Já na guitarra, Jão é soberano desde o início do grupo. Boka, o baterista, além de tocar no RDP tem uma gravadora/distribuidora, a Pecúlio Discos, que dá uma chance para bandas que estão começando neste gênero. Já o vocalista/fundador/idealizador, o folclórico (!) João Gordo, é o mesmo de sempre só que cantando com mais de dez anos. Com músicos não tanto destacáveis (à exceção de Boka, que manda ver no instrumento!), mas com muita determinação, se mantém no cenário musical mesmo que sendo no RDP. Além disso, Gordo continua com seu programa na MTV e outro no rádio.



No ano 2003 o baixista Fralda saiu dos Ratos de Porão para se dedicar a sua então banda paralela Forgotten Boys. Em seu lugar entrou o baixista Bin-Lacto.

(Colaborou: Gero Montani)

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