A gente ouve o nome e o trabalho de tantos músicos durante nossa vida que, muitas vezes, esquece de um ou outro. Quando vem à baila seu nome, só aí nos lembramos dele e do que ele fez. Há uma seleta lista, entretanto, que nunca nos esquecemos. São aqueles que nos marcam e que nos motivam. São nossos ídolos e nossas influências. São nossos, digamos assim, “Pais Musicais”.

John figurava, ao lado de Jack Bruce e Chris Squire, na minha santíssima trindade do rock. Muito embora eu tivesse alguns tantos ídolos e influências, no rock ninguém me falava mais ao coração que esse trio. Sua figura impassível no canto do palco com um Fender Precision era tão forte no meu imaginário que, ao receber um baixo desse modelo, encomendado a um luthier, imediatamente batizei-o de Johnny, para homenagear o músico que me fez ver a importância que aquelas quatro cordas tinham na massa sonora de uma banda.
Está por aí, para quem quiser constatar, os registros de sua participação nos três maiores festivais de rock da virada dos 60 para os 70: Monterrey, Wight e Woodstock. O grupo no auge e, lá do lado esquerdo, sólido e quieto como um boi, o baixista que conseguia segurar a barra de acompanhar os egos de Pete, Keith e Roger.
John era The Face; era Doctor Jimmy e Mr. Jim. Ele era Boris The Spider e era The Ox. Um colecionador de baixos elétricos com profunda paixão por seu instrumento. Foi ele quem mostrou ao mundo que existia o violão baixo, no caso um modelo Ernie Ball gigantesco e meio desengonçado. Foi John Entwistle quem gravou o primeiro solo de baixo em um disco de rock, “My Generation”. Foi ele, também, que apresentou ao mundo um novo conceito em tocar baixo, com uma técnica e agilidade impensadas até então. O baixo elétrico só sofrera uma revolução assim com James Jameson (Motown) e só haveria outra igual com Jaco Pastorius.
Agora eu sou um órfão musical. Vou rever mais uma vez o The Who na Ilha de Wight e ouvir um de seus discos solo, “Too Late The Hero”. Não faz a dor passar, mas sempre vale a pena.
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