Faleceu dia 11/09 aos 45 anos de causas naturais o guitarrista Dudu Chermont, da formação original da Patrulha do Espaço. Aqui uma homenagem a um ícone da História do Rock Brasileiro.
O Garoto
Luiz "Barata" Cichetto
"... Mais algumas músicas e Dudu sobe ao palco, empunha sua guitarra e solta "Arrepiado" e "Depois das 11". Como é bom ver Dudu Chermont de volta ao palco! "Como é bom tocar", ele diz quando eu o abraço numa reverência...".
O trecho acima é do Diário de Bordo da Patrulha do Espaço, algo que eu sempre edito quando acompanho a banda em alguma apresentação.

Naquele dia, a apresentação da Patrulha do Espaço na Led Slay era para ter inúmeros outros convidados... Mas apenas tínhamos conseguido a presença da Alexandra. Passamos a tarde na casa arrumando as coisas, a banda passando som e às 8 da noite retornei a minha casa, próxima dali e Júnior e os outros músicos rumaram para suas casa para se prepararem. Quando saia do banho, recebi uma ligação dele: "Barata anota ai: o Dudu vai tocar com a gente hoje!". "Porra, du caralho, mano!" Eu gritei. "Há uma porrada de anos que eu não vejo o Dudu ao vivo.". Desliguei o telefone, acabei de colocar a roupa e corri para o computador tentando comunicar o maior número de pessoas da presença do Dudu.
Meia noite e pouco a Patrulha no palco e num determinado momento, Júnior chama Dudu Chermont ao palco. Aquele "garoto" empunhando sua guitarra é transformado pelos Deuses do Rock num semideus. Claro que muitas pessoas ali presentes sequer sabiam quem era aquele "garoto", mas os deuses nunca erram e ele estava ali, "Me deu a mão, fiquei arrepiado...". Terminada sua participação foi isso que aconteceu. Ele repetiu duas ou três vezes: " Como é bom tocar, cara!".
O show acabou e fomos embora, mas aquela imagem, não saiu da minha cabeça. Sabia que Dudu tinha passados maus momentos, com a saúde debilitada e vê-lo ali de novo, exultante e vivo era fantástico. Cerca de quatro meses depois, encontrei Dudu novamente no centro Cultural, quando ele tocou junto com outra surpresa, o Percy Weiss... O amigo Cebola registrou o encontro em uma foto no camarim. Foi a última vez que o encontrei e agora, ao acordar em 12 de setembro de 2003, com um telefonema do Júnior contando que Dudu fora encontrado morto na tarde anterior, caído no banheiro, sozinho...

Preferi não contar a história de Dudu Chermont, pois a história daquele "garoto", pode mesmo ser a história de quase todos os roqueiros de verdade neste país, a história de Dudu pode ser a sua ou a minha, que embora nunca tenha sido músico, sempre tive o Rock como modo de vida. Alguém sabe onde andam os músicos do Casa das Máquinas, do Terço? Onde anda Arnaldo Baptista? Onde andará a turma do Sindicato? Do Joelho de Porco? Cadê o pessoal do Ave de Veludo? Por que terras caminham os músicos do Ave Sangria, do Bixo da Seda, do Neblina? Em que mares navegam os caras do Mar Revolto? E o Veludo? E A Bolha? E...? E...? E tanto e tantos, que desapareceram depois de plantar sementes que, por uma estranha ironia frutificou frutos um tanto adocicados ou podres...

Eduardo Chermont de Carvalho
* 18/02/1958
+ 11/09/2003
Luiz "Barata" Cichetto
14/09/2003
Crédito da Foto do Centro Cultural:
Centro Cultural São Paulo, 20/07/2003:
Renê Seabra, Percy Weiss, Dudu Chermont
Foto: Cebola (Camiseta Branca).
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Sou Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal, do ano da Graça do nascimento de Madonna, Michael Jackson, Bruce Dickinson, Cazuza e Tim Burton. Sou poeta, escritor, produtor e apresentador de Webradio, produtor de eventos e procuro pagar as contas trabalhando com criação de sites. Crescí escutando Beatles, Black Sabbath, Pink Floyd e Led Zeppelin. Participei da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos, deixei de ser poeta e fui tentar ser homem, o que no entender de Bukowiski é bem mais difícil. Escrevo poemas desde que comecei a criar pêlos.... nas mãos. Trabalhei como office-boy, bancário, projetista de brinquedos e analista de qualidade. No final do século XX, acordei certo dia de sonhos intranquilos e, transformado em um ser kafkiano, criei um projeto cultural na Internet nos moldes dos antigos panfletos mimeográficos. Mesmo antes de meu processo de metamorfose, nunca deixei de cometer poemas, contos e crônicas. E embora tenha passado dos três dígitos o numero de textos escritos, nunca ganhei um prêmio literário. Fui apaixonado por Varda de Perdidos no Espaço, Janis Joplin, Grace Slick e Sonja Kristina; casei quatro vezes e tenho dois filhos, Raul e Ian. Atualmente sou também editor, costureiro e colador de livros, num projeto de editora artesanal.
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